Sangue, Lágrimas... Asas Negras...
2 Nas trevas nasce um lorde...
Notas iniciais
Nos dias subsequentes foi deixado relativamente em paz. Exceto pelas pessoas que lhe traziam a pouca comida, não viu mais ninguém. Recebeu também uma muda surrada de roupas, que vestiu rapidamente. Era bom não estar completamente exposto aos olhares Alheios e a masmorra era muito fria.
A marca ainda doía horrivelmente mas já estava melhor e a febre já não era tão frequente.
Ciel passava as horas apoiado contra as barras de sua cela. Na masmorra havia outras crianças, prisioneiras como ele, mas que não sofreram coisas tão abomináveis quanto a cerimônia pela qual ele passara. Elas se acomodavam juntas e silenciosas em suas próprias gaiolas, aquecendo-se com o calor umas das outras. Ele era o único que era mantido só e afastado, como se fosse um item mais raro e precioso daquela triste coleção. Eram crianças de famílias humildes e, apesar de nada falarem, parecia ao pequeno nobre que estavam aliviadas pela ausência de seus torturadores. Mas para Ciel aquilo era o prenúncio de algo muito ruim... Mas o que poderia ser pior do que a aterradora última cerimônia ou o selo maldito que recebera? Ah... eles pensariam em algo... essa era uma de suas poucas certezas.
Não tinha mais a ilusão de ser salvo, ninguém viria... suspirou e observou as correntes pesadas e velhas em seus tornozelos, a by Browse to Save\">pele clara estava vermelha e esfolada sob o metal frio. Era como se elas sempre tivessem feito parte de sua vida. Os profundos olhos azuis escureceram e seus pensamentos vaguearam... se ao menos pudesse escapar, tinha de escapar! Precisava fazê-los pagar com dor e sangue toda a sua dor e sangue. Mordeu o lábio com raiva. Odiava a sua impotência diante daquela situação. Se ele pudesse...
Fechou os olhos, sentia-se muito fraco devido á pouca alimentação e aos sofrimentos físicos. Adormeceu e sonhou...
No sonho ele corria, fugindo de seus captores, ferindo os pés descalços no solo duro. Eles estavam em seu encalço e o menino sentia os dedos deles, como garras, rasgando suas roupas ao tentar agarrá-lo. Corria ouvindo o riso de zombaria deles até se ver encurralado e sem possibilidade de fuga. Eles se aproximavam! Virou-se e os encarou com ódio. Seria sempre assim? Mas então algo ocorreu. Um gigantesco corvo, negro como a noite, voava sobre os seus inimigos e lhes furava os olhos. Enquanto eles se retorciam gritando em agonia o pássaro se voltava para ele e o encarava com flamejantes olhos vermelhos.
Qualquer criança teria medo, mas ele não temeu o terrível animal, ao contrário, estendeu a mão tentando tocar a fera com os delicados dedos. A criatura os acariciou com o bico afiado e Ciel apreciou o estranho toque. O corvo negro abriu as enormes asas escuras e o envolveu com elas, e ele se sentiu abraçado pelas trevas.
Despertou de repente com o som da pesada porta da masmorra, diversos mascarados entraram e começaram a erguer as celas das outras crianças.
Elas choraram de medo e foram silenciadas com tapas e ameaças. Barras de ferro foram passadas nas laterais das gaiolas e estas erguidas e levadas para fora. Ciel pressentiu que o destino das pobres criaturas seria terrível, mas... Por que que ele foi deixado para trás?
– Acalme-se, nobrezinho... você será a atração principal do nosso festim! Viremos por você dentro em breve. – com um sorriso sinistro o homem se retira deixando o pequeno intrigado e receoso. Ao longe, nos andares acima, ele podia ouvir cânticos tenebrosos entoados por dezenas de vozes. Seja lá o que for, haveria novamente uma grande plateia. Angustiou-se recordando aquela vez em que sua dor e vergonha serviram de deleite para a sórdida multidão. Brutalmente violado. Seu rosto ardeu e ele sentiu-se imundo ao lembrar-se daqueles toques nojentos em seu corpo e da satisfação que seus gritos proporcionaram aos monstros mascarados.
E Então ele ouviu.
Um grito horrível, longo, doloroso...
Imediatamente outros gritos. Medonhos, aterrorizados e brados de satisfação. Eram aquelas crianças que gritavam... todas ao mesmo tempo! E era o público que gritava numa loucura profana.
