Saving Regina
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Durante uma semana inteira depois que cheguei a escola havia uma rosa branca com um bilhetinho em cima do meu travesseiro, aquilo já estava me deixando frustrada. Primeiro porque eu estava curiosa para saber quem estava mandando aquilo, e segundo porque... Eu estava curiosa oras, isso já é motivo suficiente.
Aposto que era aquela loira quem estava por trás disso. Ela não iria se prontificar a ir na casa de uma estranha entregar uma rosa assim do nada, com certeza ela era a admiradora secreta. Mas da onde ela me conhecia?
Peguei a rosa que estava no meu travesseiro dessa vez e puxei o bilhete. Corri os olhos por ele e quase soltei um grito de indignação, que pessoa ousada!
"Voce fica linda naquela jaqueta vermelha."
Aquela merda de jaqueta nem era minha. Era uma peça cafona, horrorosa e eu iria me livrar dela agora mesmo. Agarrei aquela peça ridicula que ainda estava no meu quarto e sai andando a passos firmes para fora de casa, eu iria jogar aquilo no primeiro bueiro que encontrasse.
Quando cheguei na rua de minha casa, olhei para os dois lados a procura do bueiro mais proximo. Ao invés disso, encontrei aquela garota insolente do outro lado da rua encostada numa motocicleta. Sem pensar duas vezes, caminhei a passos largos na sua direção e taquei a jaqueta nela.
– Voce! — Exclamei. — É voce quem tem deixado essas flores e bilhetes, não é? E essa jaqueta horrorosa, aposto que deu um jeito de esconde-la no seu quarto. Voce tem bem cara de quem usa essas roupas ridiculas. — Minha raiva aumentou mais ainda quando a garota começou a rir. — Qual a graça, palhaça? Não contei nenhuma piada, idiota. — Xinguei.
– Desculpa. — Ela tentava parar de gargalhar, eu fiz menção de lhe dar um tapa mas ela segurou minha mão. — Calma ai, esquentadinha.
– Não sou esquentadinha coisa nenhuma! — Ela continuava segurando minha mão, me livrei do seu aperto. — Vai me contar a verdade ou não?
– Tudo bem, esquentadinha. — Ela deu enfase na ultima palavra, revirei os olhos. — Sim, sou eu quem está mandando as flores. Mas só porque quero que saia comigo. — Ela me deu um sorriso sacana. Merda, por que tinha que ter um sorriso tão lindo?
– Até parece que vou sair com voce. Nem sei o seu nome, pode ser uma psicopata louca montada nessa moto. — A medi de cima a baixo e percebi que ela usava o colete do clube de motoqueiros da cidade. — E ainda faz parte desse clube de marginais. — Fiz um sinal apontando para sua vestimenta.
– Primeiro, não somos marginais. Apenas um clube de entusiastas por motocicletas. Segundo, meu nome é Emma Swan. — Ela me estendeu a mão para cumprimentar.
– Ainda assim pode ser uma psicopata. — Disse ignorando sua mão que ficou o ar.
Me virei e comecei a caminhar em direção a minha casa.
– Eu conheço a Ruby! — Ela gritou e eu parei na hora, me virei e andei até ela.
– Conhece? Então prova. — A desafiei.
Ela tirou um celular do bolso da calça e fez uma ligação, assim que a pessoa do outro lado atendeu ela colocou no viva voz.
– Ruby. — A tal Emma disse. — Estou aqui com a sua amiga esquentadinha, a chamei para sair mas ela só vai dizer sim a menos que eu prove que te conheço.
– Esquentadinha? Ta falando da Regina? — A voz de Ruby surgiu do outro lado da rua.
– Que merda, eu não sou esquentadinha!
– Ela é bocuda também. — Emma riu da minha cara.
– Re, fica tranquila. A Emma não é nenhuma doida, pode sair com ela.
– Eu não vou sair com ela.
– Vai sim, Regina. Pare de viver nessa bolha. — Aquela frase me soou estranhamente familiar.
