Sanatory

4 Capítulo 4


Eu estava cara a cara com a minha morte. Não tinha como fugir. Estranhamente, eu não estava com medo de morrer, o único medo que eu tinha era o de ser devorado por aquela coisa depois que eu morresse. Ouvi um barulho de pólvora e vi a cabeça da criatura explodir. Um dos dentes fez um pequeno corte no meu rosto antes de bater na parede e cair no chão. A criatura caiu revelando Pain segurando uma escopeta.

- Você tem muita sorte. – Quase morri de ataque cardíaco quando a dona da voz apareceu cheia de sangue do meu lado. – Abaixa essa coisa. Atirar em mim é o mesmo que atirar em nada. – Ela ordenou ao Pain.

- Quem você pensa que é para me dar ordens?!

- T-T-Tudo bem. – Comecei a me recuperar do susto. – E-Ela é aliada.

- Aliada? Desde quando?

- Desde que escrevi para vocês saírem daqui.

- Então era você!

- Se tivessem me ouvido, não estariam aqui.

- Você está por trás de tudo isso!

- Pain, se fosse ela, eu estaria morto. Ela me disse que o 301 era o mais seguro e isso foi comprovado quando uma daquelas bestas evaporou.

- Sabe onde está a Konan?

- Eu a mandei para lá. Ela e Hinata estão bem. Vamos ver Naruto.

- Seu amigo já era. Ninguém fica com o intestino de fora por muito tempo. – Não me surpreendi pela frieza com que ela falou isso, me surpreendi com a irritação dela.

- Então, você deve saber como a gente sai daqui. – Disse Pain.

- É simples, se matem. – Depois disso, ela desapareceu.

Pain estava com raiva, enquanto eu já estava acostumado. Convenci a nos juntarmos para procurar os outros.

- Diz aí, o que são essas coisas?

- Acredite, algum dia eles foram pacientes do sanatório.

- Como sabe?

- A Kin me disse.

- Kin?

- Aquela fantasma, Tsuchi Kin, a paciente do quarto 301.

- Por que ela está te ajudando?

- Eu não sei.

- Oi pessoal.

- KIBA?! – Dissemos Perplexos.

- Mas você morreu! – Berrou Pain.

- Duas vezes. – Completei.

- Morri? – Disse Kiba confuso. Sério, isso está estranho.

Andamos por um corredor cheio de corpos decapitados e cabeças. Entre eles encontramos Tayuya, Kimimaro, Sakon e Ukon. Ouvimos o barulho de serra e quando vimos, um cara cheio de serras pelo corpo começou a atirar algumas na gente. Pain e eu conseguimos desviar, mas Kiba não teve a mesma sorte, de novo. O homem vinha correndo com as serras das mãos para arrancar nossas cabeças, mas atiramos nele e ele se contorceu de dor. Atiramos de novo, mas parecia que ele só sentia dor e não morria. Nossa munição acabou, então começamos a correr.

- Algum plano? – Perguntei.

- Corre até não conseguir mais!

Corremos e no final do corredor apareceu Temari segurando uma bazuca. Sem nos consultar, ela atirou. Pain e eu nos jogamos no chão para nos protegermos, a criatura explodiu, voou serra para todos os lados, sendo que uma delas caiu bem na minha frente quase me cortando ao meio e Temari conseguiu desviar das que foram em sua direção.

- O que faz aqui? – Perguntou Pain esquecendo que há minutos atrás quase fomos mortos por um tiro de bazuca.

- Procurando por sobreviventes, e vocês?

- Fazendo o mesmo.

- Hinata e Konan estão no 301. – Eu disse. – É o mais seguro daqui. Temos que achar os outros e levá-los para lá.

Voltamos à nossa busca. Pelo caminho encontramos Kiba, de novo! Sério, esse diabo não morre nunca?! Achamos munição para nossas armas e recarregamos. Andávamos normalmente quando escutamos um:

- FUDEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEU! – Sasori e Deidara passaram correndo por nós.

