Notas iniciais
Mas um fic baseada em música, mas essa eu não estou considerando como uma songfic porque não utilizei partes da música para escrevê-la, só me baseei na idéia geral. A música: "Scar Tissue", do Red Hot Chilli Peppers Casal: escolha do leitor Espero que gostem! Comentários são sempre MUITO bem vindos!

Há muito tempo eu não via o mar. Me sentei sobre a areia e fiquei olhando para o nada por vários minutos. Eu ainda não via o mar. E ele estava bem na minha frente. Eu não sabia como apreciar aquilo. Eu não queria apreciar aquela vista magnífica. Eram 4h da manhã e a praia estava deserta.

Minha mente se esforçava pra enxergar as ondas se desenrolando à minha frente. Mas eu não podia. Eu só conseguia pensar em como eu não era mais capaz de me lembrar do seu rosto. Das coisas que você me dizia. Do conforto que você me trazia quando deixava que eu me encostasse em você e chorasse feito uma criança.

Eu podia ser criança ao seu lado. Você não se importava.

Senti a brisa em meus cabelos curtos e ergui o rosto, me dando conta de que alguns pássaros cruzavam o céu acinzentado naquele momento. Eles não sabem o que se passa dentro de mim.

Olhei mais uma vez para o nada a minha frente e ouvi ao longe, como se ressoando no fundo do meu coração, um som de água se chocando sobre as rochas. Era o barulho do imenso mar diante de mim? Ou eram apenas lembranças idiotas me invadindo com aquela intensidade absurda com a qual eu já devia estar acostumado?

Eu só queria poder lembrar melhor do seu rosto e da sua voz. Mas a lembrança se resume ao que eu sentia quando você estava aqui. Eu sentia que jamais te perderia. E não me preocupava. E nem pensava nisso. Sua voz era doce? Era grave? Você falava rápido ou devagar? Quando você gritava, eu ouvia? Você era legal comigo... não era?

Eu não me lembro mais.

E todos estão dormindo agora.

Fecho meus olhos e sinto o vento mais uma vez... e o mar está lá, posso senti-lo.

Mas onde eu estou? Ele pode me sentir? Será que se eu manter meus olhos fechados e meu coração aberto, eu serei capaz de sentir seu sorriso em minha direção?

Sorria pra mim e diga que tudo está bem! Que há pessoas boas em minha vida e que devo ser grato por isso. Me diga que eu não preciso me sentir só quando há bons amigos a minha volta, pessoas que me amam de verdade. Fale comigo.

Abro os olhos após alguns momentos. E o mar ainda está lá. Não posso vê-lo, porém. Tudo o que vejo é que não há resposta sua. Eu vejo que não há nada lá fora pra mim.

Fale comigo, por favor.

Escuto os pássaros sobre mim novamente. Olho pra eles. Somos só nós agora? Dividindo a mesma vista solitária? Não há resposta. A não ser o mesmo som de antes, chocando-se contra mim, me fazendo deitar sobre a areia com o impacto. Assim vejo melhor o céu. É estranho que eu consiga enxergar os pássaros lá em cima, mas absolutamente nada à minha volta.

Seus olhos eram verdes ou castanhos? Eram ambos. E seus dentes eram meio tortos. Sim. Disso eu me lembro. Mas sua voz... por que não consigo? Sua voz era cinza como esse céu tão triste?

Não. Você era altivo demais pra possuir esse tipo de voz.

“Se eu morrer.... você chora?”

“Isso não vai acontecer! Você vai viver pra sempre!”

“Mas eu to falando sério! Você chora?”

“Claro que eu choro! Não fica falando isso!”

“Eu acho que você não chora não...”

“Claro que eu choro! Mas eu já disse! Você não vai morrer nunca!”

Nunca...

Abro meus braços e sinto a areia sobre minha pele e meus cabelos. Não gosto da sensação. Mas não posso sair dali. Preciso me lembrar de algo mais. De um momento feliz. De uma demonstração de amor.

“Toma esse dinheiro. Você precisa sair um pouco senão vai ficar doido aqui... vai ver um filme, vai...”

“Mas você não quer ir junto?”

“Não, não... to cansado, com dor nas pernas...vai você, pode ir...”

Minha memória falha novamente e só os pássaros lá em cima testemunham a confusão que se estampa em meu rosto. São apenas fragmentos de lembranças. Momentos sem importância.

Mas por que sinto como se só eles importassem? Sinto a agua fria do mar daquela madrugada tocar os dedos dos meus pés, mas não me movo. Eu quero sentir aquilo. Eu quero muito. Sentir o passado como se fosse presente. Mais uma vez.

Estico um de meus braços em direção aquele céu sem vida. Em direção aos pássaros que sobrevoam indiferentes aquela praia deserta. Tento alcançar algo inalcançável. Por que eu ainda insisto nisso? Se tudo se transforma em sofrimento e perda, foi um erro?

Sinto o peso do céu cinza sobre mim. Fecho os olhos mais uma vez. Sofrimento, perda, dor.... seus olhos castanho esverdeados...a brisa do mar... Essa vista solitária.

E de repente, não vejo necessidade de respostas. Olho pra dentro de mim... e vejo você. Partes de você... E é o bastante agora.

Notas finais
Muito obrigada por ter lido! Que tal deixar um comentário agora? kiss kiss ps: Agradecimento especial a <3 Patrícia <3 que me enviou a imagem da capa
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!