Notas iniciais
Julia Fonseca e Carolina Bensler, obgd por betarem ♥

O tiro ecoou.

Ele não via mais nada, senão um borrão.

Não acreditou que, depois de tudo o que passaram juntos — dez anos! — não teria como se despedir.

Ainda mais, tendo ela, em memória, suas últimas palavras: “Um cara tem que comer, huh?

Estúpido! Estúpido!

Como ele pôde ser tão idiota, a ponto de não perceber, que ela era um ser humano?

Sua melhor amiga! Esquecer-se que ela tinha sentimentos!

E ele a tratara daquela forma.

Não havia pretexto, ou resposta plausível para aquilo tudo...

Ouvia passos, e esperava vê-la ali, mas por que ela iria? Sinceramente, ele esperava mais é que ela se afugentasse. Viu um negro, e achou que fosse Tybor, quando ele olhou-o de relance, mas não era.

Não pela preocupação, tinha certeza de que não era ele.

- Senhor, você está bem...? A ambulância já está chegando... – a voz era atemorizada.

Elliot esforçou-se para conseguir murmurar o nome dela:

- Liv... Liv...? – o homem olhou-o confuso.

- A ambulância já está a caminho, senhor, fique calmo... – sussurrou o homem, novamente.

Elliot quase fechou os olhos por completo, mas sentiu quando o negro balançou-o para que ficasse acordado, e então, atento.

Por mais que quisesse, não conseguia ficar com os olhos abertos.

Ouviu mais passos, e soube que havia uma multidão à sua frente. Não quis levantar, muito menos, podia. Doía-lhe o peito, ficando cada vez pior, quando respirava.

- 10-13! 10-13! Officer down! – não, não, não; sim, sim, sim!

Elliot abriu os olhos, forçando-os a ficar abertos, quando ela ajoelhou-se na frente dele, acariciando-lhe a testa.

- El... It’s gonna be ok, hun, it’s gonna be ok... – e apagou.

°°

A maca era levada pelo corredor, e ela não deixava de acompanha-lo. Sentia-se inútil. Se, ao menos houvesse ido atrás deles, para ver o que aprontariam, Elliot não estaria quase sem vida, ao alcance de seus olhos.

Sentia-se impotente, sentia-se um lixo! Ela não o ajudara, quando ele mais precisou.

°°

Na porta da sala de cirurgia, donde Elliot se encontrava, Olivia sentiu os olhos marejarem, e os joelhos fraquejarem.

Abriu a boca, entretanto, não emitiu som algum. Os músculos contraíam-se dentro de sua blusa, inclusive seu coração, dizendo-lhe que deveria ter feito algo a mais, algo que pudesse salvá-lo de toda aquela dor.

Uma das médicas responsáveis por ele apareceu na porta, e puxou-a pelo braço, mas Olivia a impediu de levá-la.

- Sou a parceira dele... – sussurrou, com dificuldade. A doutora não discutiu, e entrou na sala.

- Precisamos de sangue O negativo! – gritou uma das enfermeiras. Olivia tremeu.

Pôde ver os olhos dele abrindo, e olhando-a com medo. O olhar dele era melancólico, e ela podia jurar que, se pudesse ver a si mesma, estaria vendo o mesmo olhar.

Sentiu o almoço voltar à garganta, e saiu da porta, por puro medo de ver a cirurgia dar errado, fugindo para o banheiro.

°°

Voltou à sala de espera, com o gosto de vômito na boca. Sentiu pena dos faxineiros que tivessem que limpar aquela cabine.

Ew...

A médica que tentou retirá-la da porta vinha vindo, e Olivia levantou-se num pulo.

- Detetive... Benson, certo? – perguntou ela. Olivia assentiu. – Seu parceiro já está no quarto, pode ir vê-lo.

- Qual o número?

- Duzentos e sete, bloco B. – respondeu a cirurgiã, já afastada.

°°

Os olhos abriram-se como os de um cão, quando fareja comida. Ele sentiu o perfume característico, e abriu os olhos.

- Você deveria ter se esquivado. – brincou ela. Ele riu baixinho, e retrucou:

- E você deveria ter ido embora!

Ela posicionou-se ao lado da cama – mais para maca – e segurou a mão dele.

- Como foi a cirurgia? – perguntou, tremendo. Ele olhou para o curativo no peito.

- A bala alojou-se no meu pulmão esquerdo... Perdi muito sangue, e eles disseram que eu poderia morrer. E, também disseram que você não saiu dali, até que a cirurgia acabasse... – gaguejou ele, ofegando. Olivia riu baixo.

- Sim, menos quando... – começou, arregalando os olhos. – Esqueça. Esqueça tudo o que lhe faz mal, você não merece sofrer desta forma, El...

Ele olhou-a com tristeza.

- Esqueça até as coisas que eu fiz, e disse lá na sua casa, com Bushido e Tybor... Por favor, será melhor para nós dois... – sussurrou ela. Elliot pigarreou.

- I can’t believe you’re saying that...

- Já ouvi estas palavras em algum lugar... – brincou ela, sem sorrir. Elliot ainda olhava-a melancólico.

Como ela queria que ele apagasse de sua mente uma das coisas mais verdadeiras que aconteceu em toda a sua vida?

- Não posso... – retrucou ele, olhando-a nos olhos. A melancolia se fora, e dera lugar a uma raiva aparente.

- Você tem que esquecer, El... – sussurrou ela. Ele exaltou-se, e mexeu-se desconfortavelmente na cama, soltando a mão dela.

