Sarabi
6 Capítulo V - Os Laços
Sarabi
Os Laços
Não há chuva no dia seguinte, mas o céu se mantém escuro, transformando o dia em noite. O vento sopra com força, envolvendo e congelando os corpos que, por ventura, se encontram desprotegidos. Em um prédio no centro da cidade, uma garota permanece alguns segundos diante de uma porta, a mão sobre a maçaneta e a mente indagando se essa é a melhor decisão a se tomar.
Por fim, a garota decide por entrar no aposento, fechando a porta assim que passa. Olhos escuros observam o escritório organizado e decorado de maneira simples, mas imponente. Com passos lentos, ela se encaminha para o sofá, colocado próximo a uma das paredes de vidro, e sentando-se. Pelos minutos que permanece sozinha, a garota mantém o olhar focado no céu nublado, a mente analisando a situação. Se Marik e Bakura estão agindo, ele com certeza será envolvido. Querendo ou não.
A porta é novamente aberta, atraindo a atenção da garota. Íris de um azul escuro observam os olhos de um azul claro do recém-chegado. Um sorriso nasce no canto dos lábios finos quando o rapaz reconhece aquela que se encontra em seu escritório.
– Como entrou aqui, Serena? – ele pergunta, caminhando em direção à própria mesa e se sentando.
– É assim que você cumprimenta os velhos amigos, Seto? – a guardiã da tumba sorri para o jovem empresário – Mas, respondendo a sua pergunta, eu tenho meus truques.
– O que a traz de volta à cidade Dominó? – Kaiba pergunta com o sorriso ainda presente nos lábios e os olhos focados na imagem da garota sentada em seu sofá.
– Negócios de família. – Serena responde, balançando a mão com descaso e fazendo o duelista notar algo em seu braço.
– Você não tinha essa tatuagem na última vez que nos vimos. – Seto comenta, apontando para o braço esquerdo de Serena.
Apesar do frio, a Ishtar usa uma camiseta regata, deixando os braços à mostra. Por um momento, a guardiã da tumba observa a própria tatuagem em silêncio. O desenho negro começa nas últimas juntas dos dedos, completamente pintadas, e segue em finas linhas retas pelas costas da mão até o braço, onde se abre em retângulos preenchidos que ladeiam alguns hieróglifos. Finalmente, Serena levanta o olhar, voltando a encarar Kaiba nos olhos.
– Na última vez que nos vimos pessoalmente, tínhamos dez anos. – ela responde – Eu tinha catorze anos quando comecei a fazer essa tatuagem.
– O que ela significa? – o duelista pergunta – Os símbolos são egípcios, não?
– Oh, está voltando a se interessar pelo Egito depois do que passou ao lado de Yugi e do faraó? – Serena pergunta com um leve tom de sarcasmo e desafio na voz.
Os olhos azuis claros do empresário se estreitam diante da pergunta.
– Como sabe o que passei? – apesar de saber da ascendência egípcia da garota, o duelista tem certeza de nunca ter mencionado o menor detalhe sobre sua viagem ao Egito em suas conversas com Serena.
– Acho que nunca te contei que foi a família Ishtar quem me adotou após a morte dos meus pais. – a guardiã da tumba responde, sorrindo e tendo certeza de que o outro reconhecerá o nome citado.
– Então suponho que Ishizu seja sua irmã. – Kaiba diz, voltando a sorrir, e Serena assente – Foi ela quem te contou o que aconteceu?
– Sim. – a Ishtar confirma – Desde então descobrimos detalhes muito interessantes sobre a vida e o reinado de Seth. Interessado?
O rapaz deixa um fraco riso escapar por entre seus lábios antes de responder: — Não, estou mais interessado em descobrir o que essa sua tatuagem significa.
– Quanta curiosidade! – a guardiã da tumba comenta.
– Eu te conheço, Serena. – Kaiba diz olhando firmemente nos olhos da garota – Você não é do tipo que marcaria alguma besteira no corpo. Deve ter tido um motivo muito forte para fazer essa tatuagem.
– É uma marca de orgulho. – a Ishtar responde, sustentando o olhar do rapaz – E lealdade.
– O que está escrito? – o duelista pergunta, olhando por um breve momento para os hieróglifos desenhados e então voltando o olhar para as íris azuis.
– Atem. – Serena responde, surpreendendo Kaiba.
– Não me diga que você também está envolvida nessa história.
– Um pouco. – a guardiã da tumba diz, dando de ombros e se levantando, caminhando até o rapaz sentado à mesa – Não se lembra?
