Sara, sua maldita /Kimi ga Shine,Your Turn to Die/
1 Capítulo 1 - Minha querida namorada
Notas iniciais
Espero que realmente seja do agrado de vocês~~
No meu quarto, por algum motivo, existe uma garota falando em meus ouvidos enquanto leio. Tinha a pedido para ir pra casa antes que anoitecesse e agora que está tarde, me pede para acompanhá-la até em casa.
— Sara! Eu te disse para ir antes!
— Mas eu já falei que quero passar o tempo que posso com você!
Acabei de me graduar, terminei as provas para a entrada na universidade e me mudei hoje cedo para um apartamento com a ajuda dos meus pais e da Sara, vulgo minha namorada.
A encarei com olhares mortais. Tínhamos acabado de passar o dia inteiro desempacotando as caixas e só paramos faz alguns minutos para descansar.
— E precisamos comer.
Sara desviou o olhar assim como sempre faz quando conta algo que acha constrangedor. Provavelmente está esse tempo todo me enchendo o saco porque não conseguia admitir que está com fome. Sim, estranho, mas minha namorada sente vergonha de muitas coisas inesperadas para a sua personalidade ou atitude.
Suspirei, vencido pelo seu drama e também porque precisamos comer ou vamos começar a brigar novamente pelos meus maus hábitos alimentares. Deixei o livro no criado mudo, peguei dois mil ienes e guardei no bolso da calça.
— Vamos a uma Konbini, ok?
Ela me olhou torto novamente, após calçar os sapatos na entrada.
— Vamos ao mercado.
Arqueei uma sobrancelha.
— Por quê?
Pra mim, não faz sentido ir ao mercado sendo que podemos ir comprar algo pronto em na Konbini que tem aqui por perto. Já ficamos o dia todo organizando e arrumando meu novo apartamento, cozinhar seria um trabalho a mais que nem eu e duvido muito que ela queira ter.
Sara jogou todos os argumentos possíveis, sendo o principal a minha saúde que é algo que eu não cuido muito.
— Tá! Tá! Vamos ao mercado, mas você cozinha!
Ela deu alguns pulos de alegria, o que eu realmente não entendo o que ela está pensando. Apesar de que essa atitude me agradou de certa forma. É constrangedor pensar, mas cada dia mais nos parecemos mais com um casal. Sara vem constantemente se dedicando a minha saúde e me forçando a realizar tarefas com ela como caminhar antes das aulas. Pensar que não os faremos mais é realmente doloroso.
— Podemos?
Sua expressão constrangida com sua mão direita levantada a fez muito fofa. Tive dificuldade para tirar a mão do bolso para segurá-la. Namorar é realmente constrangedor.
— O que vai fazer para a janta?
Tentei fugir um pouco desse clima romântico em que estamos.
— Você vai descobrir depois.
Chegando no mercado, peguei a cesta de compras e fiquei a seguindo para os cantos onde ia, apesar de parecer estar primeiro a olhar o que tem.
— Você ainda não pode beber cerveja.
A repreendi após notar seu enorme interesse nas garrafas e latas de cerveja. Um sorriso surgiu em seu rosto.
— Quando eu completar meus 20 anos, podemos tomar juntos?
Pensei um pouco. Podia ser uma péssima ideia se levarmos em conta que mulheres são mais sensíveis ao álcool, mas não é algo que eu tenho que decidir e ela está pedindo a mim ao invés de querer ir a qualquer lugar sozinha.
— Tá, mas não beba até não aguentar mais, ok?
Ela assentiu e seguimos para as alas dos ingredientes que compraremos para o jantar. Para ser mais especifico são um saco de arroz que fui eu quem pegou, cebola, ovos, óleo vegetal, bacon e linguiça calabresa. No começo, pensei que ela faria um Kare Rice ou onigiri com algum acompanhamento, mas, analisando os itens na cesta.
— Vai fazer Chahan?
Ela confirmou. Apesar de arroz frito com bacon e calabresa ser muito simples, para o dia que a gente teve é melhor o simples do que complicar demais.
Passamos as compras, peguei a maioria das sacolas após pagar a compra.
— Me deixe levar alguns — pediu Sara, apesar de parecer estar implorando.
— Você vai cozinhar. Não tenho mais que a obrigação de carregar.
— Mas você aguenta mesmo?
Abri um sorriso meio ofendido. Não tenho os músculos do Keiji-san, nem chego perto, mas não significa que não consigo carregar umas sacolas.
— Isso é muito rude, senhorita Sara.
