Sangue nas Mãos, Zumbis na Terra

1 Assassinados?! Eu os assassinei...


Notas iniciais
Ao pessoal que está chegando agora, peço desculpas pelo poucos capítulos reescritos. Entendam que essa foi minha primeira história postada, e apesar de ter melhorado muito minha escrita, me falta tempo pra reeditar os primeiros capítulos... Juro que a partir de certo capítulo as coisas melhoram, ok? Não desistam ;-;

Capítulo 1 – Assassinados?! Eu os assassinei...

(5h59m — 6h00m)

O velho e surrado despertador começa a tocar. Azami, numa tentativa de abafar o som torturante, enfia a cabeça de baixo do travesseiro. Inútil. Com toda sua força soca o aparelho que ainda apitava sem parar, ele caiu e se quebrou em vários pedaços, que fez parar de tocar pelo menos. Praguejou mentalmente.

Estava acordada, era hora de levantar. Primeiro foi vestir seu uniforme; meia 3x4, saia rodada e casaco. Todos azul marinho e bordas rosa-claro. Como odiava esse uniforme, odiava cores, odiava tudo que mostrasse alegria. Mas sabia que tinha que usá-lo, afinal, eram as normas da escola.

Azami escovava os dentes, quando se lembrou que hoje era seis de setembro, o maldito dia em que teria que tomar a vacina GNM. Seus pais tinham saído mais cedo para não enfrentar filas, e tomarem logo o medicamento. Mas Azami não queria ser a primeira, não queria nem tomar a vacina. Já prendia seus cabelos castanhos escuros num rabo de cavalo, nunca pensou direito nisso, mas era linda. As garotas de sua escola preferiam chamar atenção para seus corpos, e se ridicularizarem com roupas pouco decentes, já Azami optava por se concentrar em treinos mentais e físicos, se ocupando com a prática de esgrima, uma de suas paixões.

Depois de pronta, apoiou sua bolsa nas costas e desceu as escadas notando a televisão ligada. Seus pais deviam tê-la esquecido assim, passava alguma matéria do prefeito da cidade sendo entrevistado. Tolices sobre a vacina GNM e de como ela seria importante para a população, coisas do gênero que não se importou.

Saiu de casa, e seguiu caminhando para a escola. Seus fones estavam conectados ao celular no último volume, podendo só assim se manter centrada no caminho e ignorar todos os outros estudantes que passavam ao seu lado acompanhados ou felizes por simplesmente terem acordado. Ouviu uma voz conhecida ao seu lado, revirou os olhos imaginando quem seria.

Leon- Ei Azami, me espera! – puxou seu casaco, tentando acompanhar o ritmo da amiga.

Azami- O que você quer? — perguntou sem alterar sua feição.

Leon- Bom dia pra você também. – tirou um dos fones do ouvido da garota. — Lembra que eu...

Azami- Estava fazendo curso de medicina para o Governo, e blá blá blá blá. — interrompeu friamente.

Leon- É isso mesmo. – sorriu não se incomodando. — Eu fui escolhido para decifrar os componentes dela num teste, e descobri umas coisas, e só para garantir, até eu ter certeza, tem como você não tomar ela?! — era gentil.

Azami- E porque eu faria isso por você? — estavam falando sem parar de caminhar.

Leon- Por quê? Bem... A gente... É amigo e... — falou gaguejando cada palavra. — Ah Azami, só fica longe da vacina, ok? Pode me garantir isso?

Azami- Primeiro, não tenho amigos. – gesticulou levantando os dedos. — Segundo, só vou fazer isso porque odeio multidões e muita gente falando ao mesmo tempo, e não porque sou sua amiga. — fechou a cara e passando pelo portão do colégio.

Leon era seu amigo de infância, ninguém sabia ao certo o que havia os separados, nem ele próprio. Loiro de olhos azuis claríssimos, e mesmo tendo certa fama a zelar, nunca deixou de tentar reacender a amizade deles, nem por um segundo.

–X-

Não demorou até ouvirem o sinal que marcava o intervalo tocar. Um dos horários mais odiados por Azami, incluir multidão, conversas alheias e folga de outros estudantes num mesmo momento, nunca seria agradável para ela. A garota se retirou da sala como de costume, guardando os materiais e pegando algum livro pra ler sentada afastada.

