Save Me
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O céu estava claro, com uma coloração bastante agradável de um azul anil praticamente sem nuvens, algo bastante rotineiro durante o verão na cidade de São Francisco, assim como a temperatura elevada, convidando a todos a aproveitar a agradável manhã de domingo, aos poucos as ruas ganhavam vida, homens sérios caminhavam engravatados com seus celulares em mãos, assim como os corredores que já praticavam seus exercícios, crianças brincavam risonhas no parque, correndo de um lado para o outro, aproveitando a brisa agradável que balançava as folhas verdes das árvores. Pude ouvir meu despertador tocando incessantemente, irritante, lembrando-me que eu precisava levantar, estava na hora, mesmo que sonolenta tateei a mesinha ao lado de minha cama tentando em vão acabar com ruído estridente, enquanto a luz do sol ofuscava minha visão. Levantei tropeçante tentando conter o emaranhado de nós que eu chamava de cabelo, os prendendo em um coque malfeito. Entrei no chuveiro a fim de despertar, assim que a água atingiu meu corpo senti um tremor levando embora toda a minha sonolência.
Peguei uma de minhas toalhas e enxuguei meu corpo, seguindo para o quarto buscando uma roupa confortável para mais um dia de trabalho, mesmo sendo domingo minha vida nunca parava, eu estava sempre voltada para a única coisa que me importava meu trabalho. Eu era medica residente no hospital Saint Matthwes, minha vida se resumia a esse emprego e a alguns poucos momentos de diversão, algo bastante raro. Penteei meus cabelos loiros, enquanto buscava as chaves do carro na bagunça que era meu pequeno apartamento de três quartos em um bairro tranquilo no centro da cidade.
Deslocava-me pensativa pelas ruas, vendo as pessoas felizes desfrutando de seu feriado, uma música tocava na rádio, chamando minha atenção, tudo tão comum, algo que eu sempre fazia minha rotina. Assim que estacionei meu carro, segui vestindo meu jaleco já pronta para minha verdadeira paixão, uma pilha de casos já me aguardava, mesmo sendo apenas oito horas da manhã, enfermeiras chamavam-me para auxiliá-las com alguns problemas.
-Toma... – falou Piper me entregando uma xícara de café, estávamos na sala dos residentes jogadas sob o sofá, esperando que alguém nos requisitasse, Piper era uma das poucas amigas que eu tinha alguém confiável e a única capaz de aturar uma médica que tornara o trabalho em sua vida. – Você está precisando, parece que vai desabar.
Eu agradeci e assenti, jogávamos conversa fora até que pude ouvir uma das demais enfermeiras na porta.
-Dra. Chase... – ela esperou uns segundos vendo se de fato eu estava na sala até que finalmente entrou. – Preciso de sua ajuda, poderia dar uma olhada nesse raio-X. – ela falou entregando-me o mesmo.
-Pode enfaixar e mandá-lo para casa. – disse apenas recebendo um sorriso em troca.
Ainda sentada Piper balançou a cabeça sorrindo, com seu café em mãos ela disse:
-Annie... Não sei como você consegue. – eu a encarei confusa.
-O que? – eu perguntei
-Sério? – ela franziu a testa. – Isso é a sua vida.
-Isso é a minha obrigação. – eu falei revirando os olhos e seguindo em direção ao banheiro, onde um grupo de médicas sorria e se arrumavam, tentando esconder as olheiras de uma noite em claro.
-Você tem sorte Annabeth... – disse uma delas enquanto retocava seu batom em frente ao espelho.
-Como? – falei prendendo meus cabelos.
-Não tem mais nada com o que se preocupar. – ela flou simplesmente, após explicar que cuidar de filhos e de maridos era uma tarefa bastante difícil, assim que a fez Piper a atingiu com o cotovelo, a fazendo gemer de dor.
-Sim... Claro... – falei encarando meu reflexo no espelho, as pessoas costumavam me dizer isso, principalmente minha família, que se preocupava comigo, com o meu futuro.
Ouvi alguém bater a porta do banheiro chamando meu nome, estava na hora do trabalho novamente. Assim que cheguei ao quarto de um dos pacientes, explicando para ele seu problema de saúde pude ouvir o toque de meu celular, eu o reconheci automaticamente, era minha mãe, pedi licença para o homem deitado sob a cama que apenas sorriu e me concedeu permissão para atender.
-Mãe? – perguntei assim que atendi o celular.
-Annabeth... – ela falou severa. – Não se esqueceu, não é mesmo?
-Esqueci... Não... – falava enquanto prendia meu celular sob o ombro e anotei em minha prancheta.
-Não? – ela me perguntou, com uma pontada de esperança, que logo desapareceu quando me ouviu falando novamente,
-O senhor tem Gastroenterite... – pude a ouvir reclamar do outro lado da linha. — É uma condição médica caracterizada pela inflamaçao do trato gastrointestinal que afecta o estômagoo e o intestino delgadoo e que se manifesta através de diarreia, vómito e cólicas abdominai Embora não tenha qualquer relação com a gripe, é também designada incorrectamente por gripe intestinal ou gripe gástrica.
-Frederick! – minha mãe chamou do outro lado da linha. – Sua filha está fazendo de novo.
-Sou sua filha também... – falei zangada, arrancando algumas risadas de meu paciente.
-Eu sei meu bem, eu a amo e sei que voc6e me ama também não é mesmo?
-Não... Precisarei dos resultados do exame para ter certeza. – ela bufou.
-apenas apareca hoje as 19h para o jantar, vou fazer lasanha.
-As 19h30min. – a corrigi, já mencionando meu atraso. – E acho que vou comprar uma pizza antes, já que você vai cozinhar. – ela deligou o telefone bruscamente, eu o guardei no bolso do jaleco e continuei com meus afazeres, percorrendo os corredores do hospital, auxiliando a todos.
Almocei a minha rotineira salada, e antes que pudesse terminar pude ouvir o meu pagger indicando que alguem precisava de minha ajuda. O dia foi como sempre, diagnosticos, doencas, brincar com as criancas na ala pediatrica. Assim que vi o relogio marcando 19h segui para os chuveiros, tomando um demorado banho, permitindo que a aguá atingisse meus cabelos, acalmasse minha mente, me tranquilizasse, coloquei uma roupa rápida e fui em direcão ao estacionamento.
Enquanto dirigia pude ver no visor 20h, proavelmente minha mãe deveria estar subindo pelas paredes naquele exato momento, buscando o motivo de tanta demora, eu apenas balancei a cabeca afastando aqueles pensamentos, assim como a voz da enfermeira dizendo “Você tem sorte”.
-Tenho? – perguntei a mim mesma confusa, em um murmuro baixo.
Aumentei o volume do rádio e permiti que a música me contagiasse, logo eu já estava em frente a minha casa, as luzes estavam acesas, pude ver minha mãe pela janela, com o celular em mãos, provavelmente discando meu número, com uma expressao nada agradavel e seus cabelos loiros assim como os meus presos em um coque baguncado.
-É... — falei abaixando a cabeca. – acho que eu tenho.
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