SanWar - Priére (Interativa)
11 Capitulo 10 - "O outro lado".
Notas iniciais
*Gilgamesh
Um lugar escuro. Completamente distante dos seres chamados humanos, onde a ordem reina através da força bruta, e onde o mais fraco é estraçalhado.
É possível sentir o cheiro de sangue onde quer que vá, mas não apenas um tipo de sangue, mas vários e vários tipos ao mesmo tempo, o que pra mim é, prazeroso, e neste local, não é diferente.
Uma caverna nas montanhas de fogo é sempre um lugar ideal para caçar, principalmente por ser o lugar preferido dos fugitivos do rei, e as criaturas rebeldes sempre acabavam parando lá, mas especificadamente nesta caverna havia um grupo de lobisomens que desafiavam o rei, e que não deveriam ser perdoados. 5 no total recolhidos no canto mais escuro da caverna, a qual possuía estalactites vermelhas e ossos espalhados pelo chão.
– Quem está ai?! – Rugiu uma voz entre elas, tentando parecer confiante, ou convencer a si mesmo que não havia o que temer.
– Quem sou? – Dizia a cada passo que dava. – Sou aquele que trará seu fim, sou o caos que encontra no meio da noite, o desespero que toca seu coração no meio do escuro. Sou Gilgamesh, o príncipe das bestas.
Ao dizer essas palavras, estendi minhas mãos que se transformaram em garras peludas, junto com todo meu corpo. Havia me transformado em lobisomem, me entregando completamente aos instintos e à sede de sangue.
Dois deles pularam em minha direção se aproveitando da escuridão do local, mas fora em vão pois em um movimento de mãos, suas cabeças rolavam aos meus pés, completamente ensanguentados e sem vida.
– Apenas isso? Quem será o próximo? Ande, venha. – Disse enquanto pisava na cabeça na cabeça de um deles, apoiando em meu joelho.
Com isso comecei a ouvir choros como se fossem de bebes, lobisomens crianças, os mais barulhentos, o que apenas serviu para aumentar a minha raiva.
Investi rapidamente em direção às outras três figuras, pegando a maior e arremessando a outro lado da caverna e segurando as outras duas, uma em cada mão enquanto as crianças choravam e imploravam por suas vidas, mas nada disso seria permitido, nenhum sobreviveria.
Essa era a Lei, se alguem quisesse o trono, bastava completar um desafio, se tivesse êxito teria o direito de matar Gilgamesh, caso falhasse, o desafiante e toda sua família morreria.
A primeira criança gritava de forma muito alta, prejudicando minha audição, então pensei no jeito perfeito de mata-lo. Coloquei a segunda no chão e pressionei seu estomago com um pé, e agora com uma das mãos vagas, abri a garganta dele e arranquei suas cordas vocais uma por uma até que não restasse nada em sua garganta, fazendo assim com que ele nunca mais gritasse para ninguém.
Já a segunda havia parado de chorar e agora me encarava cheio de ódio.
– Vamos garoto, gosto dos seus olhos, mas... – Disse levantando o pé. – Essas são as ordens. –E pisando em sua cabeça com toda a força fazendo com que sua caixa craniana se abrisse totalmente e quebrasse como uma porcelana.
– Belo trabalho, meu príncipe. – Disse uma voz as minhas costas. – Notável.
Ao me virar, vi que era Spears, um tengu imperial representante das ilhas ao sul do reino central, Outhrealm. Ele possuía uma cabeça de um pássaro com um longo nariz vermelho, usava cota de malha de aço e uma katana presa na lateral do corpo, rosto vermelho e cabelos e uma longa barba branca e possui cerca de 2,50 metros de altura.
– Obrigado, Spears, mas o que faz aqui? Tão longe? – Perguntei.
– Trago noticias, noticias intrigantes para você e de extrema importância para seu pai. – Disse ele, sua voz era suave e firme ao mesmo tempo, porem às vezes ele costumava falar as palavras assobiando igual a um pássaro.
Voltei à minha forma original, no qual eu me parecia um pouco com esses humanos, mas com algumas diferenças. Altura de 1,90 metros, meus braços e algumas partes do corpo possuíam escamas dragonicas, possuía dentes caninos sobressaltados e garras nas mãos, mesmo em forma normal. Íris vermelhas e cabelos brancos.