Seu coração disparou e a boca secou de puro horror, fechou os olhos com força e tapou os ouvidos, sentia que os gritos o levariam à loucura. Sua respiração acelerou-se deixando-o ofegante, os gritos ainda enchiam o ar e ele também gritou desesperado tentando encobrir os abomináveis sons. Não soube precisar quanto tempo aquilo durou mas...
Subitamente... o silêncio. Opressor... estranho... Ciel ouvia apenas as batidas de seu próprio coração, o pulsar do sangue latejava em seus ouvidos. O silêncio trouxe mais medo do que a barulheira infernal.
Passos...
Passos, agora ele os ouvia claramente. Vinham para a masmorra, vinham para buscá-lo. A porta se abriu e eles entraram. Como com as outras crianças, passaram ferros nas laterais de sua cela e a ergueram, rindo e cantando o levaram para cima, em direção á sala semelhante a uma arena circular. A sensação familiar de pânico era como uma garra gelada comprimindo-lhe a boca do estômago. Um pouco antes de adentrarem a sala ele sentiu o cheiro...
Pungente, acre... ferruginoso!
“ É sangue... muito sangue!” – ele pensou engolindo em seco e se preparou para a cena que iria ver.
Mas nada poderia prepará-lo para aquilo. Sua cela foi depositada no chão e ele os viu, os pequenos jaziam no solo frio da câmara... todos mortos. As roupas, antes cinzentas, agora rubras, tingidas pelo sangue e os olhos abertos, para sempre congelados numa expressão de medo. Uma ânsia violenta lhe sacudiu o estômago vazio e sua cabeça girou, segurou-se às barras de sua prisão e sugou o ar de forma ruidosa... pareceu a ele que iria sufocar de terror e então ouviu a voz do sacerdote.
– Filhos da nova era! Os sacrifícios preparam o caminho para o nosso deus. Hoje ele estará entre nós e seremos nós, seus dedicados servos, os que terão a honra e a glória de governarmos com ele este velho mundo! Devemos agora lhe ofertar o último e mais belo presente... a criança cuja inocência foi a ele oferecida!
Sua cela foi aberta e ele foi puxado para fora. Lutou , chutou, gritou, seu coração parecia que explodiria em seu peito, faltava-lhe o ar, suava. Sentiu – se erguido naqueles braços incontáveis e exibido para a multidão. Tantos olhos... todos ansiando a sua morte. “ Malditos!” — Pensou – À força foi levado para o altar e nele deitado. Suas mãos e pernas firmemente seguros por mãos cruéis, o sacerdote se aproximou com um punhal...
“Não! Não! Não!! Não quero morrer! Não posso morrer!!” – os olhos azuis arregalados, a boca aberta, o esforço sobre humano de tentar se libertar – “ Se eu morrer... eles terão vencido! Não! Não! Não!!! Eu ainda não os fiz pagar!”
– Que esta alma o agrade e seja uma jóia em vossa coroa. Em troca deste maravilhoso presente venha até nós e atenda aos nossos desejos...
O sacerdote ergueu a lâmina sobre Ciel, os olhos azuis se fixaram em seu brilho, a respiração curta e acelerada, o coração prestes a explodir. Medo! Medo! Medo! Desespero!...
... Ódio...
“Morram! Morram! Morram!!!”
No exato momento em que a afiada lâmina desceu zunindo sobre o pequeno nobre sua alma clamou!
Clamou por algo...
Por alguém...
... E foi ouvida!
***
Foi muito estranho... Não havia mais a balbúrdia dos gritos da multidão... os mascarados...o velho sacerdote... Onde estavam? Ciel sentiu sua roupa se ensopando com um líquido abundante e muito quente. Tossiu e sentiu o sabor do sangue que veio à sua boca e escorreu num fio para fora dela. Os membros amoleceram e suas pálpebras pesaram, sentia um sono terrível. Foi então que ouviu.
– É seu desejo? – a voz era calma, mas havia um quê de expectativa em seu tom. O menino voltou o rosto na direção do som e seus olhos se arregalaram pois diante dele estava o imenso corvo, o mesmo de seus sonhos.
– Isto... é um sonho? – sussurrou fracamente.
– Não. – a voz, macia como uma carícia, respondeu – Criança, você está morrendo. Mas você me invocou e aqui estou.
– Estou... morrendo? – ouviu sua própria voz tão fraca, observou a criatura saída de seus sonhos e lembrou-se de que havia se sentido seguro na presença dela e que ela atacara seus inimigos.
