Santa Tell Me
1 Until I know it's true love
Notas iniciais
Santa tell me if you're really there
Don’t make me fall in love again
If he won't be here next year
Santa tell me if he really cares
Cause I can give it all away if he won't be here next year
Estava realmente tentada a esquecê-lo, mas não era algo fácil. Não era nada fácil esquecer o seu sorriso, os seus olhos, os seus beijos, as carícias, os seus cabelos cor de mel, o jeito como à deixava completa e feliz.
Nada era fácil com Jason Grace. Esquecer ele então, Piper que o diga. Todas as noites que passava sozinha parecia que ficaria louca se não o encontrasse logo. A noite de Natal é umas das que ela não conseguia esquecer.
Feeling Christmas all around
And I'm trying to play it cool
But it's hard to focus when I see him walking 'cross the room
“Era noite de Natal, noite de comemorações, de emoções, de festejos, de alegrias, de desejos – sim, de desejos. Pois naquela mesma noite ela iria satisfazer os desejos e sonhos nada inocentes que tinha há tempos com ele. Vê-lo naquela mesma sala que ela, só aumentava tais anseios.
Eram 23:00hrs, e ela já não aguentava mais, queria beijá-lo, queria mergulhar naquele mar azul que eram seus olhos. E como se o destino estivesse ao seu favor: o garoto subiu as escadas e foi em direção ao quarto. Não perderia essa chance por nada. Seguiu o mesmo até chegar em frente a porta do quarto onde ele havia entrado.
Let it snow, is blasting now
But I won't get it in the mood
I'm avoiding every mistletoe
Until I know it's true love
That he thinks of
So next Christmas I'm not all alone boy
Pousou a mão na superfície gelada da maçaneta e abriu-a calmamente. A porta rangeu como naqueles filmes de terror. Quando olhou o quarto percebeu o garoto loiro sentado em sua cama com a cabeça tombada para baixo e uma expressão um tanto triste.
Dava até dó de ver ele assim. Piper adentrou ao quarto, e seguiu em silêncio absoluto até Jason. Agachou-se em frente ao mesmo, assim ele levantou um pouco a cabeça para poder olhar nos olhos multicoloridos dela.
Piper suspirou.
— O que houve, Jason? — Perguntou calmamente.
Eles não eram amigos, até porque – como dizia Thalia -, era coisa de uma noite só, no caso deles, de várias noites. Ela concordava com Annabeth de que isso era horrível, ser usada, mas Piper amava ser usada por seu loiro favorito, então não deu muita bola ao argumento da loira.
— Nada, só queria que você viesse até aqui. — Jason ri. E mais uma vez ela fora enganada por ele. Todas as vezes eram essas brincadeirinhas de perseguição, e Piper não conseguia resistir à vontade de ir atrás dele.
Mas algo nessas brincadeiras estava começando a irritá-la, e ela não queria mais só coisa de uma noite só. Queria poder ficar todos os dias perto dele, queria andar de mãos dadas na rua com ele, queria poder falar para as amigas que ela tinha o namorado mais gato do mundo.
Piper baixou a cabeça e levantou-se pronta para ir embora. Estava em uma guerra interna com seus dois lados: o lado safado e o lado apaixonado. Por mais que quisesse ficar ali, tinha que dar um jeito nisso de uma vez. Ela não era santa, não mesmo, mas também não ficaria nessas de somente noites.
Antes que ela pudesse começar a caminhar em direção à porta, Jason segurou seu braço.
— Porque vai embora? — Perguntou ele duvidoso.
— Porque eu não quero mais! — Era quase visível a irritação na voz de Piper. Será possível que Jason era tão imprestável a ponto de não ter percebido isso?
— Não quer mais? Você não gosta de transar comigo? — Agora foi a vez de Jason irritar-se um pouco.
— Não, não é isso! Entenda meu lado Jason, tudo o que eu quero é você. — Piper virou-se para ele e abraçou-o. — Mas...mas...Jason.. — A voz embargada dela deixava claro para ele que ela estava preste a chorar. Ele retribuiu ao abraço apertando-a fortemente.
— Se acalma primeiro e depois explica! — Exclamou tentando acalmá-la.
Ele até podia ser um vagabundo que não valia nada, mas tinha coração. Não era tão terrível a esse ponto. As lágrimas quentes de raiva, amor, tristeza, escorriam pela pele morena de Piper.
