Scream! Welcome To The Game.
11 Capítulo 1o - Bem vindo ao jogo.
Notas iniciais
Demorei?
Obrigada pelas reviews no capítulo anterior. Me senti muito mais encorajada a continuar postando.
Espero que vocês gostem do capítulo. Vamos logo começar os conflitos, certo? ^^
Boa leitura.
Narração: Beyond.
“Preciso acordar... Isso só pode ser um pesadelo. Eu fui sequestrado. Isso mesmo? Estuprado. Por ele? E minha avó? Será que ela está bem? Não. Ela está doente. Não sei se alguém está cuidando dela. Dando os remédios certos nas horas certas. Não vou ver — nem mesmo saber — quando ela partir. Quem irá cuidar do funeral? Eu nem tenho a certeza de que tem alguém cuidando dela.
Dor.
Meu corpo está doendo. Tenho a impressão de que a pele das minhas costas irá rasgar a qualquer momento. O cheiro de sangue me deixa nauseado. Não suporto nem olhar para o líquido viscoso avermelhado. Isso é desumano e eu não quero vivenciar tudo de novo. Só de pensar que ele irá voltar... “mas quando eu voltar nós poderemos brincar mais”. Um calafrio percorre meu corpo toda vez que me lembro das últimas palavras dele. Alguém... Me tire daqui!”
“- Traga ela viva.”
Viva? Ser chofer de prostitutas não estava incluso no meu contrato.
“- Vá para este endereço. Lá você irá encontrar um lupanar. Reserve o quarto 14 do primeiro andar e solicite os serviços da Wendy. Esse quarto possui uma janela que dá acesso aos fundos do lugar, ou seja, facilita e muito estacar o carro perto da janela. Não se preocupe com seguranças. Não passa de um chiqueiro imundo e mal frequentado. Cuidado com a garota, ela é esperta. – o sotaque russo autoritário reverberava dentro do carro. – Seja discreto, B.”
Yonosuke tinha razão. A madeira da estrutura estava tão podre que parecia querer desabar a qualquer instante. Não era grande. Possuía dois andares pequenos e os gemidos vindos dos quartos davam para ser ouvidos a quilômetros.
Acho que a figura mais nova em meio da clientela era eu. Os poucos que habitam o ambiente tinham de 50 a 65 anos.
Todos velhos tarados e bêbados, frustrados demais com suas esposas já gastas para proporcioná-los uma boa noite de sexo.
O cheiro de cigarros, bebidas baratas e suor eram nojentos.
Me aproximei do balcão esperando para ser atendido. Olhei para o lado encarando uma jovem vestindo somente uma calcinha sentada no colo de um homem barbudo com um sorriso mais amarelo que queijo. Ela fazia uma cara de nojo e evitava se aproximar da boca do homem, mas era sempre puxada para um beijo gosmento.
Desviei minha atenção para uma mulher que se aproximou do outro lado do balcão. Estatura média, gorda e vestia uma calça jeans pelo menos uns dois números a menos que seu manequim. Os olhos contornados de preto e a boca em um tom de Pink chamativo me fizeram adquirir uma expressão discreta de espanto.
- Boa noite, gato. – tentou soar sensual. Ajeitou os cabelos curtos e secos na esperança de melhorar a aparência. – É a primeira vez que te vejo aqui. O que vai querer? – se inclinou no balcão, empinando a bunda.
- Procuro uma pessoa chamada Wendy. – falei com uma expressão de tédio.
- Ah, Wendy... – torceu o nariz ao pronunciar o nome. – Ela está livre, mas vou avisando que é muito careira e cheia de frescuras.
- Quanto ela cobra? – perguntei.
- 90 ienes. – respondeu.
- Aceito.
- Tem certeza, gato? Faço tudo que você quiser por 50. – sorriu. A mulher mascava um chiclete que pelo cheiro, deduzi ser de uva.
Não respondi, apenas tirei o dinheiro que recebi de Mikami para pagar o local. Joguei 200 ienes sobre o balcão e a mulher sorriu surpresa.
- N-nós não temos troco.
- E você me ouviu pedindo troco? Quarto 14.
A mulher me estendeu a chave enquanto encarava as notas. Revirei os olhos.
- É no final do corredor. – apontou mostrando as unhas compridas pintadas de vermelho.
Segui para o quarto que ficava ao lado da escada do segundo andar. Enquanto andava desviei de uma garota que vomitava e um cara que estava ao lado dela praguejando pela falta de experiência da menor.
14.
Encarei o número quase apagado na porta e adentrei o cômodo.
Um horror.
Uma cama velha com lençóis duvidosos demais para se deitar e uma cadeira quebrada.
Fechei a porta atrás de mim e mais a frente avistei um lavabo que cheirava a xixi.
Onde esse maldito foi me meter!
Não demorou muito até que batessem na porta. Sentei na cama com uma cara despreocupada.
- Entra. – gritei.
