Saving Regina
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Acordei num quarto de hospital, tinha algo sendo injetado na minha veia. Passei as mãos pelo meu cabelo e ele estava muito oleoso, pelo visto eu estava ali a dias.
Tentei me levantar, mas me senti completamente tonta. Então recostei na cama novamente, fechei os olhos e respirei fundo.
– Finalmente! — Escutei a voz de Emma e me lembrei de tudo o que tinha acontecido, abri os olhos e a vi em pé ao lado da cama.
– Emma... — Ela estava ali, e ao mesmo tempo não estava.
– Não chore, meu amor. — Ela segurou minha mão e depositou um delicado beijo, não pude segurar as lágrimas.
– Eu te matei, Emma. — Meu choro se tornou compulsivo, e Emma secou minhas lágrimas. Como aquilo era possivel? Emma estava morta, e mesmo assim eu conseguia ve-la, senti-la, beija-la. Acho que esse é o pior tipo de tortura existente. Saber que a pessoa está morta, e continuar a senti-la.
– Não matou, Regina. Voce não sabe de toda a verdade.
– Eu vi voce morrer.
– Regina...
Fechei os olhos e tapei os ouvidos, não queria mais ouvi-la. Não queria mais nada daquilo. Só queria esquecer tudo e seguir em frente com a minha vida.
Fiquei assim até escutar a voz de Emma sumir, depois destapei os ouvidos e apertei o botão para chamar a enfermeira. Segundos depois uma gritaria começou no corredor, as vozes de Ruby, Belle e minha mãe se sobrepunham uma a outra.
– Precisamos falar com ela! — Ruby exigia.
– Por favor, dona Cora. — Belle apelou para a educação.
– Voces não vão chegar perto da minha filha! — Escutei mamãe sentenciar.
– VELHA BRUXA! — Ruby gritou assim que minha mãe entrou no quarto junto do Dr. Hopper e um outro médico.
– Garotinha desaforada. — Ela reclamou.
– Mamãe... — Chamei por minha mãe e ela se aproximou da cama.
– Minha filha, como se sente? — Nesse momento minha mãe fez algo que eu achava impossivel, ela passou a mão no meu rosto e secou minhas lágrimas.
– Eu me lembro, mamãe. Emma morreu, é minha culpa.
– Nada do que aconteceu foi sua culpa, Regina. — Dr. Hopper disse.
– Regina, eu sou o Dr. Whale. — O outro médico se apresentou. — Voce teve um colapso nervoso devido ao estresse emocional pelo qual passou, está internada a alguns dias. Mas seus sinais vitais são bons, e voce está pronta para ir para casa.
Suspirei aliviada, eu detestava ficar em hospitais. Dr. Whale pediu licença e me deixou sozinha com minha mãe e Dr. Hopper.
– Regina, sei que não teve a melhor reação ao ouvir sobre a outra opção de tratamento. Mas eu realmente peço que reconsidere, é a sua melhor chance. — Dr. Hopper disse tudo com o maior cuidado, como se temesse que eu osse surtar e enfiar uma tesoura na jugular.
– Por que eu fico vendo ela? — Perguntei em meio a soluços.
– Voce tem o que chamamos de Transtorno de Bipolaridade, e também desenvolveu EPT, que é a abreviação para Estresse Pós Traumático, devido ao acidente que voce e Emma estavam.
Desabei mais uma vez em lágrima. Estava me odiando por chorar na frente dos outros, mas por causa das circunstancia não pude evitar.
– Filha, por favor, aceite o tratamento.
– Quais são os efeitos colaterais? — Perguntei.
– Voce pode ter um pouco de dificuldade motora depois das sessões, e um pouco de perda de memória. — Aquilo despertou minha atenção.
– Perda de memória? Eu posso esquecer?
– Sim.
Pensei durante alguns minutos. Era isso o que eu queria, não era? Esquecer de Emma, esquecer da dor, esquecer de tudo. Eu poderia começar de novo.
– Eu aceito.
– Voce tomou a decisão certa, filha. — Cora beijou o topo da minha cabeça. — Eu vou procurar seu pai.
Os dois sairam do quarto me deixando sozinha. Um medo me apossou de mim, se eu ficasse sozinha era capaz de Emma aparecer. E eu não queria ve-la.
Felizmente isso não durou muito, já que Ruby e Belle invadiram o local.
– Não fale alto, entramos escondidas da bruaca da sua mãe. — Ruby disse e correu para me abraçar.
– Como voce está? — Belle se aproximou.
– Louca.- Respondi simplesmente.
– Voce não é louca, Regina.
– Ruby, eu vejo e sinto a minha namorada morta. Eu sou louca.
– Ver voce andando e falando como se Emma estivesse bem do seu lado nos ultimos seis meses, parece mesmo loucura. — Ruby se sentou na cama e segurou minha mão. — Mas é compreensivel devido a tudo que aconteceu.
– Emma morrer foi minha culpa.
– Regina, pare de dizer isso. — Belle me interrompeu. — Aquele dia no cemitério, não era o unico lugar em que nós iamos te levar.
– Como assim? — Questionei confusa.
– Voce precisa ver mais uma coisa.
– Meninas, por favor. Não sei se aguento mais surpresas.
– Essa voce precisa saber. — Ruby arrancou a seringa que estava na minha veia, e ela e Belle me ajudaram a levantar.
– Voces duas me arrastando para mais um lugar sem me dizer nada, por que isso soa como algo ruim? — Perguntei enquanto ficava de pé e me apoiava em Ruby.
– Corredor livre da bruxa. — Belle disse ao colocar a cabeça pra fora do quarto. — Quer dizer, sua mãe foi dar uma volta.
