Sangue Maldito
55 A Tão Doce Morte
Notas iniciais

Ao ver a morte de Cordelia de uma forma tão dolorosa, posso dizer que meu ódio por ela diminuiu significativamente, não pelo fato de eu ter gostado de vê-la morrer e sim porque os trigêmeos tiveram sua vingança contra ela, eles a machucaram e a mataram e eu mesma me senti vingada por eles terem descontado seu ódio. E, mesmo que eu não tenha muita segurança para afirmar isso, Cordelia parece diferente de quando era viva.
— Etoo, Cordelia? – chamei calmamente, havia uma dúvida que eu queria tirar com relação a ela.
— O quê? – disse inexpressiva.
— É verdade que você é filha do Lorde Demônio? – perguntei um pouco receosa. Kanato já havia me falado sobre isso, mas mesmo assim eu ainda não fiquei tão certa.
— Quem te contou isso?- questionou surpresa, dei um sorriso, eu nunca a havia visto com essa expressão.
— Foi o Kanato-kun. – respondi neutra, Cordelia entortou a boca em reprovação e eu agradeci por ela estar morta se não era bem capaz dela fazer alguma coisa com o Kanato.
— Sim, é verdade. Mas eu o odiava, nós nunca nos demos bem, ele era um tirano inescrupuloso que gostava de controlar a vida das pessoas ao seu redor. – respondeu com repulsa. É, já vi que todos nessa família tiveram problemas com os pais.
— Por que você falou dele no passado? – falei confusa. – Eu pensei que lordes demônios fossem imortais.
— E são, no entanto alguns anos atrás o irmão do meu pai o matou para tomar seu lugar como Lorde Demônio. – explicou calmamente. O quê? O cara matou o próprio irmão só para se tornar rei do inferno? É cada costume que as pessoas do submundo tem, se bem que isso também acontece no mundo humano.
— Você deve ter ficado muito feliz, não é? – conjecturei com meio sorriso.
— Tanto quanto você depois que me viu morrer. – brincou sorrindo.
— Não posso negar o meu sadismo! – falei brincalhona e pisquei um olho. – Bem, eu vou espionar os vampirinhos para saber como eles estão reagindo à minha morte parcial. – informei me levantando, Cordelia apenas sorriu e eu fui em direção à mansão. Estava tão ansiosa para vê-los, para saber como eles estavam.
No caminho para a mansão vi Beatrix no coreto olhando para o céu distraidamente, parei e a encarei. O que será que ela estava pensando? Hum, acho que eu vou falar com ela, quem sabe ela me conte um pouco mais sobre o relacionamento do Shu e do Reiji.
— Olá, Beatrix-san! – cumprimentei assim que me aproximei dela de mansinho.
— Tora? – disse parecendo surpresa, eu sorri e me sentei ao lado dela.
— Surpresa em me ver? – perguntei calmamente. Acho que ela não esperava que eu escapasse do inferno, contudo é compreensível, afinal nenhuma outra noiva além da Yui, que teve a ajuda do coração da Cordelia, conseguiu passar pelo Despertar.
— Um pouco, embora no fundo eu soubesse que sua determinação não te deixaria continuar lá. – respondeu com um sorriso.
— Seu Despertar foi muito doloroso? – perguntei curiosamente a olhando.
— Ah, não! O meu Despertar foi muito tranquilo, aliás, o de todas as esposas do Karl foram, afinal nós tivemos a ajuda dele para passar por isso. – respondeu com um sorriso.
— Então alguém poderia ter me ajudado a passar pelo Despertar sem toda aquela dor? – perguntei incrédula.
— Não é bem assim, só quem pode te ajudar é o Lorde Demônio e na época ele devia alguns favores ao Karl Heinz. – explicou-me rapidamente.
— E a Yui?
— Ela tinha o coração da Cordelia e a própria também a ajudou, digamos que Cordelia tenha benefícios por ser filha do antigo Lorde Demônio e sobrinha do atual. – respondeu com certa frieza contida. Então a Yui só conseguiu passar pelo Despertar graças à ajuda da vaca, sorte a dela, afinal está totalmente fora de cogitação a Cordelia me ajudar depois do soco que eu dei e de todas as coisas que eu falei.
