Save My Soul

8 I Remember You


Save My Soul

CGates

Chapter#8

"Santana?". Uma voz rouca e grave ecoou no cômodo, silenciando o enfermeiro e até mesmo os ruídos dos aparelhos. A morena analisou a expressão chocada no rosto de Brittany e imaginou que seria apenas um espelho de como estaria a sua face no momento. Suas pernas vacilaram brevemente enquanto virava o corpo para encarar o homem alto e moreno de jaleco branco encostado no batente da porta com uma prancheta nas mãos.

"Sim?". Perguntou a morena ironicamente com a voz firme e autoritária procurando manter o mesmo nível de igualdade com o homem à sua frente. Seu coração estava batendo forte em seu peito e pressentiu que a qualquer momento iria acabar saindo de seu corpo. Quando chegou ao hospital, a possibilidade de encontrar seu pai pelos corredores fugira de sua cabeça; estava preocupada bastante com Brittany para lembrar-se que acabara de pisar em areia movediça. Agora, que estava encarando-o, sabia que ele seria o responsável por Brittany e procuraria manter a convivência o mais suportável possível. Ninguém no hospital precisava saber que a família Lopez não era mais a mesma.

"O que está fazendo aqui?". Perguntou o homem procurando manter uma distância razoável da morena e dos enfermeiros. Santana procurou a mão de Brittany sobre a maca e logo a apertou tentando demonstrar que não importaria o que seu pai dissesse sobre sua relação, ela não iria a lugar algum. A morena observou os olhos escuros à sua frente descerem até as mãos enlaçadas das garotas e sem perceber, o ar faltou em seus pulmões.

"Brittany foi violentada". Respondeu Santana engolindo em seco desviando os olhos para a loira ao seu lado. Brittany estava com os olhos fechados e supôs que o corte em seu queixo talvez seja o motivo da careta de dor. A morena sentiu seus órgãos serem amassados por uma força invisível e voltou à encarar o doutor. "Ela precisa de sua ajuda. Eu preciso de você"

Santana conseguiu observar a postura rígida de seu pai vacilar por meros segundos e chegou a pensar que talvez ele tivesse amadurecido o suficiente para conseguir separar os assuntos pessoais e profissionais. Seus olhos arregalaram-se quando o observou virar as costas e caminhar para fora do quarto. O desconforto que antes inundava o seu corpo fora substituído rapidamente por chamas. Rapidamente, a morena desvencilhou-se do aperto de mão com Brittany e caminhou apressada para fora do quarto, torcendo que causasse o menor escândalo possível; não queria ter platéia. "O que foi isso?". Perguntou a morena ríspidamente puxando furiosamente o braço de seu pai.

"O que você pensa que está fazendo?". Retrucou o homem arrancando o braço das mãos da morena e avançando em sua direção. Santana endireitou sua postura e o encarou, colocando as mãos na cintura antes que fizesse alguma besteira.

"O que eu penso que estou fazendo? Eu estou sendo a pessoa responsável que consegue esquecer o inferno da vida pessoal e preocupar-se com quem realmente precisa de ajuda". Respondeu a morena cortante. "Por que você não está fazendo a mesma coisa? Não é esse o seu trabalho?"

"Quem você pensa que é pra falar assim comigo?". O homem retrucou novamente socando a parede ao lado, ecoando um estalo por todo o corredor. Santana não conseguia sentir medo, por mais que seu cérebro lhe alertasse que a situação estava fugindo do controle e que não era nada seguro enfrentar o seu pai nervoso, a morena apenas alimentava sua força com a grosseria do homem. E foi assim que cometeu a estupidez de empurrar o tronco de seu pai, tentando afastá-lo de se aproximar.

"Eu sou àquela que uma vez você chamou de filha e que julgou ser irresponsável por ser gay". Respondeu a morena sentindo-o segurar o seu pulso e apertá-lo apenas com uma mão. "Mas vejo que você equivocou quando disse que sou irresponsável, porque até agora o único irresponsável aqui é você. Não está vendo como está sendo ridículo em não querer atender Brittany só por que ela é minha namorada?".

Para a sua surpresa, suas palavras surtiram efeito em seu pai que logo tratou de soltar seu pulso e afastar-se de seu corpo, como se estivesse levado um choque. Santana estava ofegante e todas as células de seu corpo vibravam intensamente. Os olhos de seu pai quebraram o contato visual quando encarou a mão que antes apertava o pulso moreno. Sentiu a confiança crescendo dentro de si e aproximou um passo astutamente. "Eu estou pedindo que você faça pelo menos uma vez na vida o que é certo. Não por mim, mas por Brittany. Ela é sua paciente e você é responsável por ela desde o momento que tocou em sua prancheta". Completou a morena gesticulando para o objeto na outra mão do doutor.

Um breve período de silêncio formou-se no corredor sendo que os únicos barulhos perceptíveis eram as respirações pesadas de ambos e os batimentos acelerados do coração da morena. Não recordava de ter visto seu pai perder o controle; geralmente era sua mãe que fazia escândalos enquanto seu pai conseguia ser discreto e repassar tudo o que queria apenas com um olhar cínico e ríspido. Santana sentiu suas pernas vacilarem quando o homem levantou o rosto e a encarou profundamente. Pela primeira vez, desde o começo da discussão, conseguiu ultrapassar a barreira invisível que seu pai havia construído e surpreendeu-se com o resultado encontrado, ele estava cansado e pelo visto não era do trabalho. Talvez ele estivesse cansado de tentar ser o que os outros, em particular sua esposa, queria que ele fosse.

Santana observou-o respirar fundo e reconstruir a postura rígida seguindo caminho de volta para o quarto em que Brittany se encontrava. O peso que sentia em seus ombros estava desfazendo-se aos poucos e sua respiração já estava normalizada. A morena passou pela porta logo atrás do médio e arregalou os olhos quando não encontrou Brittany deitada na cama. "Onde ela está?". Perguntou caminhando ameaçadoramente para perto do enfermeiro que havia discutido alguns minutos atrás.

"Uma enfermeira está limpando a tinta do corpo dela para que possamos analisar os ferimentos". Respondeu o rapaz assustado com a possível ação da morena, retrocedendo um passo, tentando afastar-se de Santana.

"Ferimentos? Ela só cortou o queixo". Perguntou Santana confusa. De acordo com a sua memória, o único ferimento que havia encontrado em Brittany havia sido o corte no queixo.

"Ela reclamou de dor no polegar e de acordo com o que vi, ele está deslocado". Respondeu o enfermeiro caminhando até o doutor parado ao lado de um balcão repleto de equipamentos lhe entregando outra prancheta com as suas anotações. O rapaz logo saiu do quarto deixando apenas Santana e seu pai.

Antes que o ar se tornasse mais pesado e desconfortável a porta que até então Santana não tinha notado a sua existência foi aberta, passando por ela Brittany apoiada no ombro de uma enfermeira. A loira estava vestindo um traje hospitalar provisório e aparentemente toda a tinta havia sido limpa de seu corpo. Santana avançou em sua direção e ajudou a enfermeira a colocá-la na cama cuidadosamente, arrancando um sorriso fraco de Brittany. "As roupas dela estão dobradas sobre a cadeira". Alertou a enfermeira virando-se para Santana e caminhando em direção ao doutor.

"Vai doer S?". Perguntou Brittany fracamente e com a voz melosa. Santana sentiu um nó formar-se em sua garganta e abriu um leve sorriso consolador levando uma das mãos à face da loira e a acariciando carinhosamente.

