Saviour
1 Capitulo 1
Notas iniciais
Por onde eu começo? Meu nome é Helena Cipriano, tenho 18 anos, acabei de sair da escola. Meus pais são médicos bem sucedidos, minha irmã mais velha é uma advogada importante e meu irmão mais novo é tipo uma criança prodígio. Eu? Bom eu sou o desgosto da família. Não sou inteligente e meu único talento é tocar guitarra.
Meu sonho é ter uma banda de sucesso, mas meus pais desaprovam tudo o que eu faço dizendo que eu não tenho futuro e que deveria pensar em alguma coisa mais produtiva. Toda essa pressão familiar me levou a me automultilar desde os meus 12 anos, então eu sempre uso braceletes ou alguma blusa de frio cobrindo as minhas cicatrizes. Meu refugio é meu quarto, que não é um dos mais arrumados, junto com o som de uma musica de rock. Hoje é um dia especial,já que por algum milagre vai ter um show aqui na cidade.
E pra melhorar ainda mais, o show é do Black Veil Brides, que é tipo, minha banda favorita de todos os tempos. Mas como nada é perfeito, para variar meus pais não me deixaram sair de casa. Mas eu já disse que eu não ligo? Ha! Eu não ligo! É quase 22h, eu tenho que dar uma de batman e sair pela janela do meu quarto sem ser notada. Uma capa preta realmente iria bem agora!
Consigo chegar ao estádio a tempo de entrar na fila junto com a Emily, minha amiga, que chegou beeeem antes de mim. Na verdade ela tá acampada na porta desse estádio praticamente desde quando anunciaram o show.
– Eai Em! Valeu por ter guardado o lugar na fila!
–Relaxa gata – rimos – conseguiu convencer os reis do terror a te deixar vim?
–Convencer? Eu fugi, isso sim – eu rio novamente
–Você não tem jeito mesmo hein!
–Estamos falando de Black Veil Brides aqui, o que você esperava? Que eu ficasse em casa como a boa filhinha que eu sou? — Rimos mais ainda. Até porque eu nunca faria isso. Nem se fosse um show sertanejo. Ok, exagerei, mas o principio é o mesmo.
Emily é minha amiga desde a 7ª série, ou seja nos conhecemos há uns 5 anos. Os pais dela, diferentes dos meus, são super legais e abertos a conversa. Talvez seja por isso que ela fale tanto com todo mundo. Ela é meio que o meu oposto. Toda alegre, daquelas que saem pulando por aí, sabe? Gentil, inteligente e suuper boa aluna. As nossas semelhanças começam e acabam no gosto musical e cinematográfico, e olhe lá ainda. Como somos amigas, se somos tão diferentes? Não tenho a mínima ideia. Gostamos de dizer que só seguimos as leis da vida: os opostos se atraem, até nas amizades. Digamos que a gente acaba complementando a outra, ou coisa assim.
Os portões se abriram e por sorte, ou não, conseguimos um lugar praticamente encostado no palco, a única coisa entre nós era uma garota que tava querendo passar na frente. E que estava irritando demais já. Mas mesmo assim minha felicidade estava a mil. Não estou creditando que eu vou ver a banda tão de perto assim. As luzes se apagam e uma voz ao fundo do palco grita roucamente ‘’ SCREAM, SHOUT’’ Todos, inclusive eu, vão ao delírio gritando loucamente. Fallen Angels começa a tocar e eu esqueço de tudo, de todos os meus problemas e não ligo como estou parecendo, só pulo e canto como se apenas eu estivesse no lugar. E eles estavam tão lindos. Eu duvido que alguém tivesse coragem de falar o contrário. Eu não iria conseguir desviar o olhar mesmo se quisesse.
O show vai passando e eu vou cada vez mais me empolgando e me sentido feliz. Rebel love song começa e ai sim eu vou ao delírio, eu estava com as mãos para o alto tentando encostar em Andy e não estava nem ligando se minhas cicatrizes estavam a mostra. E então a musica acaba e eu sinto o calor em minhas mãos. Eu não acredito! Andy Biersack esta me segurando pela mão? Eu não consigo acreditar. Com um forte impulso e um apoio da galera eu subo no palco. Meu deus, eu estou no palco, é isso mesmo? Estou sem reação, não sei o que fazer.
Andy pega o microfone e diz ‘’Agora é uma musica especial, nunca tocamos ao vivo antes. Essa vai especialmente para essa garota aqui’’
O calor aumenta ainda mais quando Andy Envolve seus braço em volta de mim. Sinto seu hálito quente em meu ouvido
– Não faça isso, essas cicatrizes não combinam com a sua beleza. Foda-se o que os outros dizem, você é melhor que isso.
Ele se solta de mim e olha para mim com o sorriso mais lindo que eu já vi. Eu sorrio de volta e sinto lagrimas escorrerem pela minha face.
E então ele olha para os outros membros da banda que estão lá apenas nos olhando se sorrindo. Parecia até que... eles entendiam. Como se ouvesse um pacto silencioso entre eles. Andy então sussura algo que eu não consigo ouvir e logo em seguida começa uma melodia suave. Eu reconheço aquilo, um som tranquilo, que me traz paz... Minha mente está tão agitada que eu demoro pra realmente perceber, até que, finalmente, começa...
‘’ I never meant to be the one
Who kept you from the dark
But now I know my wounds are sewn
Because of who you are’’
Eu quase salto pra trás em surpresa. Claro! Aquela era a minha música. Onde eu me afogava e eles me traziam de volta a vida. A razão de Black Veil Brides serem tão importantes. Aquilo era Saviour!
Eu tento me focar e dou de cara com um par de olhos profundos e brilhantes que me olham fundo, como se pudessem ver minha alma. Eles estão cantando para mim...
’’So hear my voice,
remind you not to bleed
I am here’’
A música continua com uma garota chorando no palco, uma platéia emocionada, e eu tenho certeza que com inveja também, e um Andy, bem, sendo aquele que eu sempre imaginei. Ele canta a música inteira olhando nos meus olhos e em poucos momentos se vira pro público.
Cada vez eu chorava mais. Era uma mistura de tristeza, alegria e emoção.
‘’Saviour
Will be there
When are feeling alone, oh
A Saviour
For all that you do
So you live freely
Without their harm’’
Eu estou tão feliz que eu poderia morrer nesse momento. Toda a tristeza, rancor e magoa que eu tinha acumulado dentro de mim, simplesmente desapareceu. Eu estava em paz. Cada vez que Andrew me olha nos olhos e canta para mim meu coração se acelera e eu me perco nesta imensidão azul. Eu apenas olhava para ele e deixava as lagrima caírem a cada verso da musica. A partir deste momento, Andrew Biersack se tornou meu Saviour.
A musica continua até que ele se ajoelha e começa a parte que geralmente me deixa as lágrimas...
‘’When I hear you cries
Praying for life
I will be there'’
Mas nesse momento eu não chorei. Ao contrário. Eu paro de chorar e sorrio. Sorrio porque aquilo é real. Porque o meu maior sonho, e o mais impossível está acontecendo. Porque eu o tenho ali, de joelhos, cantando para mim, se importando comigo. E por enquanto, no meu mundo, nada mais importa.
Notas finais
Beijos =*
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