Dean sentava-se no sofá da casa de Dafne, enquanto ouvia a voz dela da casa de banho. Dafne tinha ido buscar os produtos para tratar novamente dos ferimentos dele.

- E nem penses em escapar-te! Isso ontem estava feio, e por isso vai-me deixar ver! – ele já notava que a voz se aproximava.

Ele começara a tirar a ligadura da cabeça, e ela interrompera-o a meio. Afastara as mãos dele, e tirava com as suas próprias, a ligadura das mãos dele.

- Desculpa… Eu não queria ter dito o que disse! Mas ele tinha de me largar de qualquer maneira, e foi a mais à mão que encontrei… — ela falava enquanto o ajudava.

- Não faz mal… — Ele queria dizer-lhe o mesmo, mas sabia que era impossível – Au! Cuidado!

- Não sejas mariquinhas, eu não te aleijei… — ela fez um pouco de pressão no ombro dele com a mão.

Ele riu.

- Claro! Tu? Alguma vez?! Opá, não sejas é má! Cuidadinho que eu sou fino pá!

- Não me parece que sejas… — Olhou para os lábios dele e depois para o pescoço dele. Raios! Como ela o queria beijar.

Ela voltou a tratar-lhe da ferida na cabeça e passava agora para a dos braços. Ele teve de tirar a camisola.

E lá estavam eles mais uma vez! Sempre na mesma! Porque não saiam dali?!

Dafne, tira a cabeça desses pensamentos por favor! Não valem assim tanto… Não que não valem! Isso é o que tu queres pensar!

Coçou o nariz para evitar aquele tipo de pensamentos desnecessários.

- Então… Queres falar sobre o quê? – Tentou acalmar o clima que se instalara.

De como ficas bem nua, não achas um bom tema? Dean riu do próprio pensamento.

- Que foi? – Sorriu ela.

- Nada nada… A Flora está crescida – Declarou.

Ela sabia que ele lhe tinha mentido quando disse que não se passava nada.

Ignorou.

- Olha não queres ir dar um passeio? Eu sei que estar aqui dentro nos vai fazer mal… — ela tinha acabado lhe de tratar dos ferimentos no braço.

Ele concordou. Ela ajudou-o a vestir o casaco e saíram para a rua.

Na rua ele tentou agarrar-lhe a mão.

- Desculpa Dean, sabes que te vou sempre ajuda no que precisares, mas honestamente, não preciso de ficar magoada novamente… — cada palavra que ela dizia lhe custava, mas a verdade é que eram as palavras que realmente eram verdade.

Passearam. Ele voltou a ver o bar de PandoraVille, algumas pessoas.

Não quiseram passar pela casa de Bride. Foram à praia.

Dean não queria entrar dentro de água, mas Dafne pediu-lhe por tudo. E ele não lhe conseguia negar nada.

Era de noite e pareciam uns tolos com os pés molhados na água, como se nada lhes tivesse acontecido. Como se fossem miúdos novamente.

De repente, algo bate nas pernas de Dafne. Ela dá um pulo pois não sabe o que é.

Dean já tinha ido para a areia, quando ouviu um grito de Dafne.

Foi a correr para lá

Sem pensar, falou.

- Amor o que se passou?! – Ele não olhava para mais lado nenhum a não ser os olhos dela que mostravam medo e panico.

Quando ela conseguiu fazer alguma coisa, já ele tinha olhado para baixo.

Jazia um corpo à tona de água, tinha pouco tempo.

Ele encostara a cara de Dafne contra o peito, não queria que ela visse aquele horrível mundo onde ele trabalhava.

Ela agarrou-se a ele e chorou de pena, de tristeza. Gritou de pânico.

Quando finalmente se tinha controlado conseguiu dizer:

- Temos de chamar a policia, é a Jenna MacFarland, Dean, foi o filho e agora ela, isto é horrível. – Ela tinha as mãos dela à volta da cintura dele.

Ele concordou.

Quando chamaram a policia, os vizinhos das redondezas vieram atrás.

Eles contaram o que sabiam, o que tinha acontecido, mas a verdade é que eles eram os principais suspeitos, e isso não impedia os vizinhos de os acusarem.

Jenna estava morta, e não se sabia de ninguém que tenha passado por lá a não serem eles.

Foram levados à policia estadual.

Dafne ia atrás com Dean no carro do Xerife White, e chorava encostada ao ombro dele. Aquele dia não podia piorar. E se pudesse, ela não queria estar lá para ver.

Eles não tinham conseguido contactar Bride ou Sam, ainda tentaram Jeremy, mas mostrou-se impossível também. Nenhum dos três estava lá, e só podiam ligar depois de serem lá interrogados.

Quando Dean deu por si, Dafne rezava baixinho e pedia ajuda para sair daquela alhada pela irmã. Ele ficava tão contente por vê-la assim, tao orgulhoso. Mesmo numa situação complicada, ela pensava na irmã e não nela.

- Querida… Dafne por favor acalma-te, vai tudo correr bem. – ele encontava a cabeça dele à dela.

- Dean… E se não correr?! E se for desta? E a Flora quem fica com quem? – ele pôs-lhe a mão na cara dela e ela beijou-lhe a palma da mão.

- EU prometo que não vamos ficar lá dentro! – beijou-lhe a face.

- Dean… Eu sei que queres ser uma espécie de principe encantado, não o faças eu gosto de ti assim, pelo menos por agora por favor…. Isto é grave… — Encostou o nariz ao pescoço dele. Tentava controlar as lágrimas, mas a verdade é que esta tarefa se andava a revelar impossível.

Passado umas duas horas chegaram à policia estadual, onde foram fechados em salas diferentes de interrogatório.

Ambos contaram exactamente a mesma coisa, e foi dar ao mesmo. No fim do interrogatório puseram-nos juntos outra vez e Dafne agarrou-se a ele e não o largou. Conseguiram contactar Bride e Sam que disseram que iam para lá assim que pudessem.

- Dean, eu tenho medo, eu não quero saber o que pensas, nem o que fazes… Mas eu quero-te a ti, aqui e tenho medo… -agarrou a mao dele e apertou-a, precisava de se sentir segura.

- Linda, não tenhas pressa, vai tudo acabar bem, confias em mim não confias?

- Em ti em confio… Na minha sorte nem por isso. – Beijou-o. Ele precisava daquele beijo.

Ele foi apanhado de surpresa. Ele sorriu no meio do beijo e ela sentiu. Sentiu a emoção dele, o amor dele. Foi um beijo mesmo longo.

- A carta que me escreveste…. – Ela tremeu.

- Não gostaste? – tentava arranjar a terminação para aquela frase.

- Tenho-a comigo desde que a escreveste… Tambem te amo Dafne.

- Apesar de não resultar… Dean eu sei disso, ma snao podes apenas viver o memento?

Enquanto eles falavam, a porta abriu-se.