Sangue quente.

32 Plantado dúvidas doloridas.


Notas iniciais
Pessoal, mil desculpa a incrível demora em atualizar essa fic e também a demora em responder os comentários do capítulo anterior, mas acho que vocês já sabem meus os motivos. Esse capítulo saiu curtinho, mas foi o melhor que pude fazer para não deixar vocês mais tempo sem atualização. Espero que curtam e a boa notícia é que na semana que vem tudo volta ao normal. ^^ Boa leitura e até lá.

Sophia...

O som das ondas, o balançar do navio, o cheiro de sal, tudo isso estava se tornando insuportável pra mim. Meu corpo latejava e suava frio com a dor que eu estava sentido, meu corpo passou por um estresse terrível ao se transformar daquela forma. Meu outro eu levou meu corpo ao limite e agora eu estou pagando o preço. Se não fosse graças ao meu fator de cura acelerado, provavelmente eu estaria em um estado deplorável agora.

Minha cabeça também doía muito, o esforço de manter meu outro eu preso estava me enfraquecendo aos poucos. O medo se intensificava dentro de mim, eu não era forte o bastante para segurar o meu outro eu pra sempre... Uma hora ou outra ele sairia e o mundo inteiro pereceria perante seu desejo por destruição.

Eu não conseguia encontrar outra maneira de pará-lo... além é claro de me destruir junto com ele, mas eu tinha medo... eu não queria partir agora. Eu queria ficar mais um tempinho com meus pais... eu queria ver mais desse mundo incrível e cruel ao mesmo tempo. Eu tive tão pouco tempo... isso era tão injusto.

Eu irei prolongar a minha vida o quanto for possível, mas eu sei que meu fim está próximo, muito próximo na verdade. Irei preparar os outros aos pouco... iriei deixar Papai e Tata felizes... nem que para isso eu tenha que fazê-los esquecer de mim... pelo bem deles, eu farei isso.

Mas só de pensar nisso, eu tinha vontade de chorar. O medo de morrer e ser esquecida me dominava, eu precisava de aconchego... eu precisava de alguém me dizendo que tudo ia ficar bem. Então corri pros braços de Papai.

—“Hei criaturinha... o quê houve? Porque está tremendo assim?” Papai me olhou desconfiado quando eu pedi colo e me aconcheguei nele.

—“Nada Papai...” O abracei e me aconcheguei mais nos braços dele. Sentir seu cheiro sempre me acalmava, mas dessa vez ele não era capaz de tirar o medo e a dor de mim... Não era mais como dá vez em que ele arrancou os espinhos que me feriam... Nunca mais haveria alívio para a minha dor... somente talvez... no fim.

—“Está preocupada com o Ian? Hei... não fique triste criaturinha, não foi sua culpa... O Ian vai melhorar, eu prometo.” Meu Papai tentou me ninar e me acalmar, mas isso só fez me lembrar de mais um problema que me afligia no momento. Meu Tata estava muito doente, os machucados que fiz nele estão piorando cada vez mais.

Nunca irei me perdoar se ele morrer... Nunca!

—“Quer ir ficar com ele enquanto eu converso com o moleque? Eu tenho que descobrir onde exatamente estamos agora.” Papai me fez um carinho na cabeça, eu concordei com ele.

Papai me levou pro quarto onde meu Tata estava dormindo. Eu não disse nada, mas o cheiro de carne podre me revirou o estômago... Será que Papai podia sentir esse cheiro emanando do Tata também? Ou ele estava determinado a fingir que tudo estava bem?

Fui colocada sobre a cama ao lado de Tata que dormia tranquilamente, sua respiração era fraca e descompassada, as bandagens em seu peito tinha uma cor marrom escuro e não mais vermelho vivo... seu ferimento estava necrosando.

Papai foi lá pra fora, pra conversar com Leo. Deitei ao lado do Tata e fiquei olhando seu perfil. Ele estava tão pálido e com olheiras tão profundas... ele estava tão gelado... E tudo isso era a minha culpa, eu era um monstro mesmo.

Fiz um carinho no rosto de Tata, mas ele não acordou. Ele estava morrendo, eu sabia disso... eu podia sentir.

Não posso deixar isso acontecer... não posso deixar meu Tata sofrer assim.

—“Está pensando em cometer o mesmo erro de novo Maninha?” A voz agourente voltou à minha cabeça.

—“Droga! Eu pensei que tivesse conseguido te prender...” Forcei a minha mente a aprisioná-lo novamente, mas não consegui, ele era forte demais.