Mas não ficaria ali para ser usada novamente. Ignoraria seu lado que queria agarrá-lo naquele exato momento e faria algo correto e justo em sua vida. Esqueceria Jason, e não o veria mais. Com esses pensamentos na mente falou:
— Eu...eu vou embora! — Elevou o tom de voz para deixar claro que não sentia nada em relação a ele. Mas suas lágrimas e desespero ao sair daquele quarto a entregavam.
Piper correu, desceu as escadas, pegou sua bolsa, e saiu correndo pela porta que bateu com a velocidade da garota ao sair.
Todos que estavam na sala ficaram com um possível ponto de interrogação na cabeça. As amigas mais próximas de Piper – Thalia e Annabeth -, saíram correndo atrás da amiga. Mas antes que chegassem a entrar no elevador do prédio, Percy e Nico as interromperam.
— Deixem isso, eles têm que se resolver, não vamos mais nos meter! Se Jason não é capaz de ir atrás dela, então, me desculpe Lia, mas ele é um imprestável. Vamos deixá-los se resolverem a sós, já no metemos demais. — Nico e Percy se ajudaram na fala. Thalia e Annabeth iriam até discutir, mas acabaram por consentir e entender que eles tinham razão.
Já haviam se metido demais na relação dos dois. ”
Santa, tell me if you're really there
Don't make me fall in love again
If he won't be here next year
Santa, tell me if he really cares
'Cause I can give it all away if he won't be here next year
Desde aquela ceia de Natal, Piper não dormia direito, não se alimentava corretamente, chorava quase todas as noites da falta que o loiro fazia em sua vida. E também, só pensava nele.
Annabeth e Thalia visitavam-na quase todos os dias que podiam, mas com a faculdade terminando e o trabalho: não tinham quase tempo. E também tinham seus sobrinhos e as afilhadas que Thalia insistira que ela fosse a madrinha.
Hoje era dia 30 de dezembro, ou seja, amanhã seria a virada de ano e ela, com certeza, veria Jason. Ou seja, também fazia cinco dias que não se viam. E como se veriam amanhã à noite na casa de Piper – onde seria comemorado o Ano Novo -, ela resolvera parar de chorar por ele e tentar esquecê-lo. E essa tentação passou a ser uma ordem que ela mesma deu ao seu coração de manteiga.
Só que era tão difícil. Mas ela já havia sofrido demais para voltar atrás, para correr atrás dele e não ser entendida novamente.
Neste exato momento a garota quase dormia deitada em sua cama agarrada ao travesseiro. Se tinha uma coisa que ela amava no mundo, além de Jason, era dormir.
Afinal, quem não gosta de uma boa soneca?
— Filha, já escolheu seu vestido para amanhã à noite? — A voz de sua mãe – Afrodite – se fez ouvir. Tal voz tirou-a de seu quase sono e de seus pensamentos.
Piper estava tão perdida em pensamentos – Jason – essa semana que não teve nem tempo de escolher sua roupa e sapato.
— Mãe, que bom que me lembrou, tinha esquecido completamente! — Ela sorriu, pela primeira vez naquela semana. Mas que droga, não queria se apaixonar novamente e acabar sendo não compreendida depois. O problema é que: já havia se apaixonado por aquele loiro há tempos.
Levantou-se da cama e seguiu em direção à porta. Andou pelo corredor até chegar a sala de costuras e criação de novas maravilhosas roupas. Afrodite era a estilista mais falada e comentada de NY, isso irritava um pouco Piper, pois a mãe quase não dava atenção à menina.
— Querida, escolha um vestido vermelho: a cor da paixão. — E lá estava sua mãe, como sempre, em frente à uma multidão de vestidos tentando ajudá-la a encontrar um namorado. Só que o que ela não sabia era que a sua filhinha já estava amarrada em um loiro idiota.
Contudo, Piper assentiu e seguiu em direção aos tantos vestidos vermelhos de todos tamanhos e tons que você poderia imaginar.
Escolheu um vestido rodado em um tom de vermelho um pouco puxado para o bordo. E saltos pretos para combinar.
— Como ficou, mãe? — Pergunta assim que sai de um dos provadores dando uma voltinha para sua mãe avaliar.
Os olhos de Afrodite brilharam de satisfação.
— Ficou perfeito em você, meu amor! — Ela veio correndo e abraçou a filha. Se não fosse o pressentimento de Piper: ela diria que sua mãe estava chorando em seu ombro. — Piper, filha, olha eu queria me desculpar por não ser uma mãe tão presente. Mas a partir de hoje prometo ser a mãe que você sempre sonhou! Me desculpe, meu amor! — Piper apertou a mãe com força e naquele momento ela não se importava por todas vezes que a mãe se fez ausente.
