Sangue Divino

21 Cap. 21 - Wonderland.


Notas iniciais
Não muito longe de Court, Sophie e Nathan... POV LOLA GRACE MCLEAN

Desvio os olhos do livro que estou lendo para ver Panda, minha gata, entrar pela janela. É uma gata completamente independente, vai e volta, uma Maine Coon preta e branca muito esperta na verdade, dizem que essa raça se apega aos donos, não sei se concordo. Ela pula e aterrissa com graça na escrivaninha onde estou lendo, tampando minha visão do livro.

–Ei, garota. Que tal ir um pouco pro lado? –Sussurro.

Panda meche o rabo e então abaixa a cabeça. Ela entorta a cabecinha na direção do meu colar, à noite sempre o deixo na escrivaninha. Minha mãe me deu esse colar para que eu lembrasse de quem eu sou, me lembro claramente das palavras até hoje “tão delicada quanto perigosa, tão bela quanto dura, mas sempre preciosa” foi o que disse. Sorrio ao lembrar. Nunca me desgrudo do colar desde que Piper me deu, no meu aniversário de dez anos. A rosa de rubi costuma reluzir no meu pescoço todas as manhãs.

Quando me dou conta do que a gata fez, ela já está na janela de novo. Pulando para um passeio noturno no acampamento com o meu colar na boca! O que essa gatinha travessa pretende?

Saio correndo atrás de Panda em alta velocidade, iluminada apenas pela luz da Lua. Maldita gata, se me pegarem andando pelo acampamento essa hora... bom, ser filha de dois heróis fantásticos acaba sempre amenizando as punições, menos quando meus pais descobrem, claro. Como segunda opção ainda tenho o charme, não sei usar tão bem quanto minha mãe, mas consigo me virar. Passo pelo refeitório, facilmente localizável mesmo com pouca luz, na verdade nem é tão pouca, já que a Lua está brilhando com uma intensidade surpreendente, dizem que quanto Ártemis está ativa a Lua brilha mais, o que será que a deusa está fazendo agora?

Panda faz uma curva brusca quando chega à praia e a acompanho, o bom de ser bem treinada é que se é resistente, ainda sinto que posso correr muito mais e meu folego está estável ainda (apesar de que não costuma durar muito). Penso em como deve ser estranho para alguém que avistasse de longe uma garota com um vestido azul e verde florido longo e de mangas compridas correndo atrás de uma pequena gatinha pela areia da praia depois do toque de recolher. Meu cabelo bate no meu rosto bloqueando partes da minha visão com os fios negros, mas não me incomoda, tenho que pegar meu colar de volta, alguma hora essa gata vai desacelerar e cansar da brincadeira.

Reconheço que já corri de mais quando percebo que estou no estuário do Riacho Zéfiro. Tem alguém sentado nas pedras em frente ao lago, quase me desespero, mas logo percebo que é um campista adolescente e que não olha pra mim, está conversando com as naídas do riacho. Por um momento pensei que Panda fosse pular para o lago, mas ela me chaca ainda mais, entrega o colar cuidadosamente na mão estendida do campista que já parou a conversa e some saltitante. O campista se volta para mim, chego mais perto e me dou conta de quem é. O cabelo castanho encaracolado e os olhos claros acentuados pelo luar são inconfundíveis. Eric. Por que ele fez minha gata trazer meu colar até ele? Não basta me incomodar em aula?

– No meio da noite? Sério? –Indago levemente estridente, já estou começando a ficar com sono, minha paciência está no limite. – Devolve meu colar, vai.

– Hum. Não sei, não. –Ele responde me encarando com os olhos travessos que sempre decoram suas expressões. –Talvez.

– O que você quer? –Pergunto entediada.

– Só um minuto. –Ele caminha até o fim do estuário, para a parte que já é o Estreito de Long Island. Abaixa e cochicha para uma naída. Sinto um formigamento estranho e mordo o lábio. Não sei explicar o porquê aquilo soou vulgar para mim e não quero que se repita, simplesmente estou incomodada pela hora, é isso, claro.

