Scarloon Samuel I - Herói

10 CAPÍTULO 10 — TIROTEIO




Depois de algumas horas correndo sem parar, finalmente chegamos a uma floresta diferente de todas as outras que eu conhecia.

Bastou colocar os pés ali para reconhecer o lugar.

As árvores tinham folhas Azuladas, que balançavam como pequenas chamas vivas ao vento.

Meu peito apertou.

Era a mesma floresta onde despertei depois da minha morte.

Por alguns segundos, lembranças vieram à tona.

O medo.

A confusão.

A sensação de estar completamente perdido.

Balancei a cabeça.

Aquele Samuel morreu naquele dia.

Agora eu era outra pessoa.

Ou melhor…

Outro Scar.

Nada mais.

Nada menos.

Continuei caminhando ao lado de Guilherme.

Durante todo o trajeto ele permaneceu em silêncio.

Nem parecia alguém que estivesse indo enfrentar um dos Madas.

Seu rosto era calmo.

Seus passos constantes.

Como se aquilo fosse apenas mais um dia de trabalho.

Pensei em puxar assunto algumas vezes, mas desisti.

Era evidente que ele não estava com vontade de conversar.

Então seguimos em silêncio.


Depois de aproximadamente mais uma hora de caminhada, finalmente avistamos o castelo.

O sol já desaparecia atrás das montanhas.

A luz rosada dava lugar ao roxo escuro da noite.

Dessa vez…

A caçada aconteceria sob a escuridão.

Paramos entre algumas árvores.

Observei melhor o castelo.

Ele era muito maior que o do Clarêncio.

Suas muralhas eram mais altas.

As pedras escuras pareciam absorver a pouca luz que ainda existia.

Nas torres, diversos Gomendis faziam a vigilância.

Cruzei os braços.

— Então… como a gente entra?

Guilherme não respondeu.

Em vez disso, começou a contornar o castelo.

Segui seus passos.

Ao invés de irmos para a entrada principal, demos a volta até uma das laterais da muralha.

Ali havia apenas duas torres de vigia.

Olhei para cima.

Os dois Gomendis observavam a floresta sem sequer perceber nossa presença.

Instintivamente levei a mão ao braço.

[Chá Ringan]

Eu poderia copiar um deles agora mesmo.

Mas, antes que ativasse meu Impar, senti uma mão tocar meu ombro.

Era Guilherme.

Ele fez um pequeno gesto para que eu esperasse.

Assenti.

Curioso.

Então vi seus olhos brilharem.

Uma tênue luz ciana percorreu suas pupilas.

No instante seguinte…

Dois finíssimos feixes de energia dispararam de seus olhos.

Tão rápidos que mal consegui acompanhá-los.

PIW!

PIW!

Os disparos atingiram exatamente a cabeça dos dois vigias.

Nenhum deles teve tempo de reagir.

Os corpos simplesmente tombaram das torres.

Sem um único grito.

Sem um único barulho.

Olhei para Guilherme.

— …

Ele apenas respondeu:

— Vamos.

Era difícil até imaginar o nível daquele cara.

Corremos até a muralha.

Assim que chegamos, levantei a cabeça.

Uns sete metros de altura.

Sem nenhum Impar útil…

Subir seria impossível.

Suspirei.

— Acho que vou ter que gastar um…

— Relaxa.

Guilherme sorriu de canto.

— Deixa comigo.

Ele levantou a mão.

[Voa.]

Antes mesmo que eu perguntasse o que aquilo fazia…

Meus pés deixaram o chão.

— Hã?!

VOSH!

Meu corpo foi lançado para cima.

No reflexo, segurei o braço de Guilherme.

Ou melhor…

Ele já estava segurando o meu.

Nós dois fomos impulsionados juntos.

O salto foi tão alto que ultrapassamos facilmente a muralha.

Caímos silenciosamente sobre as pedras.

Olhei para trás.

Sete metros.

Aquilo definitivamente não era um simples pulo.

Olhei novamente para Guilherme.

Ele apenas continuou andando como se nada tivesse acontecido.

"Esse cara realmente é forte…"


Os corpos dos vigias estavam caídos perto da muralha.

Guilherme apontou para eles.

— Copia os Impares.

Assenti.

— Enquanto isso, eu limpo o caminho.

Ele saiu agachado pelo topo da muralha, desaparecendo entre as sombras.

Sem perder tempo, fui até um dos corpos.

Depois carreguei o outro para perto.

Coloquei uma mão em cada um.

[Nada se cria, tudo se copia]

O cronômetro invisível começou.

Um…

Dois…

Três segundos.

Copiados.

Enquanto o processo terminava, consegui ver Guilherme.

Dois Gomendis caídos.

Sem alarde.

Sem luta.

Poucos instantes depois ele voltou.

— Pegou?

— Sim.

— Ótimo.