– Sugere ir para o reino, agora? – Perguntei.
– Se deseja participar da reunião, terei uma audiência com seu pai, e como estava indo para lá e senti sua presença, sinto que esse assunto pode lhe interessar bastante, jovem príncipe. – Explicou Spears.
Decidimos então voltar ao reino de forma rápida. Como Tengus possuem grandes asas em suas costas, que lhes permite voar, é mais fácil para eles se locomoverem entre espaços na velocidade do som. E como tenho o poder que copiar as características de algumas criaturas, copiei suas asas e voltamos rapidamente ao palácio real pelas vias aéreas.
O palácio era uma construção de obsidianas, pedras negras resistentes a tudo, e difíceis de derrubar ou deteriorar. Dizem que elas possuem características magicas e misteriosas, por isso são tão difíceis de achar e raras, mas pelo rei, todos fizeram o impossível e esse palácio foi levantado. Uma fortaleza no centro com uma redoma em cima, quatro torres formando um quadrado e dentro ainda existem masmorras que servem para torturar e punir quem vai contra o reinado de meu pai, Behemot, o rei das bestas.
Behemot é entidade que possui um mundo inteiro em suas mãos, tendo conhecimento de cada canto do mundo, de cada criatura e um exercito capaz de conquistar qualquer outro mundo que seja.
Ao chegar no palácio, fomos recebidos por alguns dos empregados do lugar, que variavam em tengus, kitsunes, vampiros e lobisomens mais fracos que precisam de proteção do rei.
Assim com por fora, as paredes de dentro eram possíveis ver os blocos de obsidianas interligados por magma seco e gelado em sua forma mais solida e inofensiva o qual impedia o local de resfriar e incomodas o sangue quente do rei.
A sala de audição era um grande espaço aberto com uma lareira em um dos extremos que projetava uma sombra por todo o local e no centro havia uma espécie de trono envolvido por uma grande massa que parecia ter uma forma reptiliana completamente envolvida pelas sombras.
– Majestade. – Disse Spears fazendo uma pequena reverencia, e como reposta recebeu apenas um olhar daquela criatura com seus olhos profundos e penetrantes de tom roxo e um pequeno sinal com a cabeça para continuar. – Informo a vossa senhoria que recebemos relatórios de pequenas anomalias aqui perto e constatamos que existe um portal próximo daqui, nas montanhas de fogo que em uma de suas muitas caverna, que leva a outra dimensão.
– Espere. Dimensão? Montanhas de fogo? – Então era por isso que ele estava por lá, e não apenas por “ter sentido minha presença”. – E pra onde exatamente esse portal leva?
– Para a “Terra”. Dimensão dos Humanos, uma criação de “Deus”, que dizem ser o criador de tudo. – Explicou Spears.
– Então é de fato o universo “DELE” certo? Aquele que ordenou nosso banimento? – Pela primeira vez ele se manifestou. Mesmo sem se mover, Behemot possuía uma voz que poderia causar medo em qualquer outra criatura. Uma voz tão profunda, grave e arrastada que um simples sussurro poderia causar pânico em todos do palácio.
O que não foi diferente e naquele momento todos os prisioneiros começaram a gritar e dois empregados entraram desesperados no quarto. Apenas para serem agarrados por uma grande mão, arrastando até as sombras em meio a gritos e choros até que se ouviu estalar de ossos, um mastigar e uma cuspida ejetando pedaços aleatórios dos corpos, como braços, pernas, tripas e fígados estraçalhados e corroídos, juntamente de um cheiro de sangue e carne podres que ficara impregnado no recinto.
– Voltado ao assunto, Majestade. Sim, e é das criações mais queridas dele, no mundo onde alguns dos nossos mais valiosos guerreiros permaneceram. – Disse Spears. – Porem, o portal ainda está instável e não permite que criaturas muito grandes e poderosas como o senhor, passem por ela, mas precisamos de alguém que tenha poder suficiente para mobilizar nossas tropas.
– E quem sugeres, Spears? – Retumbou sua voz pelo recinto.
