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7 Confusões
Notas iniciais
E então? Como passaram o Natal? Espero que bem! ^^ Certo (agora chega de falar "escrever", e vamos ao capítulo u.u)... Muito bem, já estamos no sétimo e sei o quanto muitos estão ansiosos pelo beijo XD, mas gente, peço muita paciência, onegai!!! Para que a história faça sentido tenho que respeitar o tempo de cada personagem, mas! Eu prometo que recompensarei todos vocês por me esperarem (ou melhor, por esperarem aqueles dois que não entendem que meus leitores querem ver ação nesse trem! u.u)... Muita coisa ainda vai acontecer e... Bom, acho que já falei "escrevi" demais... Boa leitura Minna-San!!! o/
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A dor era dilacerante, podia sentir seus ossos se partirem, podia sentir as linhas prateadas rasgarem sua pele, arrebentando suas veias, seus músculos... Precisava se levantar, tinha que salvar a vila, tinha que salvas as pessoas, tinha que salvar... Sophie? Não seu nome era Agathia... “Sr. Albafica!” ele podia escutá-la chamar seu nome... Não chegue perto... Não chegue perto de mim... Não quero te machucar... “Sr. Albafica! Levante-se!” Eu não posso... Eu não consigo... “Consegue... Levante-se! Acorde... Albafica...”
– Não chegue perto! – Ele se levantara de uma só vez, dando de cara com Sophie, que o segurava pelos braços. – Sophie?
– Sou eu... Você estava tendo um pesadelo. – Ele parou para raciocinar. Era verdade... Mas...? Não era Sophie que o chamava, era Agathia... Ou seria ao contrário? – Você está bem? Está sentindo alguma dor?
– Não se preocupe... Eu estou bem... – Disse ele, notando as mãos dela sobre si, pensou em repeli-la, mas desistiu, lembrando-se que já não possuía mais seu cosmo... seu veneno.
Aquele seria o dia em que tentariam fazer a propaganda da reinauguração da “Doces Sonhos Gregos”. Lorena era quem estava mais nervosa, e olha que nem haviam inaugurado ainda. Mas Sophie e Albafica entendiam a ansiedade da ruiva. Pra quem estava prestes a fechar as portas, uma mudança de cento e oitenta graus era de perder o fôlego.
– Aqui.. Obrigada! Venham prestigiar a reinauguração de nossa doceria! – Sophie dava o melhor de si, mas eram poucos os que estavam pegando seus panfletos. Albafica que organizava-os antes de entregar, a observava de longe. Sabia o quanto ela se esforçava e dava o melhor de si em tudo que fazia, a prova disso era de tê-lo ajudado tanto até então, e de agora estar ajudando sua velha amiga... Ele se levantou ajeitando os cabelos. Estavam em uma praça, próxima à doceria, ele estava sentado em um banco. Levantara-se e se aproximara de Sophie. Seu andar majestoso e sua forte presença chamava a atenção de quem quer que passasse.
– Bom dia minha senhora! Por favor, venha prestigiar a reinauguração de nossa doceria. – Disse Albafica gentilmente.
– Oh! Mas é claro! Eu irei... – Era uma senhora que passava com suas netas, que não tiraram os olhos de Albafica.
– Obrigado. – Respondeu ele, vendo que ela e as netas, pegaram seus panfletos. Em seguida pessoas que cochichavam os observando, passavam para apanhar os papéis.
– Eu irei, mas, por um acaso você também estará lá? – Uma garota que apanhara um panfleto perguntara à Albafica, que corara.
– É... Bem, sim... – Disse ele sem jeito.
– Que bom! Então chamarei mais pessoas! – Albafica respirara fundo, aquilo seria a inauguração de uma loja, não uma atração de circo! E que pelo visto ele seria o número principal... Não estava muito feliz com rumo que aquilo estaria tomando, as pessoas costumam confundir muito as coisas, não? Perguntava-se. Sophie estava boquiaberta. Como aquilo seria possível? Albafica não passava despercebido nem mesmo pelos homens, e nem pelas crianças. Quando deram por si, em menos de meia hora já haviam entregado metade do que seria para aquela tarde.
