Sangue E Fogo - O Mistério Da Minha Vida

3 Capítulo 3 - Luzes te guiarão até em casa.


Notas iniciais
Olá leitores lindo do coração da B. mais um capítulo para vocês! *--*
Música: Fix You - Coldplay (http://www.youtube.com/watch?v=JI-o25K6B-E)
Obs: olhem as traduções das músicas.

Capítulo 3

– Chegamos dorminhoca. – Brian me acordou quando o avião – finalmente – pousou em West Palm Beach. – Ainda temos mais ou menos 100 quilômetros até Okeechobee.

Eu me espreguicei na poltrona e fiz uma careta pensando que ainda teria que fazer duas viagens de trem.

Levantei-me lentamente e então fiz menção de pegar a minha mala, mas Brian foi mais rápido, pegando-a e colocando a mesma ao meu lado.

– Obrigada.

– Hey, acho melhor não fazermos mais hora aqui, vamos logo. – Ele disse segurando a minha mão enquanto íamos para a saída do avião.

– Vou ligar para a minha avó. – Eu disse tirando o celular do bolso. – avisar que chegamos.

– E eu vou chamar um táxi, me encontre lá fora. – Ele disse e eu me virei e fui em direção ao banheiro.

Encostei minha mala na parede e fui até a pia, jogar um pouco de água gelada no rosto. E então, peguei o celular sob a pia. Mas antes que eu começasse a discar o número de minha avó, o celular tocou, era ela.

– Vovó! – Eu disse animada, eu realmente amava a vovó Epona.

– Meu anjo, já chegou? – Ela perguntou quase como se pudesse ler a minha mente.

– Sim vovó, eu acabei de chegar.

– Então saia logo desse banheiro para eu poder dar um abraço na minha neta. – Ela disse e em seguida desligou.

Sai do banheiro e lá estavam minha avó e Brian de conversando de costas para mim. Andei até ambos e me aproximei o bastante para ouvir minha avó dizer: _ Este cabelo curto, na minha época, homens usavam cabelos longos, muito mais bonitos, inclusive os que tinham cabelos loiros e lisos, como o seu.

– Vovó! – Eu exclamei. Ela se virou, e então me envolveu em um abraço caloroso.

– Minha menininha, como você está bonita. – Ela disse segurando meu rosto com as duas mãos enquanto me encarava sorridente.

– Obrigada vovó, eu estava com muitas de saudades de você. – Eu disse e a abracei novamente.

– Ei, o táxi acabou de chegar. – Brian disse. E então nós pegamos as bagagens e fomos para fora do aeroporto onde um táxi já nos esperava.

Brian abriu a porta do táxi para que eu e minha avó entrássemos primeiro, e em seguida ele entrou após ter ajudado o taxista a guardar todas as malas no porta-malas.

E então minha avó, em inglês, pediu que o motorista nos levasse até West Palm Beach Station onde nós pegaríamos um trem para Mangonia Park.

Tenho que dizer, olhando pela janela do táxi, notei que a cidade era realmente linda.

– We arrived1 – Disse o motorista enquanto estacionava em frente à estação de trem.

– Thank you2 – Minha avó agradeceu e pagou o motorista. E então saímos do táxi, pegamos nossas malas e logo estávamos prontos para viajar novamente.

– Esperem-me aqui, vou comprar os bilhetes. – Disse minha avó e então eu e Brian nos sentamos à espera do trem.

– Mais uma viajem.

– Nem me fale. – Eu murmurei enquanto recostava a cabeça no ombro de Brian.

– Aqui estão as passagens crianças. – Disse a minha avó, minutos depois, nos entregando as passagens.

– Então meu anjo, como estão as coisas lá no Brasil?

– Lílian está fazendo faculdade de ciências biológica na UFV, mas ela vai fazer o ENEM de novo no fim do ano para tentar passar em medicina veterinária. – Eu disse enquanto vovó brincava com meu cabelo.

– Tem uma buchinha? – Vovó perguntou e então lhe entreguei uma que estava no meu bolso. – Sua irmã, sempre tão indecisa. – Ela comentou enquanto trançava meu cabelo.

