11 de Agosto de 1810

Acordei.

Fui direto para a sala do Rafa.

Assim que cheguei, encontrei ele guardando alguns Artefatos.

— Ah, bom dia, Samuel.

— Bom dia. Queria saber o que eu faço de treino hoje.

— Você pode treinar com a sua espada. Eu tô meio ocupado agora, já chegaram os dez scars necessários para iniciar as lutas do Coliseu.

Assenti.

— Mas… posso fazer umas perguntas?

Ele continuou guardando os Artefatos.

— Ainda preciso acompanhar as lutas, mas pode perguntar.

Respirei fundo.

— Fiquei pensando nisso a madrugada inteira… o que exatamente você é? Você sabe um monte de coisas importantes. É tipo um superespião? E por que você criou esse Coliseu?

Rafael terminou de guardar o último Artefato e se virou para mim.

— Eu? Eu sou só mais um scar que fez um pacto com o Adam.

— Você… tem um pacto com ele?

— Tenho. Tá bem aqui.

Ele afastou um pouco e apontou para o pescoço.

Havia um símbolo queimado em sua pele.

Uma marca.

Como se tivesse sido gravada a ferro.

— Mas… o que esse pacto faz?

Por alguns segundos ele ficou em silêncio.

— Ele me deixou viver… em troca de organizar essas lutas.

Seu olhar ficou distante.

— O Adam aparece de vez em quando para assistir algumas delas. Mas, na verdade… o interesse dele sempre foi o meu Impar.

Ele deu uma pequena risada sem humor.

— Um scar capaz de desconectar Artefatos dos usuários e obrigá-los a lutar até a morte… isso diverte bastante ele.

Balancei a cabeça.

— Que maluco…

— Eu sou só mais uma peça presa nessa pirâmide.

Ele apoiou o pincel sobre a mesa.

— Felizmente, quando ele me encontrou, os dez Madas já tinham sido escolhidos. Caso contrário… eu tenho certeza de que teria virado um deles.

Aquilo me arrepiou.

Rafael pegou um pincel e começou a escrever algumas anotações.

— Nosso plano só funciona porque ele é arrogante demais para ligar para nós.

Ele ergueu um dedo.

— Ele não caça scars aleatórios.

Outro dedo.

— Não transforma qualquer scar em Gomendi.

Mais um.

— Apenas observa enquanto destruímos uns aos outros.

Respirou fundo.

— Ele nunca interfere diretamente.

Sorri de lado.

— Então você resolveu se revoltar contra ele.

— Exatamente.

Seu olhar endureceu.

— Tirar dez por cento do poder dele não vai fazer o Adam entrar em pânico.

Ele é o Criador.

Só quer assistir à ruína da própria criação.

Engoli em seco.

— Que macabro…

Rafael voltou ao normal.

— Enfim. Era só isso?

Pensei por alguns segundos.

— Acho que sim… mas fica tranquilo. Eu vou acabar com isso. Pode apostar.

Ele riu.

— Certo. Eu acredito em você.

Depois apontou para a porta.

— Mas não perde tempo. Quanto mais tempo você ficar parado… mais tempo nós perdemos.

— Entendido!

Já saí praticamente correndo.

— Tchau, Rafa!

— Tchau.

Saí da sala.


Fui direto para os fundos do Coliseu.

Como de costume.

Mas, antes mesmo de chegar…

Um estalo percorreu meu corpo.

[Artefato recuperado]

Senti um alívio imediato.

Sem perder tempo…

[Copyraitos]

Chamas cianas surgiram ao meu redor.

No meio delas…

Minha espada apareceu.

Inteira.

Segurei seu cabo com força.

Ainda lembrava de como ela havia sido completamente destruída pelo Clarencio.

Naquela luta…

Parecia que eu estava tentando cortar uma parede de aço.

Mas aquilo já era passado.

Algo em mim estava diferente.

Algo… estranho.

Quase invasivo.

Pensamentos.

Sensações.

Emoções.

Que claramente não eram minhas.

Um por cento.

O Fragmento do Medo.

O que exatamente isso mudou?

Hora de descobrir.


Força

A primeira diferença foi absurda.

Escolhi uma árvore como alvo.

De tamanho médio.

Primeiro tentei sem Artefato.

Fechei o punho.

Respirei fundo.

E dei um soco.

POW!

