Saviour
19 Capítulo 19
Emily’s POV
Já faz 1 mês que eu estou morando com a Helena e 1 mês que descobri que estou grávida. Eu disse a Helena que contei aos meus pais, mas na verdade ainda não tive coragem, eles vão surtar muito. Estou a caminho da casa deles pra contar a novidade.
O taxi parou em frente à porta da minha casa. Respiro fundo e abro a porta.
- Mãe? Pai? Alguém em casa? – gritei.
- Estamos aqui Emily – ouço minha mãe gritar da cozinha.
Respirei fundo novamente, sinto meu estomago congelar e as minhas pernas fraquejarem. Não, eu não posso dar pra traz agora. Entro na cozinha e vejo minha mãe e meu pai cozinhando sorridentes, mal sabem eles a bomba que esta por vir.
- Emily! – meu pai me recebe com um abraço – o que esta fazendo aqui?
- Eu vim porque, hm – eu estava cada vez mais nervosa – eu preciso, hm, contar uma coisa à vocês. Vamos lá na sala.
Fomos até a sala e nos sentamos. Minha coragem estava diminuindo, mas eu tenho que contar. Eles me olhavam preocupados/desconfiados.
- Bom, como vocês sabem eu estou namorando o Jeremy faz um tempo...
- Sim, quando vamos conhecer ele? – minha mãe disse ainda sorridente
- Não sei, mas em breve. Como eu ia dizendo, nós estamos namorando e meio que aconteceu um acidente. – eu não sabia que palavras usar.
- Acidente? Ta tudo bem com você?? – meu pai perguntou preocupado.
- Ta sim, é que eu meio que estou... — fechei os olhos, não queria ver a reação deles – grávida!
O silencio pairou na casa. Abri meus olhos e vi os dois me encarando com os olhos arregalados.
- G-grávida? — minha mãe engoliou seco
- É, me desculpem – disse abaixando a cabeça.
- Foi essa educação que te demos? – meu pai começou a falar bravo – nós te demos liberdade, deixamos você sair com uns caras que nem conhecemos, nós confiamos em você, e você me aparece grávida? Estou decepcionado com você Emily, você é só uma criança! Não sabe nem o que quer pra si mesma, vai saber criar um bebe?!
Eu não sabia o que dizer. Meu pai se levantou e saiu da sala. Eu não conseguia fazer outra coisa alem de chorar, eu não esperava essa reação. Minha mãe veio ao meu lado e me abraçou.
- O seu namorado já sabe? – ela perguntou
- Ainda não. – Disse secando minhas lagrimas. – O pai não vai querer mais olhar na minha cara né? Ele sempre disse que se eu engravidasse antes da hora ele iria me por pra fora de casa. — Suspirei tentando conter um pouco o choro — Pelo menos esse trabalho ele nao vai ter.
- Ele não faria isso, querida. Ele só esta chocado, daqui a pouco ele se acalma, não esquenta a cabeça não.
- Eu não sei o que eu faço, mãe.
- Só acalme-se. Estamos aqui sempre que precisar. Vamos te ajudar a criar esse meu netinho ou netinha que está por vir, não é?
Foi reconfortante ouvir de minha mãe que pelo menos ela não tinha surtado. Eu sempre fui exatamente como meu pai, surtando nos mesmos momentos, ao contrário da minha mãe. Ela sempre foi a mais lógica da casa. Sabia que ela estaria comigo quando soubesse da noticia, afinal vivia falando de como queria um neto, ou uma neta, que seja. Sorri um pouco pensando que, cedo demais, dei esse pequeno presente pra ela. E a mim também. Um bebe com o cara que eu amo. Ok, cliche eu sei. Mas o que que eu posso fazer se é verdade? Não me culpem por só ler romances quando era menor!