"Você não vai sentir nada". Respondeu Santana levando a mão aos cabelos loiros e afagando-os. A morena abaixou a cabeça e beijou a testa de Brittany vendo-a fechar os olhos e apreciar a aproximação.

"Eu estou com medo". Confessou Brittany abrindo os olhos e encarando os olhos escuros. Santana procurava manter a postura firme e responsável, mas estava difícil com a vulnerabilidade da loira. Toda vez que ouvia a sua voz fraca e encarava seus olhos vagos, sentia sua respiração falhar e seu corpo retesar.

"Eu estou aqui B. Não precisa se preocupar". Consolou Santana voltando a acariciar a face da loira e abrindo novamente um sorriso fraco. "Eu vou estar sempre aqui". Completou observando o sorriso na face da loira aumentar. Santana estava sentindo-se vazia por encontrar a loira naquela situação sabendo que a culpa era sua. Quando Brittany mais precisou de sua ajuda, a morena não estava por perto para defendê-la e resultou nessa catástrofe. Sentia-se impotente e não tinha certeza se conseguiria daqui pra frente encarar Brittany sem recordar-se do quão imprestável havia sido. Como se Brittany tivesse lido tudo o que passava em sua mente, a morena sentiu a mão da loira procurar a sua e logo seus dedos se entrelaçam.

"Senhorita Pierce, eu preciso da sua atenção por favor". Pediu a enfermeira educadamente atraindo à atenção de ambas as meninas. Santana sentiu a mão de Brittany apertar a sua fortemente quando a loira tomou consciência do que a enfermeira carregava em uma das mãos. "É para a senhorita não sentir dor". Explicou a enfermeira percebendo o desespero nos olhos arregalados da loira, descansando a seringa ao lado da cama.

Santana sentiu-se desmanchar quando a loira procurou os seus olhos em súplica. A morena assentiu e segurou sua face para que ela pelo menos não observasse a agulha entrando em sua pele. Santana sabia como Brittany tinha pavor de injeções, mas dessa vez não havia nada que pudesse ser feito; seu queixo ainda precisava receber os pontos e seu polegar precisava colocar a tala e enfaixar. Pelo pouco que entendia, sabia que antes de colocar os pontos, eles iriam procurar dentro do ferimento resquícios do objeto que a acertou e tinha certeza que Brittany não iria agüentar sem anestesia. "Fique olhando pra mim B". Pediu Santana sentindo o aperto da mão intensificar e olhos da loira marejarem conforme a enfermeira palpava a veia do antebraço.

Brittany mordeu o lábio inferior e fechou os olhos quando a agulha finalmente ultrapassou sua pele. Santana engoliu em seco e respirou fundo. As dores de Brittany estavam sendo sentidas três vezes piores na morena.

A enfermeira retirou a agulha da pele da loira e virou-se para a morena que possuía os olhos fixos na face de Brittany. "Eu preciso que você saía agora". Ditou a enfermeira descansando a seringa sobre a bandeja ao lado da cama.

Santana observou a loira abrir os olhos em choque. Ela desviou a sua atenção para a enfermeira e logo em seguida para seu pai que terminava de deixar a prancheta sobre o balcão e se virava para o trio. Não precisou dizer uma só palavra para que o homem pudesse compreender o que estava estancado no olhar de Santana. "Ela pode ficar". Afirmou o homem ainda encarando Santana. "Mas você terá que ficar no mínimo sentada na cadeira". Avisou apontando para a cadeira que possuía as peças de roupa de Brittany.

A morena assentiu silenciosamente e virou-se para Brittany novamente. Por mais que quisesse retrucar e ordenar que ficaria ao lado de Brittany segurando em sua mão durante todo o processo, sabia que o que seu pai estava fazendo era muito e ia contra o regulamento. A loira lhe abriu um sorriso e cerrou os olhos, mostrando que a anestesia estava começando a fazer efeito e antes que Brittany adormecesse, a morena aproximou-se mais uma vez e depositou outro beijo em sua testa.

Brittany acompanhou com o resto das forças que sobrara a morena sentar-se na cadeira e ajeitar suas roupas em sua mão. Suas pálpebras pesaram e sua mente estava desligando-se ao poucos junto com o seu corpo que parava de latejar conforme o cansaço o tomava. Antes de apagar por completo, tentou encontrar o olhar da morena mais uma vez, conseguindo capturar apenas resquícios das íris escuras.

• • •

O procedimento demorou mais do que esperara. Pelo visto o ferimento do queixo era o que estava causando mais problema. Conforme o explorava aparecia mais pedaços pequenos de madeira, concluindo que o objeto responsável pelo corte provavelmente era feito desse material. Precisou de sete pontos para garantir que não ficaria uma cicatriz bastante chamativa. Já o polegar direito, a loira havia realmente deslocado-o. Nada que precisasse de gesso, apenas uma tala e umas faixas por duas semanas já traria o resultado esperado. Nenhum outro hematoma fora encontrado, exceto pelas marcas roxas na clavícula e na barriga da loira que seu pai fez questão de ignorar, já conhecendo como foram causadas, arrancando um suspiro agradecido de Santana.

A morena esperou o seu pai e a enfermeira saírem do quarto para que pudesse sentar-se na cama ao lado de Brittany. Santana colocou a cabeça de Brittany sobre o seu abdômen e acariciou os seus cabelos loiros enquanto sussurrava palavras doces de consolo. A loira ainda estava adormecida da anestesia e conhecendo Brittany, não iria acordar tão cedo; sempre fora fraca para esse tipo de procedimento.

Santana não viu o tempo passar, estava tão entretida acariciando Brittany que o mundo à sua volta parecia não existir até a porta do quarto ranger e a tirar de seu íntimo.

Quinn foi a primeira que passou correndo em direção as duas, sendo seguida por Rachel, Mercedes e o resto do grupo do coral.

"Como ela está?". Perguntou Quinn tocando a face adormecida de Brittany e encarando Santana logo em seguida. A loira arregalou os olhos quando percebeu os pontos no queixo de Brittany e sua mão enfaixada.

"Ela vai ficar bem". Respondeu Santana mais para si mesmo do que para Quinn, desviando os olhos de Brittany e levantando-os até Quinn. Por um segundo, a morena ficou em dúvida na veracidade das palavras dita. É claro que Brittany não ficaria bem, não depois de ter sido violentada e humilhada publicamente e receber em trocar um queixo rasgado e um dedo deslocado. Santana engoliu seco e procurou desfazer da sensação de ardência em seus olhos.

"Você já ligou para os pais dela?". Perguntou Rachel aproximando-se do corpo de Brittany e encarando a face da loira que aparentava estar em um profundo e relaxante sono.

"Eles estão em um julgamento importante". Respondeu Santana assustando-se por ter conseguido responder uma pergunta de Berry sem utilizar um tom sarcástico ou irônico. Pelo visto, todo o grupo havia percebido e se assustado junto com ela.

"Mas você tem que avisá-los Santana". Disse Quinn franzindo o cenho e cruzando o braço no tórax, adquirido a postura rígida que tanto havia treinado durante os seus anos nas cheerios.

"Eu não vou atrapalhá-los com isso Q. Não está vendo que está difícil só de vê-la assim?". Retrucou Santana com a voz levemente rouca sentindo a ardência em seus olhos aumentarem. "Isso tudo é minha culpa Q. Como você quer que eu dê o recado?". Continuou a morena procurando esconder-se atrás da ironia.

