Notas iniciais
Hoe. Espero que gostem desse capítulo, ele é dedicado primeiramente a minha linda best Bruna e ao Bayer por terem me ajudado no processo criativo. Aliás Brubs, obrigada por me emprestar o Josh também. Espero que gostem.

“Memórias desaparecem

Como olhar através de um espelho enevoado

Decisões também

Decisões são feitas, não compradas

Mas eu achei que isso não doeria tanto

Acho que não”

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Josh e Alice estavam a algumas horas sentados num café do centro da cidade, assim, juntos e desfrutando de um momento de paz eles até esqueceram de que eram semideuses que corriam risco de vida em dobro fora do acampamento, mas o suco estava tão bom que eles se concentraram apenas neles.

– Então, o que vamos fazer?- Alice perguntou, afinal.

– Não sei. Tenho muita coisa em mente, mas não é fácil organizar as ideias.

– Então apenas... Fale.

Josh sorriu, tímido por ter que expressar uma ideia que o vinha atormentando durante anos, uma ideia que ele não pensava em realizar até o momento.

– Quero procurar minha mãe.

Alice se espantou, o garoto nunca mencionara a mãe nem o passado e muito menos as dúvidas que tinha sobre o tempo que em que não se recordava.

– Sério? Sua mãe? Por quê?

– Todo mundo conhece a mãe e o pai, eu sou o único que não conhece... Ou não se lembra dela, pelo menos. Tenho esse desejo desde que soube que meu pai era Apollo e agora eu posso realizar essa meta minha, descobrir o meu passado.

– Ótimo. Estou junto nessa Josh. Sempre junto.

– Eu sei e é por isso que eu te considero uma grande amiga.

Alice parou de sorrir. Fechou a cara na melhor carranca e passou o resto do tempo em que ficaram no café em silêncio, estava machucada. Pior do que amar é amar e não ser correspondida, mas o pior ainda é ficar na amizade porque a outra pessoa não gosta daquele jeito de você e a garota estava experimentando isso.

Depois de saírem do café, os dois resolveram andar pelas ruas movimentadas de San Francisco e o garoto pensava furiosamente em um ponto inicial para sua busca, porém não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Toda vez em que forçava a memória era como se olhasse através de um vidro enevoado, mas essa sensação não era nova, afinal, há tempos em que ele tentava lembrar-se de algo, mas era sempre a mesma coisa.

O filho de Apollo fechou os olhos enquanto caminhava, apenas por uns instantes e se concentrou com toda a força para lembrar-se de algo, uma centelha qualquer, mas não conseguiu. Ele via vultos indistintos. Algo que parecia fogo e muita luz, o que não significava nada, ele achava.

– Josh?

– Sim?

– Cansei. Não quero mais andar sem rumo por aqui. Vamos descansar está bem?

O garoto olhou para o par de olhos negros a sua frente que brilhavam em tom de desafio, para que ele não concordasse com o que fora dito, mas ele sabia que era pior se dissesse não a Alice, ela tendia a ser muito sentimental.

– Ah e se me permite dizer, trace um plano e depois podemos andar novamente, não vou ficar andando por ai enquanto você não resolve sobre por onde devemos começar a buscar seu passado.

– Tudo bem.

Os dois sentaram na grama macia de uma praça pouco movimentada e enquanto Josh pensava Lice acabou dormindo como uma pedra, rolando para cá e para lá de vez em quando. O garoto acabou perdendo a linha de pensamento quando olhou para a amiga deitada ao seu lado e acariciou o cabelo macio dela, com movimentos suaves, mas então viu com o canto do olho um movimentar rápido ao longe e por instinto ficou em pé olhando para tudo a sua volta.

Porém além desse movimento, tudo parecia normal. As árvores balançavam conforme o vento soprava, os pássaros voavam para todos os lados, cantando uma melodia doce de natureza. As nuvens continuavam cobrindo o sol e deixando a terra mais sombria, sem o brilho do sol, a terra parecia triste.

Josh olhou novamente para os lados, só para se certificar e então viu na copa de uma árvore um par de olhinhos azuis que parecia maroto, piscou uma vez e então sumiu. O garoto pegou o arco e posicionou uma flecha, esperando o momento certo para atacar, mas sentiu um cheiro doce no ar, como se o perfume de todas as flores do mundo estivessem juntas, formando um cheiro enjoativamente doce e puro.

– Quem está ai?- Perguntou o garoto com a aljava.

O vento respondeu, com um riso brejeiro.

– Apareça ou eu atiro!

– Consegue acertar o próprio amor?- Perguntou uma voz sensual e distante.

– Não duvide de minhas habilidades.