Não entendemos nada até ver uma criatura monstruosa com um relógio digital contando os segundos até chegar ao zero e ele explodiu. A explosão nos arremessou alguns metros por onde passamos.

- Todo mundo vivo? – Perguntou Temari.

- Por enquanto. – Começou Pain. – Que diabos deram na cabeça de vocês?!

- O Deidara que achou um detonador e prendeu nele. – Disse Sasori.

- Nem vem, ele já estava quase explodindo quando o encontramos! – Deidara se defendeu.

Continuamos a andar. Não demorou muito para que aparecessem cães sem pele e com línguas enormes que pegaram o Kiba, o destroçaram e sugaram o sangue dele com aquelas línguas.

- OMG! Eles mataram o Kiba! – Surpreendeu-se Temari.

- Filhos da puta! – Disse Deidara.

Sério, eu me pergunto quantas vezes o Kiba morreu hoje. Parece o Kenny do South Park, que morre e no episódio seguinte ele aparece vivo e morre de novo. Começamos a atirar e a correr. O nosso maior problema é que eram 20 e as línguas a qualquer momento poderiam se enroscar em nossos pés, nos fazendo virar presas deles. Dos 20, 15 foram mortos e a minha munição acabou. Entramos em um dos quartos e fechamos a porta. Colocamos uma cômoda na frente para atrasá-los cada vez mais.

- Vejo que conheceram os sniffer dogs. – Aquela garota de novo. Talvez ela tenha as resposta de que preciso.

- Você de novo! – Berrou Pain.

- Quem é ela? – Perguntou Sasori.

- Um fantasma! – Gritaram Deidara e Temari.

- Kin, não podia ter aparecido em hora melhor. Tenho algumas dúvidas.

- Pela milésima vez, só dá para sair daqui morto e mesmo assim se sua alma conseguir sair.

- O que?! – Dissemos todos surpresos.

- Acha mesmo que só as almas dos pacientes e funcionários que estão aqui? Quando este lugar era um hotel, muitas pessoas vinham aqui para cometer suicídio. Outras vinham aqui de passagem, mas enlouqueceram e acabaram cometendo suicídio. E por quê? Porque viam as almas de muitos que morreram neste lugar. Quando este lugar foi abandonado de vez, as almas se revoltaram e agora é isso o que vocês estão vendo.

Aqueles cachorros não paravam por um instante. Era uma questão de tempo até quebrarem a porta e passarem por cima da cômoda.

- Um amigo nosso reviveu e morreu várias vezes. – Comecei – Como isso é possível?

Ela pareceu refletir por um bom tempo até que se pronunciou.

- Tenho que verificar.

- Como assim?! – Gritou Temari.

- Se eu disse que tenho que verificar é porque eu não sei.

- Como assim não sabe?! – Os outros quatro gritaram.

- Vocês acham que eu sou uma biblioteca?! – Kin estava profundamente irritada. – Se eu não sei á porque eu não sei. – Ela ia atravessar a parede vizinha, mas eu a impedi.

- Espere. Deve ser difícil viver dessa maneira, preso a uma construção, sem ninguém saber a agonia que passaram. – Da onde eu tirei isso?! – Mas não é possível que tenham sido permitidos cachorros no hotel, muito menos no sanatório. Como eles chegaram aqui? – Ela parou para refletir e depois se pronunciou.

- Se você sair deste lugar com vida e, se algum dia, retornar, eu te conto. Até lá, é melhor lutar. – Ela me jogou dois cartuchos de munição tirados não sei de onde.

- E a gente?! – Perguntaram os outros.

- Eu tenho cara de loja de armas e munição, por acaso?! Se virem! – Ela simplesmente atravessou a parede que dava para a vista do penhasco e caiu.

De duas coisas eu tinha certeza. Primeira: havia uma maneira de sair dali que Kin, por alguma razão, não contava; Segunda: havia uma história por trás disso tudo que estava acontecendo e ela estava ligada ao incêndio do sanatório em 1925.