– Do quê? – Seto pergunta, olhando a garota que se encontra a menos de um passo de si.
– Das histórias que minha mãe nos contava quando éramos crianças. – Serena responde, tocando o cabelo curto e castanho, os dedos se misturando aos fios e segurando a nuca pálida.
– O que isso tem a ver com qualquer coisa? – Kaiba pergunta, sentindo o corpo tremer levemente ao receber o toque da Ishtar.
– Tudo. – a guardiã da tumba responde, sorrindo e apoiando a mão livre na mesa – Tome cuidado, Seto. – o tom de voz da garota se torna mais baixo e sério – As sombras nunca desaparecem por completo. – quando o duelista faz menção de perguntar algo, Serena continua: – Foi bom vê-lo novamente.
Dito isso, Serena solta a nuca de Seto e se afasta, caminhando em direção à porta e deixando o escritório. A retirada silenciosa da Ishtar é observada por um atônito Kaiba, que, inconscientemente, toca a própria nuca e abaixa o olhar, notando um papel branco deixado em cima de sua mesa. O rapaz o pega e o lê, notando que um número de telefone foi escrito acima de um nome.
Serena Maktub.
O presidente da Corporação Kaiba se levanta e caminha até a janela, o olhar azul sendo dirigido ao céu escuro, mas não o vendo realmente. A mente do duelista ilumina uma parte da memória na qual ele não pensava há muito tempo. Lembranças de antes de Gozaburo, antes do orfanato, de um tempo em que seus pais ou pelo menos seu pai ainda estava vivo e era amigo dos pais de Serena.
Serena. Naquela época, Serena era uma constante em sua vida. Sempre ao seu lado, brincando, ouvindo as histórias que a mãe dela contava. Sobre o que aquelas histórias falavam? Seto fecha os olhos e tenta se lembrar. Em sua mente, ele vê a mãe de Serena – a garota se tornou tão parecida com a mãe –, ouve a voz dela e tenta prestar atenção no que ela conta.
Egito. Faraó. As histórias eram sobre um antigo faraó. Um sorriso nasce nos lábios do duelista. Naturalmente, Serena tinha que estar envolvida nessa história. Atem. O nome escrito no braço do faraó ecoa na mente do rapaz. O nome do faraó que era amigo de Yugi. As histórias que a mãe de Serena contava poderiam ser sobre Atem?
Uma lembrança emerge das profundezas da memória de Kaiba. A recordação de uma viagem ao Egito com a família de Serena. Uma visita ao Vale dos Reis, à tumba que os pais de Serena estudavam. Ele e Serena se perderam em uma câmara. Estava frio e o ar parecia ser feito de puro medo. Ele estava assustado e ficou ainda mais quando Serena começou a passar mal. Ela tremia e parecia sentir muita dor. Ele era uma criança – quantos anos eles tinham? Oito? – e não sabia o que fazer para ajudar. E então Serena começou a ter dificuldade para respirar e ele fez a única coisa em que conseguiu pensar para ajudar: beijou-a e soprou ar para dentro dos pulmões dela. Funcionou.
E aquele foi o primeiro beijo dele. Dado para tentar salvar a vida da amiga. Com a ponta dos dedos, Seto toca os próprios lábios, lembrando-se da sensação do beijo trocado anos atrás e do toque oferecido há apenas alguns minutos. Kaiba balança a cabeça, afastando os pensamentos e voltando para a mesa. Essas lembranças... Ele deveria deixá-las trancadas.
Yu-gi-oh!
Joey caminha pelas ruas, indo se encontrar com Yugi e os outros. Todos decidiriam ir ao museu falar com Ishizu. Talvez ela pudesse ser mais direta e explicar os segredos que Serena se recusa a revelar. Distraído, o rapaz olha para o lado e vê a própria Serena, um pouco afastada e parecendo conversar com alguém. A garota se afasta e Joey pode ver com quem ela falava. Ao reconhecer a pessoa, surpresa se desenha no rosto de Wheeler.
Aquele era o Mokuba?
Yu-gi-oh!
Os passos de Serena são lentos e incertos, levando a garota a quase cair na calçada mais de uma vez. A guardiã da tumba sente algo próximo, uma energia poderosa e sombria, que a envolve e ameaça controlá-la, destruí-la. Ao chegar a uma praça, a Ishtar não suporta mais e cai de joelhos sobre a grama. Juntando todas as suas forças, Serena se arrasta até uma árvore, encostando as costas no tronco e dobrando os joelhos contra o peito. A guardiã da tumba mantém a cabeça abaixada, uma das mãos fechadas em punho tão forte que as unhas compridas cortam a pele e sangue começa a escapar. Com a outra mão, Serena procura pela celular, discando um número rapidamente.