Estava acomodada quando notou uma figura de cabelos claros se aproximar furtivamente.

Leon- E aí Azami!! — gritou com intenção de assustá-la, se sentando ao lado dela.

Azami- Vai se foder. – sorriu irônica – O que faço para me livrar de um peso morto como você? — falou calmamente, mostrando nenhuma reação a tentativa de susto do colega.

Leon- Ah, qual foi menina?! – entortou a cabeça com o cenho franzido, tentando entender cada movimento da colega. – Seu escudo é tão forte assim que nunca vai ser quebrado?! – voltou a encará-la sério, ignorando cada movimento ao seu lado, muita gente passava comentando o fato de logo ele, estar conversando com logo ela.

Azami- Fala logo o que quer e vaza. – seu olhar estava compenetrado nas palavras do livro em seu colo.

Leon- É sobre a vacina. – suspirou. — Eu estava no laboratório e descobri mais umas coisinhas... – checou se ninguém estaria perto o suficiente para ouvi-los. – Pra não sermos ser vistos, na hora de tomar ela, será que você podia me encontrar no laboratório? – inclinou o tronco na tentativa de enxergar o rosto dela atrás de todo aquele cabelo.

Azami- E porque não?! – ironizou. — Vai ser ótimo passar um tempo com você! – fixou-se nos olhos dele.

Leon- Obrigado pela gentileza. — respondeu ironicamente também. – Pode ser na saída? Não se esqueça! — saiu pra jogar com os amigos que o esperavam no bebedouro.

Ali perto estava Yui, e o grupo de amigas. Yui era uma patricinha, que odiava Azami por ser amiga tão próxima do menino que era afim, Leon. Elas sempre se odiaram desde que começaram a estudar na mesma escola, ou seja, há um ano e meio.

Yui- Meninas! – ria com suas amigas — Se não é a menina mais desprezível dessa escola! – parou em frente Azami.

Azami- Eu me admiro por você conhecer a palavra desprezível. – não tirou os olhos do livro.

Yui- Sua imbecil... — foi interrompida.

Azami- Outra palavra nova no seu vocabulário. Andou lendo o Aurélio loira?! – ria desconcertada, era divertido tirar com esse tipo de menina.

Em um movimento de nervosismo e totalmente fora de si, Yui jogou o livro que Azami lia no chão, agachou tirando o chiclete que mascava e colando em uma de suas páginas. Nesse momento, todos os alunos que estavam perto sabiam que Yui havia feito merda.

Yui- Isso... Foi... Pra você aprender! – deu as costas, engolindo em seco de medo.

Uma aglomeração de alunos se reuniu em volta delas. Azami pegou o livro de volta, arrancando a mesma página com chiclete e arremessando-o com força acertando em cheio Yui. A multidão pode acompanhar cada milésimo que a bolinha amassada levou para atingi-la.

Yui- Quem foi... — foi surpreendida por um soco em seu maxilar, que acabou cortando seus lábios nos dentes, o sangue escorreu manchando seu uniforme. Azami pôde apenas sorrir com a menina nocauteada em sua frente, deixando toda a escola presenciar esse instante glorioso juntamente consigo.

Ouviu alguns alunos reclamarem de alguém pisando em seus pés, e xingarem baixinho. Alguém tentava passar por eles.

Diretora- AZAMI!! — berrou a mulher da escola que acabara de chegar de seu horário de almoço, tentando passar no meio dos alunos que estavam assustados com o acontecido.

Azami- Pronto agora fodeu legal... — tirou sarro. — Foi uma simples defesa Diretora! — tentava explicar de costas, pois sabia que se a coroa visse sua expressão, saberia que foi proposital.

Diretora- Isso não foi defesa! Foi uma crueldade, injustiça contra a aluna Yui! Você a deixou desacordada! — ainda tentando chegar ao lugar que estavam as moças.

Azami- Ela pediu pra apanhar... – virou-se a encarando de frente, não queria ser repreendida mais uma vez, mas não conseguia se calar nessas situações.

Diretora- Quer saber? – bufou finalmente vendo o efeito da briga. — Não quero ouvir sua parte da história, já para a sala de espera que vou ligar paras os seus pais!! — falou enquanto tentava inutilmente, acordar a Yui.

