Scorose - Quase sem querer

19 Uma viagem a Londres parte 2


Alvo usa sua varinha para tocar a parede de pedras para abrir a passagem ao Beco Diagonal. Estou tão feliz por estar aqui hoje, com meus amigos. Como tio Harry sempre diz para nós, a magia sempre o encanta, a cada coisa nova que ele descobre, até mesmo nas que já conhece. Eu mesmo sinto deslumbrada na mesma forma. A nossa primeira parada é a Gemialidades Weasley, claro, não com meu consentimento, pois queria comprar os livros de poções atualizados para o ano que vem. Alvo pede para eu relaxar, pois o sétimo ano só começa em setembro. Bato em seu braço e digo para que ele relaxe agora. Nós começamos uma briga de um estapear o braço do outro. Scorpius fica de canto, rindo de nós e só somos separados por Meredith e Lorcan.

— Eu te mato, seu desgraçado — eu grito de raiva — Olha o que você fez com meu braço? — estou sem o casaco, dentro da loja e mostro meu braço vermelho.

Alvo dá de ombros.

— Você está me tratando como saco de pancada, então o prazer foi meu — ele diz, debochado.

Tento agarra-lo de novo e Lorcan me segura. Apesar de ser magro, ele é mais alto que eu e tem uma força bem maior que a minha.

— Lorcan, solta agora, ou você é quem vai apanhar.

O garoto ri, sem medo.

— Rose, se comporte. Estamos dentro de uma loja — ele diz, em tom sábio.

Olho ao meu redor e vejo que todos estão nos olhando. Fico vermelha e paro de me mexer.

— Eu venci da ruiva, finalmente — Alvo provoca, olhando para mim.

— Isso não acaba aqui — sibilo — Você verá a noite o que lhe espera.

Solto do aperto de Lorcan e ando com o nariz empinado. Scorpius está atrás de mim, mantendo uma distância, mas não desgruda. Lily está fascinada por um minipuf em uma gondola. Ela faz carinho no animal e parece tenta a levar um. Seria um problema para nós termos uma criatura dessa em nosso passeio, pois vamos ir para a Londres trouxa hoje. Combinamos de ver um filme. Aproximo-me de Lily, tentando ver qual é sua pretensão. Ela me lança um olhar mortal, parece dizer que vai levar o bicho a qualquer custa.

— Lily, coloque o minipuf de volta no lugar — peço, tentando manter a calma.

— Não, eu vou levar e pronto — ela diz, com ar superior.

— Lily, não dá pra levar, por Merlin — tentando colocar razão em sua cabeça oca — Nós não vamos voltar para casa agora. Vamos ao cinema trouxa hoje.

Ela não me ouve e passa por mim. Vai até o caixa e paga pelo minipuf. Suspiro, irritada. Lorcan passa por mim e vejo que ele está carregando sua maleta. Ele se oferece para guardar o animal para ela. Lily parece hesitante, mas aceita. Vejo que ela ainda está magoada com ele, mas tenta fingir que nada aconteceu. Ele abre sua maleta e guarda o bichinho. Lorcan lança um sorriso para ela e começa uma conversa sobre esse animal. Ela parece escutar ávida. Bem, pelo jeito valeu a pena fazer esses dois se encontrarem hoje, apesar de eu estar sobre grande estresse. Scorpius se aproxima por trás de mim, agarrando minha cintura e cheira meus cabelos.

— Minha ruiva, não quer nada da loja? — ele pergunta, com voz doce — Eu compro qualquer coisa que quiser.

Eu dou risada e me viro para ele, beijando seu nariz.

— Não precisa, Scorp — digo, agradecida — Eu quero ir logo comprar meus livros

Ele assente, beijando o canto da minha boca. Sinto um comichão no local que ele beijou e quero dar continuidade, mas não podemos fazer isso aqui.

— Que tal eu acompanha-la, enquanto os outros estão ocupados? — ele se oferece.

— Sim, por favor — eu aceito.