"Não é sua culpa Santana". Disse Mercedes aproximando-se da morena e colocando uma mão em seu ombro a consolando.

"É claro que é minha culpa. Blanc fez isso porque sabe que o meu ponto fraco é Brittany". Retrucou Santana procurando manter a calma e a voz razoável. "Olha o que eu a fiz passar". Analisou a morena passando a mão de leve no rosto de Brittany e se sentindo sufocar por dentro.

"Pare com o drama Santana. O fato de Claire ser psicopata não é sua culpa". Destacou Kurt impaciente aproximando-se de Mercedes e encarnado a morena. "Não adianta ficar se martirizando por isso. Já passou".

"Já passou?". Perguntou Santana entre dentes. "Olhe o estado dela, Hummel. Você realmente acha que isso vai passar tão rápido assim?". Continuou a morena fechando o punho na tentativa de controlar-se. "Não é como se ela tivesse caído de bicicleta ou algo do tipo".

"Santana, você precisa se acalmar. Por que você não vem comigo até a lanchonete?". Sugeriu Mercedes encarando a morena sabendo que se insistissem naquele assunto outro aluno acabaria hospitalizado.

"Eu não vou deixá-la". Descartou a morena voltando a acariciar a face de Brittany que ainda descansava em seu abdômen. Santana sentiu um nó nas entranhas e todos ficaram apreensivos quando Brittany mexeu-se na cama colocando uma perna por cima das pernas de Santana.

"Você comeu alguma coisa S?". Perguntou Quinn olhando as horas no relógio e depois encarando a morena. "Já se passaram das duas horas".

"Não estou com fome". Respondeu secamente procurando manter-se perto de Brittany o máximo que conseguisse.

"Nós todos vamos ficar de olho nela". Pronunciou Finn pela primeira vez desencostando-se da parede e abrindo um sorriso amistoso. Todos no quarto assentiram e insistiram.

A morena desviou os olhos para Brittany novamente e analisou a sua face calma e relaxada. Estava precisando reerguer suas forças se caso quisesse manter-se por perto de Brittany pelo resto do dia, mas seria tão doloroso ter que se afastar por breves minutos, sendo que correria o risco da loira acordar em sua ausência e não agüentaria se isso acontecesse.

"Vamos Lopez. Se afaste da sua mulher. Ela não vai fugir daqui". Impacientou Mercedes tocando o seu ombro mais uma vez. A morena respirou fundo e levantoua os olhos para Quinn. Já que teria que se retirar, confiaria Brittany à única pessoa que de fato tinha consciência que cuidaria tão bem de Brittany quanto ela. Não precisou dizer nada para que Quinn assentisse e desse a volta na cama para ocupar o seu lugar.

Antes de levantar-se, Santana ajeitou-se contra o corpo de Brittany e levantou sua face, depositando um beijo demorado em sua testa e acariciando seu rosto mais uma vez. Quinn logo ocupou a sua posição quando a morena seguiu Mercedes para fora do quarto sem antes olhar para Brittany mais uma vez.

"Você realmente a ama não é?". Perguntou Mercedes levando um pedaço de bolo à boca enquanto encarava a morena.

"Mais do que tudo". Respondeu a morena antes de morder mais uma vez o seu sanduíche natural. Não se sentia bem por falar de seus sentimentos para qualquer um, mas estava tão debilitada com tudo que estava acontecendo que simplesmente desligou-se. "Chega a ser assustador".

"Então pare de se culpar pelo o que aconteceu. Você não tem culpa de Claire sentir-se atraída por você e ser uma péssima perdedora". Explicou Mercedes encarando a morena fielmente. "Você agora precisa ficar próxima de Brittany e mostrar para Claire que não importa o que ela faça, vocês sempre ficarão junta".

"Mas é claro que importa o que ela faça. Eu estou destruída Jones, eu não sei como eu vou encará-la ao acordar. Eu nunca me senti tão inútil em minha vida". Confessou a morena sentindo a ardência nos olhos voltar. "Talvez Brittany estivesse mais segura se eu não estivesse por perto".

"Eu vou fingir que não ouvi o que você acabou de dizer Lopez, porque você mais do que ninguém sabe como Brittany ficaria se a ouvisse falar disso". Disse Mercedes franzindo o cenho. Santana havia realmente pensado nessa hipótese. Talvez Brittany estivesse mais segura sem sua companhia, afinal, não é possível adivinhar o que Claire continuará tentando para separá-las. Não podia arriscar a saúde de Brittany mais uma vez. Mas, sabia que era fraca e que àquela hipótese era mais destrutiva do que qualquer outra coisa que já estivesse pensado. Não conseguia imaginar o seu futuro sem a loira pelo simples fato de ele ser Brittany.

"Você não sabe o que se passa na cabeça de Claire, Jones". Resmungou Santana terminando o seu lanche e massageando as têmporas com as pontas dos dedos.

"E nem você sabe. Mais um motivo para você afastar essa estúpida idéia da cabeça". Retrucou Mercedes alterando a voz e colocando os braços sobre a mesa. "Escute aqui Lopez, é bom você afastar isso dos seus planos. Brittany precisa de você".

"Eu nunca vou me perdoar se alguma coisa mais séria acontecer com ela". Confessou Santana sentindo as primeiras lágrimas descerem pela face e queimarem a sua pele. Desde o ocorrido de manhã, era a primeira vez que se permitia derramar as lágrimas que estavam presas. A morena sentiu um toque em seu braço e percebeu que Mercedes pedia a sua atenção.

"É por isso que vocês duas sempre terão o clube do coral para o que der e vier. Nós nos comprometemos com a segurança de ambas, porque somos uma família e uma família sempre se mantém unida, nós momento mais fáceis e difíceis". Assegurou Mercedes colocando a mão por cima do braço da morena.

"Eu já abdiquei de tanta coisa por ela que eu não consigo nem imaginar a minha vida sem Brittany". Declarou a morena sentindo as lágrimas descerem mais rápidas em sua face sem encontrar forças para detê-las. Sentia que tudo o que estava preso em sua garganta estava sendo liberado aos poucos. "Eu a amo tanto que nem imaginava ser possível".

"Me prometa que você não irá deixá-la". Pediu Mercedes.

"Eu se quer tenho forças para isso". Conclui Santana deixando um soluço baixo escapar de seus lábios conforme sentia o ar começar a faltar.

"Ótimo então. Agora vamos. Limpe o seu rosto no banheiro e vou te levar de volta pra sua mulher". Brincou Mercedes tentando aliviar o clima pesado formado arrancando um pequeno sorriso dos lábios da morena que tentava secar as lágrimas e tomar mais um gole do suco que havia comprado. Mercedes retirou o celular do bolso e o levou ao ouvido, dizendo poucas palavras antes de desligá-lo e virar-se para a morena novamente. "Precisamos ir logo antes que minha mãe apareça aqui e me arraste para casa". Alertou arrancando mais um sorriso fraco da morena.

"Se você não se importa, eu gostaria de falar com a Santana". Disse uma voz grave atrás da morena, fazendo-a virar o pescoço rápido demais e deparando-se com seu pai a encarando. A morena revirou os olhos e voltou a encarar Mercedes à sua frente.

"Certo então. Mais tarde eu ligo para saber notícias da Brittany". Despediu Mercedes acenando e caminhando apressada pelo corredor.