Ri de sua piada e com a ajuda delas caminhamos para ora do quarto.
– Aonde vamos é muito longe?
– Shiu, ique quieta antes que atraia atenção para a gente. — Ruby reclamou.
Andamos até o elevador, entramos e Belle pressionou o quinto andar. Esperei pacientemente enquanto tocava uma musiquinha lá dentro. A porta se abriu e Mary Swan apareceu do outro lado.
Congelei na hora, ela era a ultima pessoa que eu esperava encontrar aqui.
– Regina! — A mãe de Emma me puxou para um abraço. Ela sempre foi muito carinhosa comigo, e eu gostava muito de minha sogra. Ex-sogra agora que Emma estava morta.
– Mary, eu sinto muito. — A abracei de volta.
– Pelo o que, Regina? — Ela me perguntou quando nos separamos do abraço.
– Emma, o que aconteceu com ela foi minha culpa.
– Menina, voce não teve culpa de nada. — Mary segurou meu rosto. — Tem muito tempo que eu queria falar com voce, mas sua mãe sempre me impedia. Desculpe te tirar do seu quarto, mas esse foi o unico modo que encontrei de conseguir te mostrar isso.
– Me mostrar o que? — Mary olhou para minhas amigas, e vi Ruby confirmar com a cabeça.
– Venha, Regina. Voce não sabe de toda a verdade. — Toda a verdade, aquilo foi o que Emma me disse. Que verdade?
Deixei a mulher mais velha me guiar por vários corredores, não fiz perguntas. Se Mary tinha pedido para Ruby e Belle me tirarem da cama e me levarem até ela, devia ser algo importante.
Paramos em frente a porta de um quarto.
– Regina, quero que voce seja forte nesse momento. — Mary disse e abriu a porta do quarto, dando espaço para que eu entrasse primeiro.
Entrei no quarto e não acreditei no que vi, isso era algum tipo de pegadinha cruel? Onde estavam as cameras? Não se pode brincar com a perda de alguém assim.
Não estava preparada para o que vi, mas eu vi mesmo assim.
Emma estava ali.
Meu deus!
Emma estava mesmo ali.
Ligada a um monte de fios e maquinas, mas ela estava ali. Seus olhos estavam fechados, como se dormisse. Seu peito subia e descia lentamente.
– Voces também estão vendo isso? — Perguntei a elas meio insegura.
– Sim, Regina. — Mary confirmou e eu respirei aliviada a saber que não era fruto de minha imaginação. — Emma não morreu no acidente, embora ela esteja em coma desde então.
– Quando ela vai acordar? — Um silencio encheu o quarto, exceto pelo barulho do monitor que marcava a frequencia cardiaca de Emma.
Bip.
Bip.
Bip.
– Mary, quando ela vai acordar? — Voltei a perguntar, dessa vez de forma mais desesperada.
– Esse é o problema, Regina. Ela não vai. — Ruby me respondeu, escutei Mary fungar como se chorasse. — Os médicos dizem que o coma é irreversivel.
Me aproximei de Emma e toquei sua mão, aquele toque parecia muito mai real que os outros. Dessa vez é real.
Tentei absorver tudo o que estava acontecendo.
Eu e Emma sofremos um acidente.
Emma morreu.
Não, Emma não morreu.
Ela estava em coma.
Era irreversivel.
– Eu vi um tumulo, por que tem um tumulo para a Emma se ela está aqui? — Perguntei. Parecia uma pergunta inadequada para o momento, mas eu precisava entender tudo o que estava acontecendo.
– David, ele não suporta vir ao hospital e olhar para a sua garotinha desse jeito. — Mary disse em meio a lágrimas. — Acho que ele prefere pensar que ela está mesmo morta, do que nesse estado. Então ele colocou uma lápide no cemitério, só para ter um lugar para visitar.
Abracei Emma com força, não sei se aquilo era melhor ou pior do que ela estar morta. Senti o calor de seu corpo contra o meu, mas ela não me abraçou de volta. Continuou naquele estado inanimado, apenas respirando.
– O que estão fazendo com a minha filha? — A voz de Cora irrompeu no quarto.
– Estamos mostrando a ela a verdade, diferente de voce. Velha mal amada. — Ruby respondeu com raiva.
– Regina Mills, vamos embora imediatamente! — Cora se aproximou para me puxar, mas Mary entrou no seu caminho.
– Cora, por favor, sejamos razoaveis aqui.
– Saia de minha frente, vou tirar minha filha daqui. Nunca devia ter permitido que sua filha degenerada entrasse na vida de Regina, olha o que causou, deixou a minha menina louca. — Um sonoro tapa pode ser ouvido pelo quarto, Mary golpeou minha mãe depois de ouvir suas palavras.
– A única que está fazendo mal a Regina, é voce. — Mary disse.
Cora agarrou meu braço e me puxou para ora do quarto, me arrastando pelo hospital inteiro até chegarmos no carro.
– Entre. — Ela ordenou.
– Mãe, eu quero ficar com Emma. — Implorei.
– Voce nunca mais vai chegar perto daquela garota. — Mamãe abriu a porta do carro e me empurrou para dentro. — Ela está praticamente morta, isso não vai te fazer bem nenhum. Voce vai fazer o tratamento e esquecer toda essa palhaçada.
– EU NÃO VOU FAZER TRATAMENTO NENHUM. — Gritei para ela enquanto ela dava partida no carro e dirigia para fora do hospital.
– VOCE VAI SIM. — Cora gritou de volta. — Ainda é menor de idade, e vai fazer o que eu mandar. Eu sou a sua mãe, e sei o que é melhor.
Fale com o autor