Sanatory
2 Capítulo 2
De manhã fomos todos tomar café. Quando terminamos e fomos para a sala decidir o que íamos fazer o resto do dia, uma nova mensagem apareceu: “Se vocês amam a morte, fiquem. Se a temem, saiam antes que a neblina se intensifique.”. Só pode ser brincadeira!
— Quem escreveu isso? – Perguntou Suigetsu.
— Baka, como vamos saber?! – Gritou Karin.
— É impossível que alguém tenha feito isso em tão pouco tempo. – Afirmou Pain. – Estávamos no restaurante quando isso aconteceu.
— O que é isso aqui? – Tenten pegou um papel perto da parede.
Aquela garota só pode estar brincando com a gente! No papel tinha o desenho do hotel envolto em uma névoa. Ao longo da sala haviam desenhos de estranhas criaturas e outra mensagem na parede: “Eles aparecem quando é tarde demais para ir embora.”. Dei uma olhada de novo no desenho do incêndio. Era a estrutura do hotel em chamas!
— O-O-O-O... – Hinata estava com tanto medo que mal conseguia falar.
— Onde achou isso? – Perguntou Sasori.
— Na cômoda do meu quarto. Achei junto com uma chave que abre a sala dos arquivos, mas eu não sei onde fica.
Os olhos da maioria se arregalaram. Eles começaram a discutir sobre fantasmas, zombar dos que estavam com medo, mas eu não dei atenção. Algo nos desenhos atraía a minha atenção total. Para começar, os desenhos foram feitos pela mesma pessoa, imaginei de devia ser aquela garota, mas algo neles estava errado. O do incêndio parecia ter sido feito há pelo menos 80 anos enquanto os outros eram recentes. Acertei minha suposição, pois o do incêndio tinha uma data, 03/03/1925, mas como algo de mais ou menos 80 anos está intacto?
— Ô autista, estamos falando com você! – Os berros de Karin me tiraram dos meus pensamentos.
— É?
— Estamos aqui há horas tentando falar com você e você nem está nos dando atenção!
— Olhem isso. – Estendi o desenho do incêndio tentando mostrar a data.
— Já vimos isso, porra! – Falaram os mais irritados do grupo.
— O que é isso? – Shikamaru pegou o desenho e o analisou. – Isto data de 03/03/1925. Como está inteiro até hoje?
— Eu não sei. Devemos ir até os arquivos e verificar.
Segundo Kimimaro, a sala de arquivos ficava um andar abaixo de onde estávamos. Abri a porta e entramos. Shikamaru, Sasuke, Kimimaro, Gaara, Sasori, Itachi e eu olhamos com cuidado. Tinha recortes nas paredes falando da inauguração do hotel, dos prêmios, dos inúmeros casos de suicídio, gente que tinha visto fantasmas e o quarto amaldiçoado chamado quarto 301, que por sinal era o meu. Um recorte me chamou a atenção. Nele havia uma foto de um incêndio igual ao desenho. Peguei com cuidado e comecei a ler:
“Incêndio no Sanatório de Willow Hill: no dia 03/03/1925, um grande incêndio destruiu o Sanatório de Willow Hill, matando todos os pacientes e funcionários. Não se sabe ao certo o que deu início ao incêndio, sua causa ainda é um mistério. O sanatório abrigava tuberculosos, leprosos e doentes mentais. Apesar do incêndio, sua estrutura não recebeu grandes danos e apenas um dos quartos parece não ter sofrido tanto quanto os outros cômodos, o quarto 301.”
Senti um calafrio percorrer por toda a extensão da minha coluna vertebral. Eu estava hospedado nesse quarto, encontrei um fantasma, um desenho e uma chave que me levaram até aqui e o desenho se parece com a foto do jornal!
— Sai-san, está tudo bem com você? – Era Hinata preocupada comigo.
— Sim, Hyuuga-san. – Menti. – Pode me passar a notícia da inauguração, por favor?