– Alô? – uma voz forte atende.
– Odion? – a Ishtar pergunta sentindo a energia sombria envolvendo-a cada vez mais, fazendo-a sentir como se lâminas estivessem sendo enterradas em seu corpo. Sua mente sendo um alvo especial – Eu estou na praça próxima a Corporação Kaiba. – a voz da garota treme levemente – Venha me buscar, por favor.
– Serena? – preocupação pode ser ouvida na voz do guardião da tumba.
– Odion, por favor, me ajude.
Reconhecendo o que há por trás do pedido, Odion desliga e sai imediatamente em busca da irmã mais nova. Enquanto isso, Serena tenta controlar a dor que sente e afastar a energia que a causa. Uma energia que ela conhece muito bem.
Yu-gi-oh!
– Ei, pessoal, vocês não vão acreditar em quem eu vi conversando com a Serena. – Joey comenta ao encontrar os amigos no meio do caminho para o museu.
– Quem? – Yugi pergunta.
– Mokuba. – Wheeler responde – Eles estavam em frente ao prédio da Corporação Kaiba.
– Então Serena foi atrás do amigo de infância. – uma voz próxima ao grupo diz, o tom carregado de sarcasmo.
– Marik! – Yugi exclama, reconhecendo o rapaz que se aproxima.
– O que você quis dizer com ‘amigo de infância’? – Joey pergunta.
– Vocês não sabiam? – o guardião da tumba começa – Serena e Kaiba foram criados juntos até a morte dos pais dele. Eles continuaram a se ver, mas os pais de Serena morreram pouco tempo depois e então ela se mudou para o Egito. E, até onde eu sei, eles nunca perderam contato.
As informações dadas por Marik surpreendem os quatro amigos, que não esperavam que Serena pudesse ser amiga do Kaiba, mas o estupor logo passa, dando lugar ao alerta.
– O que quer aqui, Marik? – Yugi pergunta.
– Apenas deixar um aviso para o faraó. – o Ishtar responde, mostrando a Varinha do Milênio na mão direita – Eu vou conseguir o que eu quero e não há nada que ele possa fazer para me impedir.
– Não estaria tão certo disso. – é a resposta dada por Yugi, a voz se tornando mais forte e firme.
– Você sabe tão pouco, faraó. – Marik diz e então ri – Para conseguir o poder que eu desejo – o seu poder – eu só preciso transformar o seu sangue em cinzas.
A Varinha do Milênio brilha por um momento, mas a luz logo se apaga e um fraco gemido deixa os lábios do guardião da tumba que toca a própria cabeça, tentando parar as imagens que invadem sua mente: Serena sendo achada por Odion e ajudada por este, sendo levada para um carro. Marik segura mais fortemente o artefato em sua mão, se concentrando e aumentando o poder que libera. No mesmo momento, ele pode ver Serena se contorcer ao lado de Odion, mas a dor causada na garota é refletida em Marik, que volta a gemer e quase cai no chão.
Os quatro amigos observam em um surpreso silêncio, confusos acerca do que está acontecendo com o Ishtar. A surpresa é aumentada quando o guardião da tumba volta a falar, mas dessa vez com dificuldade, como se estivesse travando uma intensa batalha dentro de si.
– Fa... Faraó... – o rapaz tenta começar, olhando para Yugi.
– Marik! – o duelista diz, reconhecendo a parte boa do Ishtar – Lute!
– Faraó... – o guardião da tumba continua – Você tem... Que proteger... Serena... – uma pausa – Ela é... Ah! – um breve grito deixa os lábios de Marik, que, então, ri e sorri para o faraó, a parte maligna voltando a ter o controle – Ela é o que eu preciso destruir para conseguir o poder que desejo.
– Não chegará perto dela! – Atem, no controle do corpo de Yugi, afirma.
– Oh, e quem irá me impedir? – Marik pergunta em tom de desafio – Você, faraó? Ou confiará que Seth faça o trabalho dele?
A Varinha do Milênio volta a brilhar, mas, dessa vez, quando a luz cessa, Marik não se encontra mais ali. Os amigos se entreolham, confusos.
– Quando ele disse ‘Seth’, ele se referia ao Kaiba? – Joey pergunta – E a que trabalho Marik se referia?
– E o que ele quis dizer com ‘transformar o sangue do faraó em cinzas’? – Tristan pergunta.
