Notas iniciais
Bom gente, está aí mais um capítulo...

Tora

Levantei-me assustada e olhei para a direção de onde a voz veio, vi Subaru encostado em uma árvore nos arredores do jardim.

— S-Subaru-kun? – gaguejei pelo espanto e com certo medo. – O que faz aqui? – franzi as sobrancelhas. Será que ele sentiu o cheiro do meu sangue?

— A minha pergunta primeiro! – vociferou dando um forte soco na árvore que ficou chacoalhando, por um momento eu pensei que ela fosse cair.

Apertei a rosa com minhas mãos e isso fez com que os espinhos que eu não consegui tirar perfurassem minha palma, fechei meus olhos por alguns segundos, mas não ousei abrir a mão a fim de conter o cheiro de sangue. Talvez eu conseguisse evitar uma possível mordida.

— Bem... – comecei a responder de cabeça baixa. – Eu acho que sim.

— Por quê? – questionou, Subaru parecia interessado, embora tentasse não demonstrar isso. Apertei a rosa contra o meu peito e uma leve brisa passou fazendo meus cabelos cobrirem parte do meu rosto.

— Desde que eu pisei os pés nessa casa minha alma começou a afogar-se em um mar de escuridão e creio que apenas uma espécie suja tenha força o suficiente para me puxar de volta à superfície. – esclareci tristemente.

— E alguém puro não pode fazer isso? – indagou irritado com minha resposta, parecia que ele estava esperando outra coisa. Eu definitivamente não entendia porque ele ficou tão interessado naquilo.

— Eu acho que o máximo que alguém puro conseguiria seria afogar sua alma limpa na mesma escuridão, somente alguém tão sujo como eu sou é capaz de me salvar... ou de, no mínimo, trazer sua própria escuridão e me acompanhar enquanto afundamos cada vez mais. – expliquei olhando-o com um leve sorriso conformado, uma verdade tão dura diante dos meus olhos e agora eu só era capaz de ver por causa de uma música.

— Então eu não preciso me segurar. – Subaru constatou e veio ao meu encontro, deitou-me no banco e ficou por cima de mim. Ele pegou a rosa que eu segurava e a jogou no chão, em seguida observou minha mão machucada por alguns segundos antes de lamber o sangue. – Vamos ver até que ponto você aguenta a minha escuridão. – murmurou puxando meu moletom para baixo e mordendo meu ombro violentamente.

Gritei cerrando os olhos, meu ombro não tinha muita carne e eu pude sentir as presas dele roçando meu osso, foi a mordida que mais doeu desde que eu cheguei aqui.

— Subaru-kun, por favor! – implorei tentando fazê-lo parar.

— Eu vou te arrastar mais fundo nesse oceano negro. – foi tudo que ele disse antes de morder meu pescoço profundamente. Ofeguei com a dor e agarrei sua cintura apertando forte, tentando conter a dor que me inebriava.

Subaru colocou uma de suas mãos por baixo do meu moletom, pousando-a na minha barriga e fazendo-me arrepiar violentamente devido ao choque térmico, sem querer acabei gemendo, era um gemido basicamente de dor, mas era bem perceptível o leve tom de prazer que se misturou a ele, afinal aquele era um toque gentil bem diferente da sua mordida.

Eu tentei empurrá-lo para fazê-lo parar de me morder – como se fosse adiantar – e o máximo que consegui foi que ele mudasse o lugar da mordida, que agora era abaixo do pescoço em cima da clavícula. Aquilo foi um bilhão de vezes pior do que a mordida no ombro, porque aquele osso era muito mais exposto e não foi só um toquezinho qualquer, suas presas se chocaram com meu osso.

— KYAAAH! Tá doendo, por favor, pare! Pare com isso! – supliquei e as lágrimas que com tanto custo tentei segurar começaram a cair uma atrás da outra. O albino não teve piedade nenhuma apenas continuou sugando meu sangue, como ele podia ter tanta fome?

Minha visão começou a embaçar e minha mente já estava nublada, eu acolhi a inconsciência agradecendo por não precisar mais sentir dor.

Subaru

Pelo modo como ela gritava a mordida que eu dei deve ter doído bastante, mas essa era a intensão. Se era escuridão que ela queria seria exatamente o que eu daria a ela, infelizmente minha escuridão não é algo que essa humana possa suportar.

Tirei minhas presas dela, me levantei e a olhei. Tora estava desmaiada, parecia que estava em um sono profundo, porém estava muito pálida. Eu sabia que havia bebido mais do que o necessário, mas já fazia algum tempo que eu não me alimentava, não gostava de machucar a Yui.

Toquei seu rosto úmido pelas lágrimas e a peguei no colo a fim de levá-la para seu quarto, com certeza Tora ficaria anêmica dessa vez, desde que chegou eu percebi que nenhum dos outros tomou mais do que dois ou três goles pequenos do sangue dela, no entanto considerando a frequência com que bebiam ela já deveria apresentar os sintomas iniciais, mesmo assim não percebi nenhum sinal deles ainda o que era bem raro de acontecer.

