Se Eu Pudesse Voltar

9 Sem querer ... um beijo


Notas iniciais

Primeiramente gostaria de agradecer aos reviews enviados, e dizer que tenho me esforçado para melhorar, espero que continue agradando.

Depois pedir desculpas pela demora.

Bom vamos a leitura, espero que gostem...

Foi difícil acordar naquela manhã de segunda feira e saber que eu teria que ir trabalhar e encarar Eduardo o dia inteiro. Ele era a ultima pessoa que eu queria ver aquele dia, mas eu tinha que fazer isso. Eu realmente tinha que encarar de frente meus problemas, então fiz todo aquele ritual de quando eu me levanto até chegar a loja.

Aquele dia Bruno estava atrasado, comecei a trabalhar, e com muito mais vontade para não ficar pensando em como o meu fim de semana tinha sido péssimo, mas era inevitável, por mais que eu tentasse sempre me vinha a cabeça todos os momentos ruins daquele sábado. Lembro-me que não cumprimentei Eduardo e quando Bruno chegou todos notaram o clima pesado que existia entre nós três.

_ Bom dia a todos – foram as palavras de Bruno ao entrar abafado na loja _ Desculpem o atraso.

O dia foi todo calado, trabalhei muito aquele dia e lembro-me que no fim da tarde Marcela me ligou pedindo que me encontrasse com ela ao anoitecer. E foi o que fiz, ao sair do trabalho, passei em casa para tomar um banho e forrar o estômago e fui até a casa de Marcela que me esperava do lado de fora.

_ Oi Cássio! – ela me cumprimentou abaixando os olhos.

_ Oi – respondi seco.

_ Cássio te chamei aqui por um único motivo. Não quero tentar me explicar pelo que aconteceu na festa mas queria saber se você realmente conhece o Tony.

_ Ele disse que me conhecia?

_ Lembra que eu disse que ele me ligou dizendo que era um admirador? – notei Marcela completamente sem graça ao me dizer aquelas palavras. – Ele disse que viu minha foto em seu celular, te perguntou meu nome e pediu meu telefone, disse que foi você mesmo quem passou pra ele.

_ O nome dele não é Tony, é Eduardo, e eu nunca mostrei foto sua em meu celular nem...

Eu fiquei paralisado por um instante. Me veio na cabeça o dia em que ele me pediu para ver as mensagens em meu celular. Foi naquela hora que ele conseguiu o telefone de Marcela, e dali ele não teve tanto trabalho para chegar até ela. Ele havia me dito que iria me ajudar a tira-la do caminho, então tudo fazia sentido. Ele queria que chegasse em meus ouvidos que Marcela tinha ficado com um rapaz, para que eu pudesse descartá-la de vez.

_ Olha Marcela, não precisa se explicar, a gente não tem mais nada lembra?

Ela ainda tentou argumentar algumas coisa, mas não teve jeito, era notável que meus pensamentos estavam distantes, então me despedi dela e fui caminhando até minha casa, onde me surpreendi ao ver Eduardo me esperando na esquina.

_ Eu quero falar com você.

_ A gente não tem o que conversar cara.

_ Tem sim! – ele disse firme, segurando em meu braço e me olhando nos olhos completamente sério. – E se você não tem nada pra falar, você vai me ouvir, por bem ou por mal.

Nos sentamos em um banco embaixo de uma árvore que ficava ali perto e ele começou a falar:

_ Cássio, eu não menti pra você quando dizia que te amava. Eu ainda te amo, e me incomodava muito aquela menina toda hora te ligando, te incomodando... nos incomodando não é? Então eu queria fazer algo que tirasse ela definitivamente do nosso caminho, foi quando eu pensei que se você ficasse sabendo que ela já estava com outro cara, não tinha mais porque ficar se justificando com ela.

_ E esse cara tinha que ser você?

_ Poderia ser qualquer um, mas como eu não conheço quase ninguém eu...

_ Para! – gritei totalmente exaltado. – Até quando vai continuar mentindo pra mim? Quem é você de verdade? Você ficou com o Bruno, e isso tem um tempão, como você tem coragem de me dizer que não conhece ninguém?

_ Aquele viadinho anda falando isso de mim?

_ O problema não é ele cara, olha, a gente não tem mais nada, pra mim tudo terminou quando te vi aos beijos com a Marcela.