Lasca de madeira voaram para todos os lados.

Meu braço afundou no tronco.

Ficou um buraco quase do tamanho da minha cabeça.

Naturalmente…

Enfiei minha cabeça lá dentro só para conferir.

— Confirmado.

Retirei a cabeça.

Ativei meu Artefato.

Levantei a Copyraitos.

Desferi meu melhor golpe.

SWINH!

A espada encontrou uma leve resistência…

Só por um instante.

Logo depois…

A árvore inteira deslizou.

Partindo-se ao meio.

Ela tombou lentamente.

BOOOM!

Meus olhos brilharam.

— UOU!

Olhei para a árvore caída.

— Maneiro…

Essa evolução era absurda.

Próximo teste.


Velocidade e raciocínio

Comecei a correr.

Sem objetivo.

Só correr.

A cada passo…

Meu corpo parecia ficar mais leve.

Mais rápido.

Enquanto isso…

Números começaram a surgir naturalmente na minha mente.

Cinco.

Oito.

Dez.

Doze.

Quinze.

Foi então que percebi.

O mundo…

Estava ficando mais lento.

As folhas.

O vento.

Os galhos.

Tudo parecia em câmera lenta.

Meu cérebro simplesmente processava tudo duas vezes mais rápido.

Isso era ridiculamente forte.

Próximo teste.



Resistência

Autoexplicativo.

Olhei para outra árvore.

Respirei.

Corri.

E não parei.

POW!

A dor veio imediatamente.

Caí no chão.

Meu corpo inteiro gritava.

Mas…

Nenhum osso parecia quebrado.

Só doía.

Muito.

Fiquei deitado olhando para o céu.

— Tá…

Talvez essa não tenha sido uma das minhas melhores ideias.

Se eu não tivesse ficado mais resistente…

Provavelmente teria morrido.

Ou quase isso.

Acho que vou aproveitar que já tô deitado…

E testar outra coisa.



Sentidos

Fechei os olhos.

O mundo mudou.

Eu conseguia ouvir meu coração.

Cada batimento.

O sangue circulando pelo meu corpo.

O vento atravessando as árvores.

Quanto mais eu me concentrava…

Mais longe eu conseguia ouvir.

E o mais estranho…

Nenhum daqueles sons me incomodava.

Era como se eu pudesse simplesmente escolher o que queria escutar.

Passei a mão pela grama.

Conseguia sentir cada folha.

Cada detalhe.

Respirei fundo.

O cheiro da terra.

Da madeira recém-cortada.

Das folhas.

Da própria grama.

Tudo parecia muito mais intenso.

Sorri.

— Eu gostei desse Fragmento.

Ele literalmente abriu meus olhos.

Mas ainda tenho muito para melhorar.

Meu Impar.

Minha espada.

Meu corpo.

Só vou esperar algumas horas.

Porque eu realmente não tô bem.


30 de Setembro de 1811

Nesse momento…

Estou no meio da floresta.

De olhos fechados.

Treinando.

Rafael passou a me mandar caçar Gomendis que vagavam por essa região.

Passei meses enfrentando um após o outro.

Lutava sempre de olhos fechados.

Treinando audição.

Olfato.

Percepção.

Eu deixava os Gomendis atacarem durante vários minutos.

Desviava.

Bloqueava.

Escutava.

Sentia.

Até chegar ao ponto em que eles simplesmente não conseguiam mais me acertar.

Só então…

Eu cortava seus pescoços.

Uma morte rápida.

Sem sofrimento.

Durante todos esses meses…

Também continuei evoluindo meu Impar.

Os resultados foram:

Tempo de cópia: 4 s → 3,5 s

Duração: 4 min → 5 min

Reserva: 7 usos → 8 usos

Cópias simultâneas: 4 → 5

Limite máximo de cópias: 6 → 7

Depois de tudo isso…

Posso afirmar.

Estou muito mais forte.

Minha habilidade com espada evoluiu absurdamente.

Segundo o Rafael…

Um soco meu agora equivale a dois socos de antes.

O mesmo vale para os golpes da Copyraitos.

Minha resistência aumentou muito.

Ele falou um número envolvendo "vinte mil Nilson"…

Até hoje não faço ideia do que significa.

Minha velocidade chegou aos quinze metros por segundo.

Meus sentidos dobraram.

Meu raciocínio também.