—“Só me responda uma coisa Maninha e depois eu te deixo em paz... Você se lembra como eu te derrotei da primeira vez, não é? Você estava tentando dar seu poder de cura ao nosso hospedeiro e enfraqueceu. Você pretende fazer isso de novo? Mesmo sabendo que eu estou bem aqui, só esperando você cometer um deslize pra tomar o controle e destruir tudo?” Seu sorriso macabro reverberou em minha mente.

—“Cala a boca...” Falei enquanto forçava-o de volta a sua prisão.

—“Ele vale a pena Maninha? Salva-lo vale mais do que salvar o mundo inteiro de mim?” Ele perguntou calmamente.

—“Você está só tentando mexer com a minha cabeça... você só quer me ver desistir dos que amo para continuar vivendo.” Rebati com firmeza, ele estava mesmo querendo me ver matar todos que amo.

—“É isso que você acha?” Ele sorriu cinicamente e isso me arrepiou.

—“Você não estaria aqui implantando a dúvida na minha mente... Não se você realmente tivesse o plano de esperar eu fazer alguma idiotice novamente, para então tomar o controle.” Isso que eu disse fazia muito sentido. Se ele quer tomar o controle do meu corpo... Então porque ele está tentando me impedi de fazer algo que vai ajudá-lo a me vencer?

—“Bem... é verdade. Mas te ver sofrer com a dúvida, é bem mais divertido do que te ver fazer idiotices.” Ele gargalhou na minha mente.

—“Cala boca.” Tentei novamente aprisioná-lo, mas estava fracassando miseravelmente... eu ainda estava sofrendo os efeitos colaterais da transformação. Talvez eu realmente tenha que acabar com tudo isso agora... nesse exato minuto. Talvez eu deva salvar o Tata, acabar com a minha dor e o perigo iminente do meu outro eu... Eu só preciso... curar meu Tata e me destruir... é fácil, será rápido... mas eu estou com tanto medo.

—“Você não vai conseguir acabar comigo. Assim que você salvar o hospedeiro... eu vou te derrotar e tomar o poder. Mas... se isso te serve de consolo Maninha... mesmo que você se sacrifique pra salvá-lo, no fim eu vou matá-lo mesmo assim, será apenas um desperdício de tempo. Então minha dica é... não faça nada. Assista ele morrer de camarote e se salve. Viva mais um pouco Maninha.” Ele ficou sussurrando isso na minha mente... e isso só me fazia ter mais medo e insegurança.

—“Porque você quer que eu viva?” Tinha algo de estranho nisso tudo... ele estava mesmo tentando adiar a minha morte? Será que ele também tem medo da morte? Isso não faz sentido, já que a chance que eu tenho de destruí-lo junto comigo são quase nulas... Ele tem bem mais chances de se livrar de mim e tomar o controle desse corpo... Então por quê? Porque ele me quer viva?

—“Não é isso que você quer Maninha? Você não quer viver mais? Só estou te dando seu último desejo. Eu não tenho tanta presa assim de destruir o mundo... eu terei a eternidade pra isso.” Ele falou sério, mas eu podia sentir o deboche em sua voz também.

—“Mentira... você tem algum plano inteligente por detrás disso. Você está me manipulando... não é mesmo?” Tenho certeza que ele sabe de algo que eu não sei... ele é esperto, não posso cair em suas armadilhas.

—“Maninha, você é esperta... mas não tanto. Na verdade... eu não quero que você morra.” A voz sorriu na minha mente.

—“O quê?” Porque não? O que ele quer de mim?

—“Que graça teria se você morresse? Na verdade... eu quero te enlouquecer... eu quero que você seja como eu... pensa como iria ser divertido. Eu e você, juntos pra sempre... dominando o mundo.” O sorriso se tornou mais sombrio.

Isso fazia sentido. Se eu fosse alguém como ele, eu iria querer ter alguém igual a mim para ter com quem conviver quando todos perecessem... mas acho que tem algo a mais do que isso.

—“Sabe que nunca vou decair ao que você é.” Falei firme, eu não me deixarei ser algo assim, eu acabarei com tudo antes.

—“Vale a pena tentar, não é?” O sorriso dele ficou mais debochado.

—“...” Droga... ele está vencendo... ele já conseguiu mexer na minha cabeça. Ele está me enlouquecendo mesmo.

—“Então... o que vai ser Maninha? Vai arriscar salvar o hospedeiro? Ou vai ser inteligente e sacrificá-lo pelo mundo?” Ele perguntou isso com malicia e jubilo, ele sabia que estava dividindo a minha mente.

