Same Mistake
1 Same Mistake
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Bom, véspera de natal, minha mãe gritando para eu ir me arrumar logo e eu aqui postando mais uma fic Han/Leia, porque meus sentimentos ainda estão muito destruídos.
Como disse a história contém spoilers de O Despertar da Força e esse é o último aviso.
Espero que gostem! *-*
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Ele tentou. Todos os deuses da Galáxia eram testemunha de que ele havia tentado. Havia tentado ser um bom marido. Havia tentado ser um bom homem. Havia tentado ser um bom pai. Mas aparentemente havia fracassado miseravelmente em todos os papéis. Han Solo tinha consciência de que nunca havia sido exatamente a melhor pessoa do mundo. Ao longo de sua vida havia cometido vários erros, de muitos deles sequer se lembrava, mas alguns o atormentariam pelo resto de seus anos. Naquela noite lá estavam eles mais uma vez o assombrando e roubando-lhe o sono. Cansado de revirar na cama improvisada, se levantou tomando o cuidado de não acordar Chewie. O amigo provavelmente estava cansado e ele não queria conversar. Pelo menos, não com o Wookie.
Sendo assim, saiu da nave e começou a caminhar pelas ruas desertas de uma cidade qualquer, em um planeta qualquer. Han já nem se importava. Houve um tempo em que apreciou essa vida errante, em que amava ser um jovem pirata do espaço, viajando pela Galáxia sem destino certo, na companhia apenas de Chewie e da Millennium Falcon. Tudo isso parecia ter acontecido em outro século. Além disso, ele já não era mais jovem e aquela não era a Falcon. Chewie, por outro lado, permanecia fielmente ao seu lado. Fazendo Solo se questionar, mais uma vez, o que havia feito para merecer um amigo tão bom. Respirou fundo, tentando não pensar em nada daquilo, enquanto observava o céu estrelado. A noite estava silenciosa de uma forma enlouquecedora e isso o fez se lembrar dela. Leia.
“Então enquanto eu me reviro em meus lençóis
E mais uma vez, não consigo dormir
Saio pela porta e subo a rua
Olho as estrelas debaixo dos meus pés
Lembro de coisas certas que fiz erradas
Então aqui vou eu”
A verdade era que a mulher estava sempre em algum lugar de seu pensamento, mas no geral ele tentava simplesmente ignorar sua lembrança. Em noites como aquela isso se tornava impossível. Em noites como aquela, Han apenas desejava senti-la alinhada em seu peito, pele contra pele, corações batendo no mesmo ritmo, enquanto se inebriava com o maravilhoso perfume que dela emanava. A memória era capaz de lhe provocar um sorriso involuntário. Em noites como aquela, ele se lembrava de como os dois sempre tiveram problemas para dormir, mas que quando estavam juntos eram capazes de virar madrugadas conversando. Era bem verdade, que algumas vezes isso terminaria em alguma briga infantil e sem propósito, mas até disso ele sentia falta. Na realidade, sentia falta de tudo sobre ela, até mesmo das coisas que sempre o tiravam do sério. Sem Leia tudo soava estranho, errado e incompleto. Suspirou mais uma vez, a idade o estava tornando pateticamente piegas. Continuou a caminhar sem nenhum destino, mas isso não o incomodava, há algum tempo já não havia nenhum lugar para onde realmente desejasse ir.
“Não há nenhum lugar para onde eu possa ir
Minha mente está confusa e meu coração está pesado.
Dá pra perceber?
Eu perco a trilha que me perde
Então aqui vou eu”
Han balançou a cabeça, sabendo que aquilo não era exatamente verdade. Havia uma parte dele que queria ir para casa. O problema era que sua casa já não podia ser exatamente chamada assim. Por muito tempo ele fora feliz. Inteira e genuinamente feliz. O tipo de felicidade que um dia chegou a duvidar que fosse capaz de existir e que sempre sentiu que não merecia. De qualquer forma, ele a sentira por um tempo. Da forma mais desajeitada possível havia formado uma família com Leia. Uma família que também incluía Luke e Chewie e que se tornou completa quando a antiga princesa engravidara. Era bem verdade que a perspectiva de ser pai o apavorara em um primeiro momento, mas bastara segurar Ben nos braços pela primeira vez para que toda dúvida e medo se dissipassem. E pela primeira vez Han Solo entendeu o conceito de amor em sua forma mais pura.
O homem balançou a cabeça, tentando se libertar daqueles pensamentos. A última coisa que queria era se lembrar do filho. Pensar no que o garoto havia se transformado era suficiente para formar um nó em sua garganta. Han tinha consciência de que nunca havia sido perfeito, sua ficha estava cheia de pecados, mas aquilo era diferente. Tudo de errado que Solo fizera fora buscando sobreviver, o filho, por sua vez, buscava poder. Não via problemas em exterminar inocentes e se voltara a uma causa que representava tudo contra o que ele, Leia e Luke haviam lutado. Seu filho simplesmente já não era seu filho. De certa forma, era mais fácil para Han acreditar que ele estava morto. Em algum aspecto era verdade. Ben agora era Kylo Ren. O garoto que havia conhecido e amado não existia mais.
Ainda assim, apesar de tudo, Leia ainda acreditava que havia esperança para o filho. Mas Leia sempre fora diferente de Han. Ela era uma idealista, alguém que lutava pelo que era certo e se recusava a perder uma batalha. A mulher não era do tipo que aceitava desistir e certamente não desistiria da criança que colocara no mundo. Mas Solo nunca teve aquele tipo de fé cega e se a esposa era uma idealista, ele era um sobrevivente e sobreviventes sabem a hora certa de desistir.