A naída mergulha e segundos depois um hipocampo se ergue para fora da água e relincha.

– Shhh. –Sussurra Eric para o animal, com o dedo na frente da boca. E então se vira para mim: — Devolvo se você montar. –Ele pendura o colar no pescoço. Espertinho, sabia que se colocasse no bolso eu tomaria de volta. Isso não garante que eu não vá tentar.

– Está bem. –Digo contragosto depois de ver a expressão impassível dele, o sorriso divertido e as sobrancelhas levantadas me desafiando.

O observo montar no animal exótico com naturalidade, evidenciando que já vez isso antes. Minha vez. Suspeito que não esteja sendo muito graciosa, principalmente quando ele agarra meus braços e puxa para cima, me colocando atrás dele. Eric é bem mais forte do que imaginei, filhos de Hermes não costumam ter o porte guerreiro que se vê por aqui, e considerando o quanto ele é magrelo e alto, realmente não imaginei que pudesse me levantar como uma pena.

Meu cabelo deve estar horrível, claro que sim, iria dormir agora. Mas... por que me importo com isso? É só um garoto idiota me pregando pegadinhas no meio da madrugada, não tenho que estar arrumada para isso. Então por que eu sinto que devia?

Equilibro-me apenas deixando as costas eretas, com postura perfeita. Digamos que animais não são o meu forte, ficar em cima deles então...

– É melhor se segurar na minha cintura ou vai cair. –Ele alerta.

– Claro. Acho que vou cair.

Posso não estar vendo mas sei que ele deve ter sorrido com minha teimosia.

– Alias, essa não é a intenção? Que outro motivo tem para me colocar em cima de um animal aquático enorme? –Digo.

– Você vai ver. E falando sério, é melhor se segurar, garota.

Seguro a cintura de Eric com as duas mãos. É consideravelmente desconfortável, mas... mas nada! É só isso, estranho. O hipocampo colorido acelera me forçando a apertar mais forte. Droga.

Viro o rosto para evitar o vento e o cabelo de Eric, que assim como o meu, está sendo soprado para trás com força, a diferença é que o dele bate um pouco acima do pescoço e o meu passa da metade das costas, longos, negros , ondulados, e infelizmente, soltos hoje. Alguns cachos do cabelo dele voam para meu rosto, mas não o bastante para me fazer ter que afastá-los, se bem que, mesmo que eu quisesse afastar eu não o faria, não quero ter que libertar os braços, o animal nada rápido demais.

A ponta das sapatilhas que estou usando raspa na água, mas é uma visão tão bonita que não levanto os pés. Estou agarrada o suficiente a Eric para perceber que a camiseta preta que está usando está levemente colada nele pelo suor. Percebo que também estou suando um pouco, mas não estou cansada. Devo estar enrubescida, penso, bom, se eu não estava agora com certeza estou por ter pensado nisso. Viro o rosto ainda mais.

–Sabia que existem diversas pequenas ilhas perto daqui? –Ele questiona quase gritando por causa do vento que abafa a voz.

–Não fazia ideia. –Respondo. Eu podia tentar soar zangada ou entediada, mas não vale o esforço, e até que isso não é tão horrível, na verdade é até legal estar montada em um cavalo-peixe arco-íris.

Ele não diz mais nada. Que estranho. Espero, espero, nada. Até que depois de perder a noção do tempo observando o movimento da água que respinga em meu vestido, Eric se vira, me encarando com os olhos surpreendentemente brilhantes graças ao reflexo da água, e diz:

– Estamos chegando.

Franzo a testa e então vejo um ponto no horizonte. Estico o pescoço e sinto os músculos da barriga dele contraírem. Levanto o queixo e observo enquanto nos aproximamos da pequena ilha. Tem o tamanho dos chalés. Mas se fosse considerar um chalé, aquele só poderia ser dos sátiros, pois está coberto de árvores, folhas, flores e pássaros. É lindo.