Ele apontou para o ponto mais alto do castelo.

— O quarto do Lúcio fica lá.

Segui seu dedo.

Havia uma enorme janela gradeada.

Era o caminho mais direto.

Antes de continuarmos, resolvi verificar minhas novas cópias.

O primeiro Impar era…

Água.

As habilidades eram:

[Mineral]

Cria água através dos olhos.

[Piscina]

Manipula água.

[Líquido de Ficar Dor]

Absorve qualquer líquido tocado pelas mãos, recuperando um pouco de Impar.

"…Nome estranho."

O segundo era…

Cordas.

Suas habilidades eram:

[Oito]

Cria cordas pelas mãos.

[Escoteiro]

Cria cordas em qualquer superfície.

[Pescador]

Controla cordas já existentes.

Bem melhor.

Versátil.

Poderia servir tanto para locomoção quanto para combate.

Gostei.


Paramos abaixo da torre central.

O quarto do Mada ficava muitos metros acima.

Sem pensar duas vezes, ergui a mão.

[Escoteiro.]

Uma corda surgiu no teto da construção.

Ela cresceu rapidamente, descendo até nossos pés.

Guilherme foi o primeiro a subir.

Subi logo atrás.

A escalada foi rápida.

Silenciosa.

Quando chegamos ao topo, nos aproximamos da janela.

Espiei pelas grades.

Lá dentro…

Lúcio estava sentado à mesa.

Parecia estudar alguns papéis.

Nem sequer desconfiava da nossa presença.

Guilherme estendeu o braço para mim.

— Copia.

Toquei nele.

[Nada se cria, tudo se copia]

O Impar apareceu imediatamente.

Ordem.

Antes que eu pudesse descobrir suas habilidades…

Guilherme olhou para dentro do quarto.

[Durma.]

A voz ecoou baixa.

Mesmo assim…

Lúcio ergueu a cabeça imediatamente.

Seus olhos procuraram a origem do som.

Por um instante pensei que ele tivesse percebido.

Mas então…

Seu corpo perdeu a força.

THUMP.

Ele caiu sobre a mesa.

Dormindo.

Guilherme se levantou.

— Agora é com você.

Olhei para ele.

— E você?

— Vou entrar pelo castelo e causar uma distração.

Ele já colocava uma das pernas para fora da corda.

— Arranja um jeito de entrar nessa sala.

Depois disso…

Boa sorte.

Sem esperar resposta, ele desapareceu.

Fiquei sozinho diante da janela.

Olhei para as grossas grades de ferro.

"…Tá."

"…Como eu entro agora?"

Quebrar o ferro estava fora de questão.

Além do barulho, eu nem tinha um Impar realmente destrutivo no momento.

Os que eu havia copiado eram úteis, mas nenhum parecia servir para abrir caminho.

Respirei fundo.

Só restava uma alternativa.

[Chá Ri—]

— Relaxa, Samuel.

A voz de Guilherme ainda ecoou da parte de baixo.

— Agora é contigo.

Olhei pela borda da janela.

Ele já desaparecia pelos corredores do castelo.

"…Valeu pela ajuda."

Voltei minha atenção para as grades.

Então uma ideia surgiu.

Na verdade…

Uma habilidade que eu ainda não tinha usado desde que a desbloqueei.

A terceira habilidade da Cópia.

Aquela que copiava não apenas o Impar…

Mas também o Artefato.

Sorri.

— Finalmente…

Era uma boa oportunidade para testar aquilo.


[O tal do Copião]

As chamas cianas envolveram meus braços.

Duas cópias podiam ser feitas.

Eu tinha três escolhas.

Água.

Cordas.

Ou Ordem.

Pensei durante alguns segundos.

Cordas não pareciam ganhar muita coisa.

Água podia esconder alguma habilidade interessante.

E Ordem…

Bom…

Quanto mais forte fosse, melhor.

— Água.

As chamas mudaram de intensidade.

Uma pequena onda de informações atravessou minha mente.

Água

Caderno de Surfista — Pode liquidificar sólidos através do toque.

Lago Messi — Pode transformar partes do próprio corpo em água.

"…"

"…Isso é absurdamente útil."

Agora era a segunda.

Ordem.

As chamas voltaram a brilhar.

Novas informações surgiram.

Ordem dos Advogados — Permite dar ordens especiais.

Esquecer.

Alucinar.

Explodir.

Voar.

Dormir.

Entre outras.

Ordem e Progresso — Permite dar ordens através do toque ou da visão.

Meu olho chegou a tremer.

"…Caramba."

Agora fazia sentido o porquê de Guilherme ser tão perigoso.

Esse Impar era completamente apelão.


Olhei novamente para a grade.

Já sabia exatamente o que fazer.

[Lago Messi]

Meu braço começou a perder a forma.

Em poucos segundos…

Virou água.

O resto do corpo seguiu o mesmo processo.