“E assim eu mandei alguns homens à luta,
E um deles voltou na calada da noite.
Disse que ele tinha visto o meu inimigo.
Disse que ele se parecia comigo,
Então eu saí fora para me cortar e aqui vou eu”
De qualquer forma, nada daquilo realmente importava. Independente do que acontecesse no futuro, nada poderia apagar o passado. O passado que o assombrava, trazendo sempre um gosto agridoce a sua boca. Passados os tempos doces e felizes, tudo o que viera depois era amargo e repleto de sofrimento. Como alguém deveria lidar com o fato do filho ter ido para o lado negro da força? Obviamente ele, Leia e até mesmo Luke fizeram algo muito errado. Todos eles resolveram procurar culpados e se afogar em remorso. Talvez, no fim das contas, não fosse realmente culpa de ninguém, mas Han não conseguia deixar de pensar que havia fracassado miseravelmente em seu papel de pai.
Havia tentado e feito o melhor que podia, havia amado aquele garoto com tudo o que havia dentro de si. Isso nem de longe queria dizer que a relação entre eles fora fácil, ambos tinham personalidades fortes demais para isso. Os conflitos existiam, era verdade, mas Solo nunca imaginou que acabaria daquela forma. Quando aconteceu, algo se quebrou dentro dele. Sua cabeça revivia constantemente tudo o que poderia ter feito diferente, enquanto seu coração sangrava. Ele não conseguia lidar com aquilo, queria chorar, mas se recusava a deixar que as lágrimas caíssem, queria gritar, mas manteve os lábios bem selados. Era orgulhoso demais para aquilo.
Ainda assim, por dentro ele se encontrava destruído. No momento em que Ben abraçara o lado negro, Han soube que perdera o filho para sempre e aquela perda o machucava demais. Luke se exilara após aquilo e Leia, oh Deus, Leia estava inconsolável. Solo sabia que ela era uma mulher forte, fora um dos fatores que o fizeram se apaixonar por ela, mas aquele era um golpe duro demais para suportar. Ver a dor nos olhos da mulher tornava tudo ainda pior. Nenhum dos dois sabia muito bem o que fazer, ou como seguir em frente. Como continuar a viver após aquilo? Como ignorar tudo o que acontecera?
Leia se voltou para o trabalho, tentando se concentrar naquilo em um modo desesperado de manter a sanidade, e ele fez o que fazia de melhor. Partiu. Sabia que iria quebrar ainda mais o coração da esposa, sabia que, de certa forma, isso também quebraria o seu coração, mas pegou suas coisas e foi embora. Como sempre Chewie resolveu acompanhá-lo e Han era grato por aquilo, mas nunca seria a mesma coisa. Talvez ele fosse um covarde por ter fugido daquela forma, mas no momento não via outra opção. Não aguentava a culpa, não suportava as lembranças em cada canto da casa e não conseguia lidar com Leia. Na verdade, eles não conseguiam lidar um com o outro. Mal se olhavam, mal conversavam e fechados em sua própria dor e na tentativa de não desmoronar, evitam as lembranças que emanavam um do outro.
Ben tinha os olhos de Leia. Por décadas Han amara aqueles olhos, agora, contudo, eles lhe traziam um sentimento de melancolia e depressão. Na verdade, tudo soava daquela forma, Então, ele foi embora. Era o que fazia quando as coisas ficavam difíceis, era a única forma que ele conhecia de sobreviver. Provavelmente fora um grande erro, porque o remorso e a dor o seguiram pela Galáxia, agravados pela saudade que sentia de Leia.
Ela provavelmente não queria vê-lo novamente e ele não podia culpá-la por isso. Ainda assim, não sabia se faria algo diferente caso tivesse a chance de voltar no tempo. A vida que conhecia estava destruída. Han procurou desesperadamente uma razão para ficar, mas ele e Leia estavam cada dia mais distantes e deixar tudo para trás pareceu a escolha acertada. A simples ideia de partir sempre foi o maior erro que ele cometera durante sua vida, porque aquilo machucava Leia e ele detestava machucá-la, ainda assim, após tantos anos, Solo continuava a cometer aquele mesmo erro.
“Eu não estou pedindo uma segunda chance
Eu estou gritando com toda a minha voz
Me dê razão, mas não me dê escolha
Porque eu apenas vou cometer o mesmo erro de novo”
Talvez um dia ele e Leia se reencontrassem. Han não sabia o que esperaria de algo assim, mas a simples oportunidade de tê-la nos braços mais uma vez seria um presente. Talvez tivessem a oportunidade de conversar como não fizeram desde o desastre com Ben. E talvez aquele houvesse o problema, os dois sempre foram orgulhosos demais, sempre odiaram se mostrar vulneráveis e falar sobre o que os machucava. Ao longo do casamento o acabaram fazendo várias vezes, mas aquilo era diferente. Tudo o que envolvia o filho era diferente. De qualquer forma, apesar de tudo, Han sabia que ainda amava Leia e que sempre iria amá-la. Sabia também, como sempre soube, que ela se sentia da mesma forma em relação a ele.
Era irônico como os dois tinham tudo para dar certo e viverem juntos até o último dia de suas vidas, mas então a vida aconteceu.
“E talvez um dia nós nos encontremos
E talvez possamos conversar e não apenas falar
Não cobre as promessas, porque
Não há promessas que eu cumpra
E minhas reflexões me incomodam
Então aqui vou eu”
Notas finais
De qualquer forma, espero que tenham gostado!
Feliz Natal pra vocês e suas famílias!
Beijinhos...
Thaís
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