Seaweed Brain
6 O baile
Annabeth acordou com o reboliço no palácio. Geralmente quando sua mãe inventava de dar algum baile, não dava nem nove da manhã para o lugar ficar insuportável. Annabeth escutou a voz de seu tio Ares gritando por causa de alguma besteira e em seguida ela enfiou a cabeça debaixo de seu travesseiro, a última coisa que ela queria era ter que aturar sua família. Ainda mais depois de ter visto aquele rapaz sereia no mar. Ela vestiu uma túnica azul meio acinzentado, um par de sandálias de couro e antes que sua tia Afrodite, resolvesse irrita-la, ela colocou uma pulseira de metal com um pequeno diamante e saiu do quarto. Encontrou Malcom e Nico pulando na cama do quarto em que dividiam brigando com os travesseiros de penas de Pégaso.
A princesa foi para o quarto que Bianca dividia com Thalia, as duas usavam túnicas na altura do joelho e usavam alguma joia. Thalia com uma túnica azul escura e Bianca com uma amarela ovo. Nenhuma das três queria descer e falar com a família, Thalia era ressentida com seus muitos irmãos e Bianca não gostava de metade dos primos. As meninas ficaram conversando coisas bobas, mas foram interrompidas por Quíron lembrando que era responsabilidade delas irem falar com a família. Mesmo resmungando, as três foram até o salão de visitas onde todos estavam com suas malas esperando os quartos em que iam ficar terminarem de ser arrumado. Luke conversava com o pai, mas não parecia tão animado com o baile quanto o resto dos tios. Annabeth percorreu com o olhar tentando achar sua tia Ártemis (a única tia que ela gostava), mas não a encontrou, nem ela e nem sua mãe. Héstia era quem fazia sala para os sobrinhos.
— Ora, ora! Vejam se não é nossa irmãzinha querida, minha prima quietinha e a minha sobrinha real! – riu Ares sarcástico. – Bom dia meninas!
— Tio Ares. – Annabeth fez um gesto de respeito.
— Vocês cresceram ou é impressão minha? – disse Hefesto.
— Claro que cresceram Hefesto! A última vez que você as viu elas tinham sete anos! – bufou Afrodite para o marido.
— Querida irmã. – disse Apolo todo galanteador. – Vejo que fica mais bela a cada dia!
— Não enche. – disse Thalia severa.
Alguns reprimiram um risinho, mas Annabeth e Bianca tiveram que se manter sérias. Annabeth não podia faltar com respeito ao seu tio, mesmo não gostando dele. Ares era corpulento, usava uma túnica vermelha com armadura de couro por debaixo, sempre com uma cinta segurando uma espada, ele tinha algumas cicatrizes no rosto por batalhas do passado, cabelo pretos em corte militar e óculos de sol no rosto, mesmo estando em lugar fechado. Hefesto era mais alto que Ares, igualmente corpulento, porém com a pele castanha de tanto trabalhar perto do fogo, algumas poucas queimaduras, mãos ásperas, barba e cabelo grande cor preta e usava uma perna mecânica; usava uma túnica azul marinho com uma cinta prendendo seu machado favorito. Diferentemente do marido, Afrodite era linda; cabelos loiros encaracolados, olhos de um azul intenso, lábios carnudos e sempre andava maquiada, usava uma túnica verde água com acessórios de ouro.
— Annabeth, Thalia, Bianca... por que vocês não vão tomar café na cozinha? – sugeriu Héstia. – Aproveitem e vejam se conseguem fazer com que Malcom e Nico parem de destruir os travesseiros.
— Sim senhora. – disseram as três em uni solo.
— Quíron, não precisa acompanha-las, já estão bem grandinhas. – disse Héstia claramente dizendo: “ajude-me”.
— Sim senhora. – ele disse tentando forçar um sorriso.
As meninas conseguiram conversar os diabretes a irem tomar café junto com elas. Ella, a harpia chefe de cozinha, picava Nico e Malcom toda vez que eles tentavam chegar perto da comida que seria servida no baile.
— Luke está estranho. – comentou Thalia dando extrema atenção ao seu prato com cereal e leite.
— Como assim? – perguntou Bianca levando o garfo a boca.
— Não sei, só sei que ele está estranho. – ela disse claramente triste.
Bianca e Annabeth se entreolharam. Elas sabiam que Thalia tinha uma queda por Luke, mesmo sem nunca ter assumido nada. E Annabeth lembrava claramente de ter ouvido os dois conversando na noite que ela foi à praia, mas não havia dado muita atenção às palavras deles. As meninas passaram o resto do dia tentando se esquivarem dos tios ou impedindo que Nico e Malcom se metessem em algum problema (do tipo: tentar tocar fogo na túnica dos outros). Mesmo com tantos problemas em mente, Annabeth não conseguia se esquecer daquele rapaz, até enquanto estava tomando banho e se aprontando para o baile ela ficou pensando nele... o que não era algo usual. Era Annabeth! Não uma garotinha qualquer que se apaixona pelo primeiro desconhecido que vê na rua! O que tártaros estava acontecendo com ela?
