15 de Janeiro

O céu estava coberto de nuvens carregadas depois de um longo dia de sol escaldante, típico naquela época do ano. A cidade continuava pequena, nada muito barulhento, sem transito e pouca criminalidade. Sempre foi assim, mas algo terrível estava por vir.

Na manhã seguinte, os boatos já circulavam pelos bares e comércios da cidade. Esse era um dos poucos problemas do interior, as notícias se espalhavam rápido, ainda mais as ruins. Diziam coisas horríveis sobre assassinato, esquartejamento e um par de sapatos femininos.

O corpo foi encontrado por dois rapazes num terreno privado, não muito afastado do centro. Apesar de o terreno ser privado era sempre invadido e utilizado pelos jovens da cidade, ideal para andar com suas motos de competição pois era bem extenso e cheio de barrancos. Dessa vez o terreno tinha sido utilizado para outro propósito. Um propósito sombrio e nada prazeroso de ser ver, pelo menos para a maioria da população.

A moça estirada de braços abertos no chão de terra molhada aparentava ter entre seus dezoito anos e vinte anos. Não estava com as roupas sujas, havia sido colocada ali com cautela, depois do "serviço" terminado. Tinha um corpo bonito para os padrões atuais e trajava um vestido preto de festa: decotado, curto e chamativo. Mas dessa vez chamou a atenção de quem não gostaria, pois além de morta, os pés haviam sido amputados na noite anterior.

A maquiagem do rosto se encontrava derretida e as lagrimas, de um provável desespero noturno, se juntaram com a tinta em seus olhos e secado, escorrendo até o pescoço marcado pelo estrangulamento. A definição de medo pintada naquele rosto pálido e gelado. Não parecia ter morrido em paz. Não tinha morrido em paz.

Aquele era o Altar.

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