–X-

Azami amaldiçoava tudo e todos, nunca pensava direito em suas ações e consequências futuras. Era incrível como a natureza parecia conspirar contra si mesma.

Enquanto via o relógio rodar, e nada de seus pais aparecerem, decidiu bisbilhotar pela internet com o celular. Entrou em sua rede sócia a fim de ver notificações pendentes, mas notou uma mesma notícia compartilhada aos montes por diversos usuários.

Azami- Mas que merda é essa? – sussurrou abismada com o que lia.

Pesquisou em diversas fontes, até mesmo em sites especializados do Governo, todos repetiam a mesma tese, anexando o mesmo vídeo que ela até baixara para poder mostrar para alguém mais tarde. Sua boca formava um completo o com o que lia, não seria possível, pelo menos não até hoje.

Ouviu o som familiar do carro de seus pais estacionando. Ainda se encontrava na sala de espera, havia apenas alguns armários expondo troféus da escola e o portão elétrico por ali.

Pai- Azami sai logo, a gente precisa ir para o hospital! – o homem pronunciou ecoando pelo local vazio, o vidro fosco da porta transparecia pouco dele, mostrando apenas o mesmo com sua mãe apoiada nos ombros.

Azami- Está tudo bem, pai? – indagou receosa.

Pai- Depois a gente conversa sobre o que você fez hoje, e não, está tudo péssimo, só vamos logo!! – tossiu, falando com muita dificuldade.

Azami- Tá, tá! Só vou pegar meu material com a diretora na outra sala e pedir pra ela abrir o portão. – bufou irritada, era sempre o mesmo tratamento frio estava cansada disso.

Era certo que Azami nunca fora a melhor filha, mas depois de tudo que ocorreu com ela esperava pelo menos o mínimo de consideração vinda de seus pais. Como era acostumada, ignorou o esse fato com sempre fez, e decidiu agir como sempre agiu.

Depois de ter pego o material na sala ao lado, viu que a diretora não estava lá para abrir o portão. Teria que fazer isso escondido e sem a permissão de um adulto. Quando voltou para a sala de espera, sua mãe estava arqueada pelo chão vomitando pedaços do que seria o café da manhã e sangue. Sentiu seu estômago reclamar ao ver aquela cena.

Pai- Azami! Ainda bem que você voltou. – ainda apoiava a mulher, sua aparência era tão horrível quanto a dela. — Eu acho que a vacina fez efeito... E... — parecia ter virado a noite, sua pele não estava em um tom considerado saudável era pálida, tendo sangue jorrando de seu nariz como uma torneira aberta. – E, desculpa... – suas palavras gélidas soaram pelo ambiente, antes de cair sobre a mulher, ficando amontoados.

Azami presenciou a morte de seus pais sem dizer uma palavra. Não choraria, fazia muito tempo que não sentia algo por eles. Seus olhos não piscaram por longos segundos, deixando-os imóveis. Não sabia que era chorar mais, não sentia a sensação de dor há muito tempo. Observou leves espasmos ocorrerem pelo corpo morto de seus pais, uma chama de curiosidade acendeu em si.

Azami- Pai?! Você está melhor? – viu eles se levantando, acreditando que poderia ser um simples desmaio.

Ele não a respondeu. Mas continuou se erguendo aos poucos, um passou de cada vez cabisbaixo, se aproximando dela. Soltou um gemido incomum, esticando as mãos para agarrá-la. Seus olhos se tornaram esverdeados, num tom podre, ainda parecendo seu antigo pai.

Azami- Pai! Para com essa porra!! – desviou do braço lento dele. — O que você acha que está fazendo? – o mesmo parecia ignorar suas perguntas pisando com dificuldade no chão, ele parecia querer apertá-la. Não seria um grande problema para a garota se esquivar, mas ainda o via como um parente, como seu pai.

Sentiu calafrios percorrerem sua espinha ao ver sua mãe dar os primeiros sinais de vida também. Aquilo era surreal, seus pais pareciam aqueles bichos da internet, exatamente como naquele vídeo que vira minutos atrás. Antes optava em não acreditar, mas agora era impossível negar que agiam como zumbis. A mulher andou entre passos curtos batendo freneticamente os dentes, tentando alcançar Azami com as mãos, a garota só teve a oportunidade de agarra um extintor colado na parede e empenhá-lo contra o maxilar da mãe. Pode ouvir o som do osso sendo partido e o sangue espirrando no chão, num baque surdo, como um pano caindo sobre o piso de madeira.

