Se Enamora
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Essa expressão não podia significar coisa boa...
– Ou não né? Quer dizer, você nem me conhece, deve estar me achando doida por te pedir para tomar café, tudo bem, tudo bem – Disse nervosamente, então ela começou a sorrir.
Por que ela estava sorrindo?!
– Não! – Exclamou, ainda rindo – Eu quero ir tomar um café com você, os vizinhos sempre falam coisas ótimas sobre você – Disse sorrindo. Corei com suas palavras e espero que ela não tenha percebido – Só acho estranho você querer sair comigo sendo que você nem sabe meu nome e nem sabe nada sobre mim, e se eu for uma assassina em série? – Começou a rir novamente.
– É, você está certa, acho melhor não te convidar mais – Disse e ela me olhou triste. Logo sorri, e então ela entendeu que era uma brincadeira. Acompanhou meu sorriso. Ficamos ali, olhando uma para outra com um silêncio confortável. Decidi quebrá-lo – Então, vamos? – Virei rapidamente e peguei minha bolsa na bancada da cozinha – Ela assentiu e esperou eu trancar a porta.
Fomos até o elevador e descemos o prédio conversando sobre coisas banais. Era incrível como nos entendíamos tão facilmente. Havia uma cafeteria logo ao lado do prédio, que era ótimo, a propósito. Tinha um clima aconchegante e simples. Adoro ir lá depois do trabalho. Entramos e logo sentamos em uma das mesas que ficava próximo a janela. Agora, com melhor clareza, percebi que ela era muito mais bela do que eu pensava que era. Basicamente, eu estava em transe e demorei a perceber isso. Mas assim que o fiz me levantei indo buscar nossos cafés.
– O que irá querer? – Perguntei.
– Pode ser um café gelado com leite – Ela respondeu sem fazer contato visual, com o olhar para baixo. Então percebi que estava com as bochechas rosadas, me perguntei mentalmente do por que.
– Ok, já volto – Disse, e ela apenas assentiu em resposta. Rumei em direção a pequena fila aonde fazíamos o pedido.
Foi rápido, paguei o nosso pedido e logo voltava com uma bandeja em mão com os nossos pedidos. Coloquei em cima da mesa e tirei o copo de vidro no qual tinha o café dela, colocando-o na frente dela. Peguei um pedaço de bolo e coloquei ao lado do copo dela, acho que era de limão. Eu não sei, apenas achei bonito e apontei para ele quando estava fazendo o pedido. Ela me olhou confusa.
– Eu não me lembro de ter pedido isso – Olhava para o bolo fixamente, como se estivesse tentando lembrar, sorri – Eu pedi?
– Não, você não pediu, mas achei que você iria querer alguma coisa para comer – sorria abertamente a ela enquanto me sentava.
– Oh – acompanhou meu sorriso -, então achou certo – Riu e logo pegou um garfo, colocando um pedaço de bolo na boca – Isso é bom – Disse com a boca cheia, dei uma risada. Tirei meu café da bandeja e dei um gole.
– Cadê a sua educação? Não se pode falar de boca cheia! – Brinquei. Ela fez sinal para eu esperar, mastigando o bolo.
– Ninguém mandou você comprar bolo para mim, agora aguente – Nós duas rimos. Ela tomou um pouco de seu café e voltou a comer o bolo.
– Ei, eu ainda não sei seu nome – Disse e então ela focou sua atenção a mim.
– Meu nome é Diane.
– Ah, como se escreve seu nome? – Questionei – É igual se pronuncia? – Eu realmente não sei por que fiz essa pergunta. Talvez, apenas queria conversar com ela, não queria deixar o assunto morrer. Queria ouvir a voz dela.
– Não, é igual o da Lady Di, só que invés de Diana é Diane.
– Dai – comecei -, A – Ela me olhou confusa – Ne? – Ela assentiu em resposta.
– Estranho né? – Perguntou e eu assenti – Minha mãe gosta de nomes estrangeiros, deve ser por isso.
– Eu queria ter um nome estrangeiro – Me fiz de emburrada, cruzando os braços – Então, não vai perguntar o meu nome? – Questionei e ela sorriu.
– Não – Voltou sua atenção ao bolo, arqueei uma sobrancelha e ela percebeu isso -. Eu já sei seu nome, ué – Disse como se fosse algo óbvio, a olhei confusa – É Luana, não é?
– Como você sabe? – Franzi o cenho.
– Ué, os vizinhos já me falaram sobre você – Disse como se fosse algo óbvio.
– Ah – Disse aliviada, estava considerando a ideia de ela ser uma serial killer. Peguei meu pedaço de bolo e comi um pedaço -, já que você sabe sobre mim, me diga sobre você, então – sorri, ela fez o mesmo. Logo sua expressão mudou, estava pensativa. Decidi a ajudar – Faz faculdade?
– Não, já sou formada – Disse, sorrindo.
– Em quê? – Indaguei, comecei a ficar curiosa sobre ela.
– Artes Dramáticas – Diane respondeu rapidamente.
– Atua em algo? – Parecia um interrogatório, eu sei. Mas deixei a minha curiosidade me levar e ela não parecia se importar.
– Estou desempregada – Respondeu.
– Como se sustenta aqui? Creio que não é fácil, aqui é São Paulo e sei que sei apartamento não é muito barato de se pagar.
– Meus pais pagam metade do meu apartamento, outra metade é do dinheiro que eu juntei antes de vim para cá, mas se não conseguir um trabalho logo, terei que voltar para o Rio – Contou com o semblante triste voltando sua atenção ao pouco do bolo que restava.
– Eu tive uma ideia! – Exclamei animada e ela me olhou confusa – Eu tenho um amigo que trabalha nesse ramo e acredito que ele possa te ajudar a conseguir um emprego – Disse sorrindo e ela arregalou os olhos -, quanto ao seu apartamento, pouparei seu dinheiro e dos seus pais, você pode morar comigo. Que tal? – Perguntei animada e ela me olhava como se não acreditasse no que dizia. Fingi que não era nada demais e bebi um pouco do meu café.
– Você está falando sério? – Indagou, assenti – Isso é um tipo de pegadinha ou algo assim? – Respondi com um não e ela não parava de sorrir – Espere, como eu devo confiar em você? Conhecemos-nos hoje.
– Acredite em mim. Eu não vou fazer nada! – Disse rindo. Eu sei que é difícil de confiar nas pessoas em uma cidade grande, mas eu não conseguiria fazer mal a ela nem aqui nem na China.
– Oh, meu Deus! – Disse super animada – Você é um anjo! – Exclamou, sua animação apenas aumentou e isso me fez soltar uma gargalhada. Logo percebi que havia pessoas nos olhando.
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