Quando Dafne olhava pela janela do restaurante, tinha-lhe parecido ver Dean a sair do carro. Quando ela olhou pela janela, teve a certeza.

E o pior mesmo, é que ele se dirigia À mesa onde eles estavam. Onde ela estava.

- Eu disse-te para a deixares em paz! – Dean olhava com fúria para Adam White, e este tinha medo, honestamente, via-se o medo nos olhos dele.

- Dean, fui eu que quis. Não impliques com ele, desta vez, não foi ele. Fui mesmo eu! – ela puxava o braço dele como que a chamá-lo à razão.

- Porquê?! – Queria ele saber.

- Ora porque eu sou melhor que tu – Pavoneou-se Adam.

- Epá importas-te de estar calado, e pode ser que eu te poupe – Dean clareou a garganta. – Repara que eu disse pode. Não quer dizer que o faça.

Adam calou-se-

- Então, vais-me dizer o que se passa para saires com ele? Disseste-me que hoje não podias!

- Assim, ele pararia de me chatear, e finalmente ficaria em paz! – Dafne tentava não mostrar fraqueza. – E acho que tenho idade suficiente para saber com quem saio!

- Ai é assim? – Dafne via o desapontamento nos olhos dele. Ela sabia que o tinha magoado. Ele não a deixou falar, limitou-se a sair do restaurante e deixou-os.

Dafne olhava pela porta quando ouviu a voz de Adam.

- Então vais comer o quê de sobremesa?

Dafne olhou-o pasmada, saiu e dirigiu-se a casa. Via que havia uma pequena multidão de volta da casa de Mr. Robinson.

Perguntou a umas quantas pessoas, mas tudo o que lhe disseram, é que havia sido toda mexida, as coisas fora dos lugares e os espelhos escritos dizendo “eu sei”.

Provavelmente Bride soubesse de algo.

Chegou à porta de casa, o Impala, ainda lá estava estacionado, em vez de entrar, Dafne Hall foi para a praia. Fazia vento e já era de noite, mas ela preferiu.

Passado meia hora entrou em casa e ouvia Flora a falar com Bride. O carro já tinha ido, e portante eles.

Bride correu para a entrada.

- Querida, já ouvi o que se passou… — Bride abraçou-a – Ele disse que iam sair da cidade… Pelo menos por agora. E sim, já sei que a casa do Robinson está do avesso. Pensamos ser um espirito, mas a verdade é que pode bem ser alguém

- A Bride sabe que não. Tenta pelo menos acreditar – Dafne começou a chorar – Oiça Bride, eu só saí com ele, na esperança que ele pudesse parar de nos chatear. E a verdade, é que eu bem posso dizer que sei mais do Adam, do que propriamente sei do Dean – Bride ia para contradizer – Bride por favor, sabe bem que é verdade!

- Mana o Dean ‘teve cá, mas ele foi à procura de ti – A menina abraçou-a mal a viu.

- Bride, eles partem quando?

- O Sam ia convencê-lo a partirem só de manhã…

- Então de manhã eu irei lá!

Bride saiu e foi para casa.

De manhã ela iria lá, ela tinha de ir lá. Gostava demasiado dele apesar do quão pouco sabia sobre ele.

- Dean….

- Não quero saber Sammy, vamos embora! – Dean fazia as malas.

- E se ela… Ela saiu com ele, apenas para ele parar. Tu vias que ela tinha um certo medo dele! – Sam não se mexia para nada.

- E eu não a podia proteger? Sou deficiente?!

- Ai idiota, vai falar com ela, não vos custa nada. E tiras tudo a limpo! – Sam levantara-se para beber água.

- E se eu não sou suficientemente bom? – Dean sentara-se com as mãos na cabeça.

- Tu não podes saber se uma pessoa é boa ou má, se não souberes o suficiente sobre ela. É exactamente isso que se passa com a Dafne, Dean! Eu compreendo o que fazemos, mas por favor, ela gosta de ti, nota-se e o mesmo de ti! Por isso, diz-lhe a verdade. – Sam vestia uma t-shirt e ficava em boxers – Agora sai daí que quero dormir.

Dean parara de arrumar as coisas, e Sam apagara a luz. Ele deixara-se dormir no sofá. Com a ideia, que de manhã partiriam, e nunca mais se poderiam ver.

Na manhã seguinte Dafne acordou cedo, e nem pensou em acordar Flora. Levá-la-ia mesmo a dormir. Ela tinha de falar com ele, antes que fosse demasiado tarde.

Bateu à porta do quarto, com Flora no colo a dormir ainda.

- Quem é? — perguntou a voz sonolenta de Sam.

Dafne voltou a bater.

- Sam, por favor abre, é a Dafne, eu preciso mesmo de falar com ele, e tu sabe-lo.

Sam saltou da cama, vestiu umas calças e abriu a porta.

- Entra — disse, apenas.

- Ele? – Dean saía agora da casa-de-banho com uma toalha enrolada à cintura.

Dafne passou Flora para o colo de Sam e disse:

- Acorda e leva-a a algum sítio, ao parque ou assim, eu depois compenso-te.

Sam acenou e saiu com Flora do quarto. Nem tempo para se arranjar tivera.

E lá estavam eles mais uma vez. Dafne olhava para aquele peito que tanto queria ver, e aqueles abdominais que queria tocar.

- Temos de falar… — começou ela.

- Não temos nada para falar! – terminou ele.

Que homem tão teimoso.

- Dean, porque te importas assim tanto?! – ela foi para tao perto dele, que ele viu-se obrigado a enfrentar o olhar dela.

Era triste. Devia ser o olhar mais triste que alguma vez tinha visto.

- Porque saíste com ele? Havia necessidade?! – Ele pôs uma mão de cada lado da cara dela, e não permitiu que os olhares se desencontrassem. Aquilo levava Dafne a um nível que ela não sabia que ela não sabia que podia chegar.

- Porque ele me pediu… E Dean, sejamos realistas que futuro vês para nós? – Ela virou-lhe costas.

Aquilo magoou-o de tantas maneiras. A principal, era por saber que ela tinha tanta razão, e a outra, por ela o trocar por outro.

Ele não disse palavra, por isso ela continuou.

- Tu caças coisas, bichos, fantasmas…? Nem sei, e eu procuro uma vida sossegada. – limpou os olhos – Nunca poderíamos ter filhos. Serias um pai ausente… Casar… Adam, não é a melhor pessoa do mundo, nunca será. Mas seríamos uma família. – Ela virou-se para ele e disse – Mas aqui surge o problema…

Dean abriu os olhos.

- Qual problema? – questionou.

- Eu não quero uma família com ele, quero uma contigo, com o Sam… Com ele não seria real… E já disse tudo o que tinha para dizer. Adeus Dean – ela ia a sair a chorar e ele agarrou-lhe na mão.

- Não chores! Eu sei que nunca poderemos ser… Mas podemo-nos encontrar por vezes. – ele beijava-lhe os nós dos dedos.

Ela afastou a mão.

- Para quê? Para eu ser uma rameira? Não tem família e não ultrapassou o rapaz? Desculpa Dean, é melhor não… É melhor partires, sempre podemos tentar isso.

Ele beijou-a, ele queria dizer que podia ficar com ela, mas a verdade é que não podia. Ela tinha de arranjar alguém melhor que um simples caçador.

Dafne sentia o corpo nu dele contra ela, apenas a tolha o separava do nudismo total, e ela gostava daquilo, mas quanto mais depressa melhor. Por isso empurrou-o e saiu.

Dirigindo-se ao parque para ir buscar a Flora. Não conseguira evitar as lágrimas.