Traduzindo?

Eu tô cabuloso.

Mas essa nem foi a maior novidade.

Depois de muito tempo usando o [Chá ringan]

A dica da minha segunda habilidade finalmente apareceu.

Guardar.

Achei que fosse algo simples.

Então pensei que eu poderia guardar os Impares que eu copiasse, para serem usados depois.

No instante em que pensei nisso…

Tudo escureceu.

Mais uma vez…

Eu estava naquele lugar.

O chão molhado.

O silêncio absoluto.

Fui até o pilar.

Sobre ele havia um pequeno baú.

Perfeitamente cúbico.

Com uma tranca de ferro.

Bonitinho.

Assim que toquei nele…

Uma informação apareceu.

Treincim

Pode guardar até 10 Impares copiados, podendo utilizá-los depois.

Dez?

Antes mesmo que eu pudesse pensar…

Algo me puxou.

Quando abri os olhos…

Eu não estava mais naquele lugar.

Quando voltei a enxergar com clareza…

Eu estava sentado.

Diante de uma mesa.

Ao meu redor, um vazio infinito.

Centenas de estrelas brilhavam na escuridão, formando um céu que me lembrava os desenhos que o Emerson fazia sobre o espaço sideral no mundo dos vivos.

Era bonito.

Calmo.

Silencioso.

Até que olhei para a frente.

Uma mulher estava sentada do outro lado da mesa.

Uma aura azulada envolvia todo o seu corpo.

Era uma presença completamente diferente de qualquer coisa que eu já tinha sentido.

Divina.

Sua cabeça era triangular, e dois pequenos triângulos desciam da parte inferior do rosto, formando algo parecido com um adorno. Seus olhos eram de um negro brilhante, um contraste estranho com toda aquela luz azul.

Ela sorriu.

Um sorriso tranquilo.

— Olá, Samuel. Como vai?

Pisquei algumas vezes.

— Oi…? Onde eu tô? E… quem é você?

Ela apoiou os cotovelos sobre a mesa.

— Meu nome é Lídia.

Fez uma pequena pausa.

— E você está aqui porque precisamos conversar sobre o que anda fazendo lá embaixo.

Franzi a testa.

— Quê?

Ela manteve o sorriso.

Mas agora havia um certo ar de diversão.

— Eu vi o que você e o Rafael fizeram.

Meu coração acelerou.

Ela continuou:

— Ele encontrou uma forma de burlar uma das regras que eu estabeleci para os Artefatos.

Respirei fundo.

Então era sobre isso…

— E, graças a isso, você deixou de ter limite de tempo para usar o seu Artefato.

Cocei a cabeça.

— Ah… então é por causa disso?

Lembrei do que o Rafael havia comentado.

Talvez algum ser divino percebesse aquela mudança.

E, aparentemente…

Ele estava certo.

— Exatamente.

Ela cruzou os braços.

— Acabei de observar a habilidade que você desbloqueou.

Treincim.

— Ela permite armazenar até dez Impares copiados para utilizá-los quando quiser.

Assenti.

— É isso mesmo.

— Ou seja…

Ela inclinou levemente a cabeça.

— Você poderia manter sempre os mesmos dez Impares preparados. Sempre que um acabasse, bastaria esperar ele recarregar e usá-lo novamente.

Ela deu uma pequena risada.

— Convenhamos…

Isso é quebrado demais.

Fiquei sem saber o que responder.

Ela então sorriu outra vez.

— Então, como criadora dos Artefatos…

Vou aplicar uma pequena punição.

Nada permanente.

Só vou dificultar um pouquinho a sua vida.

Aquela risadinha voltou.

Levantei uma sobrancelha.

— Lídia… posso perguntar uma coisa?

— Claro.

— Por que só isso?

Ela pareceu surpresa.

— Como assim?

— Eu praticamente quebrei uma regra criada por uma Deusa…

Achei que você fosse ficar muito brava.

Ela piscou.

Depois começou a rir.

— Sério que você pensou isso?

Continuei quieto.

Ela apoiou o rosto na mão.

— Samuel…

Eu gostei do que vocês fizeram.

Meu cérebro travou.

— Gostou?

— Sim.

Ela sorriu de verdade dessa vez.

— Foi criativo.

Muito criativo.

Ela apontou para cima.

— Rafael possui um Impar capaz de conectar e desconectar conceitos.