A mulher que entrou era bem diferente das outras. Ela era alta, corpo esbelto e aparentava ter seus trinta e cinco anos de idade. Cabelos longos e ondulados em um tom de louro claro. Olhos bem azuis. A figura feminina me lembrava alguém.
- Você é o cliente? – perguntou ela em um tom surpreso, mas um tanto desconfiado.
- Sim. Algum problema? – minha voz soava firme.
- Nenhum. É que sua idade não bate com a maioria dos clientes.
- A sua também não bate com a maioria das putas por aqui... – cruzei os braços. Ela pareceu não ter gostado do meu comentário.
- Não tenho do que reclamar, afinal, todo dia são os mesmos velhos nojentos. Parece que eu dei sorte. – sorriu.
Mudou de humor assim tão rápido?
Ela se aproximou de mim e me puxou para um beijo. Correspondi, conduzindo-a até a cama.
Pronto, agora é só aproveitar a primeira oportunidade para concluir a primeira etapa.
Wendy estava em cima de mim. Ela me acariciava e mordiscava meu pescoço. Eu tentava inverter a posição, mas ela se recusava a sair do comando.
As carícias foram cessadas. Ela segurou meus pulsos com força e jogou os pesos de seus joelhos sobre minhas coxas. Olhei estático.
- Quem mandou você? – perguntou séria.
- É assim que você trata um cliente? – debochei.
Ela fez pressão com os joelhos e tentou jogar um olhar ameaçador.
Gemi.
- Awn... Isso mesmo querida, adoro violência.
- Acha que eu estou brincando? – ameaçou.
Suspirei. Por que as pessoas insistem em querer medir esforços comigo?
Desprendi meus pulsos e a empurrei para trás, me livrando do peso. Em um movimento rápido agarrei seus cabelos, puxando-os sem piedade.
Wendy se debatia.
A arrastei junto a mim até a pequena mochila, tirando minha faca lá de dentro e finquei-a sem dó na coxa de sua perna esquerda. Soltei bruscamente seus cabelos e isso fez com que ela se desequilibrasse e caísse de costas. Tapei sua boca para amenizar o grito.
- Ele me disse para entregá-la viva, mas não me proibiu de feri-la se necessário. – disse em um tom ameaçador.
- Ele? Ele quem? – perguntou.
- Você saberá em breve.
Rumei até a mochila tirando de lá um Walther P99* e mirei em direção a Wendy.
- Vai colaborar? – perguntei. Ela assentiu. – Tire a roupa.
Ela me encarou confusa.
- Você é surda? Tire logo a roupa! – ordenei. Wendy se assustou com a mudança no tom de voz e obedeceu sem questionar.
Ela já estava nua quando comecei a amarrar suas pernas e braços.
- Pervertido... – sussurrou ela.
Soltei uma gargalhada.
- Pervertido? Boneca, isso se chama garantia. Você poderia ter escondido alguma coisa no meio das suas roupas. Nada nesse teu corpo imundo me chama a atenção. – pausei minha fala, abrindo a janela do cômodo avistando meu carro. – Ah, e em relação as suas carícias... Elas nem se quer fizeram meu membro comichar.
Antes que ela pudesse protestar a amordacei com um pano. Arrastei seu corpo até a janela e a empurrei no gramado. Pulei logo em seguida.
- Vamos dar uma voltinha. – disse encarando a mais velha. Fechei o porta-malas e rumei até o volante.
***
- Vou perguntar pela última vez. – o russo rosnou, depositando outro tapa no rosto ensanguentado da loira. – Para quem você trabalha?
A mulher cuspiu sangue. Observava toda a cena com um sorriso no canto dos lábios.
- O.K – respondeu já sem forças. – Um detetive... Ele me prometeu uma vida melhor... Prometeu limpar meu nome da ficha da policia... Tudo isso se – ela pausou a fala para respirar. – Se eu falasse tudo o que sei sobre a máfia.
- E você iria me entregar, sua vagabunda? – gritou Yonosuke incrédulo.
- Eu ainda estava pensando sobre a proposta.
Yonosuke respirou fundo. Fechou os olhos por alguns instantes no intuito de recuperar sua paciência.
- Como ele sabia sobre você? – perguntou, tentando parecer calmo.
- Eu não sei... – choramingou. – Acho que foi um palpite. Você sabe que tenho passagens pela polícia. – uma pausa longa no diálogo começou a se tornar desconfortável. A loira fungou. – Eu só quero ter uma vida feliz com o meu filho.
- Ele sabe de mais alguma coisa? Vocês se encontraram pessoalmente?
- Não. Eu juro. Nosso encontro seria daqui a três dias, no aeroporto. – respondeu com sinceridade.
- Ótimo. Talvez ele não estranhe se você não aparecer. Em pensar que eu poderia ter lhe dado uma vida incrível. – disse a última frase com um ar arrependido. – B, livre-se dela.
- Yonosuke... Espera! – gritou a moça esperando um gesto de compaixão.