– Albafica! Eu preciso descansar... – Disse Sophie com sede após uma hora.
– Claro Sophie... Deixe-me terminar de entregar esses e a gente para.
– Ah! Que tal irmos tomar um sorvete?
– Não tenho dinheiro... – Respondeu ele.
– Ah.. para com isso! Eu pago.
– Mas é você quem tem pago tudo... Isso não me parece muito justo...
– Certo, quando você tiver recebido seu pagamento você me paga um suco...
– E te ajudo a pagar o aluguel...
– Tá bom Albafica... – Disse ela já se afastando, caso o contrário levariam a vida discutindo quem pagaria o que.
Quando terminaram já eram quatro horas. Poderiam ter encerrado antes, mas ambos pararam para descansar, e conversaram nesse meado e assim fora a tarde.
– Certo... Vamos a um bom lugar perto daqui... – Disse Sophie. Ele apenas consentiu. Albafica se surpreendera ao ver onde estavam.
– Sophie... Você não me disse que aqui havia litoral... – Disse Albafica que mirava o mar com surpresa.
– Ora... Você não me perguntou...
– Estamos longe então, não é?
– Não muito... É que da minha sacada não conseguimos ver o oceano...
– Entendo... É lindo... Faz um tempo que não vejo o mar... – Disse ainda sem tirar os olhos daquele belo lugar. Quando se deu conta Sophie já estava ao seu lado lhe entregando um sorvete de casquinha.
– Trouxe de chocolate, não sabia do que você gostava, e como são poucos os que não gostam de chocolate...
– Obrigado Sophie... – Disse, apanhando delicadamente o sorvete de suas mãos. Ambos sentaram-se na areia, a brisa fresca do mar rebatia contra eles. Sophie o mirou por um segundo, Albafica sempre tivera um olhar triste, ela desde que o encontrara notara isso. Entendia-o, pois sempre soube de toda a sua dor, mas algo estava mudando aos poucos no belo pisciano. Em seus olhos notava-se um brilho diferente, por várias vezes ela o pegara sorrindo naturalmente, como desejara um dia vê-lo. Mas ainda havia algo, havia algo que não entendia, algo que ele estava tentando esconder de si, algo em seu íntimo do qual ele tentava com todas as forças não demonstrar... Ela se perguntava se ele estava insatisfeito, ou se queria ir embora, não conseguia desvendá-lo facilmente, Albafica era o tipo de pessoa que nunca reclamava, agradecia por tudo e talvez por isso se tornava tão difícil perceber o que realmente se passava em seu peito.
– Sophie, seu sorvete irá derreter... – Disse ele notando o olhar intrigado da garota sobre si.
– Ah! É verdade... – Falou ela tomando-o rapidamente, reparando o quanto demorara em seus pensamentos, vendo que ele já terminara o dele. – Você sempre gostou da praia? – Perguntou.
– Sim... Meu mestre me levava às vezes, quando eu era criança... – Disse ele mirando as ondas que quebravam e se desfaziam antes de alcançarem seus pés. O sol do entardecer tornava ainda mais dourado os longos cabelos de Albafica. Sophie tomou seu sorvete rapidamente, se levantara e começara a tirar suas sandálias.
– O que está fazendo? – Perguntou ele. Ela o mirou exibindo um lindo sorriso, que fez sem nem ter ideia, o coração de Albafica bater violentamente contra seu peito. Ela esticara as mãos em sua direção.
– Venha! – Disse.