– Eu mesmo poderia ir, majestade, mas não creio que todos iriam me aceitar de bom grado e entre os que ficaram, existem 3 de seus generais, não estou certo? Ou morreram? – Disse Spears de certa forma esperançoso.
– Que medo tens deles? Medo deles saberem seus verdadeiros objetivos Spears, o vento traiçoeiro? Acha que não sei que tem a intenção de liderar o exercito para seus próprios planos e dominar o mundo humano para si?
Nesse momento, Spears sacou a espada que possuía e notei que ela tinha um brilho estranho, um verde mórbido, perigoso.
– Desculpe-me vossa majestade Behemot, mas se tens ciência disso, não há porque esperar uma decisão sua então. – Disse ele empunhando sua espada. – Morra, Behemot.
E então ele pulou para cima de meu pai e sua massa disforme que simplesmente desapareceu, virando uma forma humanoide e saindo do recinto.
–Gilgamesh, mostre seu valor e dignidade. Derrote-o para mim, se puder. Se derrota-lo Spears, faça o que quiser. – E ao dizer essas palavras, Behemot saiu da sala fechando-a a suas costas. –
Spears se virou em minha direção com sua espada levantada para mim e então tomou impulso com o pé e passou como um foguete por mim, abrindo uma fissura um pouco abaixo do meu ombro.
– Você é bom, pena que terei de lutar a serio. – Disse, tomando uma forma de um lobo gigante com quatro caldas pulando de uma parede para a outra com uma velocidade grande, arrancado uma parte de sua armadura a cada mordida até ter retirado-a completamente e começado a triturar sua pele com minhas garras.
– Você é rápido e um guerreiro valoroso, pena que não pode usar a mesma habilidade em combate aéreo. – Disse Spears levantando voo pela sala que era tão grande que nem se via seu teto.
E então ele começou a dar rasantes cada vez mais rápido tentando me atingir e por varias vezes raspando minha pele até que conseguiu arrancar uma de minhas caudas me fazendo destransformar e voltar a minha forma original.
– Ora, ora, ora. Finalmente a arma fez efeito. – Disse ele triunfante. – Agora não poderá mais se transformar, pois essa é uma arma criada para matar um amorfo, ou seja, faz com que sua forma física e frágil fique exposta. Agora morra!
Disse ele subindo e caindo como um meteoro em minha direção em uma velocidade tão grande que meus olhos mal podiam acompanhar até que fui atingido.
Um estrondo deve ter sido ouvido por todo o local, junto com uma nuvem de poeira e uma explosão. Porem felizmente, eu consegui para a lamina usando as palmas da mão, segurando a espada um pouco antes de atingir meu rosto.
– Como? Você não deveria ter forças para se transformar em nada, muito menos para parar meus golpes. Você deveria estar morto só de tocar nela. Como? – Perguntou ele surpreso.
– Pela primeira vez, agradeço por ter esse outro lado. – Respondi. – Apesar de um lado fraco, é o que me manteve vivo hoje.
Ao dizer isso, tirei a espada de suas mãos e num rápido brandir de sua lamina, cortei seus dois braços que caíram em um baque surdo no chão espirrando sangue e o fazendo gritar.
– Você não suporta muito a dor não é mesmo? – Disse cravando a espada em sua coxa enquanto ele gritava. – Isso é uma lição, nunca desafie ao rei. Nunca me desafie.
Comecei a retalhar lentamente seu corpo, fazendo-o sofrer cada vez mais e por muito tempo, fazendo-o desmaiar e esperar acordar apenas para recomeçar, até que me cansei e cortei sua garganta, deixando sua cabeça rolar. Então peguei seu corpo e o joguei na laleira, queimando tudo o que podia, até sobrar cinzas.
Com isso, pode novamente escutar a voz de meu pai, porem mesmo não estando lá, podia ouvir sua voz, dentro da minha cabeça.
– Bom trabalho filho, agora, já sabe o que fara não é mesmo? – Disse ele e eu já sabia a resposta e estava preparado. – Acha que pode atravessar o portal para o outro lado e organizar minhas tropas até minha chegada? Acha que consegue?
– Sim pai, as suas ordens são leis, irei neste exato momento. – respondi. – E não só mobilizarei as tropas como acabarei com toda a raça humana.
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