Inês se afasta de Victoriano e se coloca a chorar assustada.

— o que houve meu amor – ele pergunta assusta por ver ela nervosa e chorando – o que você tem Inês?

— você sabe o quanto eu sofri Victor? Eu estou confusa estranha – se levanta do sofá – tenta me entender.

— não to cobrando nada pra você Inês – também levanta – só quero que entenda a minha situação também.

— eu já entendi que você andou sem memoria muito tempo, mas você acha que é fácil te olhar e ver meu namorado morto e pai do meu filho? Pois saiba que não é.

— pra mim não é fácil recomeçar uma vida que ficou em suspenso por tantos anos e que agora eu estou disposto a recomeçar da onde paramos.

— a questão é que minha vida não ficou suspensa e seguiu mesmo sem você Victor- anda ate a porta – não consigo te entender agora – sai do quarto mas seguida por Victoriano – me deixa Victor.

— Inês para um pouco e pensa – a segura pelo braço – você acha que pra mim é fácil? Eu descobri que nunca fui Victor Fernandes e que todos pensavam que eu estava morto – suspira pesadamente – eu estou muito confuso também, mas eu tenho que pensar agora em assumir que eu sou de verdade e eu sou Victoriano Santos.

— mas eu não estou preparada – se solta e volta andar – me deixa Victor.

— Victoriano – segura ela pelos dois braços – não me chama mais de Victor não meu amor – olha triste pra ela – te amo de mais pra te deixar longe de mim.

— me deixar por favor – fala implorando – não quero te magoar falando besteiras.

— não me deixa Inês – se joelha – não faz isso comigo meu amor.

— se levanta por favor – pega os braços dele e o levanta – eu acredito que você é Victória, mas eu ainda estou compreendendo o que esta acontecendo aqui.

— ta bem... eu sei que a vida que pensávamos em construir juntos morreu há vinte anos atrás, mas eu agora estou aqui pra uma vida nova do seu lado.

— desculpa Victor — sai andando deixando Victoriano para trás.

[...]

Soledade estava olhando algumas fotos em um antigo álbum e não percebe que alguém entrava na casa e a observava.

— tanto tempo sem você meu menino — abraça o álbum — sabia que seu relacionamento com a Inês te tiraria de mim.

# lembrança Soledade

— não vai falar com o pai da Inês que é perigoso meu filho — falou e sentiu o coração apertar — ele nao é um bom homem.

— mas é pai da mulher que amo e que está esperando um filho meu.

— Victoriano meu filho não vai embora — segura o braço dele — fica pelo amor de Deus.

— não vai acontecer nada e eu voltarei ainda mais bonito — sorri descontraído — quando eu chegar ainda vou ta com os mesmos olhos e o sorriso que a senhora tanto gosta — acariciando o rosto da mãe com carinho — nem que demore vinte anos eu vou voltar.

— nem pense em demorar mais que isso porque eu vou te buscar pelas orelhas — falou brincando — toma cuidado meu menino — beija a sua testa e o abençoa.

— vou voltar e quero o seu melhor abraço — da um lindo sorriso e piscando o olho se despede da mãe e sai de casa.

#Fim da lembrança...

— foi e prometeu voltar... e não chegou para o seu abraço.

A pessoa se aproxima dela e entrega um envelope e ela sem olhar a pessoa tira alguns papéis e começa a ler, mas antes de terminar já chorava e joga os papéis no chão.

— vim buscar meu melhor abraço mamãe — já estava se braços abertos — não queria demorar mais e ter a orelha puxada quando fosse me buscar.

— então você é meu menino — abraça o filho — como sofri a sua falta meu Victoriano meu amor, minha vida e meu tudo.

— desculpa por ter esquecido de tudo por tanto tempo mamãe — chorava como criança — eu não queria.

— nao se culpe por isso minha vida — o acalentando — eu pensei que não fosse te ver.

— eu não lembrava de nada — olhou a mãe com o rosto lavado de lagrimas — eu quase morri e quando acordei já não lembrava de nada.

— seus olhos e seu sorriso ainda são os mesmos — olhava admirada — não mudou.

— vinte anos sempre tem algo que muda, mas não me perdoaria se tivesse mudado o olhar e o sorriso.

— Deus me devolveu você é agora está aqui comigo.

— eu agora estou me sentindo inteiro — suspira pesadamente — passei esses anos me sentindo uma pessoa triste e incompleta.

— agora está de volta pra sua mãe que te adora e não vai mais permite que você sai de perto — puxa ele pra sentarem no sofá — e o Alejandro meu neto?

— é uma longa história, mas agora ele está bem e graças ao que aconteceu eu descobri quem era.

— e a Inês já sabe? — pergunta apreensiva — sabe de você?

— a Inês já sabe e dei um tempo pra ela compreender o que tá acontecendo — fala um pouco triste.

— e como você está Victoriano? — passa a mão pelo rosto dele — ela não tomou a notícia bem?

— ela me disse que eu vou ser pai e logo depois eu disse que era Victoriano Santos e ela ficou confusa e pediu um tempo.

— engravidou a Inês novamente meu filho? — fala surpresa — mas vocês estão há tão pouco tempo juntos segundo a Inês me contou.

— eu não consigo ficar tanto tempo separado dela mamãe — fala cínico — sabe como é né?

— você tem o mesmo charme do desgraçado do seu pai — fala sorrindo — você é Inês juntos novamente e ela grávida de um filho seu novamente.

— vou ser papai e dessa vez vou acompanhar a gravidez dela mamãe — seus olhos brilhavam de alegria.

No hospital Inês estava contando a Ana e Máximo o que aconteceu com ela e Victoriano.

— ele tá mesmo vivo minha irmã? — Máximo pergunta abismado.

— é quase um milagre amiga.

— e eu vou ser mãe pela segunda vez de um filho dele — toca o ventre e sorri — ele ficou radiante com a notícia.

— mas pelo que eu entendi você deixou ele ir e não quis escutar, to certo irmã?

— é complicado Máximo — fala perdida.

— não é complicado e aconselho você a ir atrás do homem da sua vida — fala Ana duramente — ele deve ta sofrendo muito e você vai atrás dele.

— eu não sei se consigo Ana — fala temerosa — será que ele quer falar comigo ainda?