Sarah

1 Prólogo


Por toda a paisagem branca nada se ouvia além da respiração ofegante e passos apressados da garota. Ela corria com o máximo de sua força, afundando os pés na neve fofa que lhe atrasava mortalmente os passos em sua fuga desesperada. Olhava por cima dos ombros vez ou outra imaginando quando seu perseguidor lhe alcançaria e cada vez que espiava se desesperava mais. O homem era alto, forte e de aparência bruta, mas não era lento: estava em seu encalço há horas, mesmo ela sendo uma veloz corredora devido ao seu corpo pequeno e leve. Não havia muito o que fazer... Aquele bárbaro agitava o grande martelo que levava nas mãos como um aviso do que a esperava e por mais que sentisse sua garganta queimar pelo esforço de não chorar, ela permanecia concentrada em fazer as pernas se moverem para longe do perigo.

“Ah, por favor... Por favor não me deixem na mão!” pensou a garota enquanto juntava as mãos na frente do corpo e invocava os deuses anciãos no fogo e do ar, tentando manipular pela última vez a magia de fogo ao formar uma esfera média de cor dourada tão quente que derretia a neve que caía ao redor e lhe esquentava a pele. Ela lançou a esfera para trás, na direção do homem, mas este apenas girou o martelo e fez seu ataque, normalmente poderoso, se estilhaçar sem causar o mínimo dano a ele. “Não adiantou! Não tenho mais energia para outro ataque...” O desespero tomou conta da garota que agora já não corria mais. Não havia motivo... Não conseguiria fugir das mãos do bárbaro.

— Abaixe-se!

A frase disparada de algum lugar atrás da garota fez com que ela se lançasse ao chão, enterrando quase metade de seu corpo na neve fofa. Tão logo sentiu o gelo em seu rosto algo aqueceu o ar de tal forma que mesmo em meio à neve ela sentiu calor, e ao olhar para cima viu dezenas de esferas douradas como a sua voando na direção do bárbado. Seu rosto se iluminou e ela não conseguiu conter o sorriso ao ver seu perseguidor ser reduzido a cinzas pelos ataques. “Tantos ataques... Raul mandou um destacamento do exército me salvar!” Pensou enquanto observava as últimas fagulhas desaparecerem, então olhou para trás esperando encontrar os homens de armadura prateada com o desenho da casa real azul no peito, mas assim que conseguiu enxergar em meio a todo aquele branco... Tudo o que pôde ver foi uma menina de aparência infantil em seus olhos azuis leitosos e cabelos loiros quase brancos ofegando na neve. Não devia ter mais do que 13 anos e ainda assim estava ali, sozinha e sem agasalho. Quando a garota confusa tentou indagar quem era aquela menina, esta caiu pesadamente no chão nevado, inconsciente.

Notas finais
Bom comecei essa história por que sempre li sobre os grandes heróis, aqueles que possuem todo o poder e salvam o mundo inteiro. Mas eu me perguntava, e o melhor amigo do herói? Como ele contaria a história? Como foi para ele? Alguma vez alguém mais já se perguntou isso?