Azami não tinha escapatória, aquilo era real, estava acontecendo, seus pais viraram zumbis, e agora teria que viver com isso. Fugia deles pelos cantos, ainda sem saber o que fazer. Até ser surpreendida pela sua mãe que tentou arranhá-la, e na tentativa de desvio foi jogada contra a estante de troféus da escola. Sua visão ficou turva por um breve momento, tentava racionar com a pancada que levara. Sentiu seus braços serem cortados conforme se mexia para sair de lá, cada vez ficando mais enroscada e fazendo entrar mais vidro em sua pele. Viu alguns troféus ao seu lado, enxergando também um de esgrima, ao qual ele ganhou pela sua escola. Nunca pensaria em usá-lo apropriadamente, até este instante.

Essa era a ideia de Azami, usar o troféu de esgrima, que era nada mais que uma espada de metal banhada em ouro, num suporte de madeira para matar seus pais. Não era afiado o bastante para cortar, mas era pontiagudo para perfurar. Usando técnicas aprendidas em suas aulas, fez o preciso para desviar e acertar primeiro o seu pai. Empencou o objeto abaixo do queixo do homem, deixando o sangue jorrar aos pés. Se saia muito bem para quem nunca havia matado.

Faltava sua mãe, que estava sem dentes, mas ainda tinha unhas para dilacerar sua carne. O troféu que agora parecia estar pintado de sangue rubro, ainda era sua única arma. A mãe de Azami veio ao seu encontro, e ela por motivos emocionais, perdeu um pouco seu foco se defendendo tarde, e tendo que usar o troféu como escudo perdendo-o depois. Sentia-se sem saída, não tinha mais uma arma ainda que a mesma caíra deslizando pelo sangue do pai.

Não tinha mais opções, senão usar um caco de vidro da estante que ainda estava preso em seu braço. Sentindo uma dor insuportável, porém obrigatória, conseguiu arrancar o caco de seu antebraço, enquanto segurava sua então mãe com as pernas mantendo-a afastada com chutes. Mais uma vez Azami usou tudo o que sabia a seu favor, enfincando o caco grande o suficiente para atravessar um livro de seiscentas páginas, no tórax dela que fazendo o sangue escorrer pela boca.

–X-

Leon- Mas que coisa... Azami não ia me deixar na mão mesmo sendo daquele jeito dela! — o menino de cabelos dourados, procurava sua velha amiga por toda escola com cuidado para não ser visto por ninguém, pois deveria ter tomada a vacina e ter ido embora.

Escutou um grito de sufocamento vindo da sala de espera, foi correndo analisar a situação. Era Azami, mas o grito não vinha da garganta da moça, mas de sua mãe que permanecia no chão com um caco de vidro enfincado em seu tórax, dando seus últimos suspiros. Tudo isso ele via pela janela de atendimento enquanto chegava apressado até lá. Mas ao abrir a porta da ampla sala, viu uma cena totalmente diferente do que imaginava pelo pequeno orifício. Azami estava sentada no chão, com as pernas dobradas, sentindo um cheiro nauseante. Havia sangue esguichado pelas paredes, e um dos corpos jogados podia ser comparado a um hidrante aberto. Tudo se tornava um horror em harmonia com a expressão da amiga. Fez menção de dizer algo, desgrudando os lábios, mas chegou a conclusão que seria inapropriado. Puxou Azami pelo braço com cuidado, erguendo-a do chão frio.

Leon- Seus pais foram assassinados? – sussurrou tentando parecer calmo.

Azami- Assassinados?! Eu os assassinei... — não o olhou diretamente.

To be continued.

Notas finais
Bom gente, minha primeira fic!! Espero que tenham gostado. No próximo capítulo vocês verão um pouco mais de história, onde eles irão descobrir a verdadeira causa e o porque da síndrome que está tendo... E também verão um pouco mais de desespero desse país, prestes a entrar em pânico total. E peço desculpas pelo erros de digitação, mas é que eu não betei a história!!!