Scar Tissue
26 Cremada
Notas iniciais
“Eu atravessei a linha
Eu disse adeus
Este estado de recreação
É a drenagem do tempo
Eu levei você até lá
Não tinha que esperar
Não tinha que aguentar nada
A vida é ainda uma doença
Ajude-a”
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Alice estava chorando a alguns minutos quando Josh acordou, antes ela fora até Julie vira que a garota estava sem batimentos. Estava morta. Paul estava inconsciente ainda e Josh estava acordando lentamente.
A garota não se aguentou e chorou de felicidade, ambos estavam sujos de poeira de Minotauro e de sangue, mas ela selou os lábios dele com os dela, nada mais que um selinho.
– Josh eu... Me desculpe- Alice disse assim que tomou consciência do que fizera.
– Alice, não há nada para pedir desculpa. Eu gostei- Josh sorriu, ainda estava fraco e mal conseguia ficar sentado.
– Gostou?- Alice buscou ambrosia na mochila que o garoto largara por lá e a deu para ele.
– Bastante, mas o momento não é tão oportuno não é?
– Não mesmo.
– E Julie?- Josh se apoiou em Alice para ficar em pé e viu a garota imóvel, do outro lado da sala.
– Morreu.
– E Paul?
– Inconsciente.
Josh abraçou Alice e juntos um se apoiou no outro até fora daquele local que cheirava a morte.
– Vamos crema-la aqui?- Alice perguntou.
– Será que ela merece?- Josh contrapôs.
– Nenhum mortal merece aparecer por aqui e ver um corpo em decomposição.
– Tens razão. E Paul?
– Vamos leva-lo para um hospital, avisamos o acampamento e vamos embora novamente. Bom para você?
– Sim.
Depois que os dois se sentiram em condições de cremar o corpo de Julie, eles fizeram uma fogueira grande o suficiente, enrolaram o corpo da garota num edredom que encontraram no carro e deixaram o corpo bem no meio das lenhas, quando Josh acendeu o fogo, sentiu uma onda de tristeza por Julie, por mais que ele soubesse o que ela tinha feito, nunca se sentira com vontade de acender a pira de cremação da garota.
Já Alice se sentia leve, como se tivesse tirado um peso dos ombros, o que de certa forma, foi o que fizera. Ela se reprimia sempre que um pensando bom lhe ocorria, afinal, ela estava cremando uma semideusa.
Alice e Josh se retiraram do galpão com Paul inconsciente no banco de trás, Josh dirigiu até o hospital mais próximo e deixou o garoto lá num quarto particular, uma médica era semideusa e tratava especialmente desses casos.
Quando o acampamento fora notificado, Josh pode sentir o desapontamento na voz de Henry, seu antigo instrutor e sentiu um buraco no peito, sentiu que tinha falhado novamente e que agora ele tinha duas mortes em suas mãos.
– Você sabe que não é culpa sua não é Josh?- Alice disse adivinhando os pensamentos e as cicatrizes do amigo.
Eles estavam na lanchonete do hospital, esperando um tempo para saírem novamente.
– Não?- Josh disse sem olhar para a garota séria a sua frente.
– Não. Foi o Minotauro, ninguém teve nada a ver com isso.
– Talvez você até tenha razão, mas mesmo assim, algo me diz que sou eu. Culpa minha.
– Eu li isso no acampamento, é como seu inconsciente reage ao trauma da morte. Não é que você queira sentir isso, mas é como seu interior quer. Ele quer que você seja o culpado entende?
– Não.
– É só trauma, é isso.
– Ah...
– Então deixe isso de lado Josh e confie que eu te ajudo a compartilhar esse fardo, essas cicatrizes, porque eu sou sua amiga e por que... – A voz de Alice falhou subitamente envergonhada.
– Por que... – Josh se permitiu olhar para a garota com um sorriso ao imaginar o que ela falaria.
– Porque eu te amo.
Josh sorriu, precisava ouvir isso e sentiu gratificado por ter uma garota tão legal quanto ela perto dele.
– Alice, eu também te amo.
Alice sorriu, precisava ouvir isso e sentiu gratificada por ter um garoto tão legal quanto ele perto dela.
– Espere, se estamos aqui, falando isso um para outro, significa que minha mãe não está mais atrás de nós?- Alice disse.
– É... – Josh olhou meio desconfiado para a garota, imaginando se ela seria um holograma ou se tudo fosse apenas um sonho.
Então um papel caiu na mesa, amarelo como a luz do sol e os dois já sabiam de quem era. Josh abriu o papel e leu para que Alice também ouvisse:
“Josh e Alice,
Encontrei Vênus esses tempos, conversamos e ela decidiu dar a vocês uma chance para o amor. Ela não está mais caçando vocês dois, mas tomem cuidado, há muita inveja no romance de vocês. Como consegui isso? Digamos que Adônis tem mais dois meses com a deusa e que ela está ocupada demais para ter tempo para vocês.
Com amor,
Apollo, deus sol”.
Os dois enamorados se olharam e sorriram um para o outro, parecia até conto de fadas, tudo estava se encaminhando para o “e viveram felizes para sempre”.
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