Foi uma sensação extremamente estranha.

Era como se eu estivesse derretendo.

Sem dor.

Sem incômodo.

Mas completamente sem ossos.

No mesmo instante…

Ativei outra habilidade.

[Piscina]

A água voltou a obedecer minha vontade.

Continuei de pé.

Mesmo sem possuir um corpo sólido.

— Que sensação bizarra…

Devagar, deslizei pelas frestas da grade.

Passei entre os espaços como uma simples corrente de água.

Do outro lado…

Caí no chão.

E comecei a recuperar minha forma.

Braços.

Pernas.

Tronco.

Cabeça.

Respirei fundo.

Funcionou.

Olhei para as próprias mãos.

— Cara…

Isso foi muito maneiro.


Levantei os olhos.

Lúcio continuava caído sobre a mesa.

Dormindo.

Era agora.

Sem fazer qualquer barulho, caminhei até ele.

Parei ao seu lado.

Toquei em seu braço.

[Nada se cria, tudo se copia]

Três segundos e meio.

Dois.

Um.

Copiado.

Tiros.

Finalmente.

As informações começaram a aparecer.

[Fuzilzada]

Dispara projéteis negros extremamente rápidos, precisos e de dano médio.

[Istauquer]

Dispara projéteis roxos que perseguem o alvo.

[Douze]

Dispara diversos tiros laranja de alto poder destrutivo.

Sorri.

"…Acabou."

Levantei a mão.

Apontei diretamente para sua cabeça.

[Fuzilzada.]

POW!

POW!

POW!

Três disparos negros cortaram o ar.

Mas…

Antes mesmo que o primeiro acertasse…

Lúcio simplesmente desapareceu da cadeira.

Os tiros atravessaram apenas madeira.

— Quê?!

Ele já estava atrás da mesa.

Abaixado.

Um sorriso debochado apareceu em seu rosto.

— Você realmente achou…

…que eu ficaria desacordado por tanto tempo?

Meu coração gelou.

Ele nunca dormiu de verdade.

Só fingiu.

— Não foi hoje, lixo.

BOOOOM!!

Uma enorme explosão azul tomou conta da sala.

A fumaça cobriu completamente minha visão.

Pedras começaram a despencar do teto.

Madeira se partiu.

Levei o braço ao rosto para proteger os olhos.

Quando a poeira começou a baixar…

Corri até a mesa.

Ela estava destruída.

Mas Lúcio…

Não.

No lugar onde ele estava…

Havia um enorme buraco aberto no chão.

"…Escapou."

Sem pensar duas vezes…

Saltei.


Caí no andar inferior.

TUM!

Rolei pelo chão antes de recuperar o equilíbrio.

Assim que levantei a cabeça…

Me deparei com uma guerra.

Diversos Gomendis cercavam Guilherme.

Mas…

Parecia injusto chamar aquilo de luta.

Era um massacre.

Papéis voavam pelo corredor.

Alguns Gomendis estavam completamente enrolados.

Outros simplesmente caíam mortos.

Guilherme nem parecia estar se esforçando.

Mas meu alvo não era aquele.

Procurei desesperadamente.

Onde…

Então encontrei.

Lúcio.

Correndo para o fundo do castelo.

— Ei!

Disparei atrás dele.

Passei pela batalha sem diminuir a velocidade.

Assim que alcancei a escadaria…

Meu corpo inteiro entrou em alerta.

Lá embaixo.

Parado.

Esperando.

Lúcio.

Seu braço já estava estendido na minha direção.

Um brilho negro surgiu na ponta dos dedos.

[Fuzilzada.]

POW!

POW!

POW!

POW!

Os disparos vieram numa velocidade absurda.

Mas…

Eu já conhecia aquele ataque.

Na verdade…

Conhecia até melhor do que ele imaginava.

[Copia, mas faz melhor.]

Meu corpo repetiu exatamente o movimento que o próprio Lúcio havia usado minutos antes.

Abaixei no instante exato.

Os projéteis passaram raspando sobre minha testa.

Tão perto…

Que senti o calor deles.

Lúcio estalou a língua.

Irritado.

Era minha vez.

Levantei o braço.

[Fuzilzada.]

POW!

POW!

POW!

Ele tentou desviar.

Conseguiu escapar de quase todos.

Quase.

Um dos disparos atravessou seu ombro.

— Tsc…

Mesmo ferido…

Ele continuou correndo.

— Ah, não!

Saí atrás dele outra vez.

Descemos mais alguns lances de escada.

Até chegarmos ao subterrâneo.

Ali existia um enorme corredor de pedra amarelada.

Comprido.

Escuro.

Cheio de bifurcações.

Lúcio virou rapidamente em um dos corredores laterais.

Quando cheguei…

Ele já havia desaparecido.

Parei por um instante.

Respirei.

O castelo inteiro havia ficado em silêncio.