– Eu não vivo numa bolha. — Resmunguei.
– Vive sim, agora tenho que ir. Beijos meninas. — E desligou.
– Sem mais desculpas, vai ter que sair comigo. — Emma tinha uma expressão arrogante no rosto. Se ela não fosse tão linda, eu iria soca-la naquele instante.
– E onde nós vamos? — Perguntei.
– Surpresa. Esteja pronta as 19hrs, eu venho te buscar. — Ela subiu na moto e já ia dar partida. — Ah, use a jaqueta vermelha. — Ela me jogou a peça e saiu em seguida.
Bufei de raiva. Que garota arrogante, idiota, babaca, e linda.
Linda nada, ridicula.
Ta, ela é linda.
Ai Regina, pare de pensar besteira.
Voltei para dentro de casa e tratei de me trancar no quarto, lá me estapeei até não aguentar mais. Por que eu havia aceitado? Levantei os dedos e comecei a enumerar os motivos.
Primeiro: ela era linda, isso está mais do que obvio.
Segundo: que olhos eram aqueles?
Terceiro: ela tem todo aquele estilo de motoqueira malvada, o que pode ser problema, mas não deixa de ser extremamente sexy.
Quarto: qual o mal de ir num encontrozinho? Ruby a conhecia, ela não podia ser tão ruim.
Tudo bem, ela tinha invadido meu quarto para deixar rosas com bilhetes. Mas se minha amiga a conhecia, não faria mal dar uma chance.
Passei uma boa parte da tarde tentando encontrar uma roupa adequada, mas eu não sabia onde iriamos. Pensei em usar um vestido, mas se ela resolvesse me buscar naquele trambolho que chamava de moto, isso seria um problema. Desisti dessa ideia.
Quando o relogio marcou 18:30 eu já estava completamente nervosa e não tinha ideia do que vestir. Me enfiei debaixo do chuveiro e tomei um banho rápido. Voltei para o meu quarto e fiz o mesmo que tinha feito durante todo o dia, encarei o guarda roupa esperando que uma roupa descente pulasse de lá de dentro e eu me sentisse bonita nela.
Sem pode prolongar mais a espera de um milagre, optei pelo básico. Uma blusa branca que deixava meus ombros expostos, uma calça jeans preta colada e botas de cano baixo. Dei um jeito no meu cabelo, que resolveu ficar mais rebelde do que os outros dias, e passei uma maquiagem leve no rosto. Fazia frio lá fora, mas me recusei a usar aquela jaqueta vermelha. Coloquei um casaquinho cinza que adorava.
As 19hrs eu me esgueirei do quarto até a sala, mamãe estava em seu quarto fazendo sabe-se lá o que. Apelei para meu pai, pois ele sempre fazia o que eu pedia. Inventei que iria estudar na casa de Belle junto com Ruby, e que depois a morena me traria em casa. Ele me liberou e me mandou ter juizo, e apenas assenti e sai antes que minha mãe aparecesse.
Do outro lado da rua Emma já me esperava, como eu tinha deduzido, em sua moto. Ela usava uma regata branca colada ao corpo, calça jeans, botas cor de caramelo que iam até o joelho e uma jaqueta azul.
Qual era a da fixação por jaquetas?
– Voce está linda. — Ela disse quando me aproximei.
– Obrigada. — Sorri timida. Mal conhecia Emma e já tinha percebido que ela era capaz de me causar todo o tipo de emoção.
– Não está usando a jaqueta. — Emma ez uma cara emburrada. — Por que?
– Eu me recuso a usar aquilo, Emma. — Disse. — Podemos ir?
– Ta bom, coloca isso. — Ela me entregou um capacete, e quando viu que eu estava perdida, me ajudou a coloca-lo. — Pronto, princesinha.
– Não sou nenhuma princesa.
– É sim, princesa esquentadinha. — Ela me ajudou a subir na moto e eu automaticamente passei os braços ao redor de sua cintura com medo de cair.
