Notas iniciais
Dedicada a amiga Fahdenha que sempre está me ajudando e me passando notícias *-* Obrigada.

Não era a primeira vez que HongKi acabava uma noite bêbado e certamente não seria a última vez. Sentia vergonha por aquele estado e pelo motivo pelo qual ele bebia até ficar assim. Amar era muito difícil, ainda mais quando tinha aquele gosto de proibido e de vergonhoso. HongKi sentia isso o tempo todo. A bebida ajudava esquecer. A bebida proporcionava aqueles momentos.

Sabia que o homem que o ajudava a sair do carro agora, depois de muito reclamar, não acreditaria em HongKi se ele não estivesse mesmo bêbado. Seu melhor amigo, Heechul, era um homem inteligente e que o conhecia bem. HongKi não podia fingir, mesmo que desejasse a consciência para tudo o que se seguiria.

E por que fazia isso? Porque somente nesses momentos, Heechul agia como um perfeito amigo e o ajudava com toda a intimidade que a situação permitia. Ele cuidava de HongKi como se ele não fosse capaz de fazer nada.

Assim, com os braços dele em torno do seu corpo, Heechul o ajudava em direção ao apartamento que HongKi dividia com os outros membros do FT Island. O porteiro conhecia Heechul de todas as suas constantes visitas e permitiu a entrada. Não questionou também o estado do morador, não era novidade as noites de balada dos moradores famosos do prédio. Escutou o membro do Super Junior fazer alguma piada sobre seu estado e o porteiro rir como resposta, como se HongKi não fosse lembrar disso no dia seguinte.

Dentro do elevador, HongKi estava debruçado sobre Heechul que o segurava nos braços, comentando maldosamente sobre a situação que se encontravam e tentava apertar o botão para o andar correto. Seu dedo estava alcançado o painel quando HongKi escorreu. Heechul o ergueu com força e o apertou contra seu peito, conseguindo tocar o botão. Reclamou mais uma vez do estado que o mais novo se encontrava, mas suas palavras chegavam embaralhadas ao ouvido de HongKi. Ele apenas riu, achando graça da situação.

Heechul o levou pelo corredor, colocou o código de segurança e entrou no apartamento escuro. HongKi estava passando mal, como sempre ficava quando bebia tanta tequila, mas era a bebida que ele era fraco e que ele poderia encerrar a noite no bar. O mais velho entendia os gemidos de dor de HongKi e o levou diretamente para o pequeno banheiro. Heechul estava falando alguma coisa e esperava uma resposta.

HongKi foi abandonado no banheiro e colocou o que tinha no estômago pra fora. Estava tão concentrado nisso que se assustou quando sentiu a mão gelada de Heechul em sua testa, puxando seus cabelos pra trás. Ouviu o mais velho reclamando e até mesmo xingando. Ao final, HongKi estava todo mole no chão, olhando envergonhado pro amigo.

– Não me sinto bem. – HongKi murmurou e viu Heechul revirar os olhos, se levantar irritado e abrir as gavetas atrás de alguma coisa. Estava muito envergonhado e desviou o olhar. Por que ele fazia isso mesmo? Era só porque queria que Heechul cuidasse dele? Seu hyung sempre estava cuidando dele. Mas mesmo todo o cuidado que ele recebia não parecia suficiente. Algumas vezes, ele queria mais. E só conseguia esse a mais quando ficava naquele estado. Heechul devia achá-lo digno de compaixão, uma pobre alma perdida e que não tinha o amor correspondido.

Sim, porque já tinham conversado sobre isso. HongKi disse que amava e que não era correspondido. Lembrava do olhar de Heechul e como parecia que ele ia rir a qualquer momento. Poderia suportar muitas coisas, mas nunca aquela indiferença. Estava acostumado a todo o descaso que hyung tratava seus relacionamentos, mas realmente não suportaria naquele caso.

HongKi estava com os olhos fechados, já ignorava o mundo a sua volta. Acordou quando sentiu aquela toalha úmida em seu rosto. Fitou Heechul e viu ele sorrir. Seu hyung tinha aquele sorriso bonito e amoroso que sempre aquecia o coração de HongKi. As mechas negras do cabelo dele caíam em seus olhos brilhantes e que sempre deixavam HongKi com vontade de afastá-las. Sempre queria ver bem o rosto dele e seria sempre uma boa desculpa pra tocá-lo. A pele de Heechul era tão macia e bem tratada, como a pele de uma garota. O mais velho preferia assim.

Os dedos dele foram pros botões da roupa de HongKi para livrá-lo da camisa. Era sempre assim. HongKi sabia que ele o forçaria a entrar no banho depois e que o levaria pra cama depois. Era mesmo vergonhoso que ele gostasse de se entregar aos cuidados do seu amigo daquela forma. Ainda assim, não ofereceu resistência. Deixou que ele o despisse, que o erguesse e que o deixasse no box, ligando o chuveiro em sua cabeça.

Sentado no chão, HongKi estava trêmulo com a água fria e ergueu os olhos para Heechul. O mais velho agora não sorria, estava olhando seriamente pra ele. Conhecia aquele olhar dele e por isso, desviou o olhar e encolheu-se dentro do box. Sabia que Heechul estava bravo e que não aprovava aquela bebedeira.

Não sabe quanto tempo passou, mas o mais velho voltou depois, fechou o registro d'água e jogou uma toalha em HongKi. Não o ajudou a ficar em pé, ficou com os braços cruzados enquanto HongKi se enrolava na toalha e saia trôpego do box. Escutou uma nova reclamação e então, sentiu os braços quentes de Heechul e ele o guiou para seu quarto. O mais velho o levou até a cama e saiu do quarto.

Seu estomago estava doendo, sua cabeça estava girando. HongKi lançou a toalha pro lado e deitou na cama, enrolando-se no edredom. Escutou os passos de Heechul e quando ele voltou ao quarto. Abriu um poucos os olhos e o olhou.

– Me desculpe... – Murmurou.

Não houve resposta. O mais velho sentou na cama e o olhou, ainda sério. Estava sem o colete preto e estava com a camisa branca aberta e molhada, colada no corpo. HongKi sentiu o rosto corado e o cobriu parcialmente. Heechul suspirou.

– Por quê? Por que você faz isso toda a vez?

– Me desculpe.

– Você deve gostar muito dessa pessoa, não é? Pra ficar assim toda vez... – Sentiu os dedos dele afastando as mechas úmidas e HongKi queria dizer que o amava. Mas não disse. O mais velho, por fim, sorriu e se levantou. – Muito bem, descanse.

– Eu te amo, Heemin hyung.

Heechul riu e adquiriu logo o seu bom humor. – Claro que me ama. Quem não amaria?

HongKi o viu sair do quarto e suspirou. Era certo que seu hyung nunca entenderia de verdade.

Do lado de fora do quarto, Heechul encostou na porta e soltou o ar, pesadamente. Era tão doloroso quando escutava seu dongsaeng falando aquelas coisas. Ao mesmo tempo que ele queria acreditar, sabia que HongKi falava porque era um amigo amoroso e que nunca escondia seu entusiasmo ou carinho.

Deu um sorriso triste e se afastou da porta. Naquela noite, acreditaria que aquela declaração era verdadeira e não ficaria tão enciumado por HongKi amar outra pessoa que não fosse ele.

FIM.

Notas finais
Sempre sou temerosa com meus finais.
História simples '-'
Reviews eu gosto.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!