Quarto de Fernando

— o que vai acontecer comigo Ana? — estava fraco e cheio de fios, ligado a muitos aparelhos.

— conseguimos um doador de médula pra você meu amor — passa os dedos pelo cabelo dele — o médico falou que em pouco tempo você se recupera.

— Ana eu vou sair logo? — pergunta preocupado — vai dar certo?

— meu amor — beija a testa dele com carinho — não vai acontecer nada com você e eu prometo que vai ficar tudo bem.

— você sabe quem é meu doador?

— o Máximo — fala e deixa escapar um sorriso — ele fez os exames e é compatível.

— mas porque ele Ana? — fala um pouco confuso — ele aceitou doar médula pra mim?

— não só aceitou como fez questão de pagar a operação.

— seu Máximo é um homem muito bom — ele fecha os olhos e dorme por conta do efeito dos remédios.

Máximo conversava com o médico antes da coleta.

— como vai ser feita essa coleta doutor?

— a coleta é pelo osso da bacia, e realizado com agulha na região da nádega, o procedimento dura 60 minutos e é feito com anestesia.

— tenho que ficar em recuperação ou algo parecido?

— você ficará um dia em observação após o término do procedimento.

— parece ser uma pergunta idiota, mas vai doer?

— Como efeito da doação, você pode sentir uma dor no local da inserção da agulha semelhante a de uma injeção de benzetacil, ou a uma queda num jogo de futebol, que regride em uma semana.

— ja vamos começar o procedimento?

— sim senhor Huerta.

No início da noite Inês estava no hospital junto a Ana esperando a operação de Fernando acabar.

— você deixou o Ale ir visitar a avó?

— dona Soledade me pediu e não tive como negar o pedido dela

— deve ser triste pra ela, perder um filho como o Victoriano e saber que viveu todo esse tempo sem o neto por medo do senhor Máximo.

— eu só vim descobrir isso tarde de mais — suspira pesadamente — ele não tinha esse direito de me privar do Victoriano.

— você está tão pálida esses dias, você tem se alimentado bem?

— eu ando muito enjoada esses dias.

— você está grávida Inês?

— isso é impossível Ana — ri nervosa — eu não acho possível essa possibilidade.

— quando você namorava o Victoriano engravidou do mesmo jeito — chega mais perto dela e fala baixo só pra ela escutar — vocês transavam em todos os lugares da fazenda.

— acho que nisso o Victor é bem parecido com ele — sorri ao lembrar dos lugares onde transaram — eles estão empatados nessa questão.

— você as vezes se faz de louca pra fugir do assunto.

— eu não me faço de nada dona Ana Leal, mas é esse seu sorriso de satisfação na cara e a forma que meu irmão tá te tratando me faz pensar que vocês tiveram algo e faz poucos dias que aconteceu.

— não teve nada dona Inês Huerta.

— eu acredito dona Ana Leal — fala debochada.

Em um outro lugar Victor estacionava em frente da casa de Soledade e quando sai do carro vai até a casa e bate na porta.

— será que o Alejandro ainda está aqui? — bate novamente na porta.

Soledade abre a porta e quando olha Victor abre um largo sorriso.

— boa noite senhora — ele é educado — o Alejandro está aqui?

— ele disse que estava tarde e foi embora — fala preocupada — porque veio aqui?

— ele não chegou em casa e não atende o celular — ele sente uma pontada na cabeça e é amparado por Soledade — minha cabeça dói me senta em algum lugar senhora.

— se acalma e vem comigo — deixa ele se apoiar em seus ombros e o leva até o pequeno sofá da cama — vou pegar um pouco de água.

— não dona Soledade — a segura pelo punho e faz ela o olhar — a senhora é minha mãe?

— do que está falando — o olha confusa — meu filho morreu há muito tempo atrás.

— Soledade Santos — segura as mãos dela e a olha nos olhos — Victoriano seu filho realmente está morto?

— está me assustando — solta das mãos dele e se afasta — meu filho esta MORTO.

— não sei porque mais eu tenho lembranças ou sonhos de uma vida e quando vi a senhora no hospital seu rosto ativou algumas lembranças na minha cabeça.

— você só pode está louco — se afasta com medo — meu neto e Inês estão correndo perigo com você.

— eu não sou Victor Fernandes e nem tão pouco sei se sou Victoriano Santos — abaixa a cabeça com desespero — o homem que me achou disse que eu estava bastante machucado e que no meu bolso tinha uma foto — pega a foto na carteira e mostra — segundo a Inês esse rapaz é seu filho Victoriano.

— sai da minha casa — falou alterada.

— como assim? — ele falou confuso.

— SAIA AGORA — chorava sem controle.

Victor sai da casa atordoado e entra no carro dando partida e saindo o mais rápido que pode.

Em uma lanchonete perto dali Alejandro terminava de pagar a conta e sai do lugar calmamente.

— acho que já deve ter mil ligações da mamãe — pega o celular e olha as ligações — uma mensagem da minha mãe dizendo que o Victor foi até a casa da minha avó.

Alejandro andava distraído pela calçada até que é surpreendido por dois homens que o seguram e coloca um capuz na sua cabeça.

— me larga desgraçado — se debatia desesperado.

— cala boca idiota — pega um pano e molha com líquido — vai ser rápido.

— o garoto é forte — segurando Alejandro.

— não sabe mais conter um garoto? — da um soco forte na altura do estômago de Alejandro.

— me deixa ir — respirava com dificuldade pelo soco recebido — quem são vocês? — se recupera e tenta chutar o homem na sua frente — o que querem?

— pergunta de mais garoto — tira o capuz dele e da um soco na boca dele — fica calado moleque — já falava sem paciência.

— o que vão fazer em? Deixa eu ir embo... — o homem coloca o pano na boca dele que desmaia.

— coloca o moleque no carro e vamo levar ele pro chefe — entra no carro.

No hospital Inês sentia uma angústia inexplicável e sente que algo estava acontecendo com seu filho e ela não conseguia falar com ele o que a deixava desesperada.

— ele não atende a droga do celular e não respondeu a mensagem.

— deve ta com o Victor com certeza

Victor entra no hospital e vai até Inês é quando se olham ele fala de imediato:

— onde está o Alejandro?

— como onde está meu filho?

— ele não estava na casa da dona Soledade e vim pro hospital pensando que ele estava com você.

— onde ele está Victor? — sentia o ar dos pulmões faltar e sua visão escurecer.

— não deve ter acontecido nada meu amor — apara Inês vendo seu desespero — fica calma Inês.

— não... não vou, até ver meu filho bem na minha frente eu não fico bem.

— nada vai acontecer a ele — estava tentando manter a calma mais seu desespero estava maior do que sentiu no dia do acidente de Alejandro — eu não vou deixar nada de ruim acontecer com ele — abraçou forte Inês — nem que pra isso eu tenha que morrer por ele nada vai acontecer ao Alejandro.

— também não quero te perder Victor — chorando copiosamente — perder você pra mim seria como morrer de novo pro amor.

— não vou te deixar nunca mais Inês, agora estamos juntos pra sempre.