Sang-froid
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Uma luz, só uma luz, uma faísca de luz, talvez alguns fogos de artificio, algo que pudesse iluminar aquele lugar, uma lâmpada, uma vela, um fósforo e um pouco de álcool fossem suficientes.
Assim que tudo começou, uma cidade proibida, que só poderia ser vista por pessoas especiais.
Sabe aquele momento quando sua mãe diz a você “Você é especial”? Bom, desculpe ser tão franca, direta, ou fria de mais, mas ela está mentindo, os adultos só sabem mentir não?
Pessoas especiais, não são aquelas que são bonitas de mais, ou possuem um corpo que é considerado perfeitos, uma pessoa que possui curvas em seu corpo a ponto de ser chamada para um concurso ridículo para concorrer com outras pessoas com as mesmas características, uma pessoa especial não é aquela que pode simplesmente ser diferente, que quer aparecer, uma pessoa especial desde o começo de sua vida sempre sofre, as coisas só dão erradas pra ela, ela só consegue sentir mágoa, ódio, irritação, e acima de tudo, toda pessoa especial quer morrer para ir para este mundo, no qual eu estou tentando sair.
Mas chega de falar disso.
Meu nome, simples: Rebeca.
Meu destino? Trágico.
Meu desejo? Sair desse mundo excêntrico e viver uma vida normal.
Minha vida? Como todo adolescente que sonha, eu quero o contrário do que tenho.
Rebeca, esta sou eu, uma jovem normal, queria ser baixinha como todas as garotas a minha volta, aquelas que têm coxas grossas, seios grandes e desejados, uma boca carnuda que dê vontade de morder, mas não tenho nada disso. Meu corpo é como uma tábua, pernas compridas e finas, juntamente com o meu “peitoral” por assim dizer, o volume que ele possui é o mesmo de uma garota de dez anos. Meus cabelos, um castanho claro, algumas ondas aqui e ali, deixando ele um tanto volumoso, minha pele... toda cheia de defeitos, algumas pintinhas no rosto e nos braços, olhos castanhos, quase mel. Esta sou eu, a aparência física pelo menos é está.
Minha sala inteira me julga por causa do meu gosto musical, pois gosto de duas coisas opostas, mas eu não ligo para opinião de seres irracionais. Minha família me vê como uma garota anoréxica, sem graça e de mal com a vida. Mas como eu disse, não ligo para opinião de pessoas irracionais.
Minha personalidade é algo meio intimidador, e ao mesmo tempo difícil de lidar. Algumas pessoas falam que aparento ser muito brava, e por eu nunca sorrir parece que eu sou grossa e antissocial. E sabe, tem muitas pessoas que postam em redes sociais que “são tímidos, até as pessoas conhecerem elas direito”, comigo não adianta me conhecer, se você souber a minha história, talvez entenda por que odeio, ou odiava, a minha vida.
Mas como dizem, todos dão valor ao que se tem, quando perdem aquilo.
Eu não faço ideia de onde estou, e por que estou aqui, mas algo me diz que poderia ser melhor se eu estivesse em casa fazendo o tema de álgebra que a professora chata e arrogante deu para que nós, alunos sem interesse algum nesta matéria, fizéssemos.
Mas eu estava em lugar escuro, eu lembro que tinha ido pegar algo que meu irmãozinho tinha me pedido para buscar num velho poço que tinha perto da minha casa, o poço era abandonado e tinham colocado cimento la, então não era fundo, eu pulei sem medo algum, e quando alcancei o objeto que meu irmão havia me pedido, tudo ficou escuro, meu coração gritava por socorro.
“Arthur não é engraçado, pare com essa brincadeira”.
Eu jurava que era uma brincadeira, mas o meu irmão estava mais apavorado que eu naquele momento. Eu gritei pela minha mãe, meu avô, meu irmão, ninguém me ouvia.
Por um momento quis escutar minha voz, minha voz de pavor, horror, e medo, minha voz de quem estava louca para ser salva, a voz de quem queria voltar para casa e esqueceu o que tinha ocorrido naquele poço, mas por algum motivo eu não ouvia a minha voz, era como se eu falasse na minha mente, e da minha boca não saísse nada além de ar, era como se alguém tivesse roubado minha voz, pego ela para si.
Senti algo brilhando, por um instante eu dei graças por poder enxergar alguma coisa, mas nunca pensei que aquilo fosse o primeiro sinal de muito tempo longe de minha família.
Aquilo não era uma pessoa, nem um animal, era algo que para mim não poderia existir, meu deus, estamos no mundo real, não em um mundo paralelo inventado por algum autor louco por ficção, como todos que escreveram meus livros favoritos. Aquilo tinha mais de dois braços no total eram oito, nenhuma perna, em vez de pernas, tinha o corpo de uma centopeia, tinha dois olhos abertos e a silhueta de mais quatro em cima e em baixo de cada olho aberto, sua língua agora estava encostada na minha bochecha, aquela língua que parecia ser mais de uma cobra, aquela língua na qual não havia umidade, era nojento, pegajoso sentir aquilo deslizando sobre a minha pele.
Ela falava coisas que eu não fazia ideia do que se tratava, era algo que tinha a ver com o poder absoluto, almas, e sombras, algo que nasceu dentro das trevas e que queria cada vez mais se expandir, não sei por que, mais aquela mulher me parecia muito ser maléfica, sua “roupa” era sua própria pele, não usava blusa alguma e seus seios não eram como os de um ser... vivo, por assim dizer, pra mim eu estava sonhando tudo aquilo. Mas como eu não sou boa em inventar histórias, acho que não era um sonho.
Era o começo de um pesadelo, um pesadelo que estava muito do longe do fim.
Notas finais
brigadinha... beijuuuuuuuuuuuuu
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