Nós saímos de mãos dadas da loja. Vejo pelo canto de olho que Meredith está fugindo de Alvo. Ele continua sendo muito insistente, por Merlin. Entramos na Floreios e Borrões e vou para a pratilheira de livros de poções avançados e para o sétimo ano em Hogwarts. Sei que estou sendo neurótica, mas quero me adiantar. Preciso estudar antes para melhorar muito em poções. Já tenho todos os livros do sétimo ano e só faltava esse. Já vim prepara com minha bolsa com feitiço indetectável de extensão, então não terei um peso sobre os ombros. Minha mãe que precisou fazer isso, pois não posso fazer magia fora da escola. Estou tão distraída, tentando alcançar o livro que o puxo com força e outro está vindo em minha direção. Encolho-me, com a mão na cabeça, para proteger. A pancada não acontece e olho para o lado. Leon está com o livro na mão, olhando-me com um sorriso de canto. Seus cabelos dourados estão amarrados em um rabo de cavalo curto e ele está usando um sobretudo preto, até os joelhos e botas de couro.

— E nos encontramos mais uma vez — ele diz.

Fico sem ar. Temo que Scorpius veja essa cena, mas ele está no andar de cima da livraria, procurando livros para feitiços de defesa contra as artes das trevas. Conversei algumas vezes com Leon na escola, mas comecei a evita-lo, pois me senti mal em fazer isso pelas costas de Scorpius. Os dois já não estavam em bons termos havia um bom tempo e não queria causar mais problemas.

— Leon, que surpresa — digo, em um tom hesitante.

— Eu sei que não queria ser vista comigo — ele diz, em tom magoado — Só quis ajudar — ele coloca o livro na mesa mais próxima.

Está partindo, mas me sinto muito mal por isso. Agarro seu braço e ele se vira, esperançoso.

— Sinto muito, é que Scorpius está no andar de cima. Não quero causar uma briga entre vocês — esclareço.

Ele assente e segura meu indicador com o seu. Sinto que esse toque é errado, mas não consigo me afastar.

— Eu imaginava que sim — ele diz, em um tom cansado — Então vocês estão realmente sérios? Namorando?

Assinto. Leon parece chateado, mas não surpreso.

— Meus parabéns então — ele diz, tentando transparecer animo, mas vejo que está com ciúmes — Espero que ele te faça feliz.

Fico estática. Solto meu dedo e coloco no bolso.

— O que quer dizer me fazer feliz?

Ele perscruta meu olhar.

— Você sabe que o pai dele fez com uma trouxa, não sabe? — ele diz, em tom ácido — Não acho que ele seja muito diferente.

Estou fervendo de raiva.

— Como se atreve a acusar o pai de Scorpius e ele? Tenho certeza que tudo isso é mentira — digo, com raiva.

As pessoas a nossa volta nos olham, curiosas. Enrubesço e saio de perto de Leon, para os fundos da loja, onde não há ninguém. Ele me segue, segurando meu braço.

— Rose, me desculpe, mas é que isso está me enlouquecendo — ele diz, com a voz rouca — Eu realmente gosto de você e você nunca me deu qualquer chance.

Encaro seus olhos e vejo apenas dor. Padeço por ele, mas o que ele disse sobre Scorpius me deixou furiosa.

— Leon, nós tivemos uma chance que você estragou — digo, veemente, soltando meu braço — E tentar atacar Scorpius para me fazer vê-lo com olhos não vai mudar essa situação.

Ele suspira, passando a mão na nuca.

— Eu sei que não, mas saiba que sempre vou gostar de você — ele diz, se afastando — Não importa o que aconteça. Se precisar de mim, estarei esperando pacientemente.

Ele desparece na loja e eu permaneço no mesmo lugar. Estou tremendo e não sei o motivo. O que ele disse tocou fundo meu coração, mas mesmo assim amo Scorpius de todo meu coração. Olho para frente e vejo Scorpius se aproximar. Ele está com uma expressão tranquila e carrega uma cesta de livros.