– Mamãe está gravida de novo. – Bem, mamãe e vovó não conversavam, nenhuma das duas nunca quisera me contar o motivo, mas devia ser algo bem sério para separar mãe e filha desse jeito.

– O que?! Ela perdeu o juízo, uma gravidez nessa idade? Sua mãe é louca, totalmente desajuizada.

– Papai foi promovido.

– Aquele inútil, finalmente fazendo algo que preste... E você Brian? Como vai sua família?

– Estão todos bem, graças a Deus.

– Deus? Ptt.... – Vovó era politeísta, não aceitava a ideia de um Deus só. – E seus irmãos?

– A Duda está namorando a Maria Clara, O Bruno se formou em engenharia e a Bethânia está respondendo muito bem a quimioterapia. No começo eu não quis fazer essa viajem, pela Bethânia e o estado dela, mas a minha mãe achou muito importante, ainda mais após a morte de Júlia, que eu focasse em outras coisas.

– Ela está certa, é claro. – Vovó respondeu.

– O trem! – Eu disse quando o trem apareceu na ferrovia.

– Peguem suas malas, estão com os bilhetes que eu entreguei? – Ela perguntou e nos respondemos afirmativamente.

Esperamos até as pessoas descerem e vovó nos apressou: — Andem, vão logo! Subam, subam!

– Venha vovó. – Eu chamei quando ela se sentou.

– Não, eu não irei.

– O que?! – Perguntei confusa.

– Essa aventura é só de vocês.

– O que você está dizendo? Venha logo!

– Já disse que não irei, e não tentem me fazer mudar de ideia.

– Você só pode estar louca.

– ENTREM LOGO NESSE TREM! – Ela gritou.

– Vamos, venha Eliza – Chamou-me Brian.

– Eu não vou sem minha avó.

E então ela se levantou e me acompanhou. Mas antes de entrar no trem, na última chamada para partirmos, ela desceu. – Boa Sorte minha neta! Você vai precisar...

– O QUE?! Vovó! – Eu gritei, mas já era tarde demais. O trem já estava em movimento e vovó ficara na estação. – POR QUE ELA FEZ ISSO?!

– Ei, acalme-se – Disse Brian passando a mão pelo meu ombro. – Vamos até a nossa cabine e quando o trem parar na próxima estação nós voltamos para busca-la, agora se acalme, ok?

– Tudo bem.

Passamos por um amplo corredor, onde havia crianças correndo atrás de seus pais. Pessoas conversando, pessoas se acomodando nos vagões, pessoas sorrindo e se abraçando... O trem estava lotado.

Chegamos ao nosso vagão e Brian guardou nossas malas. Sentei-me e recostei a cabeça sobre a janela.

– Vai ficar tudo bem. – Disse Brian se sentado na minha frente.

– Eu sei... Eu só estou cansada, sei lá, de tudo.

– Eu entendo.

– Eu só queria sair disso, abandonar tudo.

– Eu desejei isso todos os dias da minha vida, sabe? Quando eu era pequeno e meus pais usavam droga. Quando meu pai morreu. Quando meu irmão mais novo morreu. Quando a Duda e o Bruno viraram homossexuais, ou bissexuais no caso da Duda e a minha mãe expulsou eles de casa. Quando a Bethânia teve câncer. Quando a minha mãe foi internada com overdose. Estou farto de tudo! Todos os dias eu rezava... E ainda rezo às vezes, pra sair disso.

– Belo cordão, aliás. – Ele disse e eu tirei o medalhão do meu peito e o fiquei encarando. E então, só então, notei o pequeno fecho na lateral do medalhão. Curiosa, abri.

Um clarão, uma luz vinda do medalhão me fez jogá-lo longe. Que merda era essa?!

Abri os olhos novamente e estava tudo escuro. Brian me olhou assustado. – O que acabou de acontecer?!

– Não faço ideia.

Abri a porta da cabine. Sai, não havia ninguém nos corredores. E nem nos outros vagões. O vagão estava completamente vazio. Voltei para a cabine e olhei pela janela do vagão.

– O QUE?! – Exclamei.


Notas finais
E então, o que acharam deste?