Tem alguma coisa muito errada nisso... porque ele está tentando me impedi? Ele está com medo? Mas do quê? Ou será que ele realmente quer me enlouquecer?... Ou quem sabe ele quer ver o Tata morrer?

—“Porque você tem tanto medo do Tata? Será que é porque foi ele que te parou?” Aí tem coisa... eu tenho certeza. Eu não posso confiar nele e não posso cair na armadilha de achar que sei o que se passa na cabeça dele... ele pode me enganar com facilidade.

—Hahaha que teoria boba.” Ele gargalhou na minha cabeça, isso piorou a minha dor de cabeça.

Mas parando pra pensar, ele ainda chama o Tata de hospedeiro... mesmo agora que não somos mais um hospede no corpo dele... e se...

—“Então você tem medo dele porque ele pode criar outros como nós?” Chutei isso ao acaso, tinha que haver algo.

—“...” Ele se calou... será que acertei?

—“Ah, é isso, não é? Está com medo... Porque sabe que não tivemos tempo o suficiente para nos desenvolver... Nós nascemos antes do tempo e passamos por dificuldades ao logo do desenvolvimento uterino. Mas o novo bebê poderia ter a chance de crescer o suficiente, e ser muito mais poderoso que nós.” Isso fazia sentido... é claro que ele não quer que algo mais poderoso que ele surja nesse mundo... só pode ser isso.

—“Você acha que tenho medo de um desafio, é isso? Hahaha um novo ser como nós seria... ótimo! Eu teria um rival novamente. Mas será que você quer um outro ser como nós nesse mundo?” Ele sorriu despreocupado.

—“O quê quer dizer?” Droga... Porque estou deixando ele me manipular desse jeito?

—“E se ele for como eu?” O sorriso cruel dele me arrepiou mais... sim, havia essa possibilidade... um novo monstro poderia nascer.

—“...” Olhei para meu Tata... a dúvida me afligia terrivelmente.

—“Deixe-o morrer Maninha.” Ele cochichou na minha mente.

—“Está com medo da morte Maninho?” Perguntei a ele com um sorriso nos lábios.

—“O quê? Que besteira é essa?” Ele se indignou com minha pergunta.

—“Acho que você sabe o que eu estou planejando... não sabe?” É claro que ele sabe... ele tem acesso à minha mente... mas eu não tenho a dele e isso é muito perigoso.

—“Eu posso te parar facilmente.” Ele se vangloriou.

—“Então o que mais te preocupa?” Perguntei mantendo o meu sorriso cínico.

—“Porque não entra na minha mente pra descobri?” Ele me convidou com arrogância. Droga... ele realmente pode ler a minha mente... mas porque não posso ler a dele?

—“Você é mesmo uma cobra esperta... se eu não fosse tão esperta quanto você, eu já teria sido enganada e perdido essa batalha.” Eu sabia que isso era uma armadilha, ele queria que eu tentasse ler a mente dele... mas eu não seria tão estupida... pois talvez isso me corrompesse.

—“Mas eu já te enganei Maninha... inúmeras vezes, você só não percebeu isso ainda.” O sorriso vitorioso dele me arrepiou... o que ele quer dizer com isso? Ele já me manipulou antes? Quando?

—“O quê você quer dizer com isso?” Exigi saber.

Silêncio total... ele voltou para sua prisão? Mas por quê? Eu nem tentei prendê-lo de novo. Ele simplesmente entrou na sela e fechou a porta... Porque ele faria uma coisa dessas?... Droga! Ele está me enlouquecendo de verdade.

Olhei para Tata, ele estava mais fraco... mas agora o medo me abatia, meu outro eu tinha razão... Se eu o salvasse... eu perderia a batalha. E se Tata vivesse... outro monstro poderia nascer... Mas não posso ficar sentada aqui assistindo ele morre, não quando a culpa é minha.

—“Hei criaturinha... quer tomar um banho?” Papai entrou no quarto suspirando de leve. Leo vinha logo atrás dele com uma expressão emburrada.

Concordei com a cabeça, um banho quente séria bom agora... Talvez aliviasse a minha dor e me limpasse de toda essa sujeira ao qual meu outro eu me sujou.

Estendi os braços pro Papai e ele me pegou no colo.

—“Cuida dele moleque... se alguma coisa acontecer com ele enquanto eu estiver fora... eu juro que vou te esganar.” Papai falou isso fuzilando o Leo com os olhos. Leo mostrou a língua pra ele. Papai bufou para o Leo e me levou pro banheiro chique do Capitão.

