School Love
4 Capítulo 4 - Apenas ao olhar
Levantei como em um salto, já estava atrasada, me arrumei e desci para tomar o café da manha, acabei pegando somente algumas torradas e continuei a come-las no caminho da escola, Minha casa ficava a umas 3 quadras de la, era um pouco distante, mais não muito... chegava em 15 minutos se fosse andando... mais desta vez, com certeza bati o meu recorde, cheguei a escola em 7 minutos enquanto o porteiro já estava quase a trancar o portão. Se eu tivesse andando a uns 2 passos a menos teria perdido o primeiro tempo.
Corri até o campus 2, encontrei a sala com rapidez e me sentei antes mesmo do professor chegar, enquanto me arrumava, entrou na sala o professor Campbel, ele tinha uma fisionomia fechada e parecia ser bem carrancudo mais logo mostrou um excelente sorriso que me fez sorrir junto.
As salas de aula do campus 1 e 2 tem uma parede de vidro grosso o que faz os alunos verem tudo que acontece no pátio, e é claro, a direção ver os alunos e o que eles fazem dentro de sala.
A aula enfim começou e teve a tradicional apresentação do professor, logo após ele só ficou fazendo piada, e rindo com os alunos, entrei na comemoração do professor mais quando olhei pelo vidro da janela, o mundo voltou a desabar... lá estava ela, apenas passeando pelo campo, dando saltinhos que faziam a saia subir e minha vista acompanhar, Automaticamente parei de prestar atenção em todo resto, pra mim era como se ela andasse em câmera lenta, eu escutava as batidas do meu coração junto com os passos dela ao chão, minha boca ficava entre aberta e ao mesmo tempo que cheia d’água, minha garganta ficava seca, meu corpo parecia querer sair e abraça-la, a sentir em meus braços, saber como seria o cheiro dela... mais logo me pegava com tantos pensamentos que simplesmente desistia de pensar e apenas a olhava, totalmente sem ação... Enquanto a acompanhava com o olhar o senhor Campbel chamou minha atenção umas três vezes, eu ate o escutava, mais não conseguia responde-lhe. Na quarta chamada ela já tinha ido embora, saído do meu campo de visão e então voltei a prestar atenção na aula e compreender o que o professor dizia.
As aulas então foram passando, e eu não mais a vi, entraram outros professores, que se apresentaram, alguns muito simpáticos outros mais secos e metódicos, normal, aquilo ainda era uma escola afinal. No decorrer da aula conheci alguns dos alunos, mais continuei ao lado das pessoas com as quais bebi no final do trote do dia anterior, eram boas pessoas, jovens loucos e cheios de sede de vida, o tipo de companhia que eu adorava... Conversávamos durante as aulas sobre coisas inúteis mais que faziam muito sentido no momento, falávamos da vida e das coisas boas de ser jovem, e de como nossos pais eram chatos. No meio dessa galera acontecia uma espécie de hierarquia que era bem demarcada e que eu percebi logo na segunda aula. O grupo era composto por Gabriel, Daniela, Fabrício, Caio, Viviane, Fernanda e eu, Gabriel e Daniela se conheciam dês de antes do ensino médio, então eram os cabeças do grupo, os queridinhos, de quem todos sempre gostam, eram muito bonitos e tinham um estilo bem parecido, loiros de olhos escuros e sempre com skate’s a mão. Fabrício e Caio eram inseparáveis, apesar de se conhecerem a menos de um dia, eles já se sentiam íntimos o bastante para compartilhar segredos, Fabrício era ruivo e com aparência de nerd, apesar de não ser nenhum pouco, e Caio era um pirado que adorava ciências mais que parecia ser mais burro do que realmente era. Viviane, Fernanda e eu éramos as meninas que alem de tudo estávamos ali para estudar e a diversão deu as caras, então vamos aproveitar... Viviane era uma morena que fazia o corredor parar quando ela passava, uma cintura perfeita, um corpão mesmo, Já Fernanda era mais recatada e tinha um cabelo no tom loiro acinzentado, quase que branco, curto e ela era muito branca também. Acho que se o cabelo dela fosse preto seria a coisa mais mas fofinha do mundo. E bem eu era apenas eu, mais nada a acrescentar.
Na hora do intervalo arranjamos uma mesa que não era tão ruim, e alguns comeram,ficamos conversando... Sorriamos todos pois as piadas eram continuas, mais a realidade e que gostaria de observar por mais tempo a menina pela qual meu corpo e meu coração reagiam com tamanha força, ela não apareceu e não a vi mais pelo resto do dia.
Quando o sinal do ultimo tempo bateu, todos saímos e lá estava ela de novo, parada, mais dessa vez sozinha e com a cabeça baixa, gostaria de ir a confortar, mais não teria coragem suficiente. Então, apenas a observei de longe e vi o quão linda ela conseguia ser ate quando estava só e aparentemente triste. Observei até quando pude, depois simplesmente fui embora e acredito que ela também tenha ido, espero que não tenha demorado muito pois...
Ao chegar em casa, minha mãe estava totalmente desespera enquanto olhava para a tv, quando abri a porta, ela saiu em desparada olhando pra mim como se fosse chorar... a abracei forte e nem mesmo sabia o motivo para o choro. Foi quando percebi que estava acontecendo alguma coisa na escola, olhamos juntas pra televisão e então ela simplesmente saiu, tinha que trabalhar e eu fiquei pensando se a menina teria saído da escola ou não. Minha mãe me proibiu de sair de casa e eu obedeci, não queria ser morta por conta de uma paixão minimalista, era o que eu pensava...
“ Se fosse hoje, com certeza não me importaria de morrer, muito menos me importaria de morrer por ela... gostaria de estar morta “
Fiquei em casa o resto do dia, sem saber o que pensar a respeito, com medo de nunca mais ver a menina dos meus sonhos, com medo de algo de ruim ter acontecido a ela, e por vezes, ate me culpando de não ter ido lá salva-la, como se pudesse... Dormi depois de um dia angustiante e só queria que a noite acabasse, mais ela demorou a passar, a cada tic-tac que o relógio fazia, para mim, era como um eternidade angustiante que me fazia temer o pior, e quando fechava os olhos a culpa me rodeava, ficava sempre a espreita, e então quando eu menos esperei, o despertador tocou e me levantei pronta para ir para a escola, já não agüentava mais ficar na cama...
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