– Sim. – a voz confirmou – a cada segundo sua vida se esvai um pouco mais... Não irá demorar muito agora.
Lágrimas começaram a descer pela sua face angustiada e elas queimavam. Então seria assim? Ele morreria e aqueles que tanto mal lhe haviam feito viveriam felizes suas vidas desgraçadas? Não haveria justiça para seus pais? Não haveria justiça para ele?! Não! Ele não poderia aceitar isto. Não aceitaria!
– Ah... – a voz, agora, tinha um tom de satisfação – diga, criança, é esse o seu desejo? – os olhos rubros cintilaram – Você pagaria o preço?
Ciel sentia o sono dominá-lo, esforçou-se por manter-se consciente e olhou para a figura escura, sussurrando com o que restava de suas forças.
– Sim...
O corvo abriu as imensas asas, envolvendo-o com elas e pareceu ao menino que estava deslizando, caindo... era como estar em queda livre. Fechou os olhos e deixou-se cair.
***
De repente sua queda parou bruscamente e seu coração deu um salto acelerando-se ao ponto de parecer que romperia o próprio peito, era doloroso, arfou em busca de ar e abriu os olhos e, para sua surpresa, estava de volta à sua cela, as mãos segurando as barras de ferro com firmeza. Ele... não estava morrendo? Levou o olhar e as mãos ao próprio corpo procurando em seu tórax o ponto em que a lâmina afiada do sacerdote o havia atingido. Não estava lá. Mas ele se lembrava do golpe, da dor e da sensação de estar morrendo, não podia ter sido um sonho. Levantou o olhar ao ouvir exclamações de surpresa e medo vindos dos mascarados e viu que no centro da câmara, ao lado do altar onde ele “ morrera” estava uma figura envolta em trevas.
A escuridão à sua volta era como se estivesse viva, ela dançava ao seu redor como um tecido vaporoso soprado pelo vento ou negras asas que se movimentavam sem som algum. O ser era alto, delgado e pareceu belo para a criança apesar de seus olhos luminosos terem a cor rubra do sangue recém derramado. As vestes muito justas pareciam fazer parte de seu corpo e de alguma forma o estranho lhe pareceu familiar, sentia que o conhecia.
***
O demônio fora atraído àquela casa há algum tempo. Era um local de culto negro, algo vulgar que atraía apenas demônios inferiores e espíritos famintos por dor. Ele desprezava os reles mortais que acreditavam que oferecer o sofrimento de outros seria suficiente para lhes dar algum poder sobre os seres das trevas. Mas havia algo diferente ali. Algo que o atraiu e sua poderosa presença afugentou outras entidades mesquinhas que circundavam como abutres aquele local.
Era uma alma, ele soube, mas não uma alma qualquer. Ela era doce, pura, tentadora... assim como deveria ser as almas das crianças, mas também vibrava com um férrea resolução, uma energia, algo que não se encontra com facilidade.
Encontrou aquela alma nos subterrâneos daquela mansão. Observou oculto nas sombras que a alma pertencia a uma criança de cerca de nove ou dez anos, aprisionada como um animal. O rosto do pequeno era muito belo, emoldurado por cabelos lisos de uma cor incomum e olhos de um tom profundo de azul, seu corpo delicado estava ferido, muito magro e marcado pela violência.
Observou silenciosamente a chegada de homens desprezíveis e como o menino, mesmo com medo, os respondia com superioridade. Viu-o ser castigado de forma cruel por eles e esperou para ver o desespero quebrar-lhe a vontade. Mas surpreendeu-se ao ver a chama daquela alma aumentar e sua presença crescer... o menino era realmente muito interessante.
Visitou-o em um de seus pesadelos sob uma forma que inspiraria temor a qualquer um mas o pequeno não apenas não o temeu, mas a ele se entregou e o demônio não pôde deixar de sentir desejo... Desejou fazer com ele o Contrato, dar a ele o que ele ansiava e em troca receber o que ele próprio ansiou.
Mas haviam regras que ele não podia quebrar: a alma deveria invocá-lo, ele não poderia simplesmente surgir e fazer o pacto. Na verdade, apesar de desejá-lo, não acreditava realmente que seria invocado por um alma tão pura. Estas, além de muito raras, não costumam chamar pela escuridão.
Mas o chamado veio...