– Mas nós estam... – Ela não esperou que ele concluísse a frase, pois o puxara de uma só vez, erguendo-o. – Sophie! – Ela ria de sua reação confusa. Albafica vendo a loucura de sua amiga, tirara os sapatos de qualquer jeito, a seguindo. Fora a cena mais linda que vira, a bela garota soltara seus longos cabelos castanhos, enquanto corria na areia segurando suas mãos com força. O perfume floral de seus cabelos alcançava-o fazendo seu coração bater mais rápido do que antes, se é que era possível... Não tinha jeito, por mais que tentasse não tinha forças para lutar contra o que estava começando a sentir... Droga Sophie... Porque faz isso comigo se não pode me corresponder? ...“Corresponder”, ela não o correspondia... Concluía tristemente. Porém não pudera pensar muito quando sentira a fria água do oceano alcançar seus pés.
– É melhor quando vivemos isso, ao invés de só observar, não concorda? – Perguntara ela mirando-o. Ele sorrira por fim, espantando seus pensamentos para longe, afinal, ela tinha toda a razão... Estava milagrosamente vivo, e tinha a chance de viver como sempre quisera, sem seu maldito legado... Tinha que aproveitar cada segundo, pois não sabia até quando aquele momento duraria... – Você chama muito a atenção sabia? – Disse ela empurrando-o de leve pelo braço, com tom de brincadeira.
– Ah, eu? Você não vê quando os homens olham pra você? – Dissera.
– E você vê?! – Perguntara ela um pouco surpresa. Ela notou que ele corara.
– Ah Sophie... Eu não sou cego... – Disse, mirando a areia. Ela o achava fofo quando ficava sem jeito, o que era uma tarefa nada fácil de realizar.
– Sei... – Disse ela. – Ah! – Ela se abaixara de repente, pegando algo do chão e em seguida molhando-o nas ondas próximas. – Aqui... – Ela esticara as mãos molhadas lhe dando algo, que ele apanhara. Era uma concha afinal, uma bela concha branca. – Alba, como você... – Disse ela sorrindo.
– Obrigado! – Era a primeira coisa que Sophie lhe dava, poderia parecer meio bobo, mas ele se sentira estranhamente feliz com o “presente”.
Não demoraram a voltar, o dia seguinte seria a grande inauguração da doceria e precisavam descansar após o longo dia.
Albafica estava deitado em seu futon, à porta de vidro da sacada estava entre aberta, e permitia que uma leve brisa entrasse sorrateira e farfalhassem as cortinas semi transparentes. Ele mirou o céu, que era bem visível da onde estava, um filete da relaxante luz lunar iluminava parcialmente seu rosto. Gostara da tarde que passara com Sophie, seu sorriso não saía de sua mente... Ele levara a mão à altura de seus olhos, mirando a bela concha branca entre seus dedos. Então era isso... Isso era viver como uma pessoa normal? Sentir aquilo que brotava dentro de si e começava a desabrochar, era algo estranho, e beirava a insanidade... Um misto de mil e um sentimentos como, medo, dor, felicidade, desejo... Nunca sentira aquilo antes, por ninguém, pois sempre fora claro para ele que nunca, jamais poderia ser alguém normal, mas agora que estava sentindo não sabia bem como lidar com isso, tinha vontade de abraçá-la, tinha vontade de estar mais perto dela... Sabia que estaria disfarçando bem até agora, pois sempre fora sua especialidade usar máscaras, mas como todas elas, um dia aquela também cairia, e tinha medo do que poderia acontecer quando isso ocorresse... Ele apertara a pequena concha nas mãos, levando-as contra o próprio peito, desejando não sonhar aquela noite.
O dia finalmente chegara, e com ele trouxera muito trabalho para o trio que arduamente fizeram muito durante as ultimas semanas para recuperar a velha e bem caída confeitaria. Passaram praticamente o dia todo preparando a reinauguração da loja e quando deram por si, a noite já caía e muitas pessoas já começavam a chegar.
– Sophie! Eu estou nervosa! – Lorena tremia dos pés a cabeça, temendo que algo desse errado.
