Se eu estivesse aí com você...
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Se eu estivesse aí com você...
A manhã estava quente naquele final de primavera em Washington. Incomodada com o calor que sentia, Beckett acordou, tateando cegamente para encontrar o despertador naquela penumbra matinal.
“Ah, não!” exclamou pegando o relógio, que estava uma hora antes de sua hora normal de acordar. Ainda não havia se acostumado ao novo lugar e nem sabia se iria conseguir isso.
Lamentando, começou a livrar-se do lençol que a cobria, sentando-se à beirada de sua cama. Esfregou o rosto tentando tirar o resto de sono, e forçando seu corpo a mover-se para encarar um novo dia. Estava cansada de todo treinamento do FBI. Não era o tipo de pessoa de voltar atrás em suas decisões, muito menos desistir na primeira dificuldade, mas seu corpo clamava por um bom descanso, coisa rara nos últimos dias.
Esticando-se um pouco mais, pegou seu telefone que estava sobre a cômoda e verificou que havia duas mensagens enviadas quase naquele mesmo instante. Somente isso para aliviar tudo o que estava passando naquele momento. Certezas já haviam se tornado dúvidas. Nunca pensou que fosse sentir tanta falta de Nova Iorque e, principalmente dele, seu escritor e o amor de sua vida. Como sabia que ela estava pensando nele? Aliás, era de se esperar, pois com essa distância entre eles, os pensamentos de Beckett sempre estavam nele.
Ao abrir seu whatsapp, deparou-se com uma foto de Castle molhado embaixo da ducha “pensando em você”. Não podia acreditar que estava vendo aquilo. Sério que ele teve essa audácia de mandar isso para ela logo de manhã?
“Já está jogando sujo?” respondeu para ele, mesmo segurando seu riso.
“Não sabia que estava acordada. Mas já sai do banho, pode ficar tranquila. Entretanto, continuo pensando em você, sempre.” Ele respondeu quase no mesmo instante.
“Agora eu quem vou tomar banho...” como sempre, teve que provocá-lo, pois saberia que aquela mente hiperativa iria desdobrar o simples pensamento em vê-la nua.
“Kate Beckett! Colocando pensamentos impuros em minha mente a essa hora da manhã?”, rebateu incrédulo com a provocação. Sim, ele queria estar ali ao lado dela e iria fazê-la gritar seu nome durante o simples banho.
“Eu não fiz nada, só avisei que estava indo tomar meu banho, afinal, você quem fez questão de avisar-me disso essa manhã...” Sim, ela queria que ele estivesse ali e não apenas em uma simples fotografia, queria o corpo dele contra o seu durante o banho.
“Hum... Se eu estivesse aí com você...” nesse jogo, os dois poderiam jogar, então Castle também não perdeu a oportunidade de instigar a mente dela com pensamentos pecaminosos.
Mal acabou de ler a mensagem, o telefone da agente do FBI tocou. Não precisando ser clarividente para saber quem seria, atendeu prontamente, sem verificar quem era.
“Beckett.”
“Se eu estivesse aí com você...”, ela inspirou o ar fortemente ao escutá-lo, “...imaginaria seu corpo suado após estarmos ocupados por boa parte da noite. Eu acordaria você beijando seu pescoço, aquele lugar atrás da orelha que você tanto gosta. Sentiria seu cheiro...”
“Se você estivesse aqui comigo, ainda estaria dormindo enquanto eu iria trabalhar”, Kate respondeu o óbvio.
“Sim, mas somente daqui a algum tempo, já que, pelos meus cálculos, você acordou mais cedo hoje...”, a voz sedutora dele continuava, cantarolando ao telefone, seduzindo-a cada vez mais. Mas precisava parar com isso antes que se atrasasse para o trabalho.
“Castle, sério que você está querendo fazer sexo por telefone a essa hora da manhã?”, tentava disfarçar sua voz, pois estava no banheiro, nua, de frente ao espelho e rindo. Se ele a visse agora, certeza que continuaria com a brincadeira.