_ Olha Cássio, eu não costumo ser dispensado dessa maneira. Aquele viadinho vivi arrastando asas pro seu lado, e não adianta negar. Você pode não ficar comigo, mas dê um recado pra ele, diga que você não está mais comigo, mas com ele você também não vai ficar, você não vai ficar com mais ninguém, eu não vou te dar paz.

Eu me levantei, disse que já tinha ouvido demais, e saí de perto dele, fui pra casa descansar um pouco, não quis jantar. Lembro que minha mãe foi até meu quarto perguntar se eu queria conversar um pouco. Eu disse que não, pra mim era estranho conversar aquele tipo de assunto com ela.

Um pouco mais tarde o pessoal da loja foi ate minha casa e levaram umas cervejas e uns tira gostos. Sentamos na sala pra conversarmos um pouco, meus pais deixaram a gente completamente a vontade.

Eu estava sentindo falta de tudo aquilo, de conversar coisas informais, me divertir com meus poucos mas verdadeiros amigos. A gente riu muito e por um instante pareceu que eu consegui esquecer tudo aquilo que eu estava passando. Nem tocamos no assunto, embora fosse saber no fim da noite que todos já estavam por dentro do assunto, e por isso foram me dar força em minha casa.

Aquele dia pela primeira vez eu pude notar o quanto Bruno era atencioso, ele era bonito, aquele par de olhos pretos combinavam muito bem com aqueles cabelos rapados e a pele escura. Acho que foi a primeira vez que eu notei o quanto ele se importava comigo levando pessoas até minha casa para me distrair, dentre o que ele já havia feito por mim.

Ao fim da noite nos despedimos, as meninas foram juntas pra casa e Bruno se ofereceu para me ajudar a arrumar a bagunça, apesar de já estar tarde, eu não recusei. Fomos para a cozinha, ele lavava a louça e eu secava e guardava, enquanto isso conversamos um pouco mais, rimos um pouco mais, aquilo tudo estava me fazendo muito bem.

Quando terminamos eu o agradeci. Disse que estava cansado e que amanha teríamos que acordar cedo pra mais um dia de trabalho. Ele riu, disse que tinha que ir também.

_ Nossa se você não estivesse aqui, eu iria dormir só de madrugada até terminar de lavar a louça. Valeu Bruno.

_ Que isso cara, era o certo a se fazer. Você se sente melhor?

_ Com certeza sim. Muito obrigado mais uma vez.

_ Ah cara que isso, não precisa agradecer, amigos são pra essas coisas. Me da aqui um abraço.

Nos abraçamos, e ele estava cheiroso, senti aquela fragrância, fechei meus olhos e me deixei levar por aquele cheiro, me deixei me envolver por aquele abraço. E quando nos soltamos foi inevitável, ele me olhou nos olhos profundamente, o mundo pareceu parar naquele instante. Foi então que aconteceu meu primeiro beijo em Bruno.

Nossos lábios se encaixaram perfeitamente, aquela boca carnuda tocando minha, sua língua entrelaçando a minha com vontade. Suas mãos percorrendo todo o meu corpo e eu o apertava e viajava em pensamentos.

_ Bruno! É tarde! – eu disse interrompendo o beijo.

_ É, me desculpe eu não tive a intenção de...

_ Bruno! – eu o interrompi com meio sorriso. – É tarde, depois conversamos melhor!

Estávamos sem graça um com o outro, ele se virou meio desnorteado e seguiu em direção a porta. Eu o acompanhei, e antes de abrir a porta, ele se virou, me deu um choquinho e saiu sorrindo.

Ainda sem entender o acontecido, fui para o quarto e fiquei pensando em Bruno, mesmo sem querer, eu fiquei pensando nele, em como ele estava o tempo todo do meu lado e eu quase não o percebia. Não notava o quão atencioso ele era, o quanto ele me fazia bem. Será que estava despertando um sentimento por ele? Ou será que é carência? Ódio do Eduardo? Minha mente estava confusa, como eu deveria me comportar diante dele agora? Muitas perguntas ao mesmo tempo e com elas eu adormeci aquela noite.

Notas finais

Espero que tenham gostado, e que me mandem reviews com sujestoes e dicas, é super importante pra mim.

Obrigado e até o próximo.