– Pare com isso! Você nem parece a mais velha aqui! – Disse Sophie que tentava acalmar a amiga lhe empurrando refrigerante. Aos poucos, pessoas dos arredores vinham chegando, muitos elogiavam, tanto a fachada, quanto as comidas. Albafica fora o que naturalmente mais sofrera, pois o assédio sobre ele era imenso. As pessoas não se intimidavam em jogar descaradas cantadas no pobre pisciano que hora ou outra corria os olhos à procura de Sophie, como se esta fosse sua salvação, ela porém ria de tudo e por vezes o “acudia” distraindo os clientes, entregando brindes e lhes falando sobre a cultura e a comida grega. Lorena respirava aliviada a um canto, vendo que tudo estava saindo muito bem, e que as pessoas pareciam estar gostando.
– Viu? Está tudo correndo de acordo com os conformes... — Disse Albafica que se sentara ao lado dela em uma mesa.
– Graças a vocês! – Disse ela sorrindo para ele.
– Agradeça mais a Sophie, ela se empenhou bastante pra que tudo desse certo. – Falou ele apanhando um refrigerante que um garçom lhe entregara. Sim, eles tiveram dinheiro para contratar alguns poucos garçons...
– Devem estar cansados... – Comentara Lorena por alto.
– Um pouco, mas Sophie parece ter bastante energia! – Disse ele, mirando Sophie que estava um pouco afastada conversando com alguns amigos da faculdade que vieram ao receberem seu convite.
– Sophie, está tudo perfeito! – Disse um de seus amigos.
– E aquele gato que você arrumou pra ser seu colega de quarto hem!!! – Uma das meninas comentara sorridente.
– Ele é um amigo especial... – Disse Sophie sorrindo sem jeito.
– “Amigo” não é? – Sophie não sabia explicar ao certo, sempre se saíra bem desse tipo de piadinha, mas por algum motivo estava ficando sem jeito com elas.
– Ora, vejam só... Minha irmãzinha dando uma festa, e nem me convidou? – Sophie mirara a dona da voz zombeteira. Sabrina estava atrás de si, seu costumeiro ar arrogante fizeram seus amigos dispersarem no mesmo instante. Era um pouco mais alta que Sophie, usava um leve e longo vestido verde escuro.
– Sabrina... – Disse Sophie. – Isto não é uma festa. É trabalho. – Disse séria.
– Nossa Sophie... Não precisava fazer essa cara...
– E que eu saiba você é uma pessoa ocupada demais para vir a estes eventos... Como soube?
– Jessye. Você a convidou. – Era verdade, havia ligado para sua prima há dois dias atrás, mas a mesma dissera que não poderia comparecer. – Ela me contou sobre seu companheiro de quarto. – Falou Sabrina se aproximando. Droga Jessye! Pensou se arrependendo violentamente de ter contado algo à prima. – Que coisa feia Sophie! Trazendo homens para morar com você! Papai e mamãe não gostaram nadinha de saber disso... – Falara com ironia.
– Não devo satisfações aos meus pais há muito tempo... Eles não pagam meu aluguel, nem minhas roupas e muito menos minha comida. – Disse Sophie.
– Que jeito rebelde de falar! Você está mudando Sophie... E isso não é legal...
– É mesmo? Porque será que mudei...? – Sophie estava perdendo a paciência, ela não era tão tolerante quanto Albafica.
– Você nem parece ser minha irmã mais velha, eu que tenho de cuidar de você para que não faça burradas! – Ria cinicamente sua irmã. – Você não pode colocar qualquer um para morar com você... Ainda mais homens... – Sophie estava se segurando para não voar em cima de sua irmã.
– O que está acontecendo aqui? – Como sempre, Albafica chegara bem na hora.
– Albafica... – Ela respirou fundo. — ...esta é Sabrina, minha irmã. Sabrina, este é Albafica, meu colega de quarto. – Dissera Sophie, mirando-a, notando que sua reação mudara instantaneamente ao mirar o homem loiro à sua frente.
– Ah... – Sabrina perdera um pouco o jeito, mas voltara a sorrir cinicamente. – Muito prazer... – Disse ela cumprimentando Albafica, que a cumprimentou de volta, sério, sem sorrir uma única vez. – Eu estava falando à Sophie, que era muito bom ela morar com mais alguém, ainda mais nesse período de sua vida... O que ela mais precisa agora é de companhia!!! Né Sophie? – Sophie cerrara minimamente seus olhos, pedindo a Deus muita calma e paciência, não podia arruinar aquela inauguração.