Por fim acabei passando a tarde inteira na casa dos meus pais. Ouvi um pouco mais de discurso sobre irresponsabilidade e depois que tudo se acalmou meu pai veio dizendo que ‘’a merda já esta feita, o que resta é cuidar dessa criança’’ não com essas palavras, mas foi o que ele quis dizer. Já é fim de tarde, estou cansada, minha cara deve estar super agradável. Estava subindo as escadas do prédio onde moro. Bendita hora que o elevador quebrar! Eu me arrastei de degrau em degrau ate chegar no 6° andar. Estou apenas no 2° mês de gravidez mas já me sinto ofegante apenas de subir uma escada. Paro em frente a porta do apartamento pra procurar as chaves e percebo um som estranho, um som de violino, é um som maravilhoso. Mas desde quando a Hel ouve musica clássica? Que estranho. Abri a porta e adentrei:
- Helena desde quando você... — Parei de falar quando vi uma criatura perfeita de pé no meio da minha sala tocando violino com uma expressão serena. Minha bolsa caiu da minha mão e lagrimas surgiram em meus olhos. — Ouve música clássica... Bebe?? – Disse espantada
- Emily! – ele correu me abraçar e envolveu-me em um beijo carinhoso e apaixonado.
- Eu senti sua falta! Não sabia que você iria voltar, senão teria telefonado! – eu o abracei, estava muito feliz e eu realmente precisava dele nesse momento.
- Eu também senti sua falta minha doll! – ele respondeu me apertando contra seu peito.
Ouço um pigarro ao fundo. Paro para olhar a sala e vejo todo pessoal da banda, mais a Helena, parados nos encarando. Todo mundo sentados no sofá, com exceção da Hel que estava encostada na porta do quarto. Sim, o apartamento é bem pequeno.
- O-o que vocês estão fazendo aqui? – perguntei espantada e feliz ao mesmo tempo.
- Viemos ver a futura ... – CC disse mais a Helena o interrompeu.
- A futura aniversariante – ela gritou – ou você esqueceu que meu aniversario é essa semana? 28 de setembro, lembra??
Ouvi algum barulho parecido com um relincho de cavalo, ou quando alguém segura uma risada, olhei em volta e vi Ash enterrando a cara em uma almofada. Nem liguei, depois de um tempo você se acostuma com a esquisitice. — Nossa eu me esqueci completamente, fiquei perdida com o rolo dos meus pais. – falei pondo a mão na testa.
- Que rolo? Aconteceu alguma coisa? – Jinxx perguntou, parecendo confuso
- Você já não tinha contado pra eles? – perguntou Helena
- Contado o que? – rebateu Jinxx.
- Calma! Uma pergunta de cada vez! Primeiro, Jeremy eu tenho que te contar uma coisa. – olhei para Helena e ela fez um ‘’vai’’ com a mão e sorriu, enquanto Jeremy me encarava. – Você vai ser pai.
Cerrei minhas mãos em punho, tensa, com medo da reação. Ele poderia agir como meu pai e me abandonar, não podia? Mas me acalmei quando um sorriso enorme se abriu em seu rosto e eu senti um alivio por ele ter ficado feliz com a noticia.
- Eu não acredito! Eu vou ser pai – ele dizia enquanto me abraçava; Todos na sala deram gritinhos e bateram palmas, ouvi um "eu já sab!" que pelo jeito foi abafado por alguma coisa, talvez uma mão. Não sei. Mas quem se importa com isso, quando o pai do teu filho está te abraçando?!
- Você não esta bravo??
- É claro que não, pelo contrario, estou muito feliz! – ele respondeu ainda sorrindo
- Então gente, o papo ta bom, ta todo mundo feliz, mas eu to com fome! Poderíamos jantar em algum lugar legal pra comemorar a noticia! – CC interrompeu o ‘’momento familia’’ e todos começamos a rir juntos – Qual é? Eu to com fome!
Acabamos todos concordando com o CC e fomos comemorar em um restaurante. Jinxx foi o caminho inteiro comentando sobre a felicidade de ser pai e até pensamos em nomes pro bebê. Helena e Jinxx passaram o caminho brigando pois Helena quer que o bebê, se for menina, chame Lucy, mas o Jeremy quer Charllote. Jake estava discutindo com CC pra ver o que a criança iria tocar. O ironico disso tudo é que o filho era meu, mas quem estava decidindo as coisas pelo bebe eram seus "tios". Eu apenas observava e ria, meu filho mal nasceu e já ta gerando discussão, o que me fazia rir mais. Imagina só quando essa criança nascer.