...

Ian...

Dor... isso era tudo que eu estava sentido no momento, meu peito queimava como se brasas acesas tivessem sido depositadas ali, minha garganta implorava por água.

—“Á-gu-a... por... fa-vor...” Implorei para a escuridão, não demorou muito e algo encostou nos meus lábios.

Abri meus olhos com muito custo e vi a pequena imagem loira de Leonard segurando um copo com o líquido que eu tanto almejava, bebi e a sensação de torpor se abrandou. Olhei melhor para Leonard. Ele me encara com uma expressão triste.

—“O quê foi?” Perguntei tentando sorrir.

—“Posso te fazer uma pergunta, senhor?” Ele me chamou de senhor? O que ouve com a história da comida?

—“Claro...” Suspirei cansado demais pra fazer a piadinha do... você já está me fazendo uma pergunta.

—“Você ainda ama a monstrinha? Mesmo depois dela te machucar?” Ele me perguntou calmamente.

—“É claro... ela é a minha filha... não importa o que ela faça... eu sempre vou ama-la.” Falei isso com convicção. Eu amava a Sophia acima de tudo... se eu precisasse morrer pra salvá-la, eu faria isso um milhão de vezes sem hesitar.

—Eu queria que você fosse a minha mãe.” Leo disse isso com um tom de voz engasgado. Havia tanta tristeza nessa declaração, me surpreendi com tais palavras.

Mas me choquei ainda mais quando senti algo quente e molhado pingar na minha mão... lágrimas? Ele está chorando? Mas... para um vampiro chorar, algo grande deve afeta-lo... o que esse menino esconde?

—“Onde está a sua mãe?” Perguntei fraco, minha voz estava sumido.

—“Não sei... nunca mais a vi depois que ela me vendeu como escravo.” Ele limpou o rosto com o braço, mas as lágrimas seguiam escorrendo e molhando o seu rosto.

—“O quê?” Arregalei os olhos... como uma mãe podia fazer isso com um filho?

—“Ela nunca me amou... ela só me fez para enriquecer.” Leo soluçou.

—“...” Fiquei calado, eu não sabia o que dizer.

—“Minha mãe era uma serva de um Conde rico e poderoso... ela o seduziu e engravidou de propósito... porque achou que o Conde ia pedi-la em casamento ou coisa do tipo. Mas não foi isso o que aconteceu... O Conde acabou casando com uma vampira nobre... e eu nasci bastardo. Então acabei me tornando um perigo para os futuros filhos da Condessa, pois se os filhos que ela desse ao Conde não o agradassem, eu poderia me tornar o herdeiro... Ela então exigiu a minha mãe que ela se livrasse de mim... em troca de muito dinheiro é claro...” Leo fungou alto e fez uma careta toda vez que pronunciou a palavra mãe ou dinheiro.

—“Ah... Leo.” Isso me apertou o coração, segurei a mão dele.

—“Eu tinha cinco anos quando ela me vendeu e foi ter uma vida abastada por aí... Enquanto isso eu fiquei lá... sendo chicoteado pelo Capitão... sendo amarrado a um troco em baixo do sol fervente para me adaptar a uma vida diurna... sofrendo dia após dia, sem alimento para me recuperar das queimaduras... Mas eu sempre esperei ela voltar pra me pegar... no entanto ela nunca veio... ela nunca se importou comigo.” Leo soluçou em meio ao choro descontrolado.

—“Eu sinto muito.” Fiz um carinho na mão dele, eu queria poder abraça-lo, mas não conseguia me mexer.

—“Quando eu vi vocês roubando o barco... eu pensei que aquela seria a minha chance de fugir... eu já tinha perdido as esperanças de que um dia ela voltaria... Mesmo que eu tenha rezado dia e noite pra ela voltar...” Leo seguiu chorando sem vergonha na minha frente... e isso era o mais chocante, chorar é uma humilhação para um vampiro.

—“...” Droga, eu queria ter palavras ou forças para consola-lo.

—“Ela não voltou... mas você apareceu...” Ele me olhou com... devoção.

—“O quê?” O olhei sem entender.

—“Você me protegeu... mesmo depois que eu fui malvado com você... Você foi o primeiro vamp... mest... ser a ser legal comigo.” Leo me olhou com um pedido mudo de desculpa, ele não me chamou de mestiço.