— Entendo. – falei distraidamente, passamos algum tempo em silêncio apenas observando o céu. Tudo poderia parecer normal, só que não era, quem passasse por ali não veria nada, pois as duas mulheres ali sentadas eram fantasmas e não pessoas de verdade. Nós éramos invisíveis. – Beatrix-san, você gostou de morrer?
— Agora você tocou em uma questão interessante. – respondeu com um sorriso de canto, eu franzi as sobrancelhas. – Eu vou te mostrar como morri e você tira suas próprias conclusões, está bem? – propôs calmamente, eu assenti e ela pegou minha mão.
Logo eu estava em uma campina e observava Beatrix caída no chão com um filete de sangue escorrendo pelo canto da boca e a barriga completamente encharcada de sangue, Reiji estava em pé em frente a ela, como não havia nenhuma gota de sangue manchando-o pensei que talvez não fosse ele que tivesse matado Beatrix, talvez ele apenas tenha encomendado o assassinato dela.
— Então, finalmente consegui testemunhar suas habilidades com meus próprios olhos. – Beatrix disse com muita dificuldade, eu me aproximei e parei ao lado do Reiji. – Sempre mantive a esperança que aquele que iria me matar seria você. – continuou falando com um sorriso no rosto. – Estou satisfeita. – anunciou fechando os olhos em seguida e morrendo com um leve sorriso no rosto. Olhei para Reiji.
— Você morreria sorrindo no final? – perguntou transtornado. Deve ser bem difícil matar a mãe querendo vê-la morrer de uma forma dolorosa e no final ela morrer sorrindo. – Não. Não vou permitir isso. Não posso permitir isso! – falou com raiva, estava fora de si. – Não tinha a intenção de dar a você, minha mãe, uma morte tranquila! Como eu poderia esperar que permitiria tal coisa?
Voltei para o coreto rapidamente, parece que ela optou por não me mostrar realmente a forma como ela morreu, apenas a reação de seu filho desprezado.
— Você morreu sorrindo. – falei um pouco impressionada. Eu não entendia, como o próprio filho encomendava o assassinato da mãe e ela ainda morria sorrindo? Era incompreensível, quem pode entender o que se passava na cabeça dela naquele momento? E ela ainda disse que estava satisfeita por ter presenciado as habilidades do Reiji, filho que ela fez questão de ignorar a vida toda.
— Você já ouviu dizer que no submundo quando um vampiro mata um rival quer dizer que ele teve uma enorme evolução? – perguntou casualmente, como se aquele fosse o assunto mais normal do mundo.
— Não, eu nunca ouvi sobre isso. – respondi duramente. – Mas se você só conseguiu reconhecer seu filho depois que ele te matou, eu sinto muito, você perdeu a oportunidade de amar uma pessoa brilhante enquanto estava viva. – falei amargamente, eu estava um pouco ressentida com a Beatrix, dar um pouco de reconhecimento a um filho que desprezou a vida toda somente quando está no leito de morte me parece algo extremamente cruel.
— Eu já notei meu grande erro. – retrucou com o rosto virado para o outro lado sem me encarar. Eu balancei a cabeça e decidi que era melhor eu dar um tempo da Beatrix antes que eu falasse alguma besteira.
— Vou dar uma volta. – avisei me levantando e segui para a mansão, estava na hora de ver os meus vampirinhos, ou melhor, estava passando da hora de vê-los. Resolvi ir primeiro ao meu quarto para saber se eles estavam reunidos lá, e como eu era fantasma só precisei dar um pulo para parar na sacada, sim, fantasmas podem mesmo flutuar.
Olhei para dentro do meu quarto e vi meu corpo deitado na cama, eu realmente tenho que dizer que era muito estranho ver seu próprio corpo de longe, muito estranho mesmo. Depois de me encarar por alguns segundos ouvi um ruído vindo do canto do quarto, o qual eu não podia ver, então atravessei a janela e entrei no quarto.
Ao olhar para o canto do qual eu havia escutado o ruído, me espantei um pouquinho, mas fiquei feliz ao mesmo tempo. O Ruki estava bebendo o sangue da Yui, dei um meio sorriso travesso.