Não apenas objetos.

Conceitos.

Ela parecia genuinamente empolgada.

— Enquanto todo mundo pensa apenas no mundo físico…

Ele resolveu mexer com o espiritual.

Isso me surpreendeu.

Ela deu de ombros.

— Se eu simplesmente proibisse esse tipo de ideia…

Qual seria a graça?

Quero ver até onde ele consegue levar esse poder.

Quero descobrir o que mais ele será capaz de fazer.

Sorri sem perceber.

— Então… você não tá brava?

Ela fez uma cara indignada.

— Claro que não!

Depois riu.

— Seu bobo.

Eu sou a Deusa da Passagem.

Meu trabalho não é impedir que vocês encontrem soluções inteligentes.

Meu trabalho é garantir que a jornada continue interessante.

Ela ficou um segundo em silencio.

— Ok, esse não é meu trabalho, mas eu gostaria que fosse! — Ela resmungou, parecendo uma criança irritada. — Eu estou ocupada demais levando os vivos pra cá, e decidindo que tipo de Impares eles ganham após a sua morte.

Enfim…

Ela apontou para mim.

— Você está ficando forte porque está se esforçando.

Então não faria sentido eu simplesmente destruir tudo o que conquistou.

Respirei aliviado.

— Muito obrigado.

Ela acenou com a mão.

— Não precisa agradecer tanto.

Depois olhou para algum lugar distante.

— Infelizmente, eu preciso voltar ao trabalho.

Ser Deusa dá muito mais trabalho do que parece.

Ela se levantou da cadeira.

— Vou te mandar de volta para Scarloon.

Também me levantei.

— Beleza.

Tenha um bom dia.

Ela sorriu.

— Pode deixar.

Depois seu sorriso desapareceu.

Seu olhar ficou sério.

— Mas antes…

Me promete uma coisa.

Endireitei a postura.

— O quê?

— Não conte para ninguém sobre essa conversa.

Assenti imediatamente.

— Prometo.

Ela continuou me encarando por alguns segundos.

Como se analisasse minha resposta.

Então sorriu outra vez.

— Ótimo.

Porque eu realmente não gostaria que você sofresse por revelar algo que não deveria.

Estendeu a mão.

— No mais…

Tenha uma jornada cheia de aventuras…

Herói.

Ela deu uma piscadinha.

No instante seguinte…

Eu estava novamente em Scarloon.

No meu quarto.

Recebi imediatamente a descrição da habilidade.

Ela havia mudado.

Treincim

Pode guardar até 2 Impares copiados, podendo utilizá-los depois.

Dez.

Virou dois.

Que tristeza…

Mas…

Melhor isso do que ela simplesmente apagar a habilidade inteira.

Ou me transformar em cinzas.

Juntei as mãos.

Fiz uma pequena oração em agradecimento.

Depois me levantei.

Hoje era dia de caça.

Saí do quarto e fui direto para a sala do Rafael.

Quando entrei…

Ele conversava com outro scar.

Sua cabeça tinha o formato de um triângulo retângulo.

Bem no meio da hipotenusa havia uma esfera.

Um pouco deslocada do centro.

Aliás…

Hipotenusa é o maior lado do triângulo.

Foi o Thauan que me ensinou isso.

Ele sempre foi bom em matemática.

— Samuel?

A voz do Rafael interrompeu meus pensamentos.

— Oi!

Ele apontou para o scar ao lado.

— Esse é o Guilherme.

Vai acompanhar você na missão contra os Gomendis.

O scar fez apenas um aceno discreto.

— E aí.

Sorri.

— Oi! Eu sou o Samuel!

Ele deu uma risadinha.

— Sim.

Eu sei.

O Rafael já tinha falado de você.

Me aproximei dos dois.

Rafael entregou o mapa e a bússola para Guilherme.

Depois olhou para mim.

— Samuel.

Deixa que ele explica os detalhes durante o caminho.

Eu preciso resolver algumas coisas importantes por aqui.

Então já podem ir.

Fiz continência brincando.

— Entendido, chefe!

Ele fechou os olhos.

Visivelmente constrangido.

— Não me chama de chefe.

Sorri.

— Tá bom, Rafa.

Ele apenas fez um joinha e voltou para sua mesa.

Guilherme olhou para mim.

— Pronto?

— Sempre.

