O lustre prendia o teto, os diamantes das paredes e do teto, contrastando com as safiras do lustre.


O chão de bronze imenso, cortinas vinho cobriam as enormes janelas.


O crepúsculo da noite era quente, mesas brancas nas laterais.


Uma bandeja de prata com vários copos de cristal com detalhes de rosa reluzindo o azul vívido do salão — como um cinturão de armadura — sendo erguida por um dos criados.



Kaien permanece com os braços para trás, virando a cabeça à cada dez minutos.


— Vai acabar quebrando o pescoço desse jeito — comentou Meiyu.


Ele revira os olhos


— Tenho que estar sempre atento, aspirante à oficial Kenshira


— Não precisa mover a cabeça como uma coruja, tenente Kenshira


Os dois trocam um olhar, ela franze a testa e ele coloca a mão na cintura, as risadas baixas ressoam quase ao mesmo tempo.


Um grasno corta o ar.


Meiyu sobressalta, fez menção à brandir a espada, os dedos se arregaçado próximos ao cinto magenta.


Kaien estreitou os olhos, levantou uma mão


— Espera


Era um ganso, UM GANSO.


Kaien contraiu a mandíbula.


— Quem trás um ganso para um salão de bailes?


— Alguém que não tem tempo de esperar o prato principal?


As penas dançam no ar, os pés dos cavalheiros perto da mesa viram um labirinto para o animal.


Gritos estridentes ressoam de homens altíssimos.


Algumas mulheres começaram a saltar tão rapidamente que se fizessem mais esforço poderiam até mesmo voar.


— ALGUÉM SEGURE ESSA GALINHA


— É UM GANSO — Corrigiu uma voz rouca, risonha.


Cabelos ruivos, na altura dos ombros, brilhantes, semi presos por uma fita dourada, olhos verdes como o orvalho, lábios carnudos avermelhados, o uniforme vermelho terroso, broche dourado de sol, meio sorriso fácil.


Diligentemente, em punhos fechados contra o peito, Kaien e Meiyu prestaram reverência


— Saudações ao pequeno sol do império, príncipe Eryndor


Ele ri.


— Para quê tantas formalidades? Já nos conhecemos há uma cota de tempo, quase um século


— Não ousaria, vossa alteza — respondeu Kaien, firme.


Meiyu juntou as mãos, estreitou os olhos, Eryndor sorri de canto


— Simpática como sempre, Meimei


— Me chame de Meimei novamente e eu esqueço que estou aqui como aspirante à oficial — alertou ela, subiu levemente os olhos que estavam naquele tom avermelhado como lava de vulcão.


Eryndor colocou a mão no peito, fingindo ofensa, fechou os olhos com força.


— A ordem da fênix sempre é tão mordaz?


— A intenção é essa.


Um grasno estridente ressoa ao longe, uma pena voa caindo em cima da boca do príncipe.


Os olhos de Eryndor se revirando para fitar a pena.


Parecia um olhar de peixe morto.


Meiyu comprimiu os lábios, conteve o riso.


— Acho que virei fã daquele ganso


Um dos criados cambaleou.


O ganso longe demais para que pudesse alcançar.


Ele agarrou os próprios joelhos, arfou.


O clima na cozinha não estava menos caótico.


— ONDE RAIOS ESTÁ O GANSO? — A voz de Rosaura faz os talheres tremerem.


Nirellys fechou os olhos com força, jogou as mãos no ar.


— Quem sabe decidiu dar uma voadinha antes de virar guisado?


— JÁ NÃO BASTA A SOPA DE COGUMELOS COM OS INGREDIENTES SUGERIDOS POR LIRIEN! AGORA PERDEMOS O GANSO!


Lirien juntou as mãos, puxou o ar pelas narinas.


— Vou ver a situação no salão


— NÃO! — O grito da mãe de Lirien foi potente.


A jovem inclinou a cabeça.


— O que houve mãe?


— Você não vai até o salão de baile


— Por que não?


— Porque... Porque não, Lirien Vaelith


— Pois eu queria entender porquê não também, ela deve ir sim — afirmou Rosaura.


— M-Mas...


Nirellys ri


— Não é como se fossem sequestrar a Liri, relaxa senhora Vaelith