— Seus sapecas! Não deveriam fazer essas coisas na minha frente, porém se já estão fazendo divirtam-se. – falei como se pudessem me escutar e saí de lá dando risada. Não iria ficar ressentida com isso, afinal eu não queria ver a Yui triste por eu estar morrendo, por isso fiquei feliz pelo Ruki estar distraindo-a.
Fui andando pelo corredor, entrando em cada cômodo para ver se eu encontrava alguém, mas parece que esse corredor era somente o quarto das noivas de sacrifício, porque os únicos ocupados eram o meu e o da Yui. Já no outro corredor, logo que entrei nele comecei a ouvir uma voz cantando, entrei no cômodo do qual a voz estava saindo.
Era um quarto com alguns brinquedos espalhados pelo chão e outros arrumados ordenadamente em cima de prateleiras ao lado da lareira, acima da lareira de mármore havia um lindo quadro da Cordelia – mais conhecida como vaca. No canto oposto ao da janela havia uma poltrona roxo-acinzentada com apoio para ao pés, bem como ao lado da lareira havia um banco combinando com a poltrona.
A enorme cama de casal com um lindo dossel ficava centralizada no quarto e encostada na parece, toda ela era de um violeta bem escuro com detalhes dourados como se combinasse com o teto do quarto. Era um quarto muito bonito e luxuoso, mas pelos brinquedos eu tinha certeza de quem era aquele quarto.
Segui a voz até a varanda e encontrei Kanato sentado na proteção com o Teddy no colo, cantando Scarborough Fair. Sorri e sentei ao lado dele, me recostei em seu corpo, não consigo entender o motivo de conseguir tocá-lo sem atravessar como acontece com os objetos, porém acho que ele não sentia que eu estava ali.
— Olá, Teddy. – falei mesmo sem saber se ele estava ali ou se podia me ouvir. Decidi então que cantaria a última parte da música junto com esse PMP (Pobre Menino Psicopata).
Are you going to Scarborough Fair?
Parsley, sage, rosemary and thyme
Remember me to one who lives there
He once was the true love of mine
(Tradução)
Você está indo à Feira de Scarborough?
Salsa, sálvia, alecrim e tomilho
Lembre de mim à alguém que vive lá
Ele já foi meu grande amor
Ao terminar de cantar percebi que o sol já estava se pondo e a lua começava a nascer tão lindamente o céu, sorri e dei um leve beijo na bochecha de Kanato e outro beijo em Teddy, pena que ele não podia falar comigo sem o dono perceber e ter um chilique. Levantei-me e segui para outro cômodo da casa.
Acabei indo parar na sala de música e me espantei ao ver que Shu e Reiji estavam lá, somente os dois e nem mesmo trocavam um insulto, apenas tocavam uma melodia entristecida, Shu no violino e Reiji no piano. Os dois em perfeita sincronia, os dois em perfeita sintonia. Ver aquela paz momentânea entre eles me deixou tão feliz que uma lágrima rolou pelo meu rosto enquanto um sorriso se estampava em minha face.
Saí de lá e fui em busca de algum outro vampiro, acabei indo parar na sala de jogos, lá estavam Yuma deitado no sofá com os olhos fechados, não podia dizer com certeza se ele estava dormindo ou não. Azusa jazia sentado em uma das cadeiras próximas a um antigo relógio observando uma faca, aproximei-me dele e vi que a faca que segurava era a mesma que eu havia usado para cortá-lo no dia em que estava doente.
— Meu pobre ursinho. – falei tristemente e toquei o rosto dele, no mesmo instante sua cabeça se ergueu e ele olhou para mim, ou melhor, olhou através de mim. Então eles podiam sentir pelo menos um leve roçar, sorri e fui até o Yuma. – Seu grande delinquente! – brinquei e o beijei suavemente, seus olhos se abriram procurando alguma coisa. Suspirei e saí dali.
Encontrei Laito e Kou juntos no salão de festas, cada um em um lado oposto ao outro, dei uma risada. E ao vê-los ali resolvi mandar uma mensagem bem sutil para os dois. Fui até o som e coloquei a primeira parte da música Bring me to life do Evanescence para tocar, precisei fazer um enorme esforço para conseguir tocar no aparelho de som.