Só era possível ouvir nossos passos ecoando entre as paredes.

A perseguição…

Estava apenas começando.


O corredor permanecia em absoluto silêncio.

Apenas o som dos nossos passos ecoava pelas paredes de pedra amarelada.

Corri por mais alguns minutos, acompanhando os rastros deixados por Lúcio.

Enquanto isso…

Uma ideia surgiu.

Treincim.

Eu ainda podia guardar um dos Impares que havia copiado.

Sem pensar muito, fiz minha escolha.

[Treincim = Ordem]

As chamas cianas envolveram minha mão por um instante.

Logo em seguida, senti aquele Impar sendo armazenado.

Pronto.

Agora ele não gastaria mais minha reserva de Impar.

Era melhor assim.

Só manter uma cópia ativa já consumia energia constantemente.

Se eu continuasse carregando Ordem comigo, acabaria desperdiçando minutos preciosos.

Além disso…

As habilidades daquele Impar eram absurdas.

[Mamãe Mandou]

Dá uma ordem verbal ao alvo.

[Ordem para Normais]

Dá ordens a objetos.

[Facilmente Manipulável]

Quanto mais alguém obedece às ordens, mais vulnerável fica ao Impar.

Era um poder perigosíssimo.

Quase injusto.

Mas justamente por isso eu queria economizar seus usos.

Cinco minutos passavam rápido demais.

Principalmente durante uma perseguição.

Ah…

E aproveitando…

Nem comentei uma coisa.

Depois de absorver o Fragmento do Medo, eu já não precisava mais carregar a Tesoura do Rafael durante as missões.

Porque o segundo Impar que eu guardei foi…

Conexão.

Agora fazia parte de mim.

A Tesoura só era realmente necessária quando eu precisasse utilizá-la fisicamente.

Muito melhor assim.

Enquanto eu pensava nisso…

O corredor finalmente terminou.

Entrei em uma enorme sala circular.

O teto era extremamente alto.

Diversas pilastras sustentavam a construção.

Algumas estavam quebradas.

Outras apresentavam marcas de tiros.

Mas…

Cadê o Lúcio?

Parei imediatamente.

Meus sentidos estavam no máximo.

Audição.

Olfato.

Visão.

Nada.

Nem sinal dele.

Entendi.

Ele também estava me procurando.

Se nossos atributos físicos eram praticamente equivalentes…

Nenhum dos dois possuía vantagem nesse tipo de caça.

Corri até uma pilastra e me escondi.

Respirei devagar.

Olhando ao redor.

Aquilo tinha virado uma disputa de paciência.

Quem encontrasse primeiro…

Venceria.

Só que havia outro problema.

Muito pior.

Minhas cópias.

Olhei mentalmente para o tempo restante.

Água.

Poucos segundos.

Cordas.

Poucos segundos.

As duas desapareceram quase ao mesmo tempo.

As chamas cianas sumiram.

Restava apenas…

Tiros.

E ele também não duraria muito.

Um minuto e meio.

No máximo.

"…Ainda posso copiar mais três Impares."

"…Tá tudo sob controle."

PIW!

Uma dor queimou minha cabeça.

Meu corpo se jogou para trás automaticamente.

Levei a mão ao local atingido.

Sangue.

Olhei para frente.

Mais três projéteis roxos vinham na minha direção.

Istauquer!

Rolei para o lado.

Os tiros passaram raspando.

Mas…

Eles mudaram de direção.

— Ah, qual é?!

Corri.

Os projéteis continuaram me perseguindo.

Só desapareceram depois de atingirem uma pilastra.

BOOM!

A pedra explodiu em centenas de fragmentos.

"Esses tiros perseguem mesmo…"

Não podia relaxar nem por um segundo.

VOSH!

Lúcio apareceu.

A poucos metros de distância.

Seu braço já estava estendido.

Na ponta dos dedos…

Uma intensa energia laranja.

Eu conhecia aquele ataque.

Douze.

Sorri.

— Valeu por avisar.

[Copia, mas faz melhor]

Meu corpo repetiu exatamente sua postura.

Levantei a mão.

Concentrei energia.

[Douze!]

No mesmo instante…

Nós dois atiramos.

RATATATATATATATATATÁ!!

Uma tempestade de projéteis laranja atravessou o salão.

As balas colidiam umas contra as outras.

Explosões.

Faíscas.

Fragmentos de energia.

Tudo acontecia ao mesmo tempo.

Mas…

Enquanto minha atenção estava focada naquela troca de tiros…

Os projéteis roxos que ainda me perseguiam finalmente me alcançaram.

PIW!

PIW!

Dois acertaram minha cabeça.

— AAH!!

Parecia que meu cérebro estava pegando fogo.

Cambaleei.

Lúcio aproveitou a abertura.

Deu dois passos para trás.

Uma energia azul começou a crescer na ponta dos dedos.