O hipocampo “estaciona” na lateral da ilha, numa parte onde há praia. Retiro meus braços da cintura de Eric e ele salta para a areia estendendo as mãos para me ajudar, adoraria negar a ajuda e pular só, mostrar que posso, mas aceito. Passamos alguns segundos desconcertantes encarando um ao outro, com ele ainda segurando minhas mãos, e então nos afastamos.

– Por que me trouxe aqui? –Pergunto.

– Para te mostrar uma coisa. –Ele responde sorrindo. Então, tá. – Me segue.

Não respondo mais nada, apenas começo a andar atrás dele, mata adentro. Não acredito que vamos muito longe já que o lugar é pequeno, e estou certa, nem se passaram dois minutos e estamos do outro lado. Esse lado não tem praia, é delimitado por um declive abrupto, como um pequeno precipício. Aproximo-me e olho para baixo. Deve ter um metro de rocha antes de encostar no mar.

– Se pretende me empurrar daqui acho que a altura não é suficiente para me matar. – Digo em tom casual.

Ele ri e diz:

– Sabe que eu nunca faria isso.

– O quê? Me empurrar?

– Não. Te matar. Te empurrar ainda é uma possibilidade.

Rio nervosa e me afasto um pouco. Viro para Eric e digo:

– Então, me trouxe pra ver o mini precipício?

– Não. –Ele aponta para a esquerda. — Te trouxe aqui para te mostrar isso.

Viro a cabeça para a esquerda e logo avisto o que ele disse. Há quatro tigres deitados, dois comuns e dois albinos, e entre eles há um pequeno tigrinho albino brincando.

–São mansos e domados. –Tranquiliza Eric.

Solto o ar que nem sabia que estava prendendo e me aproximo. O tigrinho para de brincar quando me vê e começa a correr em minha direção, os outros permanecem quietos e preguiçosos. O animalzinho está mordendo a barra do meu vestido, é tão bonitinho que deixo, até porque, se eu puxar vai ficar pior, e ele é fraco, não é como se fosse arrancar minha saia.

Sento no chão, sem me importar se vou me sujar, não tem como outros me avistarem aqui nesse lugar no meio do nada, literalmente. Começo a brincar com o tigre, passando a mão no pelo macio, observando os pequenos olhos azuis se movendo com velocidade.

–Como vieram parar aqui? –Indago.

–Já deviam estar aqui. Só encontrei, e pensei... que gostaria de ver.

–Como soube que eu adoro tigres? Não é algo que saio contando para todo mundo.

–Filhos de Hermes tem um talento natural para descobrir o que querem.

Fico tentada a perguntar por que ele quis saber meu animal preferido, mas não abro a boca. Também sei que é obvio que ele trouxe esses tigres para cá, não tem como tigres simplesmente aparecerem no meio do nada, mas me faço de boba e não digo nada, é um talento natural, é o que esperam de quem descende de Afrodite, e tem suas vantagens às vezes. Tenho certeza de que não deve ter sido fácil descobrir essa ilha e colocar cinco tigres nela, mesmo para um filho de Hermes.

– Por que está fazendo isso? –Digo. É obvio que se esforçou para criar toda essa situação. Meu coração acelera e faço esforço para acalma-lo.

– Para te agradecer. Pelo que fez semana passada. –Eric responde.

Levanto as sobrancelhas. Eu sei do que ele está falando, só que aquilo não foi nada, disse ao Quíron que estava sendo atormentada por ele na hora do almoço para que ele tivesse um álibi em relação ao “roubo temporário” de pégasos. Eu não estava realmente sendo perseguida por ele no almoço, mas tinha certeza que ele devia estar fazendo outra coisa, roubar pégasos simplesmente não combina com ele, não podia deixar que fosse punido injustamente, só isso.

– Aquilo não foi nada. Sabe disso. –Afirmo. – Não pode ter montado tudo isso só causa daquilo. Diz logo porque me trouxe aqui.