O vento respondeu novamente, com outro riso, mas este fora mais adulto do que o outro, e Josh reconheceu esse jogo, se tratava de um deus e não qualquer um, o próprio amor, o Cupido. Durante um instante Josh tremeu, ouvira falar do deus que adorava confundir os amantes, dilacerar corações e fazer as mais diversas peraltices, apenas por diversão, pior que a própria Vênus, alguns diziam.

– Já chega de joguinhos Cupido- Josh elevou a voz no tom mais confiante que conseguiu, nesse momento só pensava em pegar Alice e sair correndo dali, mas sabia, o deus o encontraria se quisesse.

– Ah Josh, não ouse fazer qualquer idiotice, eu sou um deus, você sabe.

– Eu sei- Josh ecoou.

– Sabe, eu gostava mais de seu antigo nome, mas Josh é legal, tem musicalidade...- Cupido riu, um riso gélido e de longe tão maroto e sedutor quanto os outros.

– Meu nome antigo? Nunca tive outro nome!

– É claro que teve, como acha que te chamavam antes de seus sete anos?

– Di immortales! Você já me conhece?

– É claro que sim! Vênus me pediu pra fazer um serviço para ela, como sempre, e eu odeio trabalhar para uma deusa que é considerada maior que eu no amor, sendo que sou eu o próprio amor!

– E...

– Não me interrompa!

– Tudo bem... — Josh ergueu as mãos em sinal de rendição e sentou no chão, Alice continuava dormindo e ele estava ali, falando com o vento, já que Cupido resolvera não mostrar seu rostinho divino.

– Acontece que Vênus adora dar uma espiadinha na vida amorosa das filhas, principalmente, e ela se interessou pela vida amorosa da menina que dorme ao seu lado e ela viu você no futuro dela, digamos que ela não gostou muito. Você a tira do caminho certo, ela faz coisas erradas por você... Você sabe Josh que ela é louca por você.

O garoto ficou estático com o peso da verdade, apesar de ter suas suspeitas, ouvir a confirmação diretamente do amor era como uma bofetada no rosto e ele constou que doía mais do que ser açoitado.

– Mas...

– Sem “mas” meu jovem! O amor queima entre vocês dois como o maldito fogo grego. Vocês podem se afastar, mas em seus coraçõezinhos mortais sempre vai estar a imagem um do outro.

Josh suspirou, a revelação do amor doía muito, não por aceitar um amor, mas por saber que junto com o da outra pessoa o amor queima e esse tipo de amor pode ser o mais perigoso de todos.

– Vênus não gostou nada disso, ela prefere escolher o namorado das filhas, mas eu ajudei Alice. Não fiz tudo como ela pediu, não flechei o amor no semideus que ela queria, apenas deixei vocês dois seguirem o caminho de vocês, mesmo sem minha interversão vocês dois estão juntos.

– Espere!- Josh interrompeu o monólogo de Cupido- Está querendo me dizer o que com tudo isso? Que eu devo namorar Alice? É só isso?

– Não! Mas você não me deixa terminar! Garoto impaciente... O que eu quero dizer é que foi Vênus quem causou tudo isso. Ela queria lhe roubar, vamos dizer assim. A deusa o tirou de casa, conversou com você, o seduziu com presentes que toda criança deseja, ela estava te levando ao acampamento grego quando a tragédia aconteceu. Digamos que tudo isso não aconteceu necessariamente nessa ordem.

– Aquela lembrança... – Josh sussurrou e Cupido nem pareceu notar.

–... Então ela tentou fazer isso para que vocês não se cruzassem, mas não conseguiu, pois seu pai assim que soube do acontecido te protegeu, ou melhor, enfrentou Vênus e a derrotou e então ele apagou suas lembranças antigas para que você não sofresse tanto e o deixou sozinho na rua, até que tudo o resto aconteceu, você já sabe.

Josh ficou atônito, não conseguia formular um pensamento coerente, ficou pensando em como se sentia sozinho quando criança e não conseguiu imaginar o pai fazendo tamanha crueldade com um filho.

– Por que está me contando isso?- Josh perguntou.

– Porque Vênus está caçando vocês e ela adora uma caçada.

– Mas... O que eu devo fazer? Sair de perto da Lice?

Dessa vez nem o vento respondeu, tudo foi silêncio.

– Cupido?

– Maldito deus do amor!- Josh gritou e acabou acordando Alice que se virou para olhar o garoto.

– Mas o que foi isso Josh?- Alice perguntou.

– Cupido, aquele deus idiota veio atiçar o fogo com mais lenha.

– Como?!- Alice se sentou e de repente ficou totalmente acordada e atenta- Me conte isso agora garoto.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim e cadê reviews leitoras? Cadê recomendação? Cadê o favoritar? rs Acho que mereço. Valeu. Até mais :3