Emma deu partida na moto e saimos, ela dirigiu por aproximadamente quinze minutos, e em momento algum eu ousei me soltar dela. Pelo contrário, cada vez a apertava mais contra meu corpo.
– Sério? Voce me trouxe aqui? — Perguntei quando descemos e andamos em direção a sede do clube Crow's.
– Se lembra daqui? — Ela se virou rapidamente para mim.
– Me lembrar? Todo mundo sabe que aqui é a sede do clube de motocicletas. — Disse.
– Ah... — Ela parecia decepcionada. — Bem, não julgue tão depressa. Eu preparei algo bacana para nós duas. — Emma me puxou para dentro do local.
Ela me guiou pelo local, que estava completamente vazio, até chegarmos a uma escada lateral. Subimos, com ela na frente segurando minha mão, e entramos no terraço.
Me encantei com aquele lugar assim que bati os olhos. Estava todo iluminado por candelabros espalhados estrategicamente, podia-se ver o mar ao fundo, e no centro tinha uma mesa para dois.
– Voce preparou tudo isso para mim? — Perguntei desacreditada.
– Sim. — Emma sorriu sem jeito. — Tive um pouquinho de ajuda, mas foi eu quem pensou em tudo.
– Está lindo, Emma. Ninguém nunca fez isso por mim.
– Voce merece, Regina. — Ela me puxou e nos sentamos a mesa. Até então eu achava que estamos sozinhas, mas no instante em que nos sentamos um homem moreno carregando duas bandejas apareceu.
– Olá, garotas. Meu nome é Killian, e serei seu garçom está noite. — Estava obvio que ele não era garçom coisa nenhuma, pois usava o colete do clube, logo conclui que era amigo de Emma. — Temos hoje lasanha a bolonhesa, com um delicioso vinho. — Ele nos serviu e rapidamente saiu.
– Emma, eu amo lasanha. — Disse, mais encantada ainda.
– Eu sei.
– Sabe? — Perguntei confusa.
– Quer dizer, sei. Todo mundo gosta de lasanha. — Ela pareceu se atrapalhar um pouco ao responder, mas resolvi não dar importancia.
Começamos a comer e eu me deliciava a cada garfada, nunca imaginei que um encontro com aquela estranha podia ser tão bom. Emma era muito divertida, o tempo todo estava contando piadas e me fazendo rir.
Descobri que podiamos parecer totalmente diferentes, mas também havia muitas coisas em comum. O gosto pela música, pela literatura, e pela estranha mania de gostar de contar estrelas.
Descobri que ela era adotada, mas que nunca tinha se sentido incomodada com isso e nem tentado contatar os pais biologicos. Tinha os seus pais de criação e os amava mais do que tudo.
Ela também se mostrou muito inteligente, e embora tenha recebido propostas para faculdades quando terminou o colegio, não aceitou nenhuma. Ela se sentia feliz morando numa cidade pequena e trabalhando com o pai na oficina.
Eu tentei não me encantar por ela, mas Emma Swan era surpreendente. E aquilo estava me conquistando.
Eu falei de meus planos para quando terminasse o colegio, de como queria seguir carreira na politica, mas que também gostaria de continuar morando em Storybrook.
As horas pareceram voar ao lado dela. E depois de muito tempo conversando, Emma me levou para casa.
– Isso foi divertido, deveriamos repetir. — Emma me disse enquanto descia da moto e ficava a minha frente, senti uma pontada na cabeça ao escutar aquela frase.
– Eu adoraria. — Vi Emma se aproximar de mim, seu rosto estava a centimetros do meu. Quando senti sua respiração se misturar a minha, coloquei uma mão em seu ombro e a afastei um pouco. — Talvez devessemos deixar isso para o segundo encontro.
– Tem razão, com certeza. — Ela concordou e se afastou rapidamente.
– Boa noite, Emma.
– Boa noite, Regina.
Nos despedimos e eu entrei em casa na ponta dos pés, não queria alertar minha mãe. Fui direto para meu quarto e deitei na cama, relembrando cada segundo da noite maravilhosa que havia tido.
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