— Então vamos.

Seguimos para fora do Coliseu.

Antes de sair completamente, olhei uma última vez para o Rafael.

Ele já estava completamente concentrado, escrevendo alguma coisa em uma folha.

Nossa missão havia começado novamente.


Assim que saímos do Coliseu, Guilherme retirou a bússola da bolsa.

Observou a agulha por alguns segundos.

Ela apontava exatamente entre o "N" e o "O".

Sem dizer nada, começou a caminhar.

Segui logo atrás.

Durante alguns minutos, apenas o som dos nossos passos preenchia o caminho.

Até que ele resolveu quebrar o silêncio.

— Então, Samuel… deixa eu te explicar como vai funcionar.

Olhei para ele.

— Pode falar.

— Nosso alvo é o Mada Lúcio.

Ele fez uma pequena pausa.

— O Impar dele se chama Tiros.

Franzi a testa.

— Tiros?

— Isso mesmo.

Ele levantou a mão, simulando alguém apontando uma arma.

— Ele dispara projéteis pelas pontas dos dedos.

De vários tipos.

Longa distância.

Média distância.

Curta distância.

Em qualquer alcance, ele continua sendo extremamente perigoso.

Continuei ouvindo atentamente.

— Além disso…

Ele também possui uma força física muito alta.

Diria que algo em torno de sessenta por cento da força que o Clarencio tinha.

Assobiei baixo.

— Tudo isso?

— Sim.

E diferente do Clarencio…

O Lúcio não conversa.

Ele age.

É impulsivo.

Explosivo.

Se você tentar trocar duas palavras com ele…

Provavelmente vai levar um tiro na cara antes mesmo de terminar a primeira frase.

Ri de leve.

— Que simpático.

— Pois é.

Balancei a cabeça.

— Pra falar a verdade, eu também não tenho muito interesse em conversar com ele.

Meu objetivo é derrotá-lo.

Sem enrolação.

Guilherme sorriu.

— Exatamente.

Era isso que eu queria ouvir.

Ele fez algumas contas mentalmente.

— Sobre os Gomendis…

São cerca de quatorze.

Mas pode ficar tranquilo.

A maioria é fraca.

Muitos acabam morrendo durante as caçadas obrigatórias.

Então o número nunca permanece o mesmo por muito tempo.

Assenti.

— Entendi.

— Eu seguro os Gomendis.

Você foca completamente no Lúcio.

Depois que derrotar ele…

Você vem me ajudar a limpar o resto.

Sorri.

— Gostei do plano.

— Eu também.

Ele guardou novamente a bússola.

— Agora só falta chegar lá.

Olhei para a estrada.

Depois para ele.

— Podemos acelerar o passo?

Ele respondeu na mesma hora.

— Claro.

Também não gosto de perder tempo.

Começamos a correr.

Poucos segundos depois…

Já estávamos na velocidade máxima.

Quinze metros por segundo.

Olhei para Guilherme.

Ele corria exatamente ao meu lado.

Sem demonstrar qualquer esforço.

Estranhei.

Muito.

— Guilherme…

Ele virou o rosto.

— O que foi?

— Como você consegue acompanhar minha velocidade?

Você nem tem um Fragmento do Medo…

Ou tem?

Ele soltou uma risada.

Mas logo voltou a ficar sério.

— Usando Par.

Minha cabeça deu um nó.

— Par?

— Ah…

Você ainda não sabe o que é?

Balancei a cabeça.

— Nunca ouvi falar.

Ele pensou por alguns segundos.

— Não vale a pena explicar agora.

Nosso foco é outro.

Só saiba que…

Fisicamente…

Eu consigo ficar no mesmo nível que você.

Continuei olhando para ele.

Aquilo era estranho.

Muito estranho.

Par…

Esse nome não me era completamente desconhecido.

Enquanto corríamos, uma lembrança veio à minha mente.

[Bote]

A habilidade do Impar Camaleão.

"Concede cinco por cento de Par ao atacar sem ser percebido."

Então era isso.

Aquilo realmente existia.

Não era apenas uma descrição aleatória.

Pelo visto…

Era um sistema inteiro de fortalecimento.

Sorri de lado.

Vou perguntar para o Rafael quando voltar.

Mas não agora.

Agora…

Meu foco era outro.

Lúcio.

O segundo Mada.

Eu estou chegando.