Eric se aproxima, caminhando em minha direção. Sinto que meu coração vai pular para fora de mim. O tigrinho continua a puxar minha saia, me tirando do transe onde estava me metendo. Agacho e pego o animalzinho no colo, olhando para ele e acariciando sua cabeça enquanto meu coração martela.

–Quer dar um nome para ele? –Ele diz.

–Como sabe que é macho?

–Você não quer saber. –Levanto o rosto e vejo que Eric esta a alguns centímetros de mim, me encarando com um sorriso torto.

–Se você diz. –Penso um pouco e completo: -Giovanni.

–Que?

–Giovanni. É o nome que quero dar para ele.

–Ah. Está bem. É bonito, acho.

Sorrio encarando os olhos que agora estão mais escuros e acinzentados.

–Para saber se viria. –Eric diz.

–Hã? –Indago.

–Acho que... trouxe você aqui para saber se viria.

–Não tive muita escolha, tive?

–Podia ter insistido que eu te devolvesse o colar e batido o pé, como eu bem sei que pode fazer, mas aceitou vir.

Sinto que estou corando, isso faz com que eu me sinta idiota. Eric se aproxima ainda mais. Não ouço mais nada a não ser o ressoar das batidas do meu coração, que na minha cabeça parecem o suficiente para derrubar um prédio. Enquanto ele se aproxima lentamente apenas fico parada, me concentrando em não deixar o tigre cair mesmo sentindo os braços cedendo. E então, ele pega Giovanni do meu colo. O quê? O quê foi isso?

Fico assustada e enraivecida, mas logo que a confusão passa isso se vai também. Ele acaricia o animalzinho e Giovanni volta a brincar em torno dos outros tigres maiores. Eric vai até a ponta anterior ao declive e consigo ouvir sua respiração daqui, ele senta na beirada, como se estivesse numa piscina, apesar de que tenho certeza de que a água não está perto o bastaste para que os pés dele se molhem. Ele encara o horizonte com as mãos pousadas no jeans.

Sento-me ao lado dele. Se ele organizou tudo isso para mim o mínimo que devo fazer é companhia, não? Ele encara meus olhos. Diversas coisas passam pela minha cabeça, posso resumi-las em: eu devo estar horrível. Eric levanta a mão e coloca a parte do meu cabelo que cobria um dor meus olhos atrás da orelha. E então se aproxima mais até que nossos lábios se tocam. Ele desliza a mãe para minha cintura e eu passo os braços em torno de seu pescoço enquanto os beijos vão ganhando intensidade e tudo a nossa volta vai se dissolvendo. Fecho os olhos. Todas as preocupações por estar aqui somem, todas as reclamações que fazia mentalmente não importam mais.

Quando nos afastamos ele tira a mão da minha cintura e acaricia minha bochecha. Encosto minha cabeça na clavícula de Eric, respirando fundo enquanto ele passa a mão pelo meu cabelo desembaraçando-o. Levanto meu rosto e apenas nos encaramos, sorrindo um para o outro durante um tempo. Olho para cima, as estrelas parecem brilhar com mais intensidade, na verdade, tudo parece brilhar um pouco mais, tudo parece ligeiramente mais belo.

Eric se levanta e pega a minha mão para me ajudar a levantar. Encaramos o mar agitado de mãos dadas. Encosto minha cabeça no ombro dele e ficamos assim por alguns minutos, até que ele me conduz um pouco para trás e nos sentamos. Ele se deita no chão e eu faço o mesmo a sua esquerda. Me aninho nos braços de Eric e ficamos olhando as estrelas. Sinto o sono tomando conta de mim, minhas pálpebras caem e minha cabeça tomba para o lado direito e tudo perde o brilho completamente.

– Lola. –Ouço Eric sussurrar delicadamente.

Pisco os olhos até estar encarando o céu estrelado claramente e me viro para encarar ele, que sorri docilmente.