Aquilo.

Era o ataque da fumaça.

Ou talvez algo pior.

De qualquer forma…

Era perigoso.

Mas…

Se ele podia fazer…

Eu também podia.

[O tal do Copião]

As chamas envolveram minha mão.

Um novo Artefato surgiu diante dos meus olhos.

Artefato — Revólver

Novas habilidades apareceram imediatamente.

[Selfir]

Dispara projéteis azuis lentos, extremamente destrutivos e de grande área.

[Tolaspi]

Dispara projéteis verdes rápidos que não causam dano, mas geram explosões capazes de empurrar matéria.

"…Interessante."

Levantei o braço.

[Copia, mas faz melhor]

Repeti exatamente sua postura.

Apontei para ele.

Ao mesmo tempo…

Ele apontou para mim.

Por um instante…

Nós dois sorrimos.

Como se soubéssemos exatamente o que o outro faria.

— KAAAAAA—

Atrás de mim.

BOOM!

Um disparo verde.

Silencioso.

Nem precisei olhar para saber o que era.

Tolaspi.

A explosão me atingiu pelas costas.

Não doeu.

Mas…

VOSH!!

Meu corpo inteiro foi lançado para frente.

Na direção de Lúcio.

Foi uma armadilha.

Ele queria exatamente isso.

No instante em que fiquei na distância perfeita…

Lúcio abriu um enorme sorriso.

Toda a energia azul já estava pronta.

Mirando diretamente em mim.

"…Droga."

Sem tempo para pensar.

[Copyraitos]

Minha espada surgiu instantaneamente em minhas mãos.

Foi meu único reflexo.

Lúcio disparou.

SELFIIIIIIIR!!

BOOOOOOOOOOM!!

Uma gigantesca explosão azul engoliu tudo.

O impacto foi monstruoso.

Minha espada segurou parte da força.

Mesmo assim…

Meu corpo foi lançado como um boneco.

Atravessei metade da sala.

TUM!!

As costas bateram violentamente contra uma pilastra.

A pedra rachou.

Caí ajoelhado.

Minha visão girava.

Mal conseguia respirar.

Foi então que senti.

As chamas cianas desapareceram.

O Impar Tiros havia acabado.

"…Que droga…"

Se eu ainda fosse o Samuel de antes…

Acho que teria morrido naquele ataque.

Mas…

Graças ao Fragmento…

Ainda estava vivo.

Mesmo quase sem conseguir me levantar.

No meio da visão embaçada…

Vi uma silhueta correndo na minha direção.

Quando meus olhos finalmente focaram…

Meu coração gelou.

Lúcio.

Corria diretamente para mim.

Mas…

Havia uma coisa errada.

Suas mãos.

Não estavam normais.

Grandes garras negras cobriam seus dedos.

"…Como assim?"

O Impar dele não tinha nenhuma habilidade dessas.

De onde vieram aquelas garras?

Não tive tempo para responder.

Apenas para tentar.

[Chá Ringan]

O Impar foi renovado.

Levantei a mão para atirar.

[Fuzilza—]

RASG!!

As garras atravessaram minhas mãos antes que eu terminasse a palavra.

— AAAAAAH!!

Por instinto, tentei saltar para trás.

Não adiantou.

Mesmo desviando parte da investida, ele continuou avançando como um animal enfurecido e me atingiu em cheio.

Seu ombro bateu contra meu peito.

Perdi completamente o equilíbrio.

Antes que eu pudesse reagir, senti suas mãos me agarrando.

No instante seguinte…

TUM!

Fui jogado violentamente contra o chão.

O impacto arrancou o ar dos meus pulmões.

Enquanto tentava recuperar o fôlego, percebi uma coisa.

O Impar dele…

Estava chegando ao limite.

Talvez tivesse gastado quase toda a energia naquela luta.

Ou talvez já estivesse usando o Impar antes mesmo de eu chegar ao castelo.

Que ironia.

Fisicamente…

Eu era mais forte.

Mais rápido.

Mais resistente.

Mesmo assim…

Ele estava vencendo.

Não por força.

Mas por experiência.

Estratégia.

Cada movimento dele tinha um propósito.

Enquanto eu…

Confiava demais no meu próprio poder.

Fui arrogante.

Achei que bastava ser mais forte.

E agora…

Eu estava completamente imobilizado.

Lúcio me encarou com um olhar frio.

— Quem é você?

Respirei fundo antes de responder.

— O Caçador de Madas.

Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Me analisando.

Então perguntou:

— Quem te mandou atrás de mim?

Aquilo me pegou de surpresa.

Como ele chegou nessa conclusão?

— Ninguém.

Olhei diretamente para ele.

— Eu vim por conta própria.

Sentia meu corpo recuperando um pouco dos movimentos.

Mas, no instante em que terminei a frase…

POW!

Um disparo atravessou minha perna.

