Saviour

1 I can't run anymore...


Notas iniciais
Escrevi há muito tempo, e embora meu estilo de escrita possa ter melhorado (ou não) resolvi postar da maneira exata que está, sem cortes nem edições.

Ela corria. Corria porque sua vida dependia disso, e quando achava que não poderia mais correr, de alguma forma reunia forças para continuar. As lágrimas infiltravam-se em seus cabelos, sopradas para trás pelo vento que passava veloz por seu rosto. Ela corria sem saber para onde ir, tendo em mente apenas o horror que havia de onde ela saíra...

Quando saíra de casa naquela manhã, tudo estava normal. Sua tia a levara até a aldeia para venderem a colheita daquela temporada. Deixou em casa seu pai preparando-se para ir até a plantação, sua mãe que cuidava de seus dois irmãos pequenos, seu tio enfermo e suas primas menores, todos bem, apenas começando mais um dia de suas vidas. Teve um dia normal e tranquilo, e até conseguiu um bom dinheiro com as vendas. Ao chegar em sua propriedade, deixou sua tia levar os ganhos do dia para dentro de casa enquanto levava os cavalos para o estábulo. Os animais estavam extremamente inquietos e arredios, mas a garota não entendia o porque daquilo. Ao se aproximarem do estábulo, perdeu o controle dos animais, que fugiram desesperados em direção à floresta e sumiram de vista... mas ela não percebeu nada disso. Sua mente apenas processava o rastro de sangue que seguia até as portas abertas do estábulo.

Temerosa, ela seguiu até o local, porém ao entrar na construção escura arrependeu-se. Ali, diante de si, havia um corpo mutilado em meio a uma poça de sangue. Um relâmpago iluminou o local, e seu grito de terror ao ver a face de seu pai naquele corpo foi abafado pelo barulho do trovão. A chuva começou a cair sobre seu corpo enquanto ela corria para casa. Ao se aproximar ainda pôde ouvir os últimos gritos de sua tia. Chegou à porta da frente, que aberta deixava à mostra vários corpos dentro da sala, dois adultos e quatro pequenos e infantis; no fundo, a porta do quarto fora despedaçada, e dentro do aposento uma besta rasgava e espalhava pedaços do corpo de sua tia.

Ela não conseguia se mover. Ela não conseguia gritar. Conseguia apenas observas a cena estática... Até que o vento mudou de direção e levou seu cheiro até a fera, que virou-se para ela com um braço gotejando sangue entre os dentes. Quando o animal largou os restos de sua tia ela finalmente conseguiu se mover... E começou a correr em meio a chuva em direção à floresta.

Seu vestido já estava arruinado, manchado de lama e sangue, rasgado em várias partes por ter se prendido nos arbustos e árvores. Ela já não aguentava mais correr e pensava em como conseguiria continuar com aquilo, quando tropeçou em uma raiz exposta caiu. Não conseguiu reunir forças para levantar-se, conseguiu apenas virar-se de modo a encarar o céu cinzento e sentir as gotas de chuva caindo em seu rosto. Fechou os olhos e esperou a morte chegar. Pôde sentir o hálito quente e fétido de encontro à sua face quando a fera se aproximou. Rezava para que aquilo terminasse logo, quando o ar diante de seu rosto ficou limpo repentinamente. Abriu os olhos e ergueu-se um pouco, para ver um homem alto e esguio lutando com a besta. Ela encolheu-se e fechou os olhos novamente, apenas querendo que todo aquele pesadelo acaba-se logo. Apenas ouvia os sons da luta, até que tudo ficou quieto.

Ela abriu os olhos para ver seu salvador. Era alto e pálido, os cabelos negros e molhados caindo sobre seus olhos, impedindo-a de vê-los. Ele estendeu a mão ensanguentada para ajudá-la a se levantar. Quando conseguiu manter-se em pé, abraçou o homem firmemente, chorando de alívio.

– Obrigada por me salvar.

Ele a abraçou de volta, mexendo nos longos cabelos dela, de modo a expor a pele do pescoço.

– Eu não podia deixar aquele ser irracional desperdiçar tanto sangue virgem apenas para arrancar seu coração — sussurrou em seu ouvido, antes de afundar suas presas no pescoço da garota.

Ela sentiu um enorme pânico e uma leve dor, e em seguida suas forças deixando seu corpo lentamente, à medida que tudo escurecia...

Notas finais
Comentários são sempre aceitos, positivos e negativos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!