School Killers
33 Por que ele não é suficiente?
Notas iniciais
Thalia subiu a escadaria pulando em dois em dois os degraus, sem se importar com os olhares estranhos que os outros funcionários da escola a direcionavam. Na verdade ela quase nunca via esses tais outros funcionários, mas agora no prédio principal eles a julgavam, a roupa em maltrapilhos devido ao teste, seu rosto que deveria estar vermelho e suado, a maquiagem pesada mal tirada as presas que devia lhe fazer naquele momento aparentar algo com um panda que tinha sido cruelmente assassinado e faminto, afinal uma coisa que a Grace era magra.
— Thalia! — Zeus olhou confuso a filha que cruzou os braços furiosa.
— Precisamos conversar — ela ignorou o homem que estava naquele momento conversando com seu pai sobre qualquer coisa que ela não se importava, ignorou o suficiente para não notar a semelhança com Nico, a pele branca pálida, os olhos negros e escuros, talvez outro dia de longe ela desconfiasse que fosse Hades, pai de seu antigo professor, mas naquele momento ela apenas queria tirar satisfações.
— Não, não precisamos, por que está machucada? — o homem questionou, mesmo estando em um colégio de assassinos ela ainda não tinha tido nenhuma prova prática.
— Eu sou da equipe de teste — revirou os olhos azuis elétricos — e nós vamos conversar, Zeus!
Usar o nome de seu pai e não o título de paternidade é claro que alertou Hades, que já tinha uma plena noção de quem a menina era, o fazendo pigarrear e chamar a atenção para si.
— Bom, eu vou indo, depois terminamos nossa conversa, Zeus — o sotaque italiano forte escorregou em cada palavra dita, fazendo com que todo o corpo de Thalia se estremecesse.
Desviou o olhar para o homem que agora se afastava e a ligação com Nico ficou evidente, mesmo que o sotaque do professor sendo britânico, por tempo ela achou que ele tinha morado lá, mas depois descobriu que ele praticava tal sotaque, pois assim não criava relações com seu passado, a Itália, sul da Itália mais precisamente e é claro que com o tempo descobrira que ele adorava xingar em italiano quando transava com ela, puxando seu cabelo e com o rosto na curva de seu pescoço tentando se manter controlado o máximo de tempo possível em uma disputa de quem se entregava ao prazer primeiro, normalmente ela perdia essa batalha.
Engoliu em seco, olhando seu pai sentindo seu corpo quente, ela não tinha certeza se era raiva ou se eram as lembranças do Di Ângelo, mas ela queria tirar satisfação.
— Vamos conversar! — exigiu novamente, fazendo o homem de quase cinquenta anos suspirar cansado e assentir, indicando que ela o seguisse.
Não estranhou quando ele entrou em sua sala, que pertenciam ao circulo de salas que tinham como meio de entrada central o local que todos se reunião. O homem fechou a porta a trancando atrás de si, passando a filha e apoiando-se contra a mesa e cruzando os braços, já preparado para ouvir os surtos de uma menina mimada, a princesa que ela aparentava ser de longe, é claro que existia uma pontinha real dela na personalidade da garota e ele sabia que está ponta era inteira sua culpa.
— Por que o Nico não é bom o suficiente para mim? — perguntou sem rodeios, queria exigir o que tinha acontecido com o garoto, queria saber o que ele tinha feito com o corpo dele e como ele tinha coragem de conversar com o pai dele como se nada tivesse acontecido, mas ela tinha que saber o motivo real, o motivo de tudo aquilo ter ocorrido.
— Você não conhece ele — o homem respondeu calmo, nada surpreso com a pergunta.
— Isso não me responde, por quê? — cruzou os braços novamente, seu pai não lhe dava medo, nunca deu.
— Thalia... — sua voz saiu mansa e claramente persuasiva.
Ela o cortou.
— Nada de Thalia! — sua tom era de um rosnado bravo — Você não tinha direito de se meter na minha vida, você é meu pai, não meu dono — o nojo evidente na palavra — Por que o Nico não é bom o suficiente para mim? Você confia nele para fazer seus trabalhos, confia nele para ser meu professor e até um protetor, mas não quando se trata de relacionamento e eu quero o motivo.
— Porque ele não é controlado o suficiente — agora ele já estava cansado — nunca foi.
Ela engoliu em seco, um assassino não sendo controlado nunca era algo bom.
— Como assim? — perguntou, tentando esconder a hesitação em sua voz. Teve sucesso.
O homem suspirou, passando a mão nos cabelos loiros com pontas grisalhas, fechando os olhos azuis elétricos como os da filha por alguns míseros segundos.
— Quando ele tinha onze anos, Nico era mais pra frente do que a maioria das pessoas, até de alguns adultos — contou abrindo os olhos — ele tinha acesso ao material de Hades, conhecia técnicas de tudo que era possível, livre da maioria dos problemas mentais, ele via sentimentos como uma coisa fútil, ainda vê, mas ele sabia que eles podiam ser presentes, e sempre compreendeu bem o que sentia, pois sabia que entender e expor tais sentimentos eram uma maneira fácil de controla-los. Foi quando ele começou a gostar de um garoto — Thalia arqueou as sobrancelhas surpresa, o que fez seu pai soltar uma risada fraca, notando que ela não sabia desse lado do “namorado” — na época a exposição de casais homossexuais era mais sutil, quase inexistente, mas Nico não via problema nisso, como criança para frente demais do que a maioria das pessoas ele via sentimento como um sentimento, mais do que barreiras como raça, sexo ou algo do tipo.
— Quando vai chegar ao ponto que me dá o real motivo? — a morena questionou impaciente, fazendo Zeus revirar os olhos e continuar a falar.
— Então ele contou para o garoto e foi quando as coisas desabaram, o menino riu da cara dele, e ele virou motivo de chacota na escola, então foi quando ele perdeu o controle e montou o crime perfeito, começou desde aquele dia a garantir que ele sumiria do mapa, seria dado como morto, então quando tudo estava perfeito para ele ser um cadáver ele fez uma chacina em sua escola, matou mais de trinta pessoas e garantiu que seu corpo estivesse lá, ou algo parecido com isso, ele matou trinta pessoas principalmente o menino por ele ter levado um fora, por ele ter falhado, assim como ele matou todos os seus antigos relacionamentos quando elas e eles o dispensaram, porque além de falhar em algo ele também via como sentimentos que ele não tinha controle, pontas soltas em um barbante que ele tratou de eliminar.
A menina piscou desnorteada com a informação.
— Eu não acho que ele não seja bom para você Thalia, mas quando vocês enjoarem um do outro, o que isso vai acontecer, eu sei qual de vocês dois vai ganhar a luta — Zeus explicou, olhando a menina que abriu a boca a fechando logo depois.
O silêncio tão pesado e desconfortável, quase palpável no ambiente.
— Por isso o matou? — sua voz saiu mais manhosa e foi quando o pai da menina percebeu que era tarde demais, ela já tinha se envolvido o suficiente para ter perdido alguns quilos desde que ele a tinha visto pela última vez, o suficiente para ela se machucar em uma prova que não era nem mortal.
— Eu não o matei, Thalia!
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