— AAAAAH!

A dor foi instantânea.

Quente.

Violenta.

O sangue começou a escorrer pelo chão.

Lúcio nem piscou.

— Não mente pra mim.

A voz dele era completamente calma.

— Eu teria te matado no primeiro instante… mas agora fiquei curioso.

Ele aproximou o rosto do meu.

— Me diz…

Fez uma pequena pausa.

— O traíra é o Rafael?

Meu coração simplesmente parou.

Como…

Como ele sabia?

— Quem?

Minha voz saiu trêmula.

A mentira era óbvia.

Ele sorriu.

— Não finge que não conhece ele.

Apontou para mim.

— Só pelo jeito que você respondeu, já entendi tudo.

Respirou fundo.

— Você trabalha no Coliseu.

— E foi o Rafael quem te mandou.

Tentei manter a expressão neutra.

— De onde você tirou isso?

POW!

Outro tiro.

A outra perna.

— AAAAH!!

Agora as duas pernas estavam perfuradas.

A dor era absurda.

Mal conseguia pensar.

Lúcio apontou novamente o dedo para minha testa.

— Para de bancar o idiota.

Sua voz continuava fria.

— Só quero saber uma coisinha.

A energia azul começou a se formar na ponta dos seus dedos.

— Qual é o plano dele?

Engoli seco.

Eu não podia contar.

De jeito nenhum.

— Fala…

A energia aumentava.

— Ou eu estouro seus miolos.

Droga…

Preciso sair dessa.

Alguma coisa.

Qualquer coisa.

Ele começou a contar.

— Se não responder em três segundos…

Sorriu.

— Eu atiro.

A esfera azul aumentava de tamanho.

— Um…

Pensa.

Os Impares.

Os que eu copiei.

Tem que existir alguma saída.

Alguma habilidade que não precise de movimentos.

Nem de sinais com as mãos.

Uma única palavra surgiu na minha cabeça.

Treincim.

— Dois…

É isso.

Na mesma hora.

Ativei a habilidade armazenada.

[Treincim = Ordem]

No instante em que ele abriu a boca para terminar a contagem…

— Três—

[Durma].

A ordem ecoou pelo salão.

Lúcio congelou.

Seus olhos perderam completamente o foco.

A energia azul desapareceu.

Seu corpo simplesmente apagou.

Antes mesmo que ele caísse completamente, empurrei-o para o lado.

Afastei seu peso de cima de mim.

[Copyraitos]

Minha espada surgiu imediatamente em minhas mãos.

Ignorando completamente a dor das pernas, me coloquei de pé.

Cambaleando.

Mas de pé.

Ele acordaria a qualquer momento.

Eu precisava terminar aquilo.

Avancei.

Levantei a espada.

E desferi um único golpe.

SWINH!

A lâmina atravessou seu rosto de cima a baixo.

Profunda.

Muito profunda.

— AAAAAAAAAAAAH!!

Lúcio despertou no mesmo instante.

Saltou violentamente para trás.

As mãos foram imediatamente ao rosto.

O sangue escorria entre seus dedos.

Um de seus olhos praticamente desaparecia sob o corte.

— VOCÊ…

Sua voz falhava entre gritos.

— VOCÊ!!

A dor nas minhas pernas era insuportável.

Cada passo parecia rasgar meus músculos.

Mesmo assim…

Corri.

Mesmo com as duas pernas atravessadas por tiros, obriguei meu corpo a avançar.

Cada passo fazia meus músculos gritarem.

Mas eu já tinha decidido.

Aquilo terminaria ali.

Enquanto corria na direção de Lucio, percebi outra vez a energia azul começando a se condensar na ponta de seus dedos.

Ele estava mirando diretamente em mim.

A distância era curta.

Curta demais.

Naquelas condições, eu jamais conseguiria desviar.

Então uma ideia surgiu.

[O tal do copião]

Copiei novamente o Artefato dele.

Instantaneamente, senti as novas funções sendo incorporadas ao meu.

Eu já tinha acesso aos disparos especiais.

Estávamos separados por menos de quatro metros.

Era tudo ou nada.

Lucio terminou de carregar o disparo primeiro.

[SELFIR]!!

BOOOOM!!

Uma enorme esfera azul foi lançada na minha direção.

No mesmo instante, mirei para o chão.

[Tolaspi]!

PEW! PEW! PEW! PEW!

As explosões verdes detonaram sob meus pés.

Não causavam dano.

Apenas impulso.

Meu corpo foi lançado para cima.

Passei por cima do enorme disparo azul.

O ataque explodiu atrás de mim, destruindo parte do chão do salão.

Lucio ergueu a cabeça, tentando me acompanhar.

Mas seu olho ferido dificultava sua visão.

No meio do salto…

Apontei o revólver para trás.

Na direção das minhas próprias costas.

[Tolaspi]!

PEW!