– Eu não sei, mas vamos descobrir. – Atem responde, voltando a caminhar e seguindo rapidamente para o museu Dominó.
Yugi observa o faraó em silêncio, notando os punhos fechados e o olhar determinado do amigo. O duelista sente que não há nada que impedirá o antigo soberano do Egito de entender, de uma vez por todas, a conexão que ele possui com Serena.
Yu-gi-oh!
Depois de um desconfortável trajeto de carro, Serena se encontra deitada na cama em seu próprio quarto. Ao lado dela está Odion, sentado sobre o colchão. O guardião da tumba faz menção de se levantar, mas tem seu intento impedido por uma mão em seu pulso.
– Fique. – Serena pede em um sussurro – Fica mais fácil controlar quando você está presente.
Odion assente e volta a se sentar.
– Foi Marik quem fez você perder o controle sobre seu poder?
– Sim. – a garota confirma – Ele sabe que posso morrer se perder o controle sobre as sombras. Mas...
– O quê? – o mais velho pergunta.
– Eu pude senti-lo perder o controle também. – Serena diz – O que ele fez comigo acabou por refletir nele mesmo.
– Sua resistência deve ter feito isso.
Serena assente ante a afirmação do irmão. Pálpebras se fecham sobre íris azuis e um profundo suspiro escapa por entre lábios finos.
– Eu não perdia o controle assim desde aquele dia... – Serena sussurra – Quando me perdi na tumba do faraó com Seto...
– Descanse. – Odion aconselha.
– Não vá embora... – Serena pede antes de cair no sono, os dedos firmemente fechados ao redor do pulso do mais velho.
Yu-gi-oh!
– O que pretende fazer com Serena? – a pergunta é dita por uma voz fraca, mas determinada.
– Trancar a alma dela no Domínio das Trevas junto com a alma do faraó! – Marik responde à sua contraparte.
– Não pode fazer isso! – a parte boa de Marik diz – Se o fizer, o sangue do faraó...
– Encontrará seu fim. – a parte maligna completa com um sorriso nos lábios – E o poder do faraó estará livre.
– Para voltar para Atem!
– Não se o faraó também estiver no Domínio das Trevas. – Yami Marik corrige – Nessa situação, o poder do faraó se dividirá nas oito relíquias do milênio e pertencerá àquele que reuni-las.
Um pouco afastado do guardião da tumba, Bakura acompanha a conversa com atenção, reunindo informações que não possuía antes. Como, por exemplo, ter que derrotar Serena e Atem para conseguir o poder do faraó. O antigo ladrão de tumbas pensava que se derrotasse Serena, já poderia ter o poder que deseja.
Um obstáculo a mais, mas não o primeiro a ser destruído. Antes de Serena, antes do faraó, Bakura terá que se livrar de Marik.
Yu-gi-oh!
– Sejam bem vindos. – Ishizu diz aos recém-chegados ao museu.
– Ishizu, nós precisamos conversar. – o faraó diz – Sobre Serena.
– Sim, meu rei. – a guardiã da tumba assente – Eu sabia que essa conversa seria necessária. A maneira com que Serena lida com os problemas não gera muita confiança – uma pausa – O que desejam saber? – a Ishtar pergunta.
– Queremos saber quem Serena realmente é. – Atem diz.
– E qual é a conexão dela com Kaiba. – Joey completa – Encontramos com Marik antes de virmos para cá e ele disse que a Serena e o Kaiba são amigos de infância. Além de sugerir que Seth teria alguma coisa a ver com a relação dos dois.
– E por que Serena parece estar tão interessada em recuperar as lembranças sobre a esposa do faraó, mas... – Téa começa.
– Não parece ser muito leal ao faraó. – Tristan completa.
Ishizu assente e respira fundo antes de começar a explicar:
– O nome verdadeiro de Serena é Serena Maktub. Os Maktub são uma família que possui raízes egípcias muito antigas e que há muito tempo mantém estreitos laços com a família Ishtar. Por causa dessa relação, meu pai adotou Serena após a morte dos pais dela.
– Por que as duas famílias são tão próximas? – Tristan questiona.
– Serena me disse que contou para vocês um pouco sobre a rainha Serin e o papel dela na origem dos Guardiões da Tumba. – os quatro assentem, confirmando – O que Serena ocultou foi que Serin não deixou somente os segredos do faraó Atem e da rainha Sarabi sob cuidados dos guardiões da tumba. Ela deixou a própria família.