– Certo. Sophie, estamos precisando de você na cozinha, os garçons estão com alguns problemas. – Dissera Albafica. Sophie o agradecia profundamente, já havia contado a ele o histórico de sua família problemática.
– Ah Sophie! Qualquer dia irei visitá-la! – Gritara sua irmã, vendo que os dois se afastavam. – Em breve Sophie... – Sussurrara ela para si.
A inauguração não demorara muito a se encerrar, os três estavam exaustos, e o que mais Sophie queria naquele momento era relaxar e dormir.
– Não acredito que Sabrina teve a cara de pau de ir na inauguração! – Falara Sophie. Ela e Albafica tomavam chá observando a noite pela sacada.
– Sophie... Você que me perdoe mas, não fui com a cara de sua irmã... – Disse ele diretamente. Sophie o mirou arqueando as sobrancelhas.
– Sério? Eu não vou com a cara dela há muito tempo! – Falou ela bebericando o chá de camomila.
– Ela não parece ser a mais nova... – Disse ele por alto. – Você que parece... – Ela sorrira. Realmente era verdade, Sabrina era bem mais “desenvolvida” do que ela, e talvez por isso aparentasse ser mais nova que a irmã.
– Ela se parece comigo? – Perguntou.
– De jeito nenhum... Você é muito mais bonita... – Sophie o mirou surpresa com o elogio, Albafica que até então fizera o comentário por alto, corara violentamente quando se dera conta do que dissera. – Eh... – Sophie sorrira novamente.
– Obrigada. – Respondeu. Ele desviou o olhar rapidamente, tomando de uma só vez o chá, mas se arrependendo ao notar a quentura da bebida em sua língua. É claro que Sophie reparara nisso.
A semana passara voando, Sophie retomara as aulas na faculdade, e Albafica começara a trabalhar na Doces Sonhos Gregos, que estava indo muito bem, até demais, pensava Lorena que já não aguentava mais ser abordada por um cliente que perguntava a que horas o atendente bonito viria, ou onde ele estaria que não os estavam atendendo. Lorena brincava que do jeito que as coisas andavam, seria mais fácil passar para o nome de Albafica a doceria... Ele ria de canto, mas procurava não se abrir demais, até porque nunca fora dado a aproximações humanas, sempre sério, sorrindo somente quando lhe era necessário. Porém a ruiva não deixara de notar que seu "sorriso" mudava quando via Sophie, que sempre que podia ao sair da faculdade de tarde, passava na loja para irem juntos para casa. Aos olhos de Lorena, aqueles dois eram bem mais do que simples amigos que dividiam a kitnet, mas conhecendo Sophie como conhecia, sabia o quanto era devagar sua amiga, e que talvez demorasse um pouco a notar o belo pisciano, o que até poderia parecer meio estúpido porque, quem não notaria Albafica? Sophie. Pois a lembrança de Charlie ainda era forte em seu coração... E Lorena embora não comentasse, notava o início de um doloroso amor platônico. Sentia muito por Albafica, mas sabia que mais cedo ou mais tarde algo mais forte despertaria, do tão machucado coração de sua amiga, e em seu singelo silencio, torcia para o jovem casal.
– “Dim Dom”
– Já vai... – A campainha tocara, e Albafica que fora atender. Havia sido dispensado mais cedo naquele dia, e por isso já estava em casa, porém Sophie ainda estava na universidade àquela hora. – Sim? – Quando abrira se surpreendera com quem vira.
– Boa tarde Albafica? Seu nome é bem diferente... – Sabrina estava parada à porta, usava um vestidinho apertado e um pouco curto demais, seus cabelos castanhos como os de Sophie, alcançavam pouco mais que seus ombros, e estavam soltos em cascatas cacheadas.