A partir de hoje teria uma mãe, uma amiga, uma pessoa há quem contar por tudo que está passando. Não conseguiu segurar o choro deixando que as lágrimas escorregassem por suas bochechas. Mas não de tristeza e sim de emoção, alegria, felicidade.
— Eu te desculpo, mãe! Mas não é por sua causa que essa semana eu não saia quase do quarto. — E nessa hora todas as coisas boas e prazerosas que passou com Jason, tomou conta de sua mente e seu coração apertou-se.
I've been down this road before
Fell in love on Christmas night
But in New Year's day I woke up and you wasn't by my side
Afrodite afastou-se da filha para olhá-la nos olhos. — O que foi então? Alguém te fez mal, querida? — Secou as lágrimas da filha mais nova.
— É um garoto... — Ao ouvir tais palavras Afrodite entendeu na mesma hora a causa de Piper ter passado a semana inteira no quarto e não sair de casa em nenhum momento.
O único alívio dela era as amigas – Thalia e Annabeth – vierem visita-la algumas tardes.
Afrodite sorriu. — O que tem esse garoto? — Afagou-lhe os cabelos.
Piper estava em dúvida: se contasse a história à mãe não saberia como ela reagiria, e se não contasse ela ficaria altamente preocupada. Era ariscado contar, mas se não contasse para a própria mãe que queria ajuda-la, há quem contaria?
— Esse garoto...eu nunca aguentei ficar mais de uma semana longe dele, mãe. —Piper fungou. — Então eu ia até sua casa e a gente...transava. Só que o problema é que ele é um grande babaca que não percebe que isso me machuca, não que eu não goste, eu amo. Mas ele não percebe que eu acabei me apaixonando por ele, e ontem nós meio que brigamos na casa dele. Porque? Ele queria somente me usar de novo, e eu não quero mais só isso, quero ser sua namorada.
Quando ela terminou a explicação, a mãe ficou sem palavras, não sabia o que falar e também não sabia que sua filha já passava por isso. Ela não conseguia ficar triste com isso: estava feliz, pois sua filha estava amando.
É, ela chegava ao ponto de ser uma mãe completamente parecida com a deusa do amor, até o nome era o mesmo.
— Pipes, você falou isso para ele? — Perguntou sorrindo.
Se perguntassem a Piper o que ela estava achando de tudo aquilo, ela diria que era loucura ou que sua mãe estava usando drogas.
— É, não... — E foi exatamente nessa hora que percebeu o quão burra tinha sido. Devia ter expressado seus sentimentos, devia ter falado, explicado á Jason que o amava. Mas apenas o que disse foi: “Tudo o que eu quero é você! ”.
Now I need someone to hold
Be my fire in the cold
But it's hard to tell if this is just a fling or if it's true love
That he thinks of
So next Christmas I'm not all alone, boy
Afrodite sinalizou que ela esperasse um minuto e andou até a pilha de vestidos, pegou um deles – em um tom de vermelho desbotado no estilo rodado –, e entregou-o a Piper.
— Use ele no Ano Novo, e não esqueça de conversar com esse garoto e dizer tudo o que sente. — Afrodite sorriu e andou até sua mesa de criações e começou a desenhar um novo modelito.
Piper sorriu, tinha a melhor mãe do mundo e não podia negar isso! Saiu da sala correndo com seu vestido e sapato em mãos e foi em direção ao quarto tomar banho. Amanhã seria um grande dia!
Santa, tell me if you're really there
Don't make me fall in love again
If he won't be here next year
Santa, tell me if he really cares
'Cause I can give it all away if he won't be here next year
Neve caia lá fora, mas ela pouco importava para ela agora. O que realmente à importava estava sentado no sofá conversando com a irmã. Ele – ao que via Piper -, não conseguia resistir à tentação de vez ou outra observá-la. E ela não podia negar que estava gostando daquilo.
Em suas mãos havia uma taça de champagne no qual dava pequenas goladas. A irmã também se divertia com a taça em mãos, imitando o irmão ao seu lado. Piper observava-os apoiada na mesa de jantar, enquanto tentava inutilmente disfarçar conversando com Hazel.
— Perdeu alguma coisa no Jason, Pipes? — A amiga, com certeza, percebera a sua distração.
Piper desviou olhar dos dois, e voltou-os à Hazel.
— Impressão sua, Hazel! — Respondeu dando uma breve golada no champagne. Hazel balançava o corpo no lugar um pouco, devido a música baixa que tocava. Piper obrigou-se a acompanha-la, dançando também.
— Estão brigados? — Pergunta a amiga cerrando os olhos.