Santana procurou manter-se firme novamente e limpou agressivamente os resquícios de lágrimas de sua face sabendo que seria denunciada pelos olhos vermelhos. A última coisa que precisava era mostrar-se vulnerável ao seu pai. A morena deu mais um gole no seu suco procurando acalmar-se e limpar sua voz enquanto observava o homem arrastar a cadeira à frente e sentar-se.

"Como ela está?". Perguntou o homem à frente colocando os braços sobre a mesa e encarando a morena.

"Você que é o médico aqui, não eu". Respondeu Santana amargamente deixando o sarcasmo dominar as suas palavras. A morena o observava remexer incomodado à sua frente e torceu para que ele se levantasse e fosse embora.

"Será que tem como nós termos uma conversa civilizada?". Perguntou com a voz levemente irritada.

"Eu não sei. Sua esposa e sua religião deixam você conversar civilizadamente com um homossexual?". Perguntou a morena retoricamente deixando-o perceber o quanto àquelas palavras estavam carregadas de desprezo.

"Pelo amor de Deus Santana, deixe de ser igual a sua mãe". Exaltou o homem batendo as mãos na mesa atraindo os olhares das pessoas ao redor e um sorriso irônico da morena à sua frente.

"Pelo visto você não me conhece mesmo". Concluiu Santana cruzando os braços no tórax ainda com o sorriso irônico nos lábios. "O que você quer?". Perguntou a morena indo direto ao ponto procurando acabar com àquela conversa desnecessária o mais rápido possível.

"Eu quero saber como você está". Respondeu levando a mão ao cabelo curto e ajeitando-o.

"Estou sobrevivendo".

"Está precisando de alguma coisa?".

"Por que essa preocupação afinal? Pelo o que eu me lembro, você não estava tão preocupado quando me expulsou de casa". Perguntou Santana impacientemente descruzando os braços mais uma vez e jogando-os sobre a mesa mantendo o olhar cortante com o homem à sua frente.

Santana o observou engolir seco e desviar os olhos para outro ponto dentro do refeitório. A morena respirou fundo alto o suficiente para atrair a sua atenção novamente. O homem levou a mão ao bolso interno do casaco e retirou a sua carteira e um talão de cheque de dentro dela. Santana arqueou a sobrancelha quando o observava assinar três cheques e colocá-los na frente da morena antes de levantar-se. "Caso precise".

"Então é isso?". Perguntou a morena arrastando a cadeira e levantando-se ao mesmo tempo que ele atraindo mais olhares em sua direção. "Você me expulsa de casa, se recusa a atender minha namorada, age como se nada tivesse acontecido e agora me dá dinheiro? Você acha que eu preciso desse lixo? Eu não preciso da sua caridade". Exclamou a morena sentindo o sangue ferver em suas veias e sem pensar, Santana pegou os três cheques sobre a mesa e os rasgou, jogando-os sobre a mesa novamente.

A morena o encarou mais uma vez antes de virar-se e caminhou de volta para o quarto. Precisou parar no banheiro e lavar o rosto várias vezes se não quisesse assustar os alunos no quarto. Respirou fundo mais uma vez e voltou para o corredor. Por um lado, estava sentindo-se um pouco mais leve por ter conversado com Mercedes, surpreendendo-se, porque nunca foram amigas para soltar tantas coisas como havia soltado. É claro que isso não significava que havia amolecido. Pelo contrário, precisava reforçar a barreira invisível para que isso nunca mais acontecesse, afinal, ainda era a Santana Lopez que todos conheciam.

Tentou se acalmar mais uma vez antes de finalmente empurrar a porta do quarto. Respirou fundo mais uma vez, inalando todo o ar que conseguia adquirindo força suficiente para finalmente girar a maçaneta e abrir a porta. Não se surpreendeu por nada ter mudado. Todos, exceto Mercedes, continuavam no quarto e Quinn estava acariciando os cabelos de Brittany que repousava a cabeça em seu abdômen como estava com Santana há pouco tempo atrás. Todos lhe encararam e abriram um leve sorriso. Kurt discava alguma coisa no celular ao contrário de Puck, Finn e Sam que discutiam futebol enquanto Tina, Mike e Artie conversavam sobre as músicas que estavam sendo mais tocadas ultimamente e Rachel encarava a paisagem da janela do outro lado da cama de Brittany. Quinn assentiu quando a morena aproximou-se para retomar o seu lugar. "Nada?". Perguntou Santana acomodando-se ao lado da loira e passando um braço em seu ombro protetoramente.

Quinn negou e puxou a cadeira mais próxima para sentar-se ao lado das duas. "Eu acho que ela sabia que você não estava por perto". Confessou Quinn arrancando um olhar surpresa de Santana e uma sobrancelha arqueada. "Ela estava ofegante até você deitar ao lado dela". Explicou Quinn gesticulando para a loira e abrindo um sorriso sincero.

Santana sentiu o seu coração explodir e não conseguiu conter um sorriso tímido ao apreciar as feições delicadas de Brittany. "Pessoas, eu preciso ir agora. É a terceira mensagem que Blaine me manda perguntando por que não atendo a campanhinha". Anunciou Kurt guardando o celular no bolso do casaco. "Me avise se você precisar de alguma coisa Santana". Disse Kurt aproximando e passando a mão na face de Brittany virando-se para a morena e abrindo um pequeno sorriso, fazendo-a assentir com um balançar de cabeça.

"Eu vou aproveitar e pegar uma carona com o Finn e Kurt já que eu vim com o seu carro". Alertou Puck encarando Santana e acenando para seguir os outros dois.

Logo, os alunos foram partindo aos poucos, sobrando apenas Quinn que insistia ficar para ajudar a morena a carregar Brittany para o carro. Santana agradeceu mentalmente quando Quinn alertou que precisava comer alguma coisa e retirou-se do quarto até a lanchonete deixando-a sozinha com Brittany mais uma vez. Brittany já havia movimento o corpo várias vezes e na última vez a loira havia jogado o braço ao redor do corpo de Santana a puxando para mais perto. A morena sentiu a loira se mover mais uma vez e abaixou a cabeça para visualizá-la, surpreendendo-se quando Brittany tentava abrir os olhos lentamente devido à claridade do local. Já se passavam das cinco da tarde e estava começando a escurecer, por isso as duas lâmpadas do quarto estavam acessas. "S?". Perguntou Brittany voltando a fechar os olhos.

"Estou aqui B". Respondeu a morena acariciando a face da loira, sentindo-a roçar o nariz contra o seu abdômen. Santana arqueou uma sobrancelha e abriu um pequeno sorriso. "O que foi B?"

"Eu senti o seu cheiro". Respondeu a loira docemente abrindo os olhos novamente e levantando a cabeça para encarar a morena. Arrependeu-se do movimento quando sentiu uma ardência na base do seu rosto e precisou conter um gemido de dor. A loira tentou levar a mão enfaixada até o queixo, mas Santana a repreendeu.

"Você não pode tocar B". Disse a morena afastando delicadamente a mão de Brittany. A loira cerrou os olhos e bocejou. "Ainda com sono?". Brincou Santana franzindo o cenho e soltando um riso.

"Eu não dormi direito". Respondeu a loira mordendo o lábio inferior contendo um sorriso e arrancando mais um riso de Santana. A sensação da anestesia em sua corrente sanguínea ainda estava presente, mas não queria adormecer novamente. Tudo o que queria era ir para casa. "Me leva embora?". Pediu a loira melosamente fazendo uma careta.

"Está conseguindo ficar em pé?". Perguntou Santana cautelosamente.

