Saturn
4 Epílogo - Entre Iowa, Fisiologia e Sistema Solar.
Notas iniciais
Vulcano era sempre quente, e dificilmente chovia. Quando chovia, o clima permanecia abafado, acompanhado de tempestades de areia. Amanda teve de se adaptar a estas situações com a sabedoria de uma deusa, e Spock bem sabia que ela se esforçou, pois agora estava se esforçando com toda a sua força fisiológica, o que era acostumado com o calor sofria a diferença para um clima úmido em brisas geladas.
Mas não deixava de ser belo.
Não deixava de ser belo o Sol alaranjado descendo pelas nuvens e tocando aquele mar, desaparecendo aos poucos no que devia ser seis e quarenta da tarde, a hora correta para a despedida da grande estrela da qual todos os planetas giravam em torno.
"O sol é a estrela central do Sistema Solar. Todos os outros corpos do Sistema Solar, como planetas, planetas anões, asteroides, cometas e poeira, bem como todos os satélites associados a estes corpos, giram ao seu redor. Responsável por 88, 86% da massa do Sistema Solar, o Sol possui uma massa 332 900 vezes maior que a da Terra e um volume 1 300 00 vezes maior que o do nosso planeta. A distância da terra ao sol é de cerca----"
Jim.
Ele deitou a cabeça cuidadosamente sobre o ombro direito de Spock quando ambos estavam assentados sobre a areia fofa de uma das praias de Iowa, estado do qual Kirk nascera a 48 anos atrás. Um Planeta completamente diferente de Vulcano em todas as suas propriedades, a infância de Kirk completamente diferente da sua e suas paixões por cavalos não podia se aplicar a Spock, que não convivera em fazendas. Se fosse parar e pensar, McCoy seria o tipo de pessoa que compartilharia daqueles passeios com o Almirante sem esforços para adaptar fisiologia.
Seria se Jim não adorasse ficar perto do Vulcano a respirar rapidamente no clima frio e rir baixo quando este afirmava: "Meu estado físico está aceitável" assim como beijar seus lábios finos, atrevido para constrange-lo, afastando-se de forma provocativa mesmo que Spock se inclinasse para beijá-lo novamente.
Seria se McCoy não fosse praticamente o pai de Jim a reclamar atrás de si e este mesmo Jim não deitasse a cabeça no peito de Spock depois praticamente gemer em forma pecaminosa em um orgasmo, afundando o rosto nos pelos de seu peito. Seria se Jim não beijasse a ponta de suas orelhas e fungasse sua nuca quando estava dormindo. Seria se Jim não fizesse questão de visitar Vulcano mesmo em alergias frequentes ao clima. Seria se Jim não cozinhasse perfeitamente bem e direcionasse um olhar ansioso para Spock esperando que desse a nota da sua comida, sempre recebendo um "fascinante" acompanhado de outra colherada. Seria se Jim não se desse estranhamente bem com aquele Vulcano tão diferente de si após tantos anos.
Spock passou um dos braços sobre a cintura de Kirk e o trouxe mais para perto, apreciando o calor de seu corpo contra o seu, assim como seu cheiro de couro, cavalos e uísque, algo habitual do Almirante.
Jim trouxe mais o rosto para ele e ao perceber isso, abaixou a cabeça para beijá-lo, os dedos se enlaçando aos alheios em total particularidade, intimidade, choques descendo por seu corpo. O gosto de James nunca mudava. Ele nunca mudava. Era como uma Estrela, que permanecia bela, mesmo sendo conhecida.
— Spock.
— Sim, Jim? – Perguntou, em um beijo e outro, casto.
— Eu – Riu-se, dando alguns tapas no peito dele, pequenos tapas divertidos – Eu só queria lhe pedir desculpas.
— Desculpas? Por qual motivo?
— Você sabe, Spock, trazê-lo para cá. Bones me disse que você anda muito frio comparado a temperatura habitual, mesmo com as injeções. Ele se surpreende por não ter desmaiado, deu isso a sua herança mixada.
— Dr. McCoy se preocupa com algo desnecessário -Pontuou o Oficial, descendo os lábios em busca do pescoço de Jim, retirando do caminho a gola da camisa quadriculada amarela.
—Não venha me dizer que é — James grunhiu. Beijos no pescoço, o hálito quente. Seu ponto fraco. – Spock, por favor, não me diga que é desnecessário. Eu sei que sua fisiologia sofre no Planeta Terra, ainda mais em Iowa. Eu só queria- Pausou, arfando – Visitar meu estado natal após tanto tempo nesta licença da Frota.
Spock ergueu o olhar, cessando seus beijos.
— Não é necessário se desculpar, a visita em Iowa é satisfatória para mim pois aprecio a particularidade de seus ricos detalhes, até mesmo os mais corriqueiros.
Jim sorriu.
— Então está me dizendo que gosta do passeio mesmo passando mal?
— Afirmativo.
— Deus, Spock, você é masoquista. – Riu-se.