O clamor desesperado o atraiu imediatamente! Ele, a criança de alma pura, o havia invocado. Encontrou-o com sua vida se esvaindo... o pequeno morreria em pouco tempo. Falou-lhe e viu novamente aquela chama que em vez de extinguir-se crescia. Ah! Era fascinante, aquela alma deveria ser extremamente deliciosa. Ele não deveria morrer, deveria ser seu! Uma única vez um demônio poderia trazer à vida alguém que já está nos braços da morte e ele o fez. Aquela alma valia o trabalho.
Lançou seus braços para o menino e arrebatou-lhe de seu destino, pelo menos hoje a morte não o levaria, mas ele deveria pagar o preço e eles fariam o contrato.
***
A figura negra deu um passo em sua direção e Ciel notou que ela sorria, nesse momento o sacerdote ergueu os braços e gritou:
– Ele está entre nós!!
Houve gritos de aprovação e outros de receio mas o ser não pareceu se importar até que um homem entrou na sua frente bradando seus pedidos.
– Sou seu mais fiel servo! Conceda-me juventude e vida eternos, meu senhor!!
– Não fique no meu caminho, coisa irritante...
Com apenas um gesto o mascarado foi lançado para trás, caindo sobre outros que haviam se aproximado. Ciel espantou-se pois atirá-lo longe foi para o ser tão fácil quanto soprar uma pluma. A Multidão consternada se afastou dele que sorriu e se aproximou de sua cela.
– Ora, ora... você é um mestre bem pequeno... – ele pareceu divertir-se – eu nunca servi a uma criança.
– Ser... vir? – o menino repetiu tentando apreender o sentido daquelas palavras. Quem, ou melhor, o que era a aparição que lhe falava? O modo como os mascarados reagiram ao vê-lo lhe trouxe uma idéia – Você... é o demônio?
– Sim. – sua voz era a mesma que ele havia ouvido naquele momento de morte, macia e firme – Foi você. Você me invocou e isto não mudará pela eternidade... você se sacrificou o bastante... e agora, você pode ser o meu senhor... me diga, o que você deseja? – sussurrou com certa malícia.
Os mascarados sussurravam entre si chocados ao perceber que fora a criança e não a sua cerimônia a porta para a vinda da demoníaca entidade. Uns assustados, outros enraivecidos, todos tentavam decidir o que fazer uma vez que seus planos não correram como o esperado, mas nem Ciel e nem o demônio prestavam atenção a eles.
– O que eu desejo? – Ciel parou para refletir. Ele desejava ser livre, ter sua família de volta, sua vida de volta. Mordeu o lábio quando a imagem dos corpos de seus pais lhe veio à mente enchendo-o de tristeza mas em seguida essa imagem desapareceu e outras tomaram o seu lugar: risos e palavras de escárnio, seu corpo ultrajado, mãos e bocas nojentas explorando sua pele, lágrimas e dor, um símbolo maldito brilhando incandescente e o som de seu próprio grito em meio a tudo.
Isso bastou, ele já sabia qual era o seu desejo.
– Eu desejo poder... – ele murmurou, as lágrimas descendo pela face linda e infantil, sua voz aumentando até se tornar um brado – Quero poder para me vingar! Para destruir os que me infligiram essa humilhação e sofrimentos!!
– Calem-no!! Matem-no!! Ele não deve dizer mais nada!! – o sacerdote gritou para o grupo – Matem-no agora!!
Porém nenhum deles se atreveu a dar um passo na direção da criança, seus corações repletos de medo.
– Então você escolhe fazer o contrato comigo? Você está deixado a luz para trás e abraçando as trevas. Serei seu servo devotado por um preço: desejo a sua alma – ele sorriu – quando você alcançar o seu objetivo eu a tomarei e a devorarei. Você compreende e aceita isto?
– Eu aceito!! Farei o contrato! – Ciel gritou, tomado por forte emoção. Pagaria o elevado preço sem hesitar, seu espírito ardia por vingança de uma forma tão intensa e avassaladora que seria incomum até para um adulto quanto mais para uma criança pequena. A figura negra sorriu satisfeita, dera a sorte de encontrar um ser humano incomum, com uma alma pura e uma vontade de ferro. Há incontáveis séculos não se sentia tão interessado em fazer um contrato. Estes eram necessários para que ele obtivesse almas para a sua nutrição e ele os encarava como uma enfadonha tarefa, Mas desta vez poderia ser interessante... algo para afastar o tédio de uma existência tão longa, eterna.