"Acho que sim". Respondeu Brittany passando os olhos pelo cômodo certificando-se de que não estava tonta nem com a visão embaçada. Santana assentiu e começou a afastar-se do corpo de Brittany até ser surpreendida pela mão saudável de Brittany segurar seu pulso. "Eu posso pedir uma coisa antes?". Perguntou Brittany abrindo um sorriso misterioso para a morena. Santana arqueou uma sobrancelha e assentiu. A loira mordeu o lábio inferior gesticulando para a morena se aproximar, sorrindo quando observa a mesma sorrir. Santana colocou uma mão em sua face e toca seus lábios gentilmente. Brittany correspondeu procurando por mais contato, mas temeu que seus movimentos pudessem causar dor. A loira abriu os lábios e logo sentiu a língua de Santana avançar apressadamente, como se estivesse esperando por aquilo o dia todo e agora a sugava famintamente, arrancando um gemido rouco da loira.

Santana sentiu a mão da loira puxar sua nuca intensificando ainda mais o beijo, sem se importar se isso estava causando-lhe ou não dor. A morena mudou o ângulo, encaixando ainda mais os seus lábios e fazendo as línguas entrelaçarem-se fielmente, deixando escapar sem querer, um gemido rouco que faz todo o seu corpo tremer. "Eu realmente não preciso ouvir isso". Disse Quinn fechando a porta do quarto fazendo as duas separarem ofegantes. Santana selou os lábios brevemente antes de afastar-se e caminhar até a cadeira. Brittany sentiu sua face queimar e olhou para Quinn caminhando em sua direção com um sorriso nos lábios. "Santana já está abusando de você?".

"Foi ela que pediu". Respondeu Santana por Brittany enquanto pegava suas roupas na cadeira e as desdobrava. Não tinha condições da loira usar isso novamente, estava tudo coberto de tinta e terra e Brittany havia tomado banho e desinfetado o ferimento.

"Como você está se sentindo B?". Perguntou Quinn ajudando Brittany a sentar-se na cama.

"Ainda estou com sono". Respondeu a loira arrancando um riso de Quinn. "O que foi S?". Perguntou Brittany após observar a cara da morena enquanto dobrava as suas roupas novamente e colocava-as sobre a cadeira.

"Suas roupas estão sujas B. Não tem como você vestir aquilo novamente". Respondeu a morena cruzando os braços e voltando-se para perto das duas loiras. "Eu vou pegar novas roupas e volto".

"Não precisa S. Rachel tinha uma peça de roupa extra no armário e trouxe para B vestir". Respondeu Quinn vacilando ao falar o nome de Rachel enquanto apontava para a mochila de Brittany que descansava próxima à cadeira.

"B não vai vestir isso". Retrucou Santana amargamente franzindo o cenho. "Deve estar cheio de piolhos e outras coisas da Berry. Não vou arriscar. Além do mais, nem deve servir". Concluiu acentuando o sarcasmo em sua voz fazendo Brittany e Quinn revirarem os olhos e suspirarem.

"Passa aqui Q". Pediu Brittany esticando o braço para recolher as peças de roupa que Quinn acabara de tirar da bolsa. Santana arregalou os olhos e tentou tomar das mãos de Brittany, falhando miseravelmente. "Deixa de bobeira S. Você quer que eu vá sem roupa então?". Perguntou a loira calando a morena e fazendo-a contorcer o rosto em uma careta.

"Eu não vou te ajudar a vestir então". Tentou Santana chantagear Brittany enquanto a loira colocava os pés para fora da cama e procurava pelo ombro de Quinn para equilibrar-se.

"Q me ajuda". Retrucou Brittany fazendo Santana e Quinn assustarem-se com a forma maliciosa que as palavras saíram de seus lábios. Quinn sorriu e segurou na cintura da outra loira procurando aumentar o apoio. Santana sentiu um incomodo conhecido quando observou Brittany aproveitar da ajuda de Quinn. A morena nunca admitiu para a loira, mas sentia ciúmes dos carinhos e preocupações de Quinn com Brittany mesmo sabendo que não havia maldade em suas ações e que ela estava agindo apenas como uma boa amiga. Mas não podia conter os seus ciúmes, afinal, sentia ciúmes de qualquer um que se aproxime de Brittany e procurava ser o mais discreta possível, sem sucesso é claro. Sua cabeça estalou quando analisou Brittany mais uma vez e lembrou-se que outra pessoa havia visto-a nua, mesmo quase todos os alunos do colégio já terem passado por essa experiência, agora era diferente, estavam juntas. Precisou morder a parte interna de sua bochecha para controlar-se.

"B, eu preciso chegar em casa inteira. Pare de provocar a S". Resmungou Quinn quando percebeu as faíscas nos olhos da morena. Brittany sorriu e esticou os braços para Santana que a principio recusou, virando-se de costa. "S, se você não parar com isso agora eu juro que me aproveito dela". Provocou Quinn arrancando um riso de Brittany e um resmungo alto de Santana que logo se virou e descruzou os braços do tórax para aceitar Brittany em seus braços. A loira deixou um beijo em seu pescoço antes de afastar-se e pedir para Quinn desamarrar a vestimenta em suas costas.

Santana pegou a blusa de Rachel e a estendeu. Como temia, era mais um de seus suéteres com um desenho de um urso na frente. A morena suspirou e entregou a peça para Brittany enquanto Quinn ainda tentava desamarrar os laços. "É pra hoje Fabray?". Perguntou Santana impaciente olhando por cima do ombro de Brittany.

"Quem foi que amarrou isso? Parece um espartilho de tantos nós que tem". Respondeu Quinn irritada. Santana revirou os olhos e olhou as outras peças de roupa que Rachel havia deixado. A morena quase desmaiou quando viu a saia pregada entre um casaco fino rosa. Brittany não usaria uma daquelas, seria um crime ao seu guarda-roupa. "Finalmente". Resmungou Quinn atraindo a atenção de Santana novamente.

"Fecha os olhos Fabray". Ordenou Santana quando analisou o corpo da loira à sua frente e notou que estava apenas de calcinha. Quinn virou-se e começou a dobrar a vestimenta do hospital sobre a cama, soltando um riso que foi acompanhado por Brittany. A morena precisou ser forte para resistir ao olhar provocador de Brittany e ao seu corpo que tornava tudo tentadoramente convidativo. Santana aproximou-se de Brittany e passou o suéter cuidadosamente por sua cabeça, assegurando-se que não encostaria em seu queixo. A parte mais difícil foi descê-lo pelo corpo de Brittany ignorando a pele quente que roçava em seus dedos.

Brittany apoiou-se no ombro de Quinn enquanto levantava cada uma das pernas para que Santana pudesse subir a saia por suas pernas bem torneadas. Como a morena havia previsto, a saia ficara curta e a blusa um pouco justa, fazendo os contornos de Brittany ficarem mais detalhados, o que realmente incomodou Santana. Ainda teriam que passar pela recepção do hospital e não queria atrair olhares. Por sorte, Quinn emprestou o casaco que usava para Brittany amarrá-lo em sua cintura.

As três caminharam pelo corredor, com Brittany no meio é claro, caso sentisse alguma coisa e precisasse de apoio. Santana deu a chave do carro para Quinn enquanto parava na recepção do hospital. "Paciente Brittany Susan Pierce". Disse Santana retirando a carteira da bolsa que por sorte Quinn havia pegado na escola antes de vir ao hospital, caso contrário não teria como pagar a hospitalização de Brittany.