— Você até que aguentou bem. – confessei num sussurro. Tora era a primeira que aguentava três mordidas minhas seguidas, sendo duas em lugares extremamente dolorosos, nem a Yui conseguiu isso quando chegou.

— O que você fez, Subaru? – Ayato interrogou com raiva me parando no meio do corredor.

— Tsc... Não é da sua conta! – retruquei irritado com seu intrometimento. A arrogância e a superioridade dele me tiravam a pouca paciência que eu tinha.

— Ela é minha...

— Então fica com ela! – o interrompi jogando Tora em seus braços, eu não tinha a menor paciência para lidar com o ego do Ayato e não estava a fim de arrumar briga por causa da nova noiva. Virei-me e saí.

Ayato

Que cara mais chato! Só sabe reclamar de tudo! Foda-se! Agora que eu estava com a Jujuba não tinha motivo para encher o saco do Subaru.

Andei com a Jujuba até o meu quarto e a coloquei deitada no maior sofá do cômodo, agora eu daria o troco pelo atrevimento, ninguém desafiava o Ore-sama e saía impune. Ela receberia o castigo que merecia para aprender, eu só precisava deixar tudo pronto para quando ela acordasse.

Fui até minha preciosa Dama de Ferro e destravei as trancas abrindo as portas em seguida, a observei por alguns segundos me recordando de outras vezes nas quais a havia usado, com certeza as noivas que passaram por aqui aprenderam a não me desobedecer e a Jujuba também aprenderia. Afinal, aqueles cravos de ferro a ensinariam uma boa lição, isso, é claro, se ela não morresse antes por insuficiência sanguínea. Seria realmente muito prazeroso ouvir os gritos da Jujuba implorando para tirá-la dali.

Cheguei perto dela no sofá e abaixei a parte de cima do moletom que ela estava usando, vi três mordidas do Subaru, uma no pescoço, uma no ombro e outra na clavícula.

— Parece que ele se divertiu bastante com você, Jujuba. – pronunciei cutucando a mordida da clavícula, ela gemeu e eu sorri.

Pelo que eu estava vendo ela morreria, que pena, pensei que eu ia me divertir mais. Tirei minha gravata para amarrar seus pulsos, porém lembrei que um deles estava machucado então não tinha necessidade de amarrá-los, coloquei a gravata novamente e resolvi olhar como estava o pulso machucado.

Abaixei a manga do moletom e vi que ele já parecia um pouco melhor do que quando ela nos mostrou no carro o que era estranho, não me lembrava de humanos terem uma cicatrização tão boa, bem, não importa. Larguei o braço dela e me sentei no outro sofá para esperar.

Tora

Minha consciência começou a voltar e eu fui abrindo meus olhos devagar, estava me sentindo muito fraca por ter perdido tanto sangue. Quando a minha visão começou a focar melhor percebi que não estava mais no jardim e muito menos no meu quarto.

— Yo, Jujuba, então finalmente resolveu acordar? – Ayato perguntou e eu virei minha cabeça para ver onde ele estava, foi quando eu dei de cara com uma enorme Dama de Ferro aberta no chão do quarto. Assustei-me na hora, no entanto mesmo que eu tentasse com todas as minhas forças não conseguiria correr, no momento eu não conseguia nem me mexer e ainda estava com muito sono.

— A-Ayato-kun, p-pra que isso? – enunciei espantada apontando para o instrumento de tortura. Ele deu um sorriso sádico e me pegou no colo me levando em direção à Dama.

— Eu disse que haveria troco, não disse! – redarguiu me fitando com divertimento, abaixou-se e me colocou deitada sobre os cravos de ferro.

— M-mas isso vai me matar! – exclamei em pânico com essa situação. Ele ia mesmo me trancar dentro daquilo?

— Que pena, não é, Jujuba! – lamentou completamente indiferente ao que me aconteceria se me prendesse naquele equipamento de tortura, ele apenas pegou a parte direita da porta e começou a fechá-la devagarinho. Eu queria me debater, porém se eu fizesse qualquer movimento muito brusco acabaria sendo perfurada por algum daqueles cravos de ferro.

— AYATO-KUN! POR FAVOR! – gritei desesperada já chorando copiosamente, ele parecia não me ouvir.

Parece que eu cheguei em um ponto desse mar de escuridão onde não dá mais para segurar o ar... Eu estava prestes a me afogar.

Notas finais
Os pedaços do véu puro sangue. A boca drena o receptáculo. Não deixarei que você pertença a mais ninguém. Não importa o quanto você lute, não vou deixar você escapar dos meus braços novamente. Tente fazer sentido enquanto cai aos pedaços. Subaru Sakamaki