– Você deverá portar a marca do contrato em seu corpo, ela nos ligará. Serei seu e você também me pertencerá. Quanto mais visível ela estiver maior será a força desta ligação, portanto, onde deseja que...
– Qualquer lugar está bom! – o menino o interrompeu. Sentia urgência, não importava onde... apenas desejava a marca.
– Ora... mesmo? – o demônio se deliciou – Então irei colocar a marca neste seu olho, tão arregalado de desespero!!
Com um movimento veloz a mão dele estava sobre o rosto de Ciel, a palma voltada para seu olho direito, cobrindo-o. Imediatamente o pequeno sentiu uma dor aguda, queimava como se mais uma vez ele estivesse sendo marcado a fogo, seu corpo foi sacudido por um espasmo e ele ouviu seu próprio grito, um momento depois estava feito. A criatura afastou as barras da cela e o tirou de lá.
– Olhe para mim, mestre...
Ele o olhou, lágrimas de sangue corriam da orbe ferida mas ao contrário do que imaginava ele não ficara cego. Resplandescendo com um brilho púrpura a Marca se revelava.
– Ficou muito bem no senhor... agora o senhor me pertence e eu sou seu fiel servo. Qual a sua primeira ordem?
Ciel se ergueu sem cambalear, uma ordem? Qual seria a sua primeira ordem? Lentamente ele olhou para os mascarados que a tudo observavam com um misto de terror e descrença, seu olhar se demorou sobre cada um deles e sem o menor sinal de piedade na voz ele ordenou...
– Mate-os! Todos eles!
– Com prazer, meu mestre...
A figura negra voltou-se sorrindo para as suas vítimas, que tentaram fugir movidos pelo pânico, mas a um gesto do implacável ser todas as portas e saídas se fecharam, não havia como fugir. Agora eram os gritos de terror e não de júbilo dos mascarados que enchiam o ar. Como a sombra da morte numa dança macabra o demônio bailou entre eles e a cada movimento seu o sangue tingia o chão e as paredes da sala e enchia o ar como uma chuva rubra. Ciel fechou os olhos e deixou que a dor deles lavasse a sua própria.
Quando terminou o servo se aproximou, estava satisfeito com a sua primeira ordem, remover aqueles seres desprezíveis fora uma tarefa das mais agradáveis e com olhos brilhando perguntou ao menino:
– Senhor, qual é o seu nome?
Ciel abriu os olhos, saindo de seu estado pensativo e olhou para a mão que o ser lhe estendia. O gesto era semelhante ao que se faz ao convidar o par para uma dança. Estendeu a sua e a pousou na dele, muito maior.
Sim, ele aceitara. Dançaria com o demônio a sombria valsa da vingança e ao último acorde entregaria satisfeito a sua alma.
– Ciel. Ciel Phantonhive, herdeiro da casa Phantonhive.
– Ah... meu senhor é um nobre... então assumirei uma forma que condiga com sua posição social... — Ele deu um passo e as trevas ao seu redor se dissiparam, diante de si Ciel tinha um homem muito belo de cerca de vinte e cinco anos, perfeitamente alinhado em um fraque preto de mordomo. Parecia humano em todos os aspectos exceto pelo tom de seus olhos que era muito mais puxado para o vermelho do que para o castanho.
– E qual o seu nome, demônio?
– Meu nome é aquele que o meu senhor desejar me dar...
Um momento de reflexão...
– Sebastian... seu nome será Sebastian.
– Muito bem. – Sebastian se ajoelhou sorrindo para o pequeno – e eu o chamarei de jovem mestre.
“ Bocchan...”
Notas finais
Realmente gosto deste capítulo, ( senti um prazer mortal quando Ciel ordenou a morte dos mascarados, na verdade ).
Ele sofreu demais e de uma forma que nem podemos imaginar, mas se reerguerá como o conde frio, inteligente e controlado que tanto amo.
Pretendo no futuro escrever outras onde a relação mestre e servo vai se aprofundando e se transformando na relação amante e ser amado que eu tanto aprecio. ( Sim, eu adoro Yaoi deles!!!!!! Adoro lemons!!!! Amo aqueles lábios percorrendo aquela pele branca, aveludada e trêmula e aquele clima de não posso! Não posso... mas eu quero...)
* cof, cof* - Perdão! Me exaltei... XD
Por favor comentem, isso me traria grande alegria! Beijos e até breve...
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