"Já está tudo acertado. Aqui está a receita e as recomendações do doutor". Sorriu a atendente idosa para a morena entregando uma pasta fina. Santana arqueou uma sobrancelha confusa aceitando a pasta.

"Mas eu não paguei nada". Confessou Santana guardando a pasta e a carteira na bolsa enquanto ainda encarava confusa a atendente.

"Aqui está dizendo que o Dr. Lopez cobriu os custos". Respondeu a mulher ajeitando o óculos e passando os olhos pelo caderno de anotações com um sorriso que Santana imaginou ser ensaiado. A morena engoliu seco e sentiu um nó nas entranhas. Sua mente explodiu em questionamento. Por que ele insiste nisso? Será que não percebeu que fazendo isso irá apenas aumentar a distância? Merda! Eu não sou mais uma criança, eu não preciso que cuidem de mim. Brittany é minha responsabilidade. Quem ele pensa que é? "Senhorita? Está tudo bem?". Perguntou a atendente pela terceira vez tentando chamar a atenção de Santana que possuía o rosto contraído em uma careta intrigante.

Santana assentiu com um balançar de cabeça e saiu do hospital, caminhando em direção ao estacionamento. Quinn estava sentada no banco de trás falando ao celular enquanto Brittany escolhia as músicas no cartão de memória. A morena abriu a porta do carro e se manteve em silêncio, atraindo um olhar curioso de Brittany. "Está tudo bem?". Perguntou a loira acariciando sua coxa. Santana a olhou e abriu um sorriso assentindo e passando sua bolsa logo em seguida.

"Você tem que comprar um carro pra você Fabray. Eu não sou sua motorista". Provocou Santana ligando o carro e olhando no retrovisor interno para Quinn. A loira revirou os olhos e desligou o celular, guardando-o na bolsa logo em seguida.

"Você conseguiria ficar longe de mim?". Retrucou Quinn sarcasticamente arrancando risos de Brittany que já estava acostumada com as diferentes trocas de carinhos entre as duas amigas, mesmo sendo um pouco rude.

Brittany encostou a cabeça na janela e fechou os olhos. Ainda estava sentindo o seu corpo pesado devido à anestesia e para piorar, seu polegar começara a latejar irritantemente. A música baixa ao fundo não estava ajudando em nada para o controle de seu corpo. Estava cada vez mais sem forças para abrir os olhos e talvez se apenas ficasse imóvel por alguns minutos a dor passaria. Sentiu que estava quase pegando no sono quando sentiu um toque quente em sua nuca fazendo-a abrir os olhos rapidamente e virar o rosto. Santana a observava com uma expressão curiosa e dolorosa, talvez estivesse tentando adivinhar o que estava se passando em sua cabeça. A loira esfregou os olhos com a mão intacta, percebendo que Quinn não estava mais no carro e que já estavam estacionados em frente à sua casa. "Já chegamos?".

Santana abriu um sorriso nos lábios e subiu a mão até a face da loira acariciando-a e afastando algumas mechas loiras em sua face. "Você dormiu durante o percurso. Aposto que você não viu que paramos na farmácia para comprar os remédios". Respondeu a morena apontando para a sacola que repousava sobre as coxas da loira. "Está sentindo alguma coisa?"

Brittany levou a mão aos lábios e bocejou, sentindo as pálpebras pesarem novamente. "Eu estou com sono ainda". Respondeu Brittany arrancando um riso suave de Santana fazendo-a parar e analisar o quão belo era o som da risada da morena e sua face enquanto sorria. Não recordava de ter visto Santana sorrir com tanta sinceridade; é claro que a morena sempre era sincera contigo, nos sorrisos, nas palavras, mas dessa vez era como se quisesse demonstrar mais de si.

"B?". Chamou Santana arqueando uma sobrancelha enquanto observava Brittany lhe encarar séria em silêncio. A morena passou a mão na face da loira pela segunda vez e finalmente a despertou de seu transe. "Vamos?". Perguntou Santana gesticulando para a casa à frente.

Brittany assentiu e Santana saiu do carro e o contornou parando de frente à porta da loira a ajudando a descer. A loira precisou apoiar-se nos ombros de Santana quando sentiu sua cabeça rodar ao dar o primeiro passo para fora do carro. "Está tudo girando S". Alertou a loira sentindo a morena apertar sua cintura conforme caminhavam para a porta principal.

"É a anestesia B. Já estamos chegando". Explicou Santana encaixando a chave na fechadura e girando-a. Caminhou até o sofá e sentou-se com Brittany ao seu lado. "Eu preciso ver o que você tem que tomar agora B. Não dorme". Pediu a morena pegando a pasta nas mãos e lendo a receita que seu pai havia escrito.

"Eu só vou fechar os olhos um pouquinho S". Disse Brittany encostando a cabeça no ombro da morena e acomodando-se mais no sofá.

"Espera B. Você tem que tomar dois comprimidos agora e depois você pode dormir". Retrucou Santana colocando a receita sobre a mesa de centro e pegando a sacola para entregar os comprimidos à Brittany. A morena estava tão distraída enquanto procurava as caixas que não percebeu quando os pais de Brittany passaram pela porta da sala e assustaram-se com a imagem de Brittany no sofá.

"Oh meu Deus! O que aconteceu aqui?". Perguntou a mãe de Brittany deixando a pasta cair no chão correndo até sua filha e agachando em sua frente. Brittany pareceu despertar com o susto e reposicionou-se no sofá enquanto sua mãe arregalava os olhos observando a mão enfaixada da filha e os pontos em seu queixo.

A loira desviou o seu olhar para Santana que estava estática ao seu lado e com o olhar perdido no seu. A morena ainda não havia decidido como contaria aos pais de Brittany o que realmente aconteceu. Sabia que se contasse a verdade, eles a proibiriam de namorar Brittany por ter prejudicado a sua saúde, mas não havia ainda pensado em uma história plausível. Santana engoliu seco e conseguiu observar nos olhos da loira que estava tão indecisa quanto ela e antes que começasse a falar, Brittany adiantou-se. "Eu caí na escola mãe. Santana e Quinn me levaram ao hospital e aconteceu isso". Respondeu a loira rápido demais apontando para a mão enfaixada e para o queixo.

"O que? Mas como isso aconteceu querida?". Perguntou o pai da loira aproximando-se e passando a mão pelos cabelos loiros da filha. "Por que você não nos avisou Santana?". Indagou o homem virando-se para a morena.

Santana engoliu em seco e soltou o ar fracamente pelo nariz. "Eu lembrei que vocês estavam naquele julgamento importante e não quis atrapalhar". Respondeu a morena encolhendo os ombros.

"Santana não fez por mau pai e eu insisti para ela não ligar". Apressou Brittany antes que seu pai tentasse contornar a situação. O homem voltou seu olhar para sua filha e contraiu-se dolorosamente.

"Minha filha, você precisa tomar mais cuidado". Choramingou a mãe da loira acariciando a pele lisa da face de Brittany. "Você está sentindo dor? Há alguma coisa que eu possa fazer pra você?".

"Na verdade, ela precisa tomar esses dois comprimidos agora". Interveio Santana retirando dois comprimidos de uma das caixas de remédio entregando-os à mulher ao seu lado no sofá.