— Então minha ruiva, vamos? — ele pergunta e para ao ver minha expressão — O que foi, meu anjo?

Eu engulo seco.

— Nada não — desconverso.

— Tem algo sim — ele diz, desconfiado — Mas depois eu descubro de qualquer maneira — ele diz, rindo, mas sei que está falando séro.

Pagamos pelos livros e colocamos na minha bolsa. Saímos da loja e ele me leva em uma sorveteria Florean Fortescue. Sentamos nas mesas de fora. Apesar do frio, amo sorvete em qualquer época. Scorpius pegou um de menta e eu peguei um de coco. Estou comendo, mas ele não toca no sorvete. Observa meu rosto, com uma expressão apaixonada. Sinto minhas bochechas ficarem quentes. Ele aproxima sua cadeira da minha e puxa minha nuca e beija meus lábios de leve. Sinto-me entorpecer por seu beijo e estou flutuando. Ele aprofunda o beijo, com avidez e derreto em seus braços. Nossas línguas se acariciam e ele morde meu lábio inferior, me fazendo ofegar. Nos soltamos, respirando fundo. Nossas respirações se misturam e vejo a fumaça que estão fazendo, devido ao frio. Dou uma risada, de felicidade. Ele também ri, sorrindo para mim. Ele beija minhas bochechas, minha testa, a ponta do meu nariz , meu queixo e por último meus lábios. Afasta o rosto e parece extasiado.

— Quero mais de você, Rose — ele sussurra — Sinto que estou enlouquecendo por não ter mais de ti. Vamos fugir hoje e ficar só nós dois? Quero beijar e toca-la como você merece.

Meu sangue esquenta nas veias pela sua proposta, mas prometi um passeio em grupo, não posso desmarcar isso.

— Eu amaria — eu digo e ele sorri, exultante — Mas precisamos fazer isso outro dia.

Ele murcha, apoiando sua testa no meu ombro.

— Por que você é tão má? — ele diz, dengoso.

Dou risada.

— Não sou, seu bobo — digo, fazendo ele olhar para mim — Prometi um passeio com nossos amigos. O próximo será somente você e eu.

Ele parece mais alegre, mas sinto que queria passar um tempo só comigo.

— Muito bem, mas para isso acontecer, precisamos contar para seus pais que estamos namorando — ele diz, lentamente.

Vejo sua hesitação, como se estivesse com medo da minha reação. Eu realmente não estou preparada, mas vou me esforçar por ele.

— Sim, é claro, vamos contar logo — digo, tentando mostrar que estou feliz, mas meu estomago está embrulhado.

Ele me abraça, com carinho e beija meu pescoço.

— Pare com isso, Scorpius — digo, rindo — Eu quero comer meu sorvete.

— Tá bom, mas você vai ter que me compensar hoje — ele diz, maliciosa, mas me solta.

Terminamos o sorvete e encontramos o pessoal na Vassourax. Alvo está observando com avidez uma nova vassoura da Nimbus. Meredith discute com ele entusiasmada sobre quadribol. Ela é ótima jogadora, mas não está no time da Grifinória. Alvo diz que ela deveria estar na Sonserina, para que ele ensinasse tudo sobre estratégias de jogo e coloca-la no time. Meri parece contente e mais envolvida pelo charme dele. Parece que ele venceu dessa vez.

— Vamos, pessoal — chamo.

Nós estamos saindo do Beco Diagonal, quando vejo mais uma vez Leon, andando na direção contrária. Ele finge não nos ver. Sinto Scorpius retesar ao meu lado, segurando minha cintura com força. Sinto culpa por não ter sido sincera com ele sobre hoje da livraria, mas não quero causar mais problemas. Estamos apenas começando a namorar e não quero estragar tudo. Saímos e clima continua pesado. Compramos ingressos para um filme de terror, sobre zumbis. E mais uma vez todos entraram em um consenso e eu sai perdendo. Scorpius fica ao meu lado e levanta o braço da poltrona. Ele passa o braço pelo meu ombro e beija minha orelha. A outra mão envolve a minha, acariciando minha palma.