– Boa tarde. Sophie não está, lamento. – Disse ele rispidamente.
– Ah... Que pena... Sabe que horas ela retorna?
– As cinco somente. Está estudando. – Respondeu. Ela mirou seu relógio de pulso, que marcavam quatro horas em ponto.
– Eu espero. Não vai me convidar para entrar? – Perguntou cinicamente.
– Claro. Fique à vontade. – Disse abrindo a porta para que ela passasse, o que fizera prontamente. Albafica respirara fundo, seu aguçado sexto sentido lhe dizendo que não vinha coisa boa pela frente...
– Uau... Aqui é realmente pequeno hem! Como vocês dois vivem aqui? – Dissera ela olhando ao redor.
– Então isso indica que você nunca veio visitar sua irmã antes, estou certo? – Perguntara ele.
– Ah... Mas é que... Bem... Acho que minha irmã deve ter lhe contado que sou uma mulher ocupada. – Disse ela.
– Então porque decidira vir só agora? – Perguntou ele, que se arrependera amargamente de ter perguntado. Ela se aproximou provocativamente.
– Ora Albafica... Porque acha que vim aqui afinal? – Esticara as mãos em direção ao rosto do cavaleiro, contornado suas delicadas e loiras sobrancelhas. — Acho que você deve ser esperto o suficiente pra saber que não foi para ver Sophie... – Ela descera os dedos para seus lábios. No mesmo instante Albafica empurrara suas mãos sem delicadeza alguma, segurando seu pulso.
– Se veio aqui pra isso, é bom ir embora. Não me interesso por pessoas do tipo como você. – Ela arregalara os olhos surpresa com a rápida reação dele, que permanecia sério, mas com uma leve alteração na voz.
– Ahh... E que “tipo” eu seria? – Perguntou não se abalando com sua atitude.
– Do tipo que eu mais odeio. – Disse secamente, largando seu braço. Ela, porém não se afastara.
– Então está tendo um caso com minha irmã, suponho?
– Isso não te interessa. – Respondeu rispidamente.
– Ohoh! Isso seria um sim? – Ele sorrira ironicamente.
– Não conhece mesmo sua irmã, não é? Se conhecesse saberia o que ela está passando. Ah, mas pra quem nunca a visitou, não saber nada dela não seria novidade. – Sabrina o mirava estudando-o, e Albafica não era diferente.
– Então você está gostando dela... – Falara.
– Como já disse, isso não interessa a você... – Respondeu.
– É bom que saiba Albafica, Sophie é lenta e uma completa idiota, se você não fizer algo, mesmo com essa sua beleza extravagante, ela não irá notá-lo.
– Dobre a sua língua antes de falar mal da Sophie embaixo de seu teto. – Disse ele, já não estava conseguindo controlar muito bem a raiva que sentia.
– Ora... Então sua paixão já está nesse nível? – Novamente Albafica exibia seu sorriso irônico.
– Me responda uma coisa Sabrina... Você também deu em cima do... Charlie? – Ela fechara a cara, no mesmo instante Albafica soube que atingira em cheio o alvo.
– O que pensa que sabe? Você não sabe de nada! – Exclamara ela exaltando-se repentinamente.
– Então sua traição “já está nesse nível”? – Ela travou os dentes mirando um tapa no belo rosto a sua frente, mas o mesmo fora parado no exato momento. Albafica era rápido e ágil, já lutara e vencera tantos espectros, que uma simples pessoa sem poder não significava nada. – Você não sabe com quem está lidando garota. – Disse ele ainda segurando seu pulso. – Não se ache mais esperta do que Sophie, porque você não chega aos pés dela. – Sabrina se soltara de suas mãos, claramente abalada.
– Estúpido! – Dissera, saindo rapidamente, fechando a porta num baque surdo. Albafica não se movera, ainda não havia caído à ficha de que a irmã de Sophie era daquele jeito. Como elas podiam ser tão diferentes uma da outra?
Sophie retornara às cinco e meia, cheia de sacolas de compras nas mãos.