Outra explosão.

Meu corpo acelerou ainda mais no ar.

Virei praticamente um projétil.

Segurei minha espada com força total.

Lucio finalmente percebeu.

Ergueu a cabeça.

Seus olhos se arregalaram.

Tarde demais.

SWINH!!

As duas lâminas atravessaram seu rosto em um corte diagonal.

O golpe aprofundou o primeiro ferimento.

Os dois cortes agora formavam um enorme "X".

Sangue espirrou para todos os lados.

Seu grito morreu no meio da garganta.

Ele caiu de costas.

Depois tentou se levantar…

Mas terminou ajoelhado.

Respirando de forma completamente descontrolada.

Eu também não estava melhor.

Meus músculos queimavam.

As pernas mal respondiam.

Mesmo assim…

Comecei a me arrastar.

Um braço de cada vez.

Até alcançar Lucio.

Que finalmente parou de se mexer.

E eu senti.

Seu impar se esgotou completamente.

Nenhuma gota.

Segurei seu pescoço.

Seu corpo estava completamente mole.

Mesmo assim…

Eu não confiava.

Levantei minha espada.

E enfiei a lâmina em sua cabeça.

Uma.

Duas.

Três.

Quatro.

Cinco vezes.

Só então parei.

Respirei fundo.

— Ok…

Agora sim.

[Treincim] — Conexão.

Retirei o Impar armazenado.

Logo depois…

[O tal do copião]

Copiei novamente o Artefato do Rafael.

A Tesoura apareceu em minhas mãos.

Ajoelhei ao lado do cadáver.

Assim que aproximei a lâmina…

As correntes espirituais voltaram a surgir.

Entre dezenas de linhas invisíveis…

Uma chamava toda a atenção.

Negra.

Grossa.

Pesada.

Ligando o pescoço de Lucio a algum lugar muito além daquele castelo.

Sem hesitar…

CLACK!

A corrente foi cortada.

Ela se desprendeu do corpo.

Flutuando lentamente diante de mim.

Segurei-a com cuidado.

Então aproximei sua extremidade do meu próprio pescoço.

Outra corrente negra já estava presa ali.

A de Clarencio.

Sorri.

— Mais uma pra coleção.

Ativei o Artefato.

[Metálica + Covalente]

As correntes começaram a se mover sozinhas.

Entrelaçando-se ao redor do meu pescoço.

Então…

Se conectaram.

Naquele instante…

Meu corpo inteiro ficou pesado.

Depois…

Leve.

Era exatamente a mesma sensação da primeira vez.

Mas ainda mais intensa.

Meu coração disparou.

Os músculos vibraram.

Minha visão ficou absurdamente nítida.

Cada respiração parecia carregar energia.

Meu corpo inteiro gritava poder.

Por alguns segundos…

Só consegui fechar os olhos.

Sentindo aquela força invadir cada parte de mim.

Mas não dava para aproveitar.

Olhei para minhas pernas.

Dois buracos enormes.

Do tamanho de um dedo.

Sangue escorria sem parar.

Como eu voltaria daquele jeito?

Olhei novamente para o corpo de Lucio.

Seu rosto estava completamente destruído.

Era difícil até reconhecer quem ele tinha sido.

A cena era nojenta.

Me deu vontade de vomitar.

Espera.

Uma ideia.

Meu Artefato não servia apenas para Fragmentos.

Ele conectava…

E desconectava…

Conceitos.

Então…

Talvez…

Segurei minha própria perna.

Respirei fundo.

— Em nome da ciência…

[Desvinculação]

Senti a dor diminuir imediatamente.

Depois…

Minhas pernas simplesmente se soltaram do corpo.

Sem sangue.

Sem carne rasgando.

Como se nunca tivessem pertencido a mim.

Olhei para Lucio.

Segurei suas pernas.

Repeti o mesmo processo.

[Desvinculação]

As pernas dele também se desprenderam.

Peguei-as.

Posicionei onde deveriam ficar.

Respirei.

Ativei novamente.

[Desvinculação (Metálica)]

As conexões espirituais surgiram.

As linhas se encaixaram.

Como peças de um quebra-cabeça.

No instante seguinte…

Tudo estava ligado.

Levantei.

De primeira.

Sem qualquer dificuldade.

Olhei para baixo.

Mexi os pés.

Dobrei os joelhos.

Perfeito.

Nenhuma dor.

Abri um sorriso enorme.

— Hehehe…

Sou muito inteligente.

Aposto que nem o Rafa tinha pensado nisso.

Balancei minhas pernas novas.

— Claro…

Ainda quero as minhas de volta.

Então isso aqui é só temporário.

Peguei minhas pernas originais.

Coloquei-as nas costas.

E comecei a correr.

Minha missão havia sido concluída.

Agora…

Só precisava sair daquele castelo.