How can you see into my eyes
Like open doors
Leading you down into my core
Where I’ve become so numb?
Without a soul
My spirit’s sleeping somewhere cold
Until you find it there and lead it back home
(Wake me up)
Wake me up inside
(I can’t wake up)
Wake me up inside
(Save me)
Call my name and save me from the dark
(Wake me up)
Bid my blood to run
(I can’t wake up)
Before I come undone
(Save me)
Save me from the nothing I’ve become
(Tradução)
Como você pode ver através dos meus olhos
Como portas abertas
Conduzindo você até meu interior
Onde eu me tornei tão entorpecido?
Sem uma alma
Meu espirito dorme em algum lugar frio
Até que você o encontre e o leve de volta para casa
(Acorde-me)
Acorde-me por dentro
(Eu não consigo acordar)
Acorde-me por dentro
(Salve-me)
Chame meu nome e salve-me da escuridão
(Acorde-me)
Obrigue meu sangue a fluir
(Eu não consigo acordar)
Antes que eu me desfaça
(Salve-me)
Salve-me do nada que eu me tornei
Logo que o refrão acabou eu desliguei o som para deixar bem claro que aquilo não foi porque o aparelho estava quebrado ou com defeito e sim que havia alguém ali que fez aquilo. Laito e Kou olharam um para o outro e depois olharam para o som e deram um sorriso de canto para mim, eles não podiam me ver, mas sabiam que eu estava ali e isso já bastava.
Andei até o Kou que era quem estava mais perto do som e lhe dei um selinho, ele se espantou e eu sorri indo até o Laito e fazendo o mesmo com ele, que ficou tão espantado quanto o Kou, depois de uma leve risada saí daquele salão e fui até a sala de jantar onde encontrei Ayato afogando as mágoas no takoyaki, dei uma risada e fui até ele.
— Com você farei algo diferente, Ayato-sama! – falei perversamente e cheguei por trás dele, sua cabeça estava apoiada em sua mão, o que me dava acesso irrestrito ao pescoço dele. Dei um sorriso maligno e abocanhei o pescoço dele dando uma forte mordida, contudo não machuquei, já que eu era um fantasma me era impossível faze-lo sentir mais do que uma forte pressão.
Ayato arregalou os olhos e levou uma mão ao pescoço, esfregou ali por um momento e estreitou os olhos dando um meio sorriso. Era como se ele estivesse dizendo: “Jujuba, sua sacana!”.
Fui rindo até o jardim, já era de noite a lua já estava alta no céu e sua cor me chamou muito a atenção, era de um intenso vermelho assim como meu cabelo. Acho que essa era a tão famosa Lua de Sangue, com certeza uma das coisas mais bonitas que eu já vi.
Encontrei Subaru sentado perto de algumas roseiras com rosas brancas olhando pensativo para sua adaga, corri até ele e assoprei sua nuca fazendo-o levantar a cabeça e olhar para os lados, estava prestes a beijar sua bochecha quando uma sombra aos arredores do bosque da mansão chamou minha atenção.
Franzi as sobrancelhas e me endireitei para poder ver melhor quem seria a pessoa que estava ali, ainda não conseguia distinguir muito bem e resolvi chegar mais perto. A luz vermelha da Lua de Sangue banhava o solo deixando tudo ainda mais sombrio, meus pés davam passos cautelosos até o estranho vulto e eu pedia mentalmente para que não fosse nada.
Ao chegar perto o suficiente não pude conter o grito de pânico que me subiu pela garganta, o que vi foi apenas minha mãe completamente suja com um sangue que não parecia ser dela segurando uma tesoura de costura a qual pingava o liquido rubro. Seu olhar triste me mirava e seu estranho sorriso me assustava, tapei minha boca com as mãos e meus olhos se encheram de lágrimas.
— Minha pequena tigresa... – disse carinhosamente e estendeu a mão para mim, as lágrimas saiam descontroladas encharcando meu rosto.