Dei um peteleco em sua testa enquanto a encaro. Ficamos assim por um tempo até um sorriso se abrir em seu rosto.
— Agradeça a mim por ter lhe acompanhado com os exercícios.
Bufei e logo ri junto com ela.
Quando voltamos para casa, tirei os sapatos e deixei todas as sacolas na mesa de jantar.
— Pode ir para o quarto. Quando terminar, eu te chamo. Ou prefere que eu prepare o seu banho primeiro?
Vendo seu rosto, notei que ela não entendeu exatamente o que falou. Não consegui evitar de levar para o duplo sentido e minha imaginação correu a solta como um mangá ecchi ou hentai. Ela não faria, ou faria? Até hoje não conheço esse lado da Sara e prefiro manter dessa forma. Esse ano completo a maioridade e ela continua sendo uma adolescente em uma escola de ensino médio. Não posso me deixar levar.
— Shin?
Ouvi-la me chamar, me fez sentir mais culpa ainda. Ela está tentando ser apenas gentil e cumprindo sua parte como minha namorada, enquanto estou aqui elevando as coisas para o outro nível.
— Vou continuar lendo já que uma pessoa não me deixou ler.
Mandei a indireta direta para tentar tirar o meu foco desses pensamentos. Sentei-me perto da cama, usando-a como encosto para minhas costas e peguei o livro no criado mudo para voltar a ler. Foi um pouco difícil achar a página onde tinha parado já que não a marquei. Finalmente uma forma de descontrair depois de todos os esforços nos estudos para entrar na faculdade. Pretendo ingressar em Ciências da computação para ser um programador.
Uma vida além da faculdade... Nunca imaginei que no ensino médio arrumaria uma namorada e ainda dois anos mais nova. Alguém que realmente tem interesse em mim de uma forma que eu nunca imaginei. Até pouco tempo atrás só tive o Sou para me menosprezar, mas desde que ela chegou, tudo tem ganhado novos significados. Aceitei sua confissão na época por aceitar, imaginava que logo ela se enjoaria de qualquer forma e, como sempre, Sara vai muito além das minhas expectativas.
Como seria se ela nunca tivesse entrado na minha vida?
De repente, duas mãos seguram minhas bochechas e algo sela meus lábios. Me dou de encontro com seus olhos fechados que vão se abrindo aos poucos após um leve distanciamento.
Levantei uma das minhas pernas e apoiei meu braço em meu joelho. Ela quer realmente me matar hoje.
— Sara, sua...
A xinguei mentalmente de todas as formas possíveis. O único som que consegui ouvir foram as batidas do meu coração que essa garota adora brincar.
— Shin, você está me ouvindo?
Segurei seu queixo com meus dedos nas suas bochechas logo após a minha irritação.
— O que você quer?
— A comida está pronta. Por que você tá tão vermelho? Não é a primeira vez que a gente se beija.
— Cala a boca.
Apertei suas bochechas e ela os tentou tirá-los.
— Amor.
A soltei e coloquei novamente meu livro no criado mudo, dessa vez marcando a página onde parei. Quando ela não me chama pelo nome, na maioria das vezes é por estar irritada demais comigo.
— Quê?
Ouvi seus passos vindo até mim, suas mãos em meu ombro esquerdo e sua respiração perto do meu ouvido.
— Eu te amo.
Me arrepiei com suas palavras e meu rosto queimou. Eu detesto quando fica melosa desse jeito. Não consigo controlar os sentimentos que tenho e ela sempre acaba por me zoar no final.
— Eu te odeio.
— Mentiroso.
Provavelmente ela está sorrindo agora, convencida por realmente saber a verdade mesmo que eu não a diga. Mesmo com seu afastamento, dizer algo tão simples ainda não é fácil pra mim, só que seria muito covarde da minha parte.
Respirei fundo para me acalmar e sem me virar pra ela, cuspi as palavras que tanto ficam presas na garganta.
— Tá! Eu te amo, idiota.
Um silêncio ficou. Resolvi me virar e me dei de cara com seu rosto todo vermelho. Ela se virou assim que a encarei ficando de costas para mim. Para uma garota que se mostra forte o tempo todo ou feita de aço, ela é bem fofa.
Me aproximei dela envolvendo-a pelo seu ombro e apoiei minha cabeça em um dos meus braços para ficar observando-a. Como consegui uma namorada tão fofa como ela?
— Posso vir aqui sempre?
Ela tocou em uma das minhas mãos parecendo menos constrangida.
— Pode vir quando quiser.
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