Assim que alcancei o andar superior do castelo, encontrei o cenário da batalha praticamente encerrado.

Corpos de Gomendis estavam espalhados pelo chão.

Alguns inconscientes.

Outros completamente presos por grossas faixas de papel que envolviam seus corpos como casulos.

Mais à frente, Guilherme ainda enfrentava um dos últimos que permaneciam de pé.

Na verdade…

"Enfrentava" era uma palavra forte demais.

Ele apenas desviava dos golpes com uma calma absurda.

Parecia completamente entediado.

— Dá pra você parar de gritar?

O Gomendi rugiu de volta enquanto tentava acertá-lo.

— NÃO! O LUCIO VAI VIR AQUI A QUALQUER MOMENTO! VOCÊ VAI MORRER!

— Aham…

Guilherme respondeu sem emoção.

— Tanto faz.

No instante em que me viu, levantou uma das mãos e acenou.

Como se estivéssemos nos encontrando por acaso.

— E aí?

— Conseguiu?

Respondi apenas levantando o polegar.

Ele sorriu de leve.

— Perfeito.

— Então podemos ir.

Virou as costas imediatamente.

Mas antes que desse o primeiro passo…

Chamei.

— Guilherme…

Ele olhou por cima do ombro.

— Hm?

Olhei para os Gomendis presos.

Comecei a contar.

— Um…

Dois…

Três…

Quatro…

Cinco.

Voltei meu olhar para ele.

— Tem algum problema deixar esses cinco aqui?

Guilherme acompanhou meu olhar.

Deu de ombros.

— Nenhum.

— São só Gomendis fracos.

— Mais cedo ou mais tarde algum Scar invade esse castelo e termina o serviço.

Sua resposta era completamente indiferente.

Como se aquelas vidas simplesmente não importassem.

Ele voltou a caminhar.

Mas…

Eu continuei parado.

Alguma coisa chamou minha atenção.

Olhei novamente para um dos Gomendis presos.

Ele parecia…

Triste.

Assustado.

Apenas esperando alguém decidir seu destino.

Sem perceber, comecei a caminhar até ele.

Assim que me aproximei, ele entrou em desespero.

Começou a se debater inutilmente contra as faixas.

— Sai de perto!

Sua voz falhava.

— Assim que eu sair daqui…

— Eu vou te matar!

Parei diante dele.

Olhei diretamente em seus olhos.

Sorri de leve.

— Fica tranquilo.

SWINH!

A espada atravessou seu pescoço em um único golpe.

Sua cabeça caiu antes que seu corpo pudesse reagir.

O sangue espirrou para o lado.

Respingando no Gomendi preso ao lado.

Ele arregalou os olhos.

— AAH! VOCÊ—

SWINH!

Outro corte.

Outra cabeça.

Outro silêncio.

Segui caminhando.

O terceiro começou a implorar.

— Não…

— Por favor…

SWINH!

O quarto tremia inteiro.

Nem conseguia falar direito.

Ainda assim…

Levantei a espada.

SWINH!

Restava apenas um.

Ele respirava de forma desesperada.

As lágrimas escorriam pelo rosto.

— Por favor…

Aproximei-me lentamente.

Ele fechou os olhos.

Esperando.

Sem dizer mais nada…

SWINH!

Silêncio.

Apenas cinco corpos.

Cinco poças de sangue.

Cinco mortes rápidas.

Olhei para minha espada.

O sangue escorria lentamente pela lâmina.

Foi então…

Que senti aquilo.

Uma satisfação.

Estranha.

Muito intensa.

Era diferente da felicidade por vencer.

Diferente do alívio por sobreviver.

Era…

Prazer.

Quase viciante.

Quase…

Romântico.

Fiquei encarando o sangue por alguns segundos.

Sem entender exatamente por quê.

Guilherme permaneceu em silêncio durante todo esse tempo.

Quando finalmente levantei a cabeça, percebi que ele apenas me observava.

Sem julgamento.

Sem surpresa.

Apenas esperando.

— Vamos?

Pisguei algumas vezes.

Como se estivesse acordando.

— …

— Sim.

Guardei a espada.

Corri até ele.

Saímos daquele castelo sob a luz da lua.

Mas…

Enquanto caminhava…

Eu sabia.

Alguma coisa havia mudado dentro de mim.

Alguma coisa…

Que talvez nunca mais voltasse ao normal.

Mas, sinceramente…

Eu diria que foi para melhor.

Muito…

Melhor.

Melhor…

Melhor…

Melhor…

— Samuel!

Minha consciência voltou de repente.

— Uh!?

Olhei para frente.

Guilherme já estava alguns metros adiante.

— Vamo!

— Tu tá paradão olhando pro nada.

Cocei a nuca.

— Foi mal!

Corri até ele.

E, juntos…

Deixamos aquele castelo para trás.

Enquanto a noite engolia lentamente o caminho à nossa frente.