Saviour
9 Capítulo 9
Fui embora logo após a Emily acordar. Eu realmente precisava ficar sozinha. Chegando em casa minha mãe fingiu que não me viu e eu fui diretamente pro meu quarto. Logo na hora que eu abri a porta eu dei de cara com o meu pôster do BVB. Eu fiquei encarando aquilo e a nostalgia foi tomando conta de mim. ‘’tarde de mais’’ essa frase ecoou a minha mente. Eu estava chorando novamente. Não pensei 2 vezes, fui em direção aquele maldito pôster e o arranquei da parede. Doía demais lembrar deles, principalmente do Andy.
Deitei-me na cama e lá fiquei. A TV estava ligada, mas eu já nem prestava mais atenção. Eu não tinha mais forças para me manter viva, eu tentava dormir, mas toda vez que fechava os olhos a imagem dele me vinha à mente. Eu não sei se estou realmente viva. Passei a mão debaixo do travesseiro e peguei uma velha amiga que eu não usava há algum tempo. Eu segurava a lamina com as mãos tremulas, mas não hesitei em passá-la pela pele gélida do meu pulso.
Lembrei do que o Andy me disse no show ‘’ Não quero que você faça isso nunca mais. Toda vez que você pensar em fazer isso escute a musica Saviour e pense em tudo o que aconteceu hoje. Imagine que eu estou ao seu lado abraçando-lhe e cantando para você. Só não se machuque novamente.’’ Infelizmente não deu certo, lembrar daquilo só fez eu me cortar mais. A cada gota de sangue que escorria pelo meu braço eu me sentia mais viva, era um jeito de checar se eu realmente não morri. Passaram-se alguns dias, 3 para ser mais exata, já não comia mais, já não saia mais do meu quarto, toda vez que fechava meus olhos, cada sorriso e cada olhar voltavam para me assombrar, eu vivia um pesadelo acordada, e em meus sonhos, cada lágrima e sua voz ardente vinham me machucar.
Meus pulsos já tinham tantas feridas que não tinha mais espaço para novos cortes. Acho que é um sinal para eu parar. Ouço a campainha de casa tocar e minha mãe dizer "ela esta lá no quarto, pode entrar" será que acharam que eu estou morta e vieram me buscar pro enterro? A porta do quarto se abre e eu vejo a Emily entrar. Eu estava sentada olhando o movimento pela janela.
- Meu deus Helena, você esta magra e pálida! – Emily disse espantada – Há quanto tempo você não come?
- Faz quantos dias que eu sai da sua casa? – Minha voz estava fraca.
Fazia um tempo que eu não falava nada também, ninguém entrava no meu quarto e eu também não saia de lá.
- Bom, eu trouxe algumas porcariadas pra nó comermos, já é melhor que nada. – ela tinha um certo desespero na voz. – vamos assistir alguma coisa na TV, mas antes eu exijo que você se arrume.
Fui até o banheiro. Fazia certo tempo que eu não me olhava no espelho também. Quando me olhei eu me senti espantada, mas não consegui demonstrar. Eu realmente estava mais pálida do que já sou e meus olhos estão vermelhos, não de tanto chorar, mas de não ter mais lagrimas para chorar. Meu cabelo, que um dia foi a peça mais importante da minha aparência, está todo desgrenhado e seco. Eu parecia estar uns 30 anos mais velha. Tentei me arrumar mas a tentativa foi em vão, eu ainda parecia uma velha cansada.
Voltei para a sala, Emily limitou-se a sorrir piedosamente. Ela ligou a tv mas eu não conseguia prestar atençao. Minha cabeça estava distante, mas a TV me chamou a atenção quando eu ouço "O fenômeno Black veil brides passou por aqui semana passada e surpreendeu o publico chamando uma fã para subir no palco e dedicar uma musica a ela."
Meu estomago se contorce de ouvir esse nome mais uma vez. Devo ter demonstrado de algum jeito já que Em tenta ajudar.
- Desculpe Hel, eu vou mudar de canal...
- Não, deixe ai. Eu quero ver.