Por um lado, se fosse analisar, estava sendo. Ergueu uma sobrancelha e Kirk riu mais ainda, saindo da areia e sentando-se no colo de Spock, enlaçando ambos os braços ao redor de seu pescoço, fazendo-o relaxar e emitir um som mui agradável.
—Eu mal me sentei — Ele ainda ria.
O Vulcano deu de ombros em um breve sorriso de canto, a ponta dos dedos indo do início ao fim de seus cabelos castanhos, vendo-o inclinar a cabeça para o toque.
—Eu mal comecei, Jim – Vingou-se.
—Você é um Vulcano muito atrevido, senhor Spock, muito atrevido. – Jim gargalhou e apertou mais seu T'hy'la contra o corpo, virando-se de costas no colo dele para apreciar o por do sol. Havia somente um pouco dele para fora, e o céu antes alaranjado tomava uma coloração violeta. As Estrelas logo apareceriam em seu esplendor, tão distantes comparadas a Enterprise. Podia tocar as estrelas de lá.
Mas quando Spock apertou levemente sua cintura com ambas as mãos, as tocou.
— Quando eu estava na Academia da Frota Estelar, eles ensinaram sobre cada Sistema Solar. Lembro que, por um lado, fiquei um pouco impactado ao ver que as Estrelas são muito mais do que a beleza nua que eu via por um telescópio quando criança da janela de meu quarto. Elas são mais detalhadas, há mais segredos nelas do que se possa contar ou imaginar. E após todo esse tempo, eu permaneço fascinado.
Spock imaginou Jim olhando por um telescópio de seu quarto, o quarto que havia visitado na noite anterior e até mesmo feito sexo com ele na mesma cama que dormia naqueles anos.
Voltou a atenção as palavras alheias, roçando de leve o nariz a carne perfumada da nuca de Kirk, ouvindo-o continuar no questionamento:
—Isso deve lhe parecer ilógico, não é?
— Por que seria?
—Porque Estrelas são somente Estrelas, perante o ensinado e----
— De fato, e eu haveria de ser apenas um Vulcano e você apenas um ser humano. Porém, há muito mais em nós dois do que se pode contar ou imaginar, e isto é lógico.
Kirk sorriu.
O sol já havia partido e agora aquelas mesmas Estrelas brilhavam no céu, a Constelação de Andrômeda sendo visível. Spock se deitou sobre a areia e Jim veio consigo, deitando a cabeça sobre seu peito ao ver aqueles pequenos pontos formarem uma história, um sentimento, tão distantes, tão distantes.
A beleza dos anéis de saturno.
“You taught me the courage of starts before you left. How light carries on endlessly even after death. With shortness of breath, you explained the infinite, how rare and beautiful it is to even exist.”
Pintura bela, deslizar de pincel no esplendor do céu escuro, o colorir de uma divindade jamais alcançada, apenas descrita, apenas imaginada. Pontos brilhantes, algo que tira o fôlego. Paraíso.
“As nebulosas são nuvens de poeira, hidrogênio e plasma. São constantemente regiões de formação estelar, como a nebulosa da Águia. Nebulosas de emissão são nuvens de gás com temperatura alta. Os átomos na nuvem são energizados....”
Os anéis de saturno. Em volta de um planeta brilhando em distância, havendo uma sinfonia ao descrevê-lo, aumentando e diminuindo, aumentando e diminuindo. Arrepios. Todo seu esplendor, ali, de perto, de longe.
“Os anéis de Saturno são constituídos essencialmente por uma mistura de gelo, poeiras e material rochoso, por vezes comparados a uma pista de patinação. Embora possam atingir algumas centenas de milhares de quilômetros de diâmetro, não ultrapassam 1,5 km de espessura. A origem dos anéis é desconhecida. A primeira teoria concluiu que sua formação ocorreu junto com as dos planetas...”
Após um tempo no confortável silêncio embalado pela brisa, Jim estava quase adormecendo. Ele apertou mais o corpo de Spock contra si e caiu no sono, sentindo-o afagar seus cabelos.
Quando o Oficial observou o Almirante, teve a certeza que ele era como uma Estrela, pois no futuro, continuaria brilhando. Continuaria brilhando dentro dele mesmo quando tudo acabasse.
Vulcanos são seres invejáveis por tudo que alcançaram, por sua lógica frequente, pelo controle de seus sentimentos.
Mas Spock aprendeu a olhar a beleza do universo, dos anéis de Saturno, pelos olhos de James T. Kirk. E disso ele unca abriria mão.
“You taught me the courage of stars before you left. How light carries on endlessly, even after death. With shortness of breath, you explained the infinite. How are and beautiful it is to even exist. I couldn’t help but ask for you to say it all again. I tried to write it down, but I could never find a pen. I’d give anything to hear you say it one more time that universe was made just to be seen by my eyes."
With shortness of breath..I’ll explain the infinite.
How rare and beautiful it truly is that we exist..”
( Perdendo o fôlego eu vou explicar o infinito: Quão raro e bonito é realmente existirmos...)
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