Se recuse a afundar
1 Que se dane essa p**** de sociedade
Notas iniciais
Analu feelings
João e eu tínhamos tantas decisões para tomarmos, tínhamos tantos problemas para resolvermos, contas para pagar, projetos da faculdade, TCC, problemas na família e ainda sem falar de toda carga emocional que carregávamos... Nos sentíamos esgotados emocionalmente!
Mas como todo jovem sem limites à beira do caos, decidimos fazer uma festa. Isso mesmo, uma festa.
Sim, tínhamos acabado de perder nossos pais, sim, estávamos devastados, sim, sentíamos muita dor, sim, passamos os dois primeiros meses do luto chorando até desidratar, sim, estávamos um lixo e sim, decidimos recomeçar.
Nossos dois primeiros meses de luto foi a fase mais obscura da minha vida, estava pensando seriamente sobre inúmeras formas de lidar com a dor — ainda dói falar sobre isso -, mas ainda bem que existem pessoas que não desistiram de mim, nem do João, e por isso fizemos um pacto de recomeçar. E o nosso primeiro passo em direção ao recomeço era vender a nossa casa.
Caralho, a NOSSA casa, NOSSA CASA, Que agora era tão vazia e sem vida, sem as pessoas que a tornaram possível, concreta e real. Sonhamos com cada pedacinho, cada canto, cada detalhe daquela casa era um sonho que tinha se realizado. Nós a amávamos profundamente, foi o nosso lar desde os quinze anos de idade, foi ali onde crescemos, onde cativamos tantas lembranças maravilhosas. E agora tínhamos que abrir mão.
Tínhamos que abrir mão para pagarmos algumas contas e o custo de vida ali era muito alto, além do orçamento. Quer dizer, eu e João ainda éramos universitários, não sobreviveríamos ali, não iriamos dar conta de mantê-la. Uma casa enorme, com tantos cômodos, com tantos gastos... Era fora de cogitação continuar morando ali, por isso nosso primeiro passo foi colocá-la a venda.
Recebemos muitas propostas, mas nós queríamos vender pelo melhor preço que conseguíssemos, e antes de vender, decidimos fazer uma festa de despedida da Newbold House.
Nossos familiares achavam que estávamos loucos, nossos amigos achavam bizarro, a sociedade pensava que éramos filhinhos mimados frios e sem coração. Mas eu e João não nos importávamos, as únicas pessoas das quais nos importávamos era nós mesmos.
Era eu e João contra o mundo.
Dane-se o que vão pensar, acreditávamos que tínhamos o direito de nos despedir daquela casa do nosso jeito, da forma que nós queríamos. Meus pais dedicaram anos e anos para comprá-la e reformá-la, sabíamos o quão valiosa ela era, não pelo valor em real, mas no valor do suor e da garra com que nossos pais haviam lutado para nos proporcionar uma casa melhor.
PORTANTO, ACEITE SOCIEDADE, VAI TER FESTA SIM! VAI TER DESPEDIDA SIM! VAI TER JOÃO E ANALUA SE DIVERTINDO SIM! VAI TER RECOMEÇO SIM!
Afinal, aquela casa nos proporcionou momentos tão felizes, alegres, momentos tão inesquecíveis... Por que tínhamos que nos despedir com tristeza em nossos corações? Por quê? Se nossos pais nos ensinaram a encarar a vida sempre com um sorriso no rosto? Quer dizer, papai e mamãe adoravam festas!
Licença sociedade, vocês não sabiam e nem sabem nada sobre os Newbolds. Antes de abrir a boca para julgar, tentem compreender.
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