Mostraram imagens da minha subida no palco e do Andy cantando para mim. Em seguida os mostrou sendo entrevistados. Eu lembro desse dia, foi quando nós os levamos até o estúdio. A entrevistadora perguntou a eles o que eles acharam da cidade, eles disseram que os fãs são ótimos e toda aquela baboseira de banda. Cheguei a esboçar um leve sorriso me lembrando do quanto eles foram divertidos aquele dia, e como eles não são clichês como aparecem na tv. E então esse leve sorriso some com um nó se formando na minha garganta quando ouço a mulher da TV perguntar ao Andy
- Essa fã que subiu ao palco, eu percebi uma química entre os dois. Poderia ser um futuro casal? — E então o Andy respondeu com um sorriso bobo no rosto.
- A Helena? Ela é fascinante, talvez isso tenha me levado a levar ela ao palco. Mas o nosso futuro não cabe a mim decidir. Se somos um futuro casal? Não sei. Quer dizer, eu sei sobre mim, mas não tenho a opinião dela. — Disse, rindo sem jeito, como um garotinho confessando sua paixonite a colega de escola.
Então é isso o que ele disse. Ele tinha certeza sobre sermos um casal, foi por isso que me chamou para ir com ele na turnê. Comecei a chorar me lembrando desse dia e o que aquilo tinha significado pra mim. Nesse momento Emily me abraçou e chorou junto comigo. Não entendi ao certo o porquê ela chorava, provavel de saudades do Jinxx e, como eu, se lembrou de tudo o que tinham passado, mas eu não conseguia conter o meu choro. Ela passou a tarde comigo e tentei me distrair um pouco. Até que deu certo. Eu consegui ficar um tempo sem pensar nos fatos acontecidos, aquela entrevista me deixou um pouco mais leve, mas a minha consciência estava mais pesada que nunca, mas assim que ela foi embora meu estado de quase óbito voltou. Como não tinha como eu me cortar mais no pulso eu comecei a fazer cortes e mais cortes nas coxas. Eu me sentia bem enquanto me cortava, eu esquecia de todo o resto e concentrava apenas no que eu estava fazendo. Era como se aquilo fosse a única coisa que estava ocorrendo ou já ocorreu. As vezes a imagem do Biersack me vinha a cabeça, o que fazia eu me cortar cada vez mais. Eu já conseguia dormir, mas sempre sonhava com ele. Eu acordava cansada e soada. Era desesperador, sufocante.
Já se passaram 8 dias desde que Andy e a banda foram embora daqui. Eu tinha desmaios constantes por desnutrição, e minhas olheiras estavam cada vez mais profundas. Emily sempre vinha na minha casa e me obrigava a comer alguma coisa. Ela sabia que eu me cortava muito, e as vezes tentou fazer alguma coisa para tentar me impedir, mas essa é a única maneira que eu encontrei de checar se eu ainda estava viva. Algumas vezes a Emily conseguia me arrastar para fora de casa ou eu saia para ir a alguma praça observar o movimento, aquilo se tornou uma distração para mim e o único modo de alguém conseguir limpar meu quarto.
Cada dia que passava eu me sentia mais fraca e minha vontade de viver diminuía. Eu realmente precisava do Andy, pelo menos o ouvir dizer que não esta bravo comigo. Mas é obvio que não é possível, eu iria ter que conviver com a dor de ser odiada por ele. Eu conheci o meu ídolo, nós tivemos um momento de paixão e eu estraguei tudo! Eu não conseguia me perdoar. Eu imagino como ele está. Já deve ter achado outra e me esquecido. Será que ele pensa em mim de vez em quando? Com certeza já deve ter me superado. Na verdade, eu nem devo ter sido tão marcante assim.
Ouço o barulho da campainha. Hoje a Emily disse que ia sair com os pais dela e não iria poder vir me ver. Será que ela conseguiu dar uma escapada?
- Helena, um cara chamado Jeremy está aqui dizendo que precisa falar com você – minha mãe disse na porta do meu quarto.
- Manda subir aqui.
Perai. Eu não conheço nenhum Jeremy. Quem é Jeremy? Ouço alguém bater na porta. Eu juntei a força que me restava para levantar da cama e tentar ajeitar meu cabelo. Eu abri a porta. Não acreditei no que eu estava vendo. Outro nó se formou na minha garganta.
- Você ficou triste assim em me ver?
Pulei da cama, com uma força que não sabia que possuia mais e o abracei. Ele retribuiu o abraço e eu não consegui mais segurar as lagrimas.
- Jinxx !
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