Helena’s pov
Hoje de manhã a Emily me disse que ia passar o dia na casa dos pais, o que foi perfeito para eu conseguir trazer os meninos pra cá sem ela perceber. Como já estava tudo combinado, ela ir pra casa dos pais foi um bonus a mais. Nem precisaram que eu fosse busca-los no aeroporto, afinal "pra que incomodar se existe gps?" de acordo com os meninos. Fiquei em casa limpando algumas coisas, enquanto soltava a voz em um pseudo karaoke com uma coletanea que a Em me deu ano passado. Quando chegaram foram logo pulando em cima de mim rindo e gritando. Eles realmente sabem fazer uma entrada triunfal. Todos me abraçaram e não pude de parabenizar um novo papai aí. Foi todo mundo sentar no sofá e, claro, expulsei o Jake de lá senão não teria espaço pra eu sentar com o Andy.
Ocorreu tudo certo, matei a saudade de todos e até do Andy. Montamos um pequeno teatrinho. Emily sempre me disse o quanto ela se derretia quando via algum video do Jinxx tocando violino e como ela quase infartou quando ele tocou uma musica pra ela. Então, pedi que ele levasse esse treco que ela adora tanto e tocasse pra gente pra matar o tempo. Claro que ele não contava que ela fosse chegar no momento em que ele estava tocando. Apenas sorri de canto e pisquei para os olhos profundos e azuis que me encaravam como se perguntassem se eu fiz essa bagunça de propósito.
Acho que a Emily ficou feliz em ver todos, espero que sim. Agora estamos em um restaurante comemorando a gravidez da Emily. CC e Jake continuam brigando pra ver quem vai ser o professor de musica do bebê, Ashley diz que se for menino ele vai leva-lo pras baladas e ensinar como pegar garotas e eu desisti de convencer o Jinxx de por o nome da menina de Lucy, depois eu convenço a Em, é bem mais fácil. Jinxx e Emily estão um grude, fico feliz por eles. Paro e fico observando cada um se divertindo sobre o bebê e volto novamente a imaginar como seria se eu tivesse um filho. Novamente me vem à cabeça a imagem de uma criancinha ruivinha com os olhos iguais do Andy e aquele sorriso de criança no rosto. Essa imagem me fez sorrir involuntariamente.
- Você sabia que fica linda com esse sorriso bobo no rosto? – Andy sussurrou ao meu ouvido.
Me assusto com a voz de Andy me tirando da epifânia e fico corada.
- Eu tava distante...
- Eu percebi – ele sorriu de lado – tava pensando o que?
- Eu? Ahn... Nada, só pensamentos aleatórios – Por que eu fiquei nervosa com essa pergunta?
- Hm – ele me olhou desconfiado – tem certeza?
- T-tenho. – me ajeitei na cadeira – tenho.
- Então ta. – assentiu – Então... amanha é seu aniversario né?
- Nossa, já é amanha? Tinha me esquecido completamente... – respondi e ele riu
- É, é amanha. então, eu tava pensando, já que tá tudo, pelo jeito, bem definido, eu... hm... queria saber se talvez, você poderia conhecer meu pais né?" Quer dizer, eu já conheci os seus, mesmo que de longe
- OQUE?? – acabei gritando e todo mundo voltou seu olhar pra mim. Me encolhi na cadeira. — Ah, quero dizer. É uma boa ideia. Claro. Seus pais. Certo. Mas e se eles não gostarem de mim? Quero dizer, eu não sou um modelo a ser seguido...
- Se você não é um modelo a ser seguido, muito menos eu. Acredite, eles estão acostumados
. – ele sorriu
- Caramba, você é louco Biersack – disse rindo
- Eu também te amo, Cipriano.
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