– O que quer dizer? – o faraó pergunta.
– Durante os milênios, os Ishtar foram responsáveis pela segurança da família do faraó, mesmo após esta deixar a corte do Egito. – Ishizu continua a explicar – E, com o tempo, a família do faraó começou a ser reconhecida por um sobrenome: Maktub.
– Espere... – Joey pede – Você está querendo dizer que Serena...
– É descendente direta do faraó. – Ishizu completa.
– Quer dizer que... – o faraó tenta dizer, mas para, surpreso demais para conseguir concluir o raciocínio.
– Serena possui o seu sangue, meu faraó. – Ishizu diz – Na verdade, com a morte dos pais, Serena se tornou sua única descendente viva.
– Então quando Marik disse que para conseguir o meu poder, ele precisar transformar meu sangue em cinzas... – Atem começa – Ele quis dizer que...
– Ele precisa matar Serena. – a guardiã da tumba diz – Como sua descendente, Serena é a herdeira, por direito, de seu poder. Em ordem de conseguir que seu poder seja livre para ser conquistado, meu faraó, Marik precisa que não haja herdeiros para esse poder e que você não esteja aqui. – uma pausa – No momento, o poder desejado por Marik – e Bakura – está divido entre você, meu rei, e Serena. Se nenhum de vocês estiver mais aqui, esse poder será guardado nas oito relíquias do milênio e pertencerá àquele que as possuir.
– Entendo. – o faraó responde lentamente – Não posso permitir que Marik ou Bakura se aproximem de Serena.
– Isso é o que eu e Odion temos tentado fazer, mas Serena e Marik sempre foram muito próximos. – Ishizu diz – O que torna fácil para um achar o outro.
– E quanto a Seth? – o faraó pergunta – Há alguma conexão entre ele e Serena? Entre Serena e Kaiba?
– Seth foi quem cuidou e educou Serin até que a princesa se tornasse rainha. – Ishizu responde – Após a ascensão de Serin ao trono, Seth continuou cuidando da proteção da rainha. Pelo que Serena me contou, ela e Kaiba foram criados juntos e sempre cuidaram um do outro. A única conexão que se pode fazer é que Seth – ou Kaiba – continua próximo a família do faraó.
Ishizu respira fundo e olha para os quatro amigos antes de continuar:
– Serena é leal ao faraó tanto quanto eu ou Odion e até mesmo Marik. Só que seu interesse pela história da rainha a fez mais leal a Sarabi do que a Atem. – a guardiã da tumba olha nos olhos do faraó – Serena fará o que for possível para libertar a alma da rainha e, com isso, recuperar os pedaços que faltam da sua memória, meu rei.
Nesse momento, o antigo soberano do Egito se lembra de um comentário feito por Serena quando ela foi questionada por Joey acerca de sua lealdade.
– Serena disse que teria sido fácil se unir a Marik anos atrás. – Atem diz, despertando a mesma lembrança nos amigos – Por quê? O que teria tornado fácil essa união?
– O ódio. – Ishizu responde com simplicidade – No mesmo momento em que o ódio de Marik nasceu, o ódio de Serena também nasceu.
– Você está dizendo que Serena odeia o faraó?! – Joey pergunta, espantado.
– Não. – a Ishtar responde – Serena odiava o faraó, ela superou esse sentimento. E mesmo quando esse ódio era forte no coração dela, Serena nunca traiu o faraó. A prova disso é a recusa dela em se unir a Marik mesmo reconhecendo e compreendendo o ódio do meu irmão.
– Ela odiava e ainda era leal ao faraó? – Téa pergunta – Isso parece... Contraditório.
– O que manteve Serena leal ao faraó foi a lealdade dela à rainha. – a guardiã da tumba explica – Trair Atem significaria trair Sarabi e Serena jamais trairia a rainha.
– Eu... – o faraó começa – Eu gostaria de falar com Serena. A sós. – o complemento surpreende os outros três.
– Isso pode ser arranjado. – Ishizu diz.
– Obrigado, Ishizu. – o faraó diz – Por tudo.
Os quatro amigos se despedem da guardiã da tumba e saem do museu. Durante todo o trajeto de volta para casa, Atem e Yugi permanecem em silêncio, o faraó completamente perdido em pensamentos acerca das novas descobertas.
Acerca de Serena.
Notas finais
E caso alguém tenha curiosidade, essa é a tatuagem de Serena (mais ou menos): http://i394.photobucket.com/albums/pp29/Akiel1724/Tatuagem-Serena_zps06758b52.jpg
Fale com o autor