"Certo. Querido pegue um copo de água para Britt enquanto eu subo com ela para ajudá-la no banho". Ordenou a mulher levantando-se e tocando na mão saudável de Brittany. A loira assentiu e levantou-se sem ajuda, sem antes trocar olhares com a morena sentada ao seu lado. Sabia que toda àquela pressão estava sendo difícil para Santana e precisava conversar sobre o que ocorreu, mas sentia que se não deixasse sua mãe cuidar um pouco de ti, poderia levantar suspeitas. Brittany piscou e soltou um sorriso na direção de Santana que logo tratou de retribuir 9enquanto sentia sua mãe arrastando-a pela escada.

A morena voltou à sua posição anterior quando Brittany sumia nas escadas junto com sua mãe. Santana apoiou os cotovelos sobre sua coxa e logo em seguida sustentou a sua cabeça com a palma das mãos. Um longo e doloroso suspiro escapou de seus lábios junto com uma lágrima quente que escorreeu por sua face. Sua cabeça estava uma verdadeira confusão. Blanc havia ido longe demais e não se controlaria quando encontrasse com ela no dia seguinte. Um nó formou-se em suas entranhas junto com uma falta de ar quando percebeu como o próximo dia seria exaustivo. Teria que competir com os olhares e os cochichos durante todo o período de aula. Não estava certa da reação de Brittany diante de tudo e temia que a loira ficasse com algum trauma ou algo do tipo. Ser forte por nós duas é realmente uma merda, retrucou a morena em pensamentos.

Um toque pesado em seu ombro despertou-a dos seus devaneios. Santana ergueu o rosto e deparou-se com o pai de Brittany sorrindo e lhe oferecendo uma xícara fumegante. A morena aceitou e abriu um fraco sorriso em agradecimento. "O que está te incomodando Santana?". Perguntou o homem loiro sentando-se ao seu lado no sofá fazendo seu estômago contorcer em náuseas. O pai de Brittany havia pegado-a desprevenida e todos os acontecimentos do dia haviam levado o seu corpo e mente ao extremo, tornando-a incapaz de pensar em uma desculpa plausível. "Muitos pensamentos". Respondeu sincera levando à xícara aos lábios e deliciando-se com chocolate quente.

"Esses seus pensamentos tem relação com a minha Brittany?". Perguntou o homem tocando mais uma vez em sua ferida fazendo-a arregalar os olhos enquanto encarava a xícara em suas mãos. Era como se ele estivesse em sua cabeça e quisesse brincar com as desgraças de sua vida.

"Não todos". Respondeu honestamente mais uma vez. Não precisava de fato falar tudo o que estava passando em sua cabeça. Se pelo menos respondesse com meias palavras o pai de Brittany poderia compreender as lacunas vazias e cessar o assunto. A morena torceu para que ele não perguntasse sobre o acidente, já fora difícil o suficiente para ouvir Brittany mentir e não tinha certeza se daria continuidade à história da loira.

"Você se arrependeu de ter oficializado o relacionamento de vocês duas?". Indagou o homem mais uma vez. Santana lhe encarou pela primeira vez e arqueou as sobrancelhas. Essa era uma das coisas na qual jamais se arrependeria. Ter oficializado o seu namoro com Brittany havia tornado as coisas muito mais fáceis e finalmente estava tendo êxito em um das suas promessas: fazer Brittany feliz. Sabia que era importante para a loira e desde então, procurou demonstrar profundamente o quanto se tornava importante para ti também.

"Eu nunca vou me arrepender disso". Respondeu Santana sentindo um nó formar-se na garganta. Querendo ou não, ter oficializado o namoro trouxera alguns malefícios como o fato de Brittany ter se hospitalizado. Seus olhos arderam quando a carga de culpa tomou o seu corpo mais uma vez e precisou ser forte para não demonstrar para o homem em sua frente. "Eu amo a sua filha Sr. Pierce e jamais faria alguma coisa que pudesse machucá-la". Confessou Santana observando a face do homem contrair-se em uma expressão mais amena.

"Fico aliviado em saber disso, querida. Eu sei que Britt realmente gosta de você e a felicidade dela é de extrema importância para mim. Compreendo que deve ser difícil ser homossexual, ainda mais nessa idade, mas vocês duas possuem o nosso apoio para o que der e vier". Assegurou o pai de Brittany colocando uma mão no ombro na morena e acariciando. "Eu estou confiando a felicidade de minha filha em suas mãos Santana. Promete que não irei me arrepender?".

Santana sentiu o nó em sua garganta apertar e seu estômago embrulhar ainda mais. É claro que moveria o mundo pela felicidade de Brittany, mas não estaria agindo corretamente se selasse as palavras do homem em sua frente sendo que seus pensamentos estavam em conflitos. Durante toda a tarde, a conversa que tivera com Mercedes ecoava em sua cabeça e estava realmente cogitando a idéia de afastar de Brittany para seu próprio bem. Sabia que Claire não iria parar tão cedo e não conseguiria se perdoar se algo pior acontecesse com Brittany. Mas, se caso terminasse com Brittany, sabia que a loira sofreria por isso e a promessa estaria quebrada. "Prometo".

"Certo então. Por que você não sobe querida e veja se elas estão precisando de ajuda?". Sugeriu o homem suavemente descansando as costas no sofá e cruzando as pernas enquanto alcançava o controle da televisão.

Santana assentiu e caminhou para a cozinha para poder lavar sua xícara antes de subir. Sua cabeça latejava com as reprovações de seus pensamentos. Não deveria ter concordado com uma coisa que tinha dúvidas sobre cumprir. Havia agido errado e agora não tinha como reverter a situação. Talvez pudesse servir de apoio e reforço para ignorar os pensamentos de se afastar de Brittany, porque mesmo sendo doloroso pensar nisso, sabia mais do que ninguém que não era tão forte para essa decisão.

Subiu o corredor em silêncio estranhando não ouvir o barulho do chuveiro de Brittany ligado. Colocou a mão na maçaneta e a girou lentamente com receio de encontrar a loira enrolada na toalha ou trocando-se. Nunca fora boa em esconder seus desejos e seria bastante constrangedor demonstrá-los na frente de sua sogra. Estranhamente, o quarto estava vazio e da mesma forma que deixaram pela manhã. A morena caminhou até a porta do banheiro e o encontrou vazio. Concluiu que a mãe de Brittany havia sugerido a banheira de sua suíte para a loira sentir-se mais à vontade. Aproveitou a oportunidade e retirou as peças de roupa, preparando-se para um banho.

A água quente batia em sua pele morena e a perfurava como alfinetes. Sentiu as lágrimas formarem-se em seus olhos e não as impediu de caírem. Estava sufocando-se com toda a pressão que havia sido jogada em seus ombros e simplesmente não sabia o que faria daqui pra frente. O futuro nunca se mostrara preocupante até hoje cedo, porque suas escolhas já haviam sido tomadas. Escolheria uma boa faculdade junto com Brittany, dividiriam um apartamento na mesma cidade e seguiria a sua vida com a loira ao seu lado. Parecia tão perfeito e certo que não conseguia encontrar defeitos. É claro que quando Claire violentou Brittany esse plano virou um sonho distante. Estava tão perdida e desejou por um momento desligar do mundo.

A morena encostou a testa no azulejo da parede e tampou a boca com a mão para que os soluços de seu choro não saíssem tão alto. Amava Brittany e isso nunca tivera dúvidas e talvez por isso Mercedes estivesse certa. Talvez Brittany esteja mesma precisando de sua ajuda e agora era a hora de mostrá-la que estaria ao seu lado independente das pedras que encontrassem no caminho. Mas estava com tanto medo. Sentiu suas pernas enfraquecerem e sentou-se no chão frio, encolhida no canto do box. Não forçou contra as lágrimas, precisava libertar um pouco de tudo o que estava sentindo, caso contrário se sufocaria com sua própria dor.