- Não! Eu não tenho que esquecer nada! Olivia, eu acho que esta foi uma das coisas mais verdadeiras e apaixonantes que eu já fiz a minha vida inteira! Como você quer que eu esqueça?

Ela gaguejou.

- Cragen pediu transferência para mim... – sussurrou ela, dentre lágrimas. Elliot voltou a ter o olhar preocupado.

- O quê?

- Exatamente. É por isso que eu quero que você esqueça. Conseguiram capturar Bushido, e ele disse sobre Mike estar se agarrando com uma – pausou, e respirou – prostituta. Quando Cragen perguntou-lhe sobre a aparência da mulher, ele me descreveu. – sorriu tristemente – Não posso continuar aqui, El... I’m sorry...

Antes que ela pudesse ir embora, Elliot a puxou pelo braço. Olhando-o com curiosidade, Olivia aproximou-se um pouco mais, o suficiente, para que ele pudesse ter acesso aos seus lábios.

Capturou-os, sabendo que, apesar de ser a primeira vez, poderia ser a última. Olivia empurrou-o com delicadeza, por causa da cicatriz no peito, mas não podia fazer aquilo.

- Você sabe pra onde vai? – perguntou ele, acariciando a mão esquerda dela. Olivia sentou na cama.

- Provavelmente, para Boston. – disse, com repugnância. Odiava aquele lugar.

- Andy não trabalha lá? – perguntou, corando de raiva. Não a queria perto dele, jamais.

- Sim, infelizmente, mas era a única delegacia com vaga para mais um policial... – disse, tristemente.

Olivia levantou-se, e preparou-se para sair. Chegou a porta, e colocou a mão na maçaneta gelada.

- Liv...?

- Sim, El?

- Você vai trocar seu número? – perguntou.

- Não sei... Por quê?

- Queria conversar...

Olivia sorriu de canto, e saiu.

Foi a última vez que se viram.

°°

Comia rosquinhas, com a nova parceira. Sentia-se alegre, sem nenhum motivo aparente. A mulher levantou, e perguntou se ele queria mais um pouco de café.

- É como perguntar se macaco quer banana! – brincou ele. Ela riu.

Já era tarde, e só havia os dois ali.

Castigo pela papelada atrasada.

- Ah, tenho que ir buscar café. Já volto, quer alguma coisa?

- Não, só café, mesmo... E mais rosquinhas!

A mulher assentiu, rindo, enquanto se afastava.

°°

Concentrado nas palavras, não percebeu quando Cragen chegou. Nem quando outra pessoa o seguiu. Não era Sam, tinha certeza.

Sam era ruiva, esta era morena.

A porta do escritório fechou-se num baque.

°°

- Obrigada por vir, realmente foi de grande ajuda! – exclamou Cragen, olhando-a de cima a baixo, dentro do escritório.

- Don, eu realmente queria poder voltar, mas não vou conseguir. Além do mais, Andy me ajuda muito com meus problemas... – proferiu Olivia.

- E seu capitão? – perguntou ele, com um tom ciumento.

- Não se compara a você! – riu-se a detetive.

- Onde está seu parceiro? – perguntou o mais velho.

- Andy foi comprar café para nós, e eu aproveitei para dar um pulo aqui. Vejo que tudo está sob controle... – riu. Ele assentiu.

°°

- Yes, cap... Hun-hun... Right... Bye. – aquela voz não!

Elliot levantou os olhos, e deparou-se com ele.

- Ora, Elliot Stabler! – gritou ele, sorrindo.

- O que faz aqui, Andy? – perguntou, sem nenhum entusiasmo.

- Vim buscar minha parceira.

Minha parceira.

Minha parceira.

Minha parceira.

Minha parceira.

- Olivia está aqui? – perguntou, chocado.

- Sim, provavelmente falando com Cragen.

°°

Ao sair, Olivia deparou-se com um Andy sorridente, entregando-lhe café. Nem percebeu Elliot atrás dele.

- Pra que este entusiasmo todo? – perguntou, rindo.

- Vou ser pai! – exclamou, abraçando a parceira com uma força excessiva.

Ela já não sentia os braços.

- Andy, você vai me matar... – começou. Ele a soltou. – Obrigada. Bem, Don, espero fazer mais visitas, e...

- Vou até o carro, espero-te lá! – disse, ainda radiante, saltitando.

°°

Olivia riu, abraçando o capitão, que logo depois, entrou na própria sala.

- Puxa, isto não mudou nada... – sussurrou, para si mesma.

- É... – disse ele. Olivia olhou para trás, assustada.

Não podia ser. Já fazia cinco anos.

- Ainda me lembro do que aconteceu naquela noite, Liv...

- El, não... – sussurrou ela, olhando-o no olhos.

- Você queria que eu esquecesse, simplesmente! Eu não podia, entende? Eu sempre amei você, e isso nunca vai mudar, Liv! Aceite este fato, por favor!

- Eu... Não mudei meu número... – sussurrou ela. Ele assentiu. – E nem você, o seu.

Ele sorriu. Ainda conheciam muito bem, um ao outro.

- Então... Adeus...

- El, eu odeio despedidas... Como o último dia de verão, o capítulo final de um bom livro, a separação de um grande amigo... As folhas caem, você fecha o livro, diz adeus... Mas, as memórias sempre estarão conosco... Não importa o que aconteça, e espero que seja assim, conosco. – sussurrou ela, com os olhos marejados, não podendo impedir algumas lágrimas. – Não me esqueça, está bem? Não esqueça todas as nossas aventuras...

E saiu correndo, porta afora.

- Eu não vou! – gritou ele, mas era tarde demais...

Ela já havia saído do esquadrão.

Notas finais
Reviews? Amo *.*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!