– Albafica do céu! Ou melhor, do mangá! Aquele supermercado estava tão cheio que achei que fosse envelhecer esperando ser atendida! – Ela o mirara sentado no sofá, às pernas cruzadas, a cabeça descansando sobre as mãos, gesto costumeiro do pisciano. – Algo errado cavaleiro? – Perguntara vendo a cara fechada que ele exibia.
– Sua irmã esteve aqui. – Dissera ele sem rodeios.
– O que?! Mas... O que ela queria? – Perguntou. Ele a mirou em total silêncio. Como se conversassem pelo olhar, Sophie entendera no mesmo instante. – Não acredito... – Falara soltando as compras de qualquer jeito sobre o chão. – Ela o aborreceu, não foi? O que ela disse?
– Nada que mereça ser mencionado... Eu já supunha que havia algo errado com aquela garota, mas não esperava que fosse a tal nível. – Dissera ele que se levantara e apanhara as compras, levando-as para a cozinha. Sophie o acompanhara.
– Sim... É um nível que você nem imagina... – Dissera ela infeliz sentando-se a uma das cadeiras de madeira da mesa da cozinha. – Ela sempre fez isso... Seja com amigos, ou... namorados. E eu jamais entendi o porquê... – Dissera se lembrando das vezes em que ela paquerava Charlie descaradamente.
– Inveja... – Respondeu ele.
– Inveja? Inveja do que Albafica? Ela sempre teve tudo! Meus pais, dinheiro, fama... O que mais ela podia querer? Era pra eu sentir inveja dela, não o contrário!
– Pois é, e é exatamente por isso. – Ele se sentara em frente a ela, lhe entregando um copo com água. – Ela tem inveja da sua personalidade, do seu caráter... Você é uma pessoa que não liga pra dinheiro, valoriza coisas simples e mesmo não tendo nem metade que ela, é feliz ainda assim. Ela sabe que poderá ter tudo, mas nunca será como você... As pessoas geralmente invejam isso nas outras. Invejam a força e a coragem que elas sabem que nunca chegarão a ter.
– Não seria mais fácil elas tentarem ser assim também? – Questionara Sophie bebendo a água, que ele pareceu adivinhar que ela queria.
– Também acho... Mas tente convencê-las de que estão erradas... Duvido que consiga... Pessoas assim possuem a mente fechada. – Ela respirara fundo, mirando-o.
– Me desculpe por ela. – Disse. Ele sorriu docemente.
– Você não tem culpa de ter uma irmã daquele jeito...
– Tem toda a razão! – Falara ela sorrindo em fim. Não demorou para que começassem a cozinhar alguma coisa. Sophie contando à Albafica sobre como fora seu dia, e lhe perguntando como fora o dele. Ele a observava atentamente enquanto falava, seu gostoso jeito alegre e espontâneo que, embora ele tentasse não admitir, contava as horas para ver. Sentia falta dela, e sempre pensava em Sophie quando fazia algum doce em seu trabalho “ela que sempre cozinha comigo” pensava costumeiramente com um sorriso bobo nos lábios. Estava se tornando um idiota, concluía após analisar o quanto seu comportamento estava mudando radicalmente desde que conhecera Sophie. Só de lembrar de Sabrina falando mal dela na sua frente, já fazia seu sangue ferver... Se apaixonar era complicado, pensava... Sim, estava apaixonado por ela, e procurava não repetir isso mentalmente, mas estava sendo cada dia mais difícil para ele esconder o que sentia.
Na sala, uma brisa leve entrara pela sacada. Na pequena mesa de centro ao lado do retrato de Charlie, um novo retrato fora posto. Nele uma bela foto dos três novos empresários: Lorena, Sophie e Albafica, ambos sorrindo em frente à nova doceria, só indicava que novas páginas estavam sendo escritas nas vidas daqueles dois, páginas essas que reservavam muitas descobertas.
Notas finais
Desejo à todos um Feliz Ano Novo!!! Em breve o oitavo...
Abraços ~ Lyze ^^
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