— Nada de gracinhas — advirto, vendo o filme.

— Sou um cavaleiro, vou ficar bem comportado — ele sussurra no meu ouvido, mordiscando o lóbulo da minha orelha.

Fico arrepiada, mas finjo não ter sentindo nada. Ele beija meu pescoço e sobe para minha bochecha. Aperto sua mão, sentindo que vou entrar em combustão.

— Para, Scorp, tem gente aqui e vai nos ver — eu peço.

— Ninguém está vendo, olhe para o lado — ele diz, no meu ouvido.

Vejo que Lily está agarrada a Lorcan, parecendo realmente com medo. Ele está concentrado no filme, como se estivesse tentando entender tudo. Hugo está ao lado de Sophie, que nos encontrou depois. Ele não para de encara-la. Ela é linda, mas é bem mais velha que ele. Sophie não parece notar e continua vendo o filme. E mais ao fundo, Alvo e Meri. Espera, eles estão se beijando? Mas o quê?

— Não pode ser — digo, derrotada — Achei que Meri não ia cair na ladainha dele.

Scorpius ri.

— Não acho que ele está tentando engana-la — ele diz, olhando para mim — Até apenas curtindo o momento com a garota que acha incrível, assim como eu também quero curtir com minha namorada. Mas você só me esnoba — ele diz, colocando a mão no coração.

Dou risada e beijo seus lábios. Acho que não entendi metade do filme, pois não paramos de nos beijar e ele não para de me apalpar em todos os lugares. Eu tenho que controla-lo para que não passe dos limites e ele parece entender. O filme acaba e nós estamos levantando. Lily está tremula e não solta o braço de Lorcan. Ele diz que o filme foi bem curioso e perguntou se o que vimos são inferis. Dou risada dizendo que são os mortos vivos dos trouxas. Hugo está calado e vermelho. Sophie está sorridente e diz que o filme foi muito divertido. Onde está Alvo e Meri? Procuramos na sala de cinema e do lado de fora. Não encontramos em nenhum lugar. Quando estamos saindo do cinema, eles nos alcançam. Suas roupas estão amarrotadas e os cabelos em desordem. Não digo nada, mas parece que as coisas passaram do limite. Scorpius dá risada do amigo e Meri está vermelha.

— Onde vocês estavam? — perguntei a ela.

Ela não me fita.

— Eu só fui no banheiro — ela responde, inocentemente.

Reviro os olhos.

— Sei, vamos aproveitar mais um pouco Londres e vocês dois se comportem.

Scorpius ri de mim, puxando minha mão. Meri dá uma distância de dois metros de Alvo e ele tenta alcança-la. Parece estar realmente apaixonado. Caminhos juntos e vamos ver o London Eye. Compramos ingressos para andar na roda gigante e fico maravilhada ao ver a vista. Vejo o rio Tâmisa, os prédios, o céu encoberto de nuvens. Scorpius diz como isso é mais mágico que nosso próprio mundo e como está feliz por estar comigo. Digo que também estou muito feliz por ter ele na minha vida. O pessoal pede para que nós não fiquemos de melosidade. Damos risadas e continuamos. Até nos beijamos em público. Descemos da roda gigante e vejo uma cabeleira negra mais a frente. A pessoa se virá e encontro um par de olhos amarelos. David? Seus olhos me reconhecem, mas ele não para, desaparecendo na multidão. Saio em disparada, tentando alcança-lo. Meus amigos me seguem.

— Por que estamos correndo? — pergunta Alvo.

— O que foi Rose? — Scorpius pergunta, preocupado.

— Eu vi David — digo sem ar. Paro e respiro fundo, com as mãos nos joelhos.

— Onde? — Alvo pergunta.

Aponto para frente.

— Minha capa, ele está com minha capa, aquele filho da mãe — Alvo diz, começando a correr.