“Mas eu, jamais...” Rick fingiu-se inocente, apesar de saber muito bem o que estava fazendo, “Como pode pensar isso de mim, agente?” baixou um pouco mais seu tom de voz, para que cada nota impregnasse nela e fazer coisas que somente ele conseguia.
Ao escutar ele chamá-la por sua nova patente com aquele som barítono que ela tanto amava, seu corpo não pode deixar de responder, mesmo contra sua vontade.
“Nem parece que conviveu tanto tempo comigo e não foi contagiada com um pouco de imaginação...” ele continuou instigando-a, uma hora iria conseguir o que queria.
“Você, mais do que ninguém, sabe que tenho muita imaginação, Rick.”, enfatizando bem seu primeiro nome, Beckett entrou no jogo e que Deus o ajudasse, ela iria torturá-lo com requintes de crueldade ao telefone.
Escutando ele engolir rapidamente, Kate continuou. “Nesse momento, eu estou completamente nua, frente ao espelho, querendo muito tomar banho, mas sem poder por estar segurando o telefone.” Pronto, a semente maligna já foi plantada naquela mente imaginativa.
“Não seja por isso, coloque no viva voz”, obviamente ele já havia pensado numa solução plausível.
Pensando bem, ela fez o que ele pediu, colocou o telefone sobre um pequeno banco que ficava próximo ao box e ligou a água. Sim, ele iria escutar tudo e ficar babando ao telefone. Então continuou a narrar “A água está fria, arrepiando todo meu corpo, e você não está aqui...”
“Mas se eu estivesse aí com você, minhas mãos estariam passeando sobre seu corpo juntamente com aquele sabonete que você usa, porque sabe que eu amo o cheiro.” O escritor não deixaria barato, também sabia provocá-la. Se ela queria uma narrativa NC, ela teria.
“Eu jogaria seu corpo contra os ladrilhos gelados. Você chamaria meu nome ofegante, como sempre faz, enquanto eu prenderia seu corpo com o meu, inebriando-me com o gosto de seus beijos. Minhas mãos continuariam a jornada pelo caminho que tanto conhecem...”
Deus! Ela ficaria louca com isso. Não estava aguentando e estava fazendo justamente o caminho que ele narrava com as mãos. Caiu em sua própria armadilha.
“O que mais, Castle? O que você faria?” incitou a continuar.
“Você pode sentir isso? Sua pele quente contra a minha, seu corpo tremendo de antecipação pedindo por mais, mesmo quando você tenta se controlar.” Ele baixou mais o tom de voz, deixando de uma forma extremamente sedutora, da mesma maneira como ele faz quando está falando ao pé de seu ouvido. “Enquanto você vira sua cabeça para cima para tentar respirar, deixa meu acesso livre ao seu pescoço. Minha língua buscando as gotas de água que escorrem pelo seu corpo, enquanto minhas mãos percorreriam um pouco mais abaixo, brincando com seus seios extremamente sensíveis ao meu toque.”
Mesmo com a distância, ele faria de tudo para permanecer marcado no corpo e na alma dela, de forma que ela jamais poderia cogitar em esquecê-lo. Então, suspeitando exatamente o que Kate estava fazendo, Castle continuou. “Se eu estivesse aí com você, eu viraria seu corpo de costas para o meu, para que eu tivesse acesso livre onde eu mais gosto de estar.” Ele a escutou ofegar, “Faria de tudo para dar-lhe prazer, pois esse é o objetivo que tenho, sempre...”
“Castle, você...” ela tentou coordenar palavras coerentes, mas em vão.
“Eu não deixaria você falar, viraria sua cabeça para mim e a calaria com minha boca. Beijando-a tão fortemente que somente isso você iria querer.” Ele sabe mais sobre ela que Beckett pensava. “Minha mão subiria pela sua coxa, arranhando um pouco, deixando você arrepiada no caminho. Eu colocaria, propositalmente, uma marca minha na lateral de seu pescoço, para que qualquer homem que a enxergasse, veria que você é minha.”
Quando Castle tornava-se dominante na cama, ela não conseguia resistir, ele sabia onde tocá-la, como fazer seu corpo vibrar com cada movimento. Aquele olhar brincalhão ficava escuro e sério, sabendo exatamente o que fazer.
“Se eu estivesse aí com você, tocaria seu centro, fazendo-a gritar meu nome em plena manhã quando chegasse ao seu primeiro ápice, pedindo por mais, o que eu daria prontamente.” Essa brincadeira já estava deixando-o louco. “Viraria seu corpo de frente para o meu outra vez e a levantaria, sustentando todo seu peso em mim, empurrando-a contra a parede fria novamente.” Ele ansiava fazer tudo isso e muito mais com ela.
“Deus, babe...”, Richard escutava ela ofegar mais, sabia que estava conseguindo o que queria.
O escritor continuou sua narrativa: “Se eu estivesse aí com você, veria seus olhos mudarem de cor para um mel escaldante enquanto eu a completasse devagar, mesmo que você implorasse por tudo de uma vez, puxando-me mais com o aperto de suas pernas ao redor de minha cintura.”
Ele inspirou difícil para continuar e Beckett o ouviu, sabendo que eles estavam tão perto, mesmo tão longe. “Eu faria movimentos lentos somente para provocá-la, mas com seu corpo ao redor do meu, também não aguentaria muito tempo. Sua pele quente tocando-me por todas as partes, suas mãos puxando o cabelo de minha nuca cada vez mais forte. Eu iria senti-la morder meu ombro para evitar outro grito de prazer, quando tivesse chegando ao seu auge novamente, o que me faria desmoronar em você logo em seguida.”
Escutando-a ofegar mais forte, Richard sabia que ela tinha chegado ao limite juntamente com sua narrativa. Tinha conseguido o que tanto almejava. Estaria em seu sistema por todo o dia, Beckett jamais poderia esquecê-lo.
“Sério, Castle, isso que você faria se estivesse aqui?” ela perguntou ainda com a voz falha pelo prazer que ele provocou.
“Se eu estivesse aí com você, isso seria o mínimo que faria, pois pode ter certeza que não me controlaria tanto com seu corpo junto ao meu.” Castle respondeu o óbvio. “Porque você sabe que eu te amo e mesmo essa distância não pode me impedir de te dar prazer.”
Então foi por isso toda essa brincadeira. Beckett percebeu que ele estava com tantas saudades quanto ela e precisava saber que estavam nisso juntos. “Eu também te amo, Rick. Muito.”
Exalando o ar que não sabia que estava prendendo, Castle desejou um bom dia de trabalho a ela e desligou o telefone, tentando pensar em tudo que estava acontecendo em suas vidas.
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Naquele mesmo dia, tarde da noite, Beckett chegou a casa e estava tirando sua roupa para colocar algo mais confortável. Não podia deixar de sorrir ao lembrar-se do episódio ao telefone dessa manhã. Amava-o tanto que chegava a doer essa distância imposta aos dois. Queria que ele estivesse aqui com ela, desejava que pudessem ficar em algum lugar isolado, onde nenhum problema pudesse tocá-los. Queria cuidar dele, como ele fazia com ela, com os mínimos detalhes.
Um som vindo de seu telefone chamou-lhe a atenção. Whatsapp novamente com uma mensagem dele. Como descobria o momento exato em que estava pensando nele? Não que isso fosse difícil, já que até o ar que respirava fazia parte dele. Abriu a mensagem para ler.
“Abra a porta.” Intrigada, Beckett foi até a porta e fez o que ele pediu, deparando-se com um Castle segurando uma pequena mala em suas mãos.
“O que está fazendo aqui?”, Kate perguntou-lhe não contendo o grande sorriso formar em seus lábios, puxando-o para dentro de sua residência.
O escritor abraçou e fechou a porta usando o corpo da agente, prensando-a ali. Beijou sua noiva com vontade após várias semanas sem se verem. Ao terminar sua abordagem, falou em seu ouvido “Agora estou aqui com você e não ao telefone”. Provavelmente a noite estaria longe de terminar.
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