Sangue Maldito
46 Jantar Turbulento
Notas iniciais

Shu e eu fomos para a sala de jantar onde todos se encontravam, Shu se sentou na cadeira que estava mais próxima dele e o único lugar que me sobrou foi perto de Reiji, que ocupava a ponta da mesa, e ao lado de Ruki, cá entre nós não me parecia um lugar muito agradável.
– Edgar, pode servir o jantar. – Reiji mandou autoritário e logo Edgar trouxe a comida de todos. Inicialmente comemos em silêncio, mas como eu precisava tratar de um assunto muito importante com o Reiji precisei quebra-lo.
– Reiji-san, eu gostaria de saber algo. – disse calmamente.
– Fale. – retrucou me dando pouca importância.
– Se eu quisesse arrumar toda a parte abandonada do jardim, eu poderia? – perguntei apreensiva. Bem, antes de começar a arrumá-lo eu precisava saber se não havia nenhum problema, porém se tivesse estaria disposta a receber toda e qualquer punição, afinal ajeitar aquela “selva” era parte da anulação da maldição.
– Para quê você quer arrumar aquilo? – questionou-me desconfiado.
– É porque eu estava andando por lá hoje e achei aquele lugar muito deprimente, eu vi um coreto todo acabado e uma torre que mais parecia mal-assombrada. – respondi o encarando. – Mas se eu arrumasse e limpasse tudo tenho certeza que ficaria tão bonito quanto era antes de ser abandonado. – acrescentei ainda um pouco receosa.
– Faça como quiser. – Reiji falou desinteressado. É isso aí, Christa, Beatrix e... Cordelia! Agora eu só preciso encontrar um jeito de atrair o Karl Heinz.
– Tora-san, por que você está com esse sorriso sinistro? – Azusa perguntou fazendo uma carinha assustada.
– Hum, não é nada. Eu só estou pensando em algumas coisas. – respondi fazendo pouco caso.
– Em que coisas você está pensando? – Ruki perguntou-me, eu resolvi aproveitar a oportunidade para abordar outro assunto.
– Estava pensando se o Reiji-san já mandou aquela carta para o Karl Heinz. – falei. Eu meio que já estava tramando meu plano contra o Heinz, contudo eu precisava saber sobre tudo o que Karl já sabia sobre mim.
– Já mandei há muito tempo, diferente de certas pessoas eu prefiro não adiar minhas tarefas. – Reiji disse, claramente mandando uma indireta para o Shu.
– De que carta vocês estão falando? – Kou perguntou curioso.
– Foi uma carta que a mãe da Jujuba deixou antes de morrer endereçada para o velho milenar. – Ayato fez o favor de responder por mim e ainda confirmou minhas suspeitas do Karl ser velho para caramba, pelo menos na idade.
– E para quê a mãe da Tora mandaria uma carta para o Karl? – Yuma questionou confuso.
– Acho que foi para informar sobre minha maldição. E por falar nisso, – respondi e depois me virei para o Reiji a fim de perguntar uma coisa essencial. – Reiji-san, você enviou algo falando sobre a cura do veneno?
– Enviei. – respondeu simplesmente.
– E você disse o que era? – continuei o interrogatório. Reiji já parecia irritado então eu sabia que essa seria minha última pergunta.
– Não, mas ele já deve saber. – respondeu áspero. Fitei minha comida.
– Isso vai ser um problema. – resmunguei bem baixinho.
Droga, se ele já sabia qual era a cura seria mais difícil mata-lo, contudo isso é levando em conta que ele vai querer beber meu sangue. Se ele não quiser eu vou precisar me tornar uma Cordelia para atraí-lo, embora a ideia de me transformar em uma vadia não fosse nem um pouco atraente. Caso ele acabasse bebendo meu sangue eu ainda precisaria arranjar um jeito de mantê-lo afastado da Yui até o veneno fazer efeito, e isso seria muito difícil já que como ele é um vampiro antigo deve ser muito forte e esperto.
Pensando nisso, eu não seria capaz de vencê-lo em um combate corpo a corpo e tentar colocar meu sangue na comida dele também não era algo a se considerar, já que eu precisaria colocar uma grande quantidade para garantir sua morte e ele acabaria sentindo o cheiro.
Também havia a opção de eu tentar seduzi-lo, então eu poderia distrai-lo com meu corpo para depois esfaqueá-lo com a adaga do Subaru, entretanto essa opção tinha chances quase inexistentes de sucesso e eu não poderia de jeito nenhum errar quando fosse hora de mata-lo.
Além disso, ainda tinha a questão de que o Karl havia salvado os Mukami e que eles poderiam muito bem me deter, ou seja, precisaria arranjar um jeito de matar o Heinz em um local bem afastado.
Ah, sim! Eu também preciso considerar que o Karl Heinz é o homem mais importante da sociedade vampírica e se eu o assassinasse estaria sujeita a todo tipo de punição, inclusive à morte. Porcaria! Planejar a morte desse homem seria um grande problema. Tudo que eu fizesse acarretaria em grandes implicações, sem contar que ainda havia aquela minha promessa de não morrer e eu sou uma garota de palavra.
Lógico que eu ainda tinha a opção de fazer o Heinz pedir perdão sincero para as esposas, mas eu não contava muito com isso depois de tudo que ele fez, por isso precisava arquitetar um plano de assassinato.
– Tora-chan, o que há com você? – Kanato perguntou tirando-me de meu torpor. Percebi que já havia alguns minutos que eu estava parada encarando a comida.
– Parece até que estava planejando um homicídio. – Ruki conjecturou, eu não podia de jeito nenhum dar pistas sobre o que eu estava planejando então eu fingi.
– Ruki-san, olha bem para a minha cara. Você acha que eu seria capaz de matar uma pessoa? – perguntei fazendo cara de irritada, como se estivesse ofendida por ele ter insinuado que eu viria a ser uma assassina.
– Essa idiota não mata nem uma formiga! – Subaru debochou com um sorriso zombeteiro.
– Tem razão, Subaru-kun, afinal eu não sou que nem você! – retruquei com raiva evidente, óbvio que era só encenação, só que estava pegando um pouco pesado demais com ele.
– Podia ter dormido sem essa, Subaru-kun. – Laito zombou com um sorrisinho.
– O QUÊ? – gritou revoltado se levantando com os punhos cerrados. Ah, não! O que foi que eu fiz? Precisava me redimir, então uma ideia me passou pela cabeça.
– Gomen, Subaru-kun, eu tenho que parar de falar essas coisas. – desculpei-me arrependida, dessa vez não era encenação. Levantei-me e andei até ele, então peguei o colar dele do bolso do casaco do uniforme. – Olha, eu achei isso na sala de noivas quando estava saindo, me desculpe não ter devolvido antes. – menti, no entanto era necessário para que ele não arrancasse minha cabeça.
Coloquei o colar no pescoço dele de forma delicada e depois voltei para o meu lugar olhando de relance para o Yuma, já que ele sabia que eu havia roubado pensei que ele contaria, mas ele só deu um sorriso de canto e uma piscadela indicando que não falaria nada. Fiquei muito aliviada e sorri enquanto retribuía a piscadela, ele parecia muito mais amigável.
– Reiji-sama, uma carta de Tougo-sama acabou de chegar. – Edgar apareceu com uma bandeja na mão assim que eu me sentei. Na hora que ele disse isso fiquei completamente alerta, tinha a leve impressão de que o conteúdo daquela carta era de extrema importância.
Fale com o autor