Scar Tissue
10 Mesmo assim eu amo vocês
Notas iniciais
“Vocês insultam meu nome
Mesmo assim eu amo vocês
Ainda os amo, os amo do mesmo jeito”
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Josh havia acabado de ter as mãos amarradas nas costas quando Ulric pulou novamente para cima dele e começou a bater no garoto. Josh caiu de mau jeito no chão e sentiu uma dor excruciante no braço quebrei, pensou.
Alice estava tentando acudir, gritando e os outros puxaram Ulric de cima dele, Lenobia novamente interpelou para que o nervosinho se acalmasse e ele pareceu ceder ao contato de Lenobia, a centuriã da segunda coorte. Alice ajudou Josh a ficar em pé e ele se sentiu demasiado fraco para qualquer coisa e quase caiu novamente, mas Alice o ajudou a se equilibrar e murmurou palavras de apoio para ele.
– Josh, você praticamente nasceu aqui e você nos desonrou- Começou Henry, centurião de sua coorte- Eu vi você evoluir Josh, eu cuidei de você e é assim que me retribui? Que retribui ao Acampamento Júpiter? Matando a pretora para conseguir o cargo?
– Você é uma vergonha para nós Josh- Disse Jennifer, centuriã da terceira coorte.
– Já sabem meu posicionamento, punam o garoto, tenho que levar Ulric para descansar, ele está muito exaltado e pode atrapalhar na definição da punição- Falou Lenobia, a centuriã da segunda coorte e puxou Ulric pelo braço o levando para os alojamentos.
– Não! Josh é inocente, ele não pode ser punido!- Alice gritou, histérica.
– Claro que é inocente, o sangue é na verdade ketchup!- Ironizou Marjorie, a arrogante centuriã da quinta coorte.
– Controle-se Marjorie!- Collin falou autoritário e tomou o rumo da conversa- Fale o que aconteceu ali.
– Eu devo ser punido- Josh disse simplesmente.
– O que?- Alice gritou, furiosa com o garoto.
– Ele mesmo disse! Deve ser punido!- Ralph, centurião da quarta coorte exaltou, com o rosto vermelho de raiva, Denise e ele sempre foram muito amigos.
– E que punição seria?- Perguntou Collin.
– Não!- Gritou Alice- É um equívoco- E começou a chorar, Josh queria confortá-la, dizer que merecia ser punido, pois estava ligado ao assassinato, mesmo que indiretamente, fora por causa dele e da influência dele que Julie matara Denise e ele acreditava realmente que merecia a culpa.
– Acalme-se Alice, ou terei que tirá-la daqui!- Henry bufou, irritado com Alice e sua histeria.
– Então...?- Continuou Collin.
– Morte- Disse Ralph.
– De apoio- Concordou Marjorie.
– Não concordo, punir a morte com morte não é o caminho- Disse Jennifer.
– Concordo com Jennifer, algumas chibatadas publicas seriam suficientes para lembrá-lo do que acontece com quem mata um igual- Disse Henry.
– E Lenobia? Com quem ela concordaria?- Questionou Collin.
– Com Henry, é claro ela jamais iria querer punir a morte com a morte- Disse Jennifer, que era a melhor amiga de Lenobia.
– Também estou de acordo com Henry, Lenobia e Jennifer. Duas chibatadas por centurião e por mim. Será o suficiente, tragam os campistas e peguem algum chicote, temos que punir Josh publicamente para que eles entendam o recado. — Decidiu Collin que saiu dali para ir ao seu templo, talvez olhar nas entranhas de alguns ursinhos de pelúcia.
Alice gritou, chorou e no fim foi levada dali por Henry, trancada numa sala da casa do senado e ali ficou durante o resto do dia, encolhida num canto chorando pelo destino de Josh. Ela sempre gostara dele e agora sofria com ele e temeu sentir as chibatadas também, mas sabia que se pudesse levar para si a dor dele, ela levaria.
Josh estava na frente do Fórum, o local do crime, com a arma do crime ao seu lado, ainda cheia de sangue, o rosto desfigurado virava de um lado para o outro, buscando algum apoio na multidão de campistas, mas não viu um só rosto pesaroso. Estavam todos centrados em cochichos baixos e insultos, alguns vaiavam e outros lamentavam a morte de Denise, mas nenhum se mostrou querer defender Josh e isso o entristeceu um pouco, mas ele não deixou de amar todos por isso. Amava a todos do mesmo jeito de sempre.
Ele ainda lembrava-se de quando havia chegado ali e de como eles o acolheram e Josh sabia que deveria amá-los, pois eram sua família e família nunca deixa de se amar. Sentiu a camisa sendo rasgada na parte de trás, mas seu pensamento estava longe, pensando em todos aqueles rostos jovens o olhando e de como ainda os amava. Ouviu Collin falando algo ao longe, mas sentiu como se estivesse no fundo do mar ouvindo sussurros abafados que não chegavam até ele direito e então veio o primeiro golpe.
Josh arfou, a dor o inflamou e ele cambaleou com o corpo para frente. Fraco, pensou, Henry jamais o perdoará por não ser forte agora, seja forte, seja homem. Enfrente. Josh se endireitou e olhou para frente, para o nada. O braço maldito desceu novamente e um novo corte linear se abriu nas costas de Josh, mas desta vez ele não arfou, guardou a dor para si, suas cicatrizes.
A multidão arfou, sentindo a dor do garoto, mas todos sabiam, ele merecia e os mais raivosos o xingavam alto, falando blasfêmias que Josh nunca ouvira até então.
O chicote fora trocado de mão e era a vez de Henry torturar o garoto que chamara de filho durante todo o tempo que o conheceu, agora, não sabia mais quem seria esse garoto. Apesar de tudo, sentia-se culpado por não ter falado com ele sobre a pretoria, por não ter o auxiliado nesse processo e por isso desceu o braço com menos força. Por mais que tentasse não conseguiu segurar uma lágrima que descia sob seu rosto.
Josh se sentia estoico. Estava indiferente a dor, pois sabia que depois dela o alívio seria maior e sentiria recompensado. Foi então que ouviu Término, o deus das fronteiras, gritando em plenos pulmões.
– Invasão! Minotauro! Três!- Término gritou.
– Invasão!- Os campistas começaram a se alertar e a terceira pessoa que o estava punindo teve que parar em sua segunda chibatada.
– Atenção legião! Pegar armas! Formação!- Collin ordenou e Josh viu que estava preso, sem condições algumas de participar da luta.
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