Ela deveria estar preocupa com o fato de sua mãe e de sua tia Ártemis não terem aparecido o dia inteiro, mas só conseguia pensar nele. Para o baile, Annabeth vestiu um vestido cinza novo que ressaltava seus belos olhos cor de tempestade, com pulseiras de ouro e uma cinta também de ouro. Com um enfeite de ouro no cabelo que lembrava uma coroa de louros, mas era mais feminino e gracioso. Ela se olhava no espelho de sua penteadeira quando alguém bateu a porta.
— Entre. – disse sem emoção.
— Sua alteza está deslumbrante. – disse Quíron com um sorriso no rosto.
Annabeth deu um sorriso fraco. Ela não estava com humor. Quíron usava uma toga branca que combinava com sua bunda de cavalo.
— Soube do que aconteceu hoje na cidade? – ele disse na intenção de fazê-la rir.
— O que?
— Um turista apareceu pelado e confuso. Tentou pedir informações, mas o coitado é mudo. Os guardas quase o prenderam por atentado ao pudor, mas o rapaz estava tão confuso e perdido que o liberaram por pena. Até deram um par de roupas a ele. – disse Quíron com um sorriso quase tão fraco quanto o dela.
— Pobre rapaz. O que será que o deixou tão confuso?
— Atenas é uma cidade para grandes intelectos, talvez o dele seja pequeno. – Quíron deu de ombro.
Annabeth sabia que o mentor estava tentando fazê-la se sentir melhor, quem sabe até rir de um pobre coitado que estava em uma situação pior que a dela, mas por mais que as intenções de Quíron fossem boas, ela apenas forçou um sorriso. O centauro a guiou até o salão oval, onde ocorreria o baile. Ela pode ver a nobreza e os sábios todos bem vestidos e conversando enquanto bebiam vinho. Thalia usava um vestido azul da cor do céu, com uma tiara prateada. Bianca usava um vestido marrom quase preto, enquanto seu irmão usava uma túnica preta. Malcom usava uma túnica laranja e Annabeth não via Luke em lugar algum. Ela desceu as escadas e comprimento toda a família e os convidados, com seu melhor sorriso no rosto, mesmo estando morta por dentro.
Seu tio Hefesto agora usava uma túnica cor de terra e gargalhava das piadas de Hermes, que usava uma túnica azul bebê quase cinza. Ares usava uma túnica vermelho sangue quase parecido com o vestido de Afrodite, que lhe ressaltava as curvas do corpo. Seu tio Dionísio usava uma túnica vinho com detalhes em dourado, enquanto sua tia avó Deméter usava um vestido verde oliva e comia quase que sem parar. Héstia usava um vestido verde meio lama, com um xale cor de madeira por cima e sorria confortável para todos. E seu tio nada querido, Apolo, usava uma túnica amarela com detalhes em laranja e estava atiçando Malcom e Nico para alguma brincadeira estúpida para varear.
— Atenção, por favor. – chamou Atena.
Todos voltaram à atenção para o topo da escada. A rainha usava um vestido cinza claro com detalhes cor de ouro e tinha o cabelo preso para trás. Ao lado dela, sua irmã mais velha, Ártemis, usando um vestido branco pérola com detalhes cinza. A maquiagem escondia, mas estava claro que a tia de Annabeth passara horas chorando.
— Estamos aqui reunidos nessa linda noite de verão para celebrar a família. – disse Atena em sua voz de discurso. – Sei que nossa família não é o melhor exemplo de um clã, considerando o fato de que minha tia Hera matou o próprio irmão para conseguir suas terras e minhas tias Deméter e Héstia arrumaram a morte dela. E de todos os meus irmãos terem abandonado nossa irmã caçula e Perséfone ter roubado as terras do marido, deixando os filhos dele a merecer. E que meu irmão mais velho Apolo enganou sua irmã gêmea para que ela matasse o próprio noivo.
Annabeth conhecia tanto a mãe que já esperava um discurso daqueles. Atena gostava de lembrar os irmãos que ela era a melhor entre eles, a justa, a que acolheu os próprios primos e a irmã menor, a única com compaixão. Atena simplesmente gostava de se gabar. Annabeth correu a vista pelo salão, ninguém pareceu incomodado com as palavras, muito menos os que não faziam parte da família e que estavam na festa por seus títulos de nobreza ou por serem os mais sábios da cidade.