— Mamãe... – sussurrei em desespero. Ela apenas se virou e começou a correr para dentro do bosque, olhei para trás tentando encontrar o Subaru, entretanto ele já havia ido embora, sem pensar duas vezes fui atrás da minha mãe. Corria por entre as árvores seguindo-a gritava para que ela parasse e ela não me ouvia.
Ao chegar em uma clareira avistei um corpo deitado no chão e corri até ele pensando ser da minha mãe, mas era o Edgar. Gritei e me ajoelhei ao lado dele, o rosto dele estava todo deformado por várias perfurações profundas, seu pescoço cortado até um pouco antes da metade mostrava sua traqueia, no peito dele estava entalhado um estranho desenho de uma Rosacruz e sua barriga estava tão rasgada que era possível ver suas entranhas.
Pressionei os lábios e comecei a chorar em desespero, será que foi a mamãe quem fez isso? Não queria acreditar que havia sido ela ou a alma dela... Não entendia nada do que estava acontecendo ali. Será que esse era o segundo estágio do Despertar? Mas por que o Edgar teve que morrer?
Levantei-me cambaleando e resolvi que voltaria para a mansão, porém não consegui nem sequer chegar à saída da clareira, pois minha mãe pulou em cima de mim e me imobilizou. Ela carregava um sorriso maníaco e seu olhar demonstrava insanidade total, aquela não era a minha mãe.
— Filhinha, agora eu finalmente te encontrei! Vamos ficar juntas para sempre, Tora! – disse acariciando meu rosto com a mão suja de sangue, lágrimas não paravam de escorrer pelo meu rosto. – Vamos, sorria! Não está feliz em me ver de novo? – perguntou de um jeito maníaco, eu balancei minha cabeça em negação não conseguindo falar. – Não? – disse com uma cara de choro que logo se transformou em fúria. – NÃO GOSTOU DE ME VER? ENTÃO NÃO VERÁ MAIS NADA! – gritou loucamente e enfiou a tesoura no meu olho esquerdo, aquele que era azul.
Sangue espirrou para todos os lados e eu senti uma dor lancinante que me fez gritar como nunca havia gritado antes, enquanto eu gritava aquela mulher irreconhecível que carregava o rosto da minha mãe riu de mim, riu do meu sofrimento. Eu odiei ser motivo de deboche, eu odiei que fosse alguém com o rosto da minha mãe que estivesse ali me torturando, então quando a tesoura desceu novamente para perfurar meu outro olho eu coloquei minha mão na frente.
A tesoura atravessou a palma e a ponta ficou a milímetros da minha retina, aproveitei o momento em que ela ficou pasma com minha ação e a empurrei ficando por cima, sangue respingava do meu olho arrancado e eu simplesmente não ligava para nada, arranquei a tesoura da palma da minha mão sem qualquer cerimônia e a enfiei no olho dela, que se debateu e gritou, eu puxei a tesoura de volta.
— É bom, não é? – gritei e comecei a fincar a tesoura por todo corpo dela usando toda minha força, ela gritava e implorava para que eu parasse, mas eu não ouvia eu só queria ouvir seus gritos então quando finalmente me senti satisfeita parei e a encarei.
— Por que... minha... pe-pequena... tigresa? – minha mãe perguntou tristemente, levantei-me e virei as costas para ela largando a tesoura no chão.
— Morra, verme desprezível! – disse com o tom mais frio que consegui, coloquei uma mão no buraco onde antes era o meu olho e andei calmamente até a saída da clareira, contudo novamente antes que eu pudesse chegar até ela meu corpo explodiu em mil pedaços.
Eu abri meus olhos assustada, meu corpo estava frio como gelo, meu coração não batia e nunca mais bateria. Ahh, a tão doce morte... finalmente chegou!
Quem honra aqueles que ama com a vida que leva?
Quem manda monstros para nos matar e ao mesmo tempo diz que não vamos morrer?
Quem nos ensina a verdade e como rir da mentira?
Quem decide por que vivemos e por que morremos para defender?
Quem nos acorrenta?
E quem guarda a chave que pode nos libertar?
É você!
Você tem todas as armas de que precisa.
Agora lute!
Sucker Punch
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