Era essa pergunta que ela temia que à perguntassem. Afinal, o que ela responderia?
“Sim, mas não vai dar em nada. ”
Nem eram namorados, somente ficantes. Não deveria responder isso para Hazel já que ela pensava que a amiga havia se declarado para ele há tempos.
— É meio difícil de explicar. —Responde Piper. Hazel olhou a confusa.
— Espere, você ainda não disse para ele? — Indagou ela.
Piper queria se esconder, cavar um buraco e enfiar sua cabeça nele. Nunca fora boa com palavras e era quase impossível alguém conseguir mentir para Hazel Levesque.
— Talvez eu não tenha contado... — Pigarreou sorrindo fraco.
Hazel revirou os olhos. — Fala sério, Pipes. Eu disse para você falar logo, agora ele não vai querer nem olhar na sua cara. O que você falou para ele no Natal?
Piper sentia-se horrível em ter mentido para a amiga, mas não teve coragem.
— “Tudo o que eu quero é você! ”, ele ficou meio confuso: mas não me expliquei e fui embora, bem, isso você deve ter visto. — Explicou tentando não parecer tão horrível quanto tinha sido.
Hazel olhou para o chão chocada pôr a garota ter mentido para ela, mas entendia o lado de Piper. Pensou em vários meios de ajuda-la e acabou que virou as costas para a amiga seguindo diretamente à Leo.
— Leo, preciso da sua ajuda! — Cochichou para o menino.
Leo assentiu. — Ok, o que precisa? — Foi puxado por Hazel pelo braço. Quando parou percebeu que estava no meio das escadas.
Hazel olhou-o apreensiva.
— Desta noite não passa! Vamos trancar Jason e Piper em algum cômodo: não vou mais suportar ela se lamentando.
Leo assentiu várias vezes. Sabia do que Hazel falava, ficara praticamente duas semanas falando com a melhor amiga – Piper – por mensagens. E ela explicara tudo o que acontecera ao latino.
— Tive uma ideia! E se a gente falasse para eles...
E assim foi, depois que combinaram o plano voltaram a sala como se nada tivesse acontecido. E começaram a pôr o plano em ação. Se tudo ocorresse com Leo falara: no final desta noite eles estariam juntos. Era o que eles esperavam.
Hazel comentou com Piper que precisava de sua ajuda: ao que ela dizia, ela e o melhor amigo Leo, haviam brigado logo após que ela deixou Piper de lado. Piper não se importou em ter sido deixada de lado e disse que ajudaria a amiga, mas resolveram ir a um lugar mais reservado.
Até aí tudo maravilhoso, mas a menina achou estranho que Hazel escolhera o jardim de Thalia. Um lugar totalmente cercado e repleto de árvores, plantas e flores de tudo quanto é tipo. Realmente a senhora Di Ângelo amava flores.
Ficaram conversando por um tempo, e Hazel falou absolutamente tudo o que Leo dissera. Um tempo depois Hazel disse à amiga que pegaria mais champagne e já voltaria. Piper assentiu e ficou no jardim deitada na grama.
Uma parte do plano já estava completa, agora só faltava o moreno conseguir a outra.
Enquanto Hazel conversava com a multidão de familiares e amigos que ali estavam, Leo foi diretamente falar com Jason. Com dissera à Hazel, enganaria o loiro e o levaria até o jardim onde estava Piper. Só esperava que desse certo.
Quando entraram no jardim, Leo usou a mesma tática de Hazel: alegando que buscaria mais champagne, o amigo nem discutiu. Assim, ele saiu do jardim e trancou a porta do cercado por fora, colocou a chave no bolso e voltou para dentro da mansão.
Oh I wanna have him beside me like ooh
On the 25th by the fireplace ooh
But I don't want no broken heart
This year I got to be smart
Piper já estava cansada de esperar por Hazel. Com certeza, encher uma taça de champagne e voltar não levaria tanto tempo assim. Levantou-se da grama fofinha e resolveu caminhar pelo jardim de Thalia.
Ao que via: ela cuidava muito bem dele.
— Não acredito! — Uma voz grave ecoou há alguns metros atrás de Piper. Se ela não conhecesse essa voz, diria que era de um outro qualquer. Mas aquela voz era de Jason. Era a voz do Grace que ela mais odiava e ao mesmo tempo amava.
Na hora ela gelou quando ouviu. Virou-se e viu a cabeleira loira bagunçada.
— O que faz aqui? — Questionou sem acreditar muito que era mesmo ele ali. E duvidava que tivesse vindo por conta própria.