– Temos que ir. Acho que são umas três da manhã. E melhor sairmos daqui antes que nós dois caiamos no sono e todos percebem que sumimos de manhã.

– Não se preocupe, eu digo que estava me perseguindo de novo. –Afirmo brincando.

Nos levantamos. Tudo parece meio turvo, talvez porque estou com muito sono ainda.

– Ficou acordado o tempo todo? –Pergunto.

– Se eu dormisse estávamos ferrados. Alias, não foi tão difícil, o tempo passou rápido enquanto olhava você dormir e as estrelas.

Beijo Eric calmamente, segurando uma das mãos dele.

– Há. –Digo sorrindo e me afastando. Abro a mão com que não estou segurando a dele, exibindo o colar de rubi. Estou atenta o suficiente para conseguir tirar o colar dele enquanto estava distraído.

Eric sorri.

– Quer que eu coloque para você?

– Preciso dele de volta se quiser que minha gata me atraia até você de novo, não é mesmo?

– Claro. –Ele pega o colar da minha mão com delicadeza e eu me viro. Puxo para frente meu cabelo e seguro até que ele termine de prender a corrente. – Tem uma gata muito esperta.

– Eu sei. Ela é uma coisa irritante na maior parte do tempo, mas sempre sabe o que faz. –Aponto os tigres. — O que vamos fazer com eles?

– Eu venho cuidar deles todos os dias, não se preocupe. Você pode voltar sempre que quiser para visita-los, são seus se quiser.

Dou um beijo rápido nele, ele é simplesmente... fofo, por mais que eu saiba que não é o que garotos gostam de ouvir.

– Melhor irmos. –Digo.

O hipocampo emergiu assim que Eric assobiou. Dessa vez me prendi a cintura dele, abraçando-o sem hesitar, mais delicada e próxima do que a ultima vez. Depois de um tempo até encostei minha cabeça nas costas dele. Às vezes ele tira uma das mãos do pelo do animal e acaricia meu braço. Se Eric não fosse tão bom com o hipocampo eu falaria para ele não desgrudar as mãos do animal, com custo mas falaria, graças aos deuses não preciso.

Descemos na praia dos fogos, que fica mais próxima aos chalés.

–Eu vou na frente. Assim se me pegarem não vai ser surpresa alguma para ninguém e eu distraio quem estiver acordado para que não percebam você. –Instrui Eric.

–Tem certeza?

Ele balança a cabeça em concordância. Nos beijamos e ele logo some da minha vista. Fico sentada um tempo na areia relembrando os momentos na ilha depois vou em direção aos chalés, sozinha pela noite, murmurando à minha mesma que passaram quinze minutos, não posso estar com saudade dele tão rápido.

Quando chego ao chalé de Afrodite me troco e me enfio debaixo das cobertas de minha cama silenciosamente.

Sinto-me flutuando de manhã, tudo parece melhor, até as cortinas rosa idiotas não me incomodam. Vou fazendo as coisas automáticas que faço de manhã, levando um tempo extra para arrumar meu cabelo e escolher uma roupa simples, porém bem bonita, sei muito bem que não estou me produzindo para o espelho, mas os outros não percebem mínima diferença.

Como todas as manhãs, estou sentada de frente aos meus pais no refeitório. Tudo que dizem parece um monte de silabas sem sentido enquanto meus olhos vasculham a mesa de Hermes. Eric ainda não está lá, deve estar dormindo.

–Filha. –Minha mãe chama, no que parece um eco abafado. –Filha?

Viro para Piper que me encara alegre e sorrio.

–Parecia não estar prestando atenção, mas acho que gostaria de saber que vamos voltar para Nova Roma hoje à tarde, querida.

Costumo gostar muito de regressar a Nova Roma. Mas não hoje. Não agora. Meus ouvidos entopem e minha expressão se fecha, meus olhos ficam vagos. Estava me sentido numa nuvem, que dissolveu em uma velocidade incrível.

Notas finais
Não me matem pelo suspense em dobro kkkkkkkkkkkkk ;*