Me aproximei de seu corpo ainda nu amarrado a um pequeno pilar.
- Só por curiosidade, como se chama o seu filho? – perguntei a mulher ensanguentada. Ela cessou as lágrimas por alguns instantes.
- Mihael Keehl. – sorriu doce ao pronunciar o nome. – Mas ele gosta de ser chamado de Mello.
Instantaneamente tive um ataque de risos.
Que mundo pequeno.
- É? Então tenho ótimas notícias. Agora os dois poderão viver felizes no céu. – sorri. Wendy me encarou com um ar de dúvida, mas ao mesmo tempo sabia o que eu queria dizer. – Manda um Oi para ele.
Ela abriu a boca para falar, mas eu a silenciei com três tiros na cabeça.
Confesso que o final da mãe foi mais divertido do que o final do filho.
- Tiros na cabeça? Falta de originalidade quando se trata de você, B. – debochou.
- Estou com pressa.
- Você também? – me virei para ir embora e deixá-lo falando com o vento, mas Yonosuke me impediu. – Se eu souber que você está se aliando a inimigos, eu juro que...
Puxei meu braço de sua mão e me virei de frente para encará-lo.
- Vai fazer o que? – desafiei. – Nada! Você não passa de um frango! E agora está ficando paranoico. – gritei. Ele não ousou falar mais nada. – Agora me entregue o pagamento porque preciso cair fora daqui.
- Mikami vai te acompanhar até sua casa. – disse em um tom sugestivo.
- Não! Eu posso dirigir sozinho.
Mikami me encarava na porta com mais um envelope gordo. Sua cara de poucos amigos não me ameaçava em nada. Coitado...
- Precisamos ir até o aeroporto em três dias. – falou Yonosuke, preocupado.
Olhei por cima do ombro, soltando uma risada discreta.
- Você é um idiota. – falei. – É isso mesmo que ele quer. Vá, e se entregue de bandeja ao meu irmão.
Não precisei dizer mais nada para fazê-lo entender que ir até o aeroporto seria uma má ideia.
- Sayonara.
Saí do esconderijo, ansioso para voltar para “casa”.
O caminho era um pouco longo, mas o horário me favorecia a ultrapassar um pouquinho da velocidade.
***
- Near! – gritei o nome do pequeno enquanto fechava a porta do galpão. – Tadaima!
Fui ao encontro do menor, que ainda estava intacto no lugar onde o deixei.
Seus olhos estavam inchados devido ao choro e praticamente todo o corpo estava coberto por sangue. O menor ressonava, mas acordou assustado devido aos meus gritos.
- Você até dormindo fica irresistível. – tirei uma mexa caído sobre seu rosto.
- Me tire daqui! Me deixe ir embora! – suplicava choroso.
Peguei um marcador preto e um bisturi em cima de uma das mesas e ajoelhei, ficando na altura da coxa do menor. Ele arregalou os olhos, apreensivo.
- Sabe... Geralmente eu costumo marcar meus brinquedos do mesmo jeito que se marca gado. – apontei para uma pequena lareira e um ferro que estava dentro dela. – Mas com você, farei diferente.
Pressionei um pano com álcool e desenhei uma peça de quebra-cabeças em sua coxa direita, não muito pequeno.
- Essa parte pode doer um pouquinho... – alertei.
Passei o bisturi, contornando a figura delicadamente, até completá-la por completo, e retirar a pele cortada no formato exato.*
O sangue escorria e os gritos ecoavam na mais perfeita sintonia.
Subi em um banquinho de madeira, e retirei os ganchos das costas do menor, ouvindo o barulho de seu corpo se chocando contra o chão.
- Vou te dar um banho agora. Você está nojento e por hoje já chega de coisas nojentas. — fiz uma cara enjoada ao lembrar do curto tempo que passei dentro do lupanar. – E outra, preciso tratar dessas feridas antes que elas infeccionem. – encarei os machucados. – Quero você comigo por um bom tempo.
- Por quê? – perguntou em tom baixo, segurando a coxa cortada com uma das mãos. – Por que está fazendo isso?
Agachei, apoiando as mãos no joelho. Enxuguei suas lágrimas, sorrindo de canto. Acho que nunca vou me cansar de fazer isso.
- Eu vivo por isso, meu pequeno. – levantei, olhando-o de cima. Ele levantou o rosto, esperando uma atitude violenta. – Bem vindo ao jogo. Ao meu jogo. E nele, você é a atração principal, Nate River.
Notas finais
Passei o bisturi, contornando a figura delicadamente, até completá-la por completo, e retirar a pele cortada no formato exato.* - Quem aí já assistiu Jogos Mortais? :3 Sim, tirei a ideia do filme pois achei que combina perfeitamente com o Near. Por que será, né? rs
Gostaram? Em breve posto o próximo.
Segunda-feira tenho prova na escola. Área de exatas... ~medo~
Me desejem sorte! kk'
Beijos. ;*
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