Jason correu um pouco até alcançar Piper. E a julgar pela distância – se ela soubesse -, diria que os olhos de Jason brilharam quando à viram.
— Acho que fomos vítimas de um plano para juntar os casais muito velho! — Ele sorriu. Aquilo, quase, foi a ruína de Piper. Mas ela se controlou. Não queria acabar beijando ele novamente e não pôr para fora tudo o que queria falar há meses.
— Já que estamos presos aqui, porque você não cala a boca um segundo? — Piper estava brincando um pouco com a sorte, ela sabia: não era boba. Jason deu dois passos aproximando-se dela.
— Nós dois sabemos muito bem que você ama minha voz. — Vangloriou-se chegando mais perto de Piper.
Ela não fazia ideia do que seu corpo faria por conta própria caso ele se aproximasse muito.
Parece que ele lia pensamentos, foi somente concluí-lo que o loiro já estava há um passo na sua frente. Seria muito clichê dizer que o coração apaixonado por ele, disparou no mesmo segundo em que seus olhos se cruzaram?
Sim, mas foi exatamente o que aconteceu, e o que sempre acontecia.
— Não muda, não é mesmo? — Ela revira os olhos. — Já que estamos aqui: eu quero falar uma coisa, na verdade, muitas coisas.
Jason arqueou as sobrancelhas surpreso. — Prossiga, Pipes.
Piper suspirou profundamente e segurou as mãos de Jason. Jason surpreendeu-se com o gesto, mas não podia negar que aquilo o abalava.
— Primeiro: não ria, e segundo: não faça graça disso. — Disse séria. Jason somente assentia. Uns segundos depois, ela continuou: — Sempre gostei de você como amigo e também gostava e gosto quando transamos, mas há uns três meses eu comecei a gostar de você de outra forma, sabe? — Piper estava, se possível, com as bochechas mais vermelhas do que estavam.
— Gostar de outra forma, como? — Zombou ele.
Jason não sabia como explicar, mas toda vez era a mesma sensação: ficavam em uma noite e depois de umas duas semanas ele não aguentava mais ficar sem vê-la e longe dela, então ia até a casa da mesma.
Piper fechou os olhos instantaneamente e aproximou seus lábios dos dele. Um beijo calmo, longo, onde ela desferia todo o amor e desejo que sentia. Levou as mãos aos cabelos do loiro infiltrando-as no mesmo. Jason apertava a cintura da morena, e à puxava para si.
Dois corpos colados, dois corações batendo fora do ritmo. Eles se amavam à ponto de não suportar ficarem tanto tempo longe um do outro. Mas o amor não é detectado tão facilmente, ainda mais se nenhum dos flechados se declarasse.
Separaram-se pela insuportável falta de ar. Jason deu a iniciativa:
— Acho que isso foi um “eu te amo”, sim? — Piper sorri. Um sorriso tão feliz, tão alegre.
— Eu sempre te amei, Jason Grace! — Falou de uma vez antes que perdesse a coragem de novo, que sempre gostava de abandona-la na hora errada.
Oh baby
Santa tell me
Santa tell me
If he will be, if he will be here
Santa tell me
Jason sorriu. — Posso fazer uma revelação também? — Pergunta pousando os olhos sobre os lábios borrados de batom vermelho da morena.
Piper assentiu.
—Piper McLean, eu quero dizer uma coisa que eu guardo comigo desde que te conheci. Eu também te amo!
Apenas com essas palavras, aquele se tornou o melhor Ano Novo da vida de Piper. Ela não pediria um Ano Novo melhor. Não como aquele.
Fez o que sempre quis desde que o vira: pulou em seus braços, enlaçando as pernas na cintura do loiro que a segurou. Beijando-o intensamente.
Santa tell me if you're really there
Don't make me fall in love again
If he won't be here next year
Santa tell me if he really cares
Cause I can give it all away if he won't be here next year
Santa tell me if you're really there
Don't make me fall in love again
If he won't be here next year
Santa tell me if he really cares
Cause I can give it all away if he won't be here next year”
Com Jason sempre fora assim. Tudo uma brincadeira, tudo uma armadilha, uma pegadinha. E Piper sempre caíra e sempre irá cair nelas.
As pessoas não escolhem por quem se apaixonam.
Para ela, ele sempre fora uma brincadeira: um canalha miserável. Mas foi por esse “canalha miserável” que ela se encantou. Foi pelo jeito miserável e às vezes sem coração, que ela se exaltou.
Não existem contos de fadas, não existem príncipes encantados, e ela aprendeu isso na pior maneira possível.
Da maneira mais sofrível, mas, também, mais apaixonante e emocionante que há.
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