Não soube ao certo por quanto tempo ficou chorando debaixo do chuveiro, só quando a porta do quarto rangeu alto ela se lembrou que precisava sair para ver Brittany. Desligou o chuveiro e secou o seu corpo o mais lento possível. Vestiu um short e uma camiseta, olhando pela última vez no espelho e analisando os olhos vermelhos e inchados. Por sua sorte, o quarto estava escuro e Brittany não descobriria que estivera martirizando-se enquanto se banhava. Percebeu que a loira já estava deitada e pela respiração leve, talvez estivesse dormindo.

"Você demorou S". Disse Brittany assim que Santana se deitou na cama ao seu lado. A morena assustou-se a princípio e logo se ajeitou ao corpo da loira passando um braço por sua cintura enquanto a sua cabeça descansava no ombro da loira.

"Está melhor?". Perguntou Santana depositando um beijo no pescoço de Brittany e sorrindo quando a mesma contraiu o corpo pelo toque. A morena repetiu a ação várias vezes até Brittany soltar um sorriso e virar o corpo.

"Agora eu estou". Respondeu com a voz baixa e embaralhada. Santana arqueou uma sobrancelha e riu quando percebeu que a anestesia ainda estava fazendo efeito em Brittany, provavelmente, ao mesmo tempo dos remédios que tomara naquela noite. A morena viu Brittany fechar os olhos e aproximar-se, descansando a cabeça em seu colo. "S, minha mãe perguntou o que eram as manchas roxas na minha barriga, coxa e pescoço. Eu não consegui mentir. Você tá com raiva?". Perguntou Brittany temerosa.

Santana sentiu a face esquentar e seu coração acelerar. Tinha consciência que os pais de Brittany sabiam sobre a sua intimidade e de Brittany, mas ter que encará-los após a confissão seria muito mais difícil. Mas não podia culpar Brittany, ela estava sobre efeito de remédios e era impossível controlar o que ela falaria ou não. "Eu nunca vou ficar com raiva de você B". Respondeu por fim dando um beijo na testa da loira observando-a sorrir mais uma vez. "Está sentindo dor?".

"A dor passa quando eu fico perto de você S". Respondeu a loira suavemente, erguendo o rosto e depositando um beijo no canto dos lábios de Santana. A morena sentiu o seu coração derreter e abriu um sorriso fraco para a loira. "Eu posso te pedir uma coisa?".

"Qualquer coisa". Assentiu Santana fazendo o contorno da face de Brittany com a ponta dos dedos.

"Canta pra mim?"

Santana arqueou as sobrancelhas e deixou um riso nervoso sair de seus lábios. Havia chorado por tanto tempo que não tinha certeza se sua voz estaria boa o suficiente para cantar. E além do mais, havia dias que não escutava uma boa música que combinaria com a sua voz e fosse especial para Brittany. "O que você quer que eu cante?".

"O que você está sentindo agora". Respondeu Brittany deixando outro beijo no canto dos lábios da morena. Santana sentiu o corpo vibrar e torceu para que Brittany não tivesse sentido. Como encontraria uma música que definisse a confusão que estava a sua vida? E independente disso, confessaria para Brittany a luta que estava tendo com os seus demônios internos?

"Eu estou com sono e cansada. Conhece alguma música sobre isso?". Brincou Santana tentando desviar um pouco as suspeitas do seu silêncio. Brittany deixou um riso escapar e mordeu o pescoço da morena.

"É sério S. Cante pra mim". Insistiu Brittany beijando o local que havia mordido. "Eu sei que você quer". Provocou a loira com um piscar de olhos.

"Ok. Eu acho que eu tenho a música perfeita". Cedeu a morena puxando Brittany para mais perto e descansando o rosto contra os cabelos loiros. A loira ajeitou-se no abraço da morena e fechou os olhos, esperando Santana começar.

Woke up to soothing sound of pouring rain

The wind would whisper and I'd think of you

And all the tears you cried, that called my name

And when you needed me I came through

Santana sentiu sua voz vacilar e seus olhos arderem. Brittany respirava levemente contra a pele de seu pescoço e, aparentemente, não se alarmou com a música. A morena respirou fundo antes de continuar a próxima parte.

I paint a picture of the days gone by

When love went blind and you would make me see

I'd stare a lifetime into your eyes

So that I knew that you were there for me

Time after time, you were there for me

Estava ficando cada vez mais difícil fazer as palavras saírem de seus lábios e precisou afagar os cabelos loiros para que uma parte da sua tensão se dissipasse.

Remember yesterday, walking hand in hand

Love letters in the sand — I remember you

Through the sleepless nights, through every endless day

I'd wanna hear you say — I remember you

Sentiu as primeiras lágrimas descerem pela face e corroer sua pele. Respirou fundo mais uma vez para poder continuar a música, torcendo para que Brittany não levantasse a cabeça para lhe analisar.

We spend the summer with the top rolled down

Wished ever after would be like this

You said "I love you babe," without a sound

I said I'd give my life for just one kiss

I'd live for your smile, and die for your kiss

Brittany movimentou-se contra o seu corpo e Santana sentiu o sangue correr mais rápido em suas veias. Estava chegando ao seu verso favorito e para isso, achou melhor cortar o refrão. Estava difícil agüentar a pressão das palavras e da realidade e se demorasse mais com a música, Brittany finalmente perceberia o que estava acontecendo.

We've had our share of hard times

But that's the price we paid

And through it all, we kept the promise that we made

I swear you'll never be lonely

As lágrimas agora desciam mais rápidas e cortantes. Sua respiração estava pesada e sentiu Brittany levantar o rosto e lhe encarar. A loira também estava com os olhos coberto de lágrimas e mordia o lábio inferior. A dor em seu peito intensifica e por fim, canta os últimos versos da música.

Woke up to soothing sound of pouring rain

Washed away a dream of you

But nothing else could ever take you away

'Cause you'll always be my dream come true

Oh my darling, I love you.

A morena aproximou o rosto do de Brittany e seus lábios finalmente se tocam. Santana conseguiu sentir as lágrimas de Brittany intensificarem e misturar-se às suas. Seu corpo estava explodindo, assim como os seus sentimentos. Não deveria ter cantado àquela música, não quando estava inserta sobre as suas escolhas futuras. A morena sentiu a loira intensificar o beijo como se estivesse buscando alguma espécie força. "Me promete S". Pedeu Brittany afastando dos lábios de Santana antes de cobri-los novamente. "Me promete que nada irá nos separar". Continuou a loira tomando os lábios de Santana mais uma vez agressivamente.

"Eu prometo B". Assegurou Santana sentindo a língua de Brittany avançar mais uma vez contra a sua. E mais uma vez naquela mesma noite, a morena havia feito uma promessa na qual estava relutante em cumpri-la.

Notas finais
Então gente, eu estava um pouco enrolada com a minha one-shot que acabei ficando sem tempo de vir aqui. Espero que gostem desse capítulo e quem ainda não teve a oportunidade de ler, essa é a fanfic HeYa que fiz: https://www.fanfiction.com.br/historia/186832/Run_Away. Antes que eu esqueça, a música que a Santana canta é I Remember You do Skid Row. Então, o que achão? =)