Ela gentilmente me deu a notícia da inauguração. A notícia estava assim:
“Grande inauguração: Hoje, 03/03/1928, é inaugurado o Hotel Dasdon. A inaguguração conta com ilustres presenças (não vou botar os nomes porque são muitos). Há exatos três anos uma tragédia abalou este mesmo edifício. Um sanatório chamado Sanatório de Willow Hill pegou fogo, matando todos os pacientes e funcionários. Até hoje as causas do incêndio são desconhecidas. Durante a reforma do hotel, apenas um quarto apresentava problemas: o quarto 301. Quando quebravam as paredes para mudar a planta, minutos depois estava tudo intacto. As únicas mudanças que não foram alteradas foram o encanamento e a decoração.”
— Você está com algum problema? – Foi Gaara quem me tirou do transe.
— Acho melhor darem uma olhada nisso aqui. – Estendi os recortes a eles.
Enquanto eles liam os recortes, eu olhava para os recortes de casos de suicídio. Estranhamente nenhuma das vítimas estava hospedada no quarto 301, não tinham ligações com ele e não tinha nada que mencionasse o tal quarto. Meus olhos percorreram uma das mesas e pousaram em uma pilha de fichas que alguns do grupo estavam vendo antes dos recortes. Pelo visto deveriam ser fichas dos pacientes do sanatório. Uma ainda estava fechada e tinha um nome: Tsuchi Kin.
Quem sabe ler a ficha de um paciente com problemas de saúde não me deixasse um pouco mais calmo? Peguei a ficha, abri e gelei. Eu não tinha lido nada, apenas visto a foto. A garota da foto era a garota fantasma do meu quarto.
— Se continuar empalidecendo assim, vamos ter que te levar a um hospital. – Disse Itachi zombeteiro com a pior piada que alguém poderia fazer nesse momento.
— O que é sanatório? – Perguntou Tobi.
— É um lugar em que pessoas tuberculosas, com lepra e outras doenças físicas e até doenças mentais eram internadas. – Explicou Sakura.
— Esse hotel foi construído em cima de um sanatório?! – Naruto estava quase se borrando nas calças.
— O quarto 301 não é o quarto do Sai? – Sakon lembrou da minha desgraça.
— Eu preciso de ar. – Eu disse e deixei a sala.
Não lembro que caminho eu tomei, só sei que fui para o lado de fora e me deparei com uma escada. Desci e parei em uma espécie enorme de pátio com vista para uma bela queda do penhasco. Vi que ainda tinha a ficha em mãos e comecei a ler.
“Tsuchi Kin; Data de internação: 06/12/1910; Motivo: distúrbio mental. A paciente não é sociável e só muda de atitude quando surta e berra desgraças e tragédias. Estranhamente tudo o que ela desenha acontece (...)”
— Nenhuma novidade. – Eu ouvi sua voz atrás de mim e quando vi, ela estava olhando por cima do meu ombro.
— Quer me matar de susto?!
— Quero que você e seus amigos saiam daqui.
— Por quê?
— Existem dois tipos de pessoa que odeio: o tipo que mata e tem medo de morrer e o tipo que procura a morte e implora para não morrer. – Ela saiu de perto de mim, andou até a grade e olhou para o abismo. – A névoa está se intensificando. Logo será tarde demais.
— Tarde demais para que?
— Para sair vivo daqui. Você teme a morte?
— Depende da morte.
— Então, se for ficar, fique no meu quarto. – Ela se virou para mim com o peito manchado de sangue e o mesmo fazia um rastro partindo de seus olhos e sua boca.
— Seu quarto?
— Você o conhece. O 301. – Gelei. – Por incrível que pareça, é o quarto mais seguro de todo o hotel.
Ela se inclinou para trás, atravessou a grade e caiu no abismo. Era assustador. Voltei para dentro e caminhei até o quarto. Retornei a ler a ficha, mas não encontrei nada falando de como ela morreu. Talvez tenha sido no incêndio.
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