— Quero agradecer a presença de todos vocês e desejar uma excelente noite. Mas antes, como é uma festa cujo interesse é a família, eu gostaria de anunciar uma união entre dois membros da nossa adorada família em matrimônio. Eles que irão governar e fazer da Grécia uma potência que será lembrada para todo o sempre. – disse a rainha séria.
Annabeth rapidamente olhou para Thalia, se a tia se cassasse com Luke, seria uma maravilha! Fora o fato de que esse era o desejo secreto de Thalia. Bianca estava mais pálida que o normal e fez um sinal com a cabeça para Annabeth perguntando se ela tinha alguma ideia do que a mão estava falando, a princesa moveu os lábios dizendo “não”.
— Lucas, filho de Hermes. – anunciou Atena, Luke apareceu atrás de Ártemis e logo se posicionou na frente da rainha, degraus a baixo para não ficar mais alto que ela. Usava uma túnica azul escura quase roxa, o que fazia a cicatriz de seu rosto parecer mais branca. – Com minha adorada filha Annabeth.
Alguns cochichos correram pelo salão, Thalia ficou mais pálida que Bianca, que já estava muito pálida. Malcom e Nico franziram o cenho, se perguntando o que estava acontecendo. Com exceção de Hermes, Ártemis e Atena, os demais adultos da família estavam tão surpresos quanto Annabeth. Por falar na nossa querida princesa, ela estava imóvel, quase transparente de tão pálida e queria vomitar seu próprio estômago se fosse possível. Um formigamento dominou o corpo de Annabeth, que mal conseguia sentir as próprias pernas, então Dionísio empurrou a sobrinha até que ela chegasse ao pé da escada. Luke desceu oferecendo-lhe a mão, como um bom cavalheiro, mas ele tinha no rosto a expressão de que iria desmaiar, suava frio e pareia tão inconfortável com a situação do que Annabeth.
— Que esses dois corações consigam não só governar nossa amada Grécia com o melhor de si, mas que também prosperem e gerem muitos frutos. – disse Atena olhando a filha com uma expressão bem clara “você VAI concordar com essa união”. – Agora, que a anciã se pronuncie.
— Anciã é a senhora sua mãe! – resmungou Deméter. – Que os deuses os abençoem e blá, blá, blá, tenham muitos filhos! E que não haja nenhuma guerra durante seu reinado e etc. e tal.
— Isso foi inspirador. – Apolo zombou a tia.
— E você faz melhor, moleque? – disse Deméter.
Apolo limpou a garganta num pigarreio e começou a recitar uma poesia, Ártemis ficou reclamando com a tia, dizendo que ela não devia ter desafiado ele, que é fascinado por poesia e que é extremamente irritante (eu sou filha de Apolo, então posso falar isso). Atena logo cortou o irmão mais velho e anunciou a primeira dança, obrigando a filha a dançar com Luke. Annabeth queria se matar. Na verdade, ela já estava considerando as opções. Tiro na cabeça, veneno, muitos remédios, enforcamento... mas todas as opções sumiram de sua cabeça quando ela o viu. Enquanto Bianca forçava Nico a dançar com ela e Thalia (completamente transtornada) era guiada por Malcom (que, por ter nove anos, era metade do tamanho da moça). As nove musas tocavam uma valsa, mas Annabeth não prestava atenção em nada, nem mesmo na explicação de Luke.
Ela só o via. O mesmo rapaz que a salvou no naufrágio, que ela viu sobre o hipocampo com uma calda verde de sereia. Mas ele tinha pernas e usava uma túnica azul escura, com detalhes verde. Os cabelos negros levemente desgrenhados pelo vento o deixavam parecendo um surfista, os olhos tão verdes que Annabeth se perguntou se os olhos dele eram feitos de planta, ele era alto e evidentemente musculoso, mas músculos normais, não como de um atleta. Ele parecia desajeitado e tropeçava em suas próprias pernas e aparentemente também a viu, pois ele deu um sorriso tão feliz e largo que fez o coração de Annabeth parar. Foi só ai que ela percebeu que estava corando igual a ele e com o mesmo sorriso bobo que ele.
“O que tártaros está acontecendo comigo? Eu mal conheço esse rapaz! Por que eu estou assim?” ela pensou.
Mas não havia como negar. Mesmo ali, sem saber nada um do outro, apenas se encarando enquanto todos ainda digeriam a surpresa do noivado, nada mais importava. Era como se só houvesse eles no mundo e era uma sensação tão maravilhosa que fez Annabeth esquecer por completo do problema que sua mãe a meteu. Ali, apenas se encarando, ambos sabiam que amavam o outro.
Lembrando: VÃO PARA O CINEMA VER MAR DE MONSTROS! O filme pode ser infiel, mas se conseguimos bilheteria o suficiente para continuação, talvez a Fox tome vergonha na cara e seja fiel ao livro dessa vez.
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