—“Eu já fui um escravo também Leo... eu sei como é terrível. Eu não podia deixar que alguém tão pequeno e indefeso passasse por algo assim.” Me lembrei do que o Capitão queria fazer com ele e estremeci.

—“Posso... ficar com... o senhor?” Ele me pediu tímido, olhando os próprios pés.

—“Você quer ficar comigo?” Me admirei com seu pedido.

—“Por favor...” Ele implorou triste, um beicinho meigo surgiu em seu lábio inferior... ele nem parecia mais o vampirinho metido que eu conheci... na verdade ele me lembrava ao Seph agora.

Estendi os braços pra ele e Leo rapidamente subiu na cama e se entregou ao meu abraço. Senti as lágrimas dele molhar meu ombro, ele se aconchegou ao meu lado e deixou a cabeça apoiada no meu braço. O acaricie até ele acalmar o choro.

—“Mas que trairagem é essa?” Seph surgiu do banheiro de banho tomado com a Sophia nos braços, Seph nos olhava com raiva, Leo se aconchegou mais ao meu abraço e mostrou a língua ao Seph. Se eu não estivesse doente, eu riria alto disso.

—“Acabo de arranjar um irmão para a Sophia.” Sorri fraco.

Sophia sorriu, apesar de ela parecer abatida, Seph bufou irritado e Leo me esboçou um sorriso gigante.

—“Quem te deu a permissão de sair por aí catando órfãos?” Seph me olhou muito irritado mesmo.

—“Seph...” Fiz beicinho pra ele.

—“Não tem de Seph... eu não fui com a cara dele e...” Seph já ia bater o pé, mas Sophia o interrompeu.

—“Eu quero que ele seja o meu irmão mais velho Papai... deixa, por favor.” Ela pediu de forma meiga.

—“Aff... vocês dois...” Parecia que Seph ia arrancar os cabelos agora.

—“Vai Seph... pela Sophia.” Pedi de novo, fazendo beicinho, Sophia me imitou e Leo mostrou a língua pro Seph... que menino corajoso e idiota... igual ao Seph.

—“Tá bem... tá bem... você pode entrar pro grupo moleque... MAS... você não vai fazer parte da família. Tá me entendendo?” Seph olhou sério para Leo.

—“Eu nem quero fazer parte da SUA família.” Leo se aconchegou mais a mim ao dizer isso.

—“Ian... é bom você nunca sair de perto desse moleque... pois ele pode acabar aparecendo degolado ou coisa do tipo qualquer hora dessas.” Seph olhou cheio de ciúmes para o garoto nos meus braços.

—“Vou me lembra disso.” Sorri para Seph e abracei mais forte meu novo filho.

...

Sophia...

Leo ancorou o navio em um lugar seguro em alto mar, estávamos quase chegando em casa agora... talvez amanhã já estejamos lá.

Todos fomos nos deitar, eu deitei entre Tata e Papai, mas Leo foi dormir num colchão atirado no chão aqui ao lado, pois o Papai não o deixou dormir na cama com nós.

Sei que Papai não é mal. Ele só tem dificuldade de aceitar novos sentimentos em relação aos seres que se aproximam dele... Eu sei que foi difícil pra ele aceitar o Tata, o Vovô, o Pedro e até mesmo eu... mas Papai logo passa a amar os outros acima de tudo. Não vai demorar para Leo ocupar um espaço no coração dele.

Agora eu posso ficar tranquila... pois Leo me substituirá agora que pretendo partir... Papai e Tata não vão mais ficar sozinhos.

Ajoelhei-me na cama e olhei com tristeza para Papai, ele dormia tranquilo. Tata ao lado dele parecia cansado e fraco... eu sei que Tata não vai sobreviver até o amanhecer... eu posso sentir isso. Meu veneno é potente e cruel, ele foi feito para matar lenta e dolorosamente... tudo culpa da mente cruel e doentia do meu outro eu.

Agora era a hora de decidir... eu ia deixar Tata morrer e seguiria ele para o outro mundo? Ou iria salvá-lo e correr o risco dele criar outro como eu?

O melhor a se fazer... seria morrer com ele... Papai e Leo seguiriam as suas vidas juntos... eles demorariam a se adaptar um ao outro... mas seria o certo a se fazer.

Mas... será que eu sou capaz de fazer o certo?

Notas finais
O outro eu da Sophia encheu sua mente de dúvidas cruéis... o que ele pretende com isso? E o que a Sophia irá fazer? Ela irá salvar o Ian ou